quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Justiça condena Estado chileno a indenizar famílias de vítimas da ditadura de Pinochet

                                                                             
Corte Suprema do país determina responsabilidade do Estado e estabelece indenização de cerca de 5,6 milhões de reais às famílias de quatro desaparecidos
      
A Corte Suprema do Chile condenou o Estado a indenizar as famílias de quatro desaparecidos durante a ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990). O total da indenização foi estipulado em 1 bilhão de pesos chilenos, equivalentes a 5,6 milhões de reais.

A sentença estabeleceu que o desaparecimento e a morte de quatro pessoas por agentes da ditadura entre 1973 e 1974 constituem “delitos criminais de lesa humanidade, sendo portanto imprescritíveis e não passíveis de anistia nos aspectos penal e civil”.
Truque da Banana / Flickr CC

Memorial em homenagem a vítimas da ditadura de Pinochet em Santiago, capital chilena

Receberão a indenização as famílias de Luis Guajardo Zamorano, que desapareceu no dia 20 de julho de 1974 vítima da Operação Colombo, que assassinou 119 opositores de Pinochet;  Miguel Rojas e Gilberto Rojas, pai e filho detidos por militares chilenos em 13 de outubro de 1973 e nunca mais vistos; e Juan de Dios Salinas Salinas, detido em 14 de setembro de 1974.
'Falta muito' na busca por netos que sumiram na ditadura da Argentina, diz líder das Avós de Maio

A Corte destaca que, “dado o contexto em que o ilícito foi verificado com a intervenção de agentes do Estado”, o Estado chileno “não pode eludir sua responsabilidade legal de reparar tal dívida”.

“Não cabe senão concluir que o dano moral causado pela conduta ilícita dos funcionários ou agentes do Estado, autores dos ilícitos de lesa humanidade em que se funda a presente ação, deve ser indenizado pelo Estado”, conclui a declaração.

Segundo dados oficiais, a ditadura militar chilena deixou mais de 3.200 mortos e torturou cerca de 38 mil pessoas. (Com o Diário Liberdade)

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Preso em Israel, repórter palestino em greve de fome corre risco de morte

                                         
Detido por Israel, o jornalista palestino Mohammed al-Qiq, que está em greve de fome há 61 dias, pode morrer a qualquer momento, informou o advogado dele, Jawad Boulous, à agência de notícias 


O secretário-geral da Organização de Libertação da Palestina (OLP), Saeb Erekat, ressaltou que considera o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, "pessoalmente responsável pela vida de Mohammed al-Qiq".

O jornalista, de 33 anos, atua como repórter do canal saudita Al-Majd. Em dezembro, ele foi levado para uma prisão administrativa, regime que permite a detenção sem acusação ou julgamento por períodos de seis meses, renováveis indefinidamente. 

A segurança interna de Israel acusa o profissional de ser um integrante  da organização islamita palestina Hamas, considerada terrorista por autoridades do país. Em novembro, ele iniciou uma greve de fome para denunciar a "tortura" e "abusos" sofridos na prisão.

A situação de al-Qid é semelhante ao do advogado palestino Mohammed Allan, que permaneceu em greve de fome por 60 dias. A iniciativa divide as autoridades entre não atender aos pedidos do prisioneiro e o risco de aumentar a violência em caso de morte. Ele foi libertado em 5 de novembro do ano passado.

(Com o Portal Imprensa)

No grande sertão, Comissão da Verdade busca as origens das injustiças fundiárias

                                                                      
Mais que investigar crimes da ditadura, Comissão da Verdade do Grande Sertão, no norte de Minas Gerais, irá às origens das injustiças fundiárias e ajudará povos tradicionais a retomar o seu lugar


Ana Mendes (texto e fotos)

Da Revista do Brasil


Tiros na boca da noite. Em 1967, um grupo de camponeses no sertão mineiro resolveu resistir e lutar pela terra. Seis foram assassinados. “A gente só queria trabalhar, tudo trabalhador”, conta Ursulino Pereira Lima, o seu Sula, hoje com 94 anos. Além dele, restam poucos para narrar os fatos do episódio que ficou conhecido como o Massacre dos Posseiros de Cachoeirinha, em Verdelândia, norte de Minas Gerais. O velho Jadé de Paula, estirado na cama, com câncer de estômago, quer falar, mas só lhe sai uma palavra por vez – o que cabe em uma tragada de ar. Tinha polícia fardada lá? “Muita.” Jadé morreria dois dias depois de conversar com a reportagem, em 3 de setembro. Mas sua história está agarrada. Enraizou.


Em meio à luta no campo, Jadé e Íris tiveram filhos. Antônio de Paula, de 60 anos, é um deles. Antônio, por sua vez, conheceu Dinalva, e mesmo sob condições adversas tiveram Gustavo. Gustavo Prates Santos tem hoje 25 anos e está com uma bala alojada perto do pulmão. Isso porque com o seu pai e 180 famílias ele reivindica o território quilombola Nativos do Arapuim, que está sobreposto às terras de um latifundiário, nas cercanias da região em que seu avô lutou há mais de 50 anos. O percurso individual desses três homens é representativo do próprio fluxo da história, cíclico. A linha do tempo, que atravessa essas gerações, não é reta, crescente e irrepetível, ela é helicoidal. Infelizmente, a história se repete. E, no caso da questão agrária brasileira, é uma espiral de violência.


Em 2016, a Comissão da Verdade do Grande Sertão, sediada em Montes Claros, começará a trabalhar. Entre os assuntos a serem pesquisados estão os casos de violações no campo. Em nível nacional, ainda é bastante incipiente a organização dessas informações. No final de 2014, a Comissão Camponesa da Verdade (CCV) lançou o primeiro relatório apontando cerca de mil casos, mas sabe-se que há muitos mais.

Sobre a questão indígena, quem se encarregou de concentrar os dados foi a Comissão Nacional da Verdade (CNV). Nesse aspecto, já existem alguns avanços – o maior foi a anistia dada a 13 indígenas Akeiwara, conhecidos também como Suruí do Pará. Eles passaram a receber indenizações em 2014, pois no período ditatorial foram coagidos a trabalhar para os militares na caçada aos guerrilheiros que se escondiam na região do Araguaia e entorno.


Uma população indígena inteira agonizou durante a famosa Guerrilha do Araguaia. Quem sabe disso? As histórias começam a vir à tona sob um ponto de vista marcadamente incomum, o lavrador rural, por vezes analfabeto, o ribeirinho, o indígena e o quilombola querem contar o que viveram, eles também precisam desenredar os fios da memória.


Entender o momento


É por isso que a comissão que se configura no sertão mineiro, descentralizada dos grandes centros urbanos, vai ajudar a avançar no desenho de um panorama nacional. Algumas histórias já muito conhecidas na região, como o Massacre dos Posseiros de Cachoeirinha (que começou em 1967 e se arrastou por anos – a terra foi homologada apenas em 2014) e o caso de Saluzinho, também em 1967, o posseiro que resistiu durante seis dias dentro de uma gruta, serão revistos. E outras mais aparecerão. É no que acredita Cícero Lima, presidente da Associação Vazanteiros em Movimento: “Nós achamos que essa é a oportunidade de ajudar. Queremos descobrir outros casos para minimizar o que o aconteceu e o que vai acontecer. Sabemos que não há condições de parar (as violações), mas ao menos o povo tá sabendo que existe”.

 Revisitar essas e outras histórias ocorridas na época da ditadura tem esse teor: entender o momento atual. “A gente tenta tirar o peso do revanchismo, mas tem sim um acerto de contas histórico a ser feito”, diz a advogada Maria Tereza Carvalho, uma das coordenadoras da Comissão da Verdade do Grande Sertão. A política de distribuição de terra da ditadura, dita reforma agrária, criou latifúndios Brasil afora, e em Minas Gerais não foi diferente. “Se a gente tem hoje fazendeiro dentro de área quilombola, fazendeiro dentro de terra indígena e posseiros que foram expulsos das suas terras, esse período, que compreende os anos 60 e 70, foi essencial pra isso”, explica.


O programa de governo da época, aparentemente, era até “progressista”. Prometia distribuir terras devolutas para pequenos agricultores. Na prática, não foi nada disso. As populações tradicionais e os camponeses pobres viram-se coagidas a entregar sua casa a troco de nada à elite latifundiária. Em Rondônia, no Pará e em outros tantos estados foi assim. A Minas Gerais chegaram ainda levas de gaúchos, financiados pela Fundação Rural Mineira para plantar soja.


Daniel Gomes Ferreira, 47 anos, é o filho mais novo de Saluzinho. A história de seu pai ficou famosa: Salustiano Gomes Ferreira permaneceu vivo escondido em uma pequena gruta durante quase uma semana, em 1967, sem dormir e sem comer, enquanto a polícia jogava bombas de gás e todo tipo de explosivo lá dentro. Ele deu apenas quatro tiros e só saiu quando lhe deram a garantia de que não o matariam. Dizem que o cheiro de gás que exalava de seu corpo causou náusea ao médico que o esperava, na boca da gruta, para prestar atendimento.


Saluzinho passou cerca de quatro anos encarcerado como preso político no Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de Belo Horizonte. Durante esse período aprendeu a ler um pouco mais e ampliou sua noção sobre direitos humanos. Antes, ele era um posseiro valente e indignado. “Era difícil naquele tempo falar em direito, pobre não tinha direito. Hoje, graças a Deus, nós estamos aqui falando com vocês. Isso é uma honra. Naquele tempo não tinha isso, era bala, cadeia e porrete”, diz Daniel. A história de seu pai tornou-se livro, Saluzinho, Luta e Martírio de um Bravo, escrito (2014, Editora D’Placido) pelo jornalista mineiro Leonardo Alvares da Silva Campos, que traz um apanhado de recortes de jornais com diversas versões sobre o ocorrido.


Essa história já foi fartamente contada – Saluzinho viveu até 2007. Ele mesmo pôde narrar os fatos. Ainda assim, Daniel é um verdadeiro achado da Comissão da Verdade do Grande Sertão, porque ele quer virar o holofote para a história da mulher de Saluzinho, sua mãe. Enquanto o marido estava preso, Dulce Gonçalves de Araújo definhava. Morreu alguns meses depois, em decorrência de torturas. A mesma polícia que lutava na gruta contra Salu pendurou-a de cabeça pra baixo, nua, queimou o bico dos seus seios e introduziu galhos de árvore em seu ânus.


Depois de tudo isso, a alma da mulher adoeceu. O corpo logo se entregou também. Daniel era muito pequeno, mas lembra. “Eu lembro de minha mãe como um sonho. Ela era muito calada, não era de muitas palavras.” Daniel não é mais o menino de 4 anos que perdera a mãe, mas os olhos marejam como se fosse. Revirar as poucas lembranças que tem é uma missão, desde que seu irmão morrera, há cerca de quatro meses. “Se eu não for atrás disso, nunca vou saber o que aconteceu. Eu sou o último. Se eu não falar, a história vai morrer comigo.” Quando é questionado sobre o local do túmulo de Dulce, Daniel tem os olhos verdes inundados outra vez. “Não sei.”


Retomadas

Os acampamentos Mãe Romana, em Matias Cardoso, e Santa Fé, em São João da Ponte, são dois exemplos do que está acontecendo aos montes hoje no sertão mineiro. São as chamadas retomadas. Grupo de populações tradicionais estão retomando para si o local de onde foram expulsos os seus parentes durante os anos 1960 e 1970. Quilombolas, vazanteiros, geraizeiros e outros povos tradicionais estão ocupando fazendas em busca de permanecer no território ancestral. O momento é de ebulição.


“Quando fazemos os relatórios antropológicos entramos nessas fazendas e eles vão apontando ‘aqui tá enterrado fulano’, ‘aqui acontecia tal coisa’, então, fazemos o levantamento do que chamamos de marcos de territorialidade. A historicidade está marcada no espaço que eles ocupavam e que foi expropriado nos anos 60 e 70. Em decorrência de estarem próximos aos seus territórios, ao se reconhecerem no artigo 68 do Ato das Disposições Transitórias, nos artigos 215/216 da Constituição, esse pessoal partiu pra luta”, relata o antropólogo e professor da Universidade Estadual de Montes Claros, João Batista Almeida Costa, também pesquisador da Comissão da Verdade.


Território para eles não é sinônimo de terra. Território é aquele pedaço de chão em que viveram avós e bisavós, aquele cantinho onde Mãe Piana fez o parto de mais de 2 mil crianças. A terra é consequência. Na terra se planta e colhe, no território brotam histórias. E lá se quer ficar. Porque a memória é algo que nem a mais torpe das ditaduras poderá usurpar.


Afirmação e pertencimento

Batista: historicamente populações vêm lutando por seus espaços territoriais
O antropólogo João Batista Almeida Costa, professor da Universidade Estadual de Montes Claros e pesquisador da Comissão da Verdade do Grande Sertão, fala sobre a “construção política da identidade”.


A Comissão da Verdade do Grande Sertão pretende dar conta desse lugar, o grande sertão. Que território é esse?


A dimensão administrativa do estado não recobre toda a área que temos contato, isto é, a área de pessoas que estão vinculadas à comissão, pessoas dos movimentos sociais locais. Então, a comissão entrará, além do norte de Minas, no noroeste e também no Vale do Jequitinhonha. Decorrente dessa “quebra” administrativa, como então nomear a comissão? 

Todos nós somos leitores de João Guimarães Rosa, e exatamente quando ele fala de grande sertão, se refere a essa região. Se a gente for cartografar o Grande Sertão de Guimarães, no trecho de Minas Gerais, é exatamente essa área de atuação: um pedaço do centro, o norte de Minas e o Vale do Jequitinhonha. Riobaldo, no seu périplo, nasce no centro, vai pro norte, pro Jequitinhonha e ao final pro noroeste. 


Seu trabalho é uma referência para quem quer falar de populações tradicionais do norte de Minas Gerais. Qual vai ser a importância da Comissão para a questão das violações no campo, junto a esses povos?


A Comissão Nacional e a Estadual, quando olham para a realidade, não conseguem recobrir todas as situações. Aqui, o exemplo de Cachoeirinha veio à tona (nos relatórios dessas comissões), mas não a utilização da estrutura repressiva do Estado como aliada no processo de expropriação territorial. Isso ocorreu em todo o país, aqui não seria exceção.


Até a entrada do norte de Minas na área de atuação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), a grande maioria das terras era devoluta, o tipo de sistema produtivo era a criação extensiva de gado solto. Gado solto na chapada, nos vales e que só era campeado anualmente no período próximo à parição das vacas. Nesse momento se aproveitava para fazer vacinação. O gado criado solto era reconhecido porque era marcado com o ferro de cada proprietário. E não havia cercas impedindo a terra, tanto que tem uma marcha que diz “êta, mundão sem cancela”. O gado transitava por esse mundão e os vaqueiros em busca dele passavam léguas e léguas, grandes distâncias, campeando. A partir da entrada na Sudene, a terra passa a ter valor econômico.


Ao mesmo tempo, há o financiamento da transformação da fazenda em empresa agropecuária. Isso se dissemina. Com o apoio explícito do estado, por meio da Ruralminas (Fundação Rural de Minas) e com o apoio velado, por meio das polícias Militar e Civil e do Dops, as elites (médicos, dentistas, advogados, fazendeiros, comerciantes, professores, pessoal da emergência local) com bandos de jagunços foram terra adentro – terras de quilombos, terras dessas populações. 


E sobre os casos de Saluzinho e do massacre dos posseiros de Cachoerinha?


Saluzinho morava no território que hoje pertence a Brejo dos Crioulos (quilombo). Em 1920, um agrimensor que é chamado por um fazendeiro de São João da Ponte para processar a divisão de duas fazendas, a Arapuá e a Ouro Preto. Eles adotaram, então, a seguinte estratégia: criam faixas de terras pras pessoas que viviam ali e entre essas faixas de terras põem glebas, deram o nome de Glebas de Ausentes. Nos anos 1960, quando começa o processo de afazendamento da elite regional, esses agrimensores vão vender essas glebas.


O caso de Cachoeirinha é clássico nesse sentido. Vendem ao coronel Giorgino umas glebas de terra e a Constantino outras. O bando de jagunço, então, começava a pressionar as pessoas a vender as terras. Como eles não conseguem, começam a pôr fogo nas plantações, a matar e roubar o gado. O caso de Cachoeirinha é esse, e o de Saluzinho também. Houve então a revolta de Cachoeirinha em perder a terra, e Saluzinho age isoladamente. Desse jeito, eles conseguiam tomar as terras das pessoas, com violência extrema. 


Brejo dos Crioulos hoje é um quilombo.


Cachoeirinha também é historicamente um quilombo. Só que naquele momento a figura de quilombo ainda não tinha sido “inventada” pela Constituição.


Como foi a incorporação dessas leis entre os povos tradicionais e o que isso tem a ver com os atuais processos de retomada? 


Historicamente, essas populações vêm lutando pela permanência em seus espaços territoriais desde o processo de expropriação dos anos 60 e 70. Quando trabalhei na Secretaria de Trabalho do Estado como técnico de desenvolvimento rural, viajava a diversas regiões, e a grande reivindicação dessas populações sempre foi a permanência no espaço territorial deles. Para conseguir isso, já “foram” trabalhador rural sem-terra, agricultor, pequeno proprietário, posseiro.


Mas quando se dissemina na região a informação de que havia, no caso dos quilombos, um artigo na Constituição dizendo que o Estado deveria regularizar as suas terras imediatamente, mais de 80 comunidades no norte de Minas, em um espaço de três anos, vão se autoafirmar como quilombo e reivindicar a regularização fundiária. E as outras populações que estão em conflito, na luta contra eucalipto, fazendeiro e mineração, ao tomar conhecimento de que no artigo 215/216 diz que o Estado deve garantir a manutenção do modo de fazer, de viver, de pensar e de criar dos grupos formadores da nacionalidade brasileira demandam então uma assessoria (antropológica) para conseguir a permanência em seus territórios. Aí entra o caso dos vazanteiros, dos geraizeiros, caatingueiros, veredeiros e outros. 


É impressionante ver a quantidade de retomadas que há no norte de Minas. Parece similar com o que fizeram os povos indígenas nos anos 80, quando começaram a voltar para os seus territórios sob essa mesma justificativa, a ancestralidade. É isso que está acontecendo com os quilombolas? 


Na verdade, eles não saíram. Tem uma categoria que a gente utiliza que é a do “encurralamento”. Eles foram expulsos de suas terras, mas havia sempre uma Terra de Santo nas proximidades. Eles se deslocam pra essas Terras de Santo e permanecem trabalhando. Isso é inclusive uma estratégia dos fazendeiros, porque, então, você tem mão de obra barata pra o trabalho na fazenda. Você tem no entorno da fazenda uma comunidade rural negra.


No caso do Vale do Verde Grande, que a gente chama de Território Negro da Jaíba, tem 82 comunidades que se reconhecem como quilombola. E ficam situadas entre fazendas, em pequenas áreas de terra, um hectare, dois, três. Sendo que toda a terra em volta foi pertencente às famílias deles. Quando fazemos os relatórios antropológicos entramos nessas fazendas e eles vão apontando “aqui tá enterrado fulano”, “aqui acontecia tal coisa”, então, fazemos o levantamento do que chamamos de marcos de territorialidade. A historicidade está marcada no espaço que eles ocupavam e que foi expropriada nos anos 60 e 70.


Em decorrência de estar próximos aos seus territórios, ao se reconhecer no artigo 68 do Ato das Disposições Transitórias, artigos 215/216 da Constituição, esse pessoal partiu pra luta. O que emerge? A construção política de uma identidade. Se afirmam como vazanteiro, veredeiro, quilombola, apanhador de flor, revisitando o passado pela memória do grupo pra afirmar o seu pertencimento a esse espaço. Isso tem acontecido muito.

(Com o MST)

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Conferência Estadual do PCB é sucesso

                                                          
Túlio Lopes (*)


Os comunistas do PCB realizaram no último fim de semana a etapa estadual da conferência política e de organização nacional do Partido. 

de 100 pessoas de diversas regiões de Minas Gerais estiveram presentes.

Desde o processo de reconstrução revolucionária do PCB, iniciado nos anos 90, o Partido organizou-se em diversas cidades pólo de Minas Gerais, com destaque para Belo Horizonte, Sabará, Ribeirão das Neves, Contagem, Betim, Governador Valadares, Ipatinga, Uberaba, Uberlândia, São João Del Rei, Juiz de Fora, Barbacena, Teófilo Otoni e Mariana.

O Ato Político de abertura da conferência, realizado na manhã de sábado (23) no plenário Amynthas de Barros, contou com a presença de aliados importantes na luta dos comunistas. Sarah Azevedo e Jakson representaram o Partido Socialismo e Liberdade-PSOL, o companheiro Renato representou o Partido Comunista Revolucionário-PCR, a companheira Vanessa Portugal representou o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado-PSTU, e o camarada Vaguinho representou o Movimento Rural dos/as Trabalhadores/as Sem Terra-MST. 
                                                            
Após o ato de abertura, o camarada Eduardo Serra assistente do Comitê Central em Minas Gerais fez uma exposição sobre a Tese Poder Popular: conceituação e caminhos de construção, seguida de um debate qualificado com diversas intervenções dos presentes.

No domingo, 24 de janeiro, os militantes do PCB receberam com muita alegria a presença de um antigo militante comunista, o camarada Arutana Cobério Terena.

Militante comunista desde os anos 50, Arutana foi vereador do PCB na capital mineira no final dos anos 80 e retomou as atividades partidárias em 2011. 

Em sua intervenção Arutana destacou a necessidade do exemplo revolucionário dos militantes comunistas e a atualidade da luta revolucionária.

Foram debatidas as teses: I – O Poder Popular; II Inserção do PCB no movimento de massas e na classe trabalhadora. O papel das Frentes de Massa e sua relação com o PCB; e III – Organização para um partido revolucionário. 

Após o debate, ponto a ponto das teses, foram eleitos os delegados e suplentes que irão participar da Conferência Nacional Política e de Organização do PCB. 

Durante a conferência foram realizadas duas importantes plenárias. Uma da corrente Sindical Unidade Classista e outra da União da Juventude Comunista.

(*) Túlio Lopes é Secretário Político do PCB em Minas Gerais.


sábado, 23 de janeiro de 2016

A importância da Conferência Estadual do PCB


                                                                    
 José Carlos Alexandre


O sábado amanheceu com um céu excessivamente nublado, anunciando chuva próxima, ao contrário de algumas previsões meteorológicas.

Contudo, salvo alguns respingos, não houve quaisquer tipos de problema para quem se deslocou até a Câmara Municipal para acompanhar a palestra que antecederia a Conferência Estadual do Partido Comunista Brasileiro.

Tida como etapa estadual da Conferência Nacional marcada para o Rio de Janeiro, a reunião no plenário da Câmara foi muito mais: representou uma oportunidade a mais para a união da verdadeira esquerda hoje presente no quadro político brasileiro.

O PCB estadual deu mostras de seguir as diretrizes dos três últimos Congressos Nacionais do PCB, segundo as quais, não existe no Brasil um partido que detenha a hegemonia na luta pela construção do socialismo. 

De alcance do poder popular como etapa indispensável rumo ao fim do capitalismo opressor.

Muito felizes foram todas as intervenções dos representantes dos partidos e/ou movimentos populares que se unem em causas comuns.

Ouviram-se atentamente representantes do Partido Comunista Revolucionário (cujo represente permaneceu no plenário para acompanhar a palestra do membro do Comitê Central do PCB, Eduardo Serra), do MST, O PSTU e do PSOL.

Em meio às intervenções, foi homenageado um quadro dos mais atuantes do PSOL em Minas, Carlos Campos, recentemente falecido.

Sua liderança e sua capacidade de luta resultaram em aplausos de pé por parte dos participantes.

A palestra de um dos principais quadros do Comitê Central do PCB, o economista Eduardo Serra, foi muito objetiva, destacando a tese principal do Partido, que estaria em discussão durante a Conferência, a Luta pelo Poder Popular, lembrando as experiências em andamento em Cuba, onde os Comitês de Defesa da Revolução exercem importância fundamental na construção do socialismo.

Foram dele também informações sobre as relações com partidos comunistas do Japão e da China, que visitou, bem como do último encontro de partidos comunistas e operários realizado na Turquia o ano passado, onde representou o PCB.

Este texto não tem nem nunca teria a pretensão de esgotar o assunto. Pelo contrário. 

Procura-se unicamente mostrar que, ao contrário do que a direita possa pensar e divulgar em seus contumazes órgãos de comunicação, também a esquerda está se recuperando do baque representado pelo fim da União Soviética e está se unindo como nunca para fazer-e notar neste momento de profunda crise na  história política do país.

Haja vista as lutas contrárias aumento das tarifas do transporte coletivo, em que pese a feroz investida contra os movimentos populares como os dos governos do PSDB e assemelhados.

O povo brasileiro, ao final, vai sair vitorioso, não importa se agora ou um pouco mais tarde. 

Imagens raras de Lenin

Não permitiremos que direita e capachos do imperialismo voltem à América Latina, diz Evo a movimentos sociais

                                          
                                                            Freddy Zarco/ABI
Centenas de ativistas de Bolívia, Argentina, Venezuela, Chile, entre outros países, estão reunidos em La Paz 

Vanessa Martina Silva | São Paulo 

‘Não podemos abandonar governos progressistas, muito menos o presidente Maduro. Temos obrigação de defender líderes antiimperialistas’, acrescentou o presidente da Bolívia.
      
“Aos movimentos sociais de Argentina, Venezuela, Brasil: não podemos permitir que a direita e os capachos do imperialismo voltem a governar na América Latina. Se somos movimentos sociais, temos a obrigação de combater com mais informação e unidade”, disse o presidente boliviano, Evo Morales, em discurso na cúpula internacional, realizada em La Paz neste sábado (23/01), em comemoração aos 10 anos de seu governo no país.

Durante o encontro de movimentos sociais, Evo ressaltou: “temos a tarefa de defender tanto a Revolução Bolivariana da Venezuela e a Revolução Cidadã do Equador, como as transformações sociais realizadas por Lula e Dilma no Brasil e por Néstor e Cristina Kirchner na Argentina”.

Ele lembrou ainda que, quando chegou ao governo recebeu grande apoio dos ex-presidentes Néstor Kirchner (Argentina), Hugo Chávez (Venezuela) e Luiz Inácio Lula da Silva (Brasil): “Não podemos esquecer que nos ajudaram quando precisávamos” e fez um chamado de especial atenção com relação à Venezuela: “Não podemos abandonar esses governos, muito menos o presidente [Nicolás] Maduro. Temos a obrigação de defender nossos líderes antiimperialistas que hoje estão presidentes”.

Evo ressaltou ainda que, apesar de muitos acharem que na Bolívia o império foi derrotado, eu digo que “enquanto existir imperialismo e capitalismo, a luta seguirá. Nossa obrigação é sermos propositivos. Rechaçarmos a propormos algo diferente”.  


O mandatário indígena lembrou a importância simbólica de ter chegado ao poder: “Após tantos séculos de luta eu me lembro que diziam que tínhamos que passar da resistência à tomada do poder, que nos governássemos a nós. Quero dizer ao movimento indígena que na Bolívia cumprimos esse mandato, após 500 anos da invasão europeia. Nas distintas épocas de dominação colonial o que fizeram? Sempre tentaram nos dividir para nos dominar, roubar ou saquear economicamente”.

E concluiu: “Com luta, unidade e debate, chegamos onde estamos, com o apoio do povo boliviano. Eu estou orgulhoso dos movimentos sociais bolivianos que garantiram a estabilidade política e econômica do país ao me eleger presidente”.

(Com Opera Mundi)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Lenin: sobre o apartidarismo

Uma Canção sobre Lenin

Imagens de Lenin, que morreu há 92 anos

Liberdade de imprensa

                                              

FENAJ divulga relatório da violência contra
jornalistas e pede medidas para combater agressões

 Em coletiva à imprensa na quinta-feira (21/01) no Rio de Janeiro, quando lançou o Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil - 2015, a Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ) manifestou preocupação com o crescimento das agressões à categoria no ano passado e defendeu medidas para combater a violência. O levantamento registrou 137 ocorrências, oito a mais do que as 129 registradas no ano anterior. 

O número de assassinatos de jornalistas caiu, mas cresceu o de assassinatos de outros comunicadores. Em 2014, três jornalistas e quatro comunicadores foram assassinados. Já em 2015, houve duas mortes de jornalistas e nove mortes de outros comunicadores. O jornalista Evany José Metkzer foi assassinado em Minas Gerais em maio passado. 

Seu corpo foi encontrado na zona rural de Padre Paraíso. Já o jornalista paraguaio Gerardo Seferino Servián Coronel foi assassinado em Ponta Porã (Mato Grosso do Sul), onde morava, a 200 metros da linha de fronteira com a cidade paraguaia de Pedro Juan Caballero. Servián trabalhava na rádio Ciudad Nueva 103,3 FM, de Santa Pytã. 

"Dos assassinatos de jornalistas e outros comunicadores ocorridos em 2015, apenas em um caso – do radialista Gleydson Carvalho – os assassinos e os mandantes foram identificados e foram denunciados pelo Ministério Público", registra o relatório da FENAJ, que considera que a violência recorrente no Brasil é alimentada pela impunidade.

Foram registrados em 2015, 16 casos de agressões verbais, 28 de ameaças e/ou intimidações, nove atentados, 13 ocorrências de impedimento do exercício profissional, nove cerceamentos à liberdade de expressão por meio de ações judiciais, oito prisões e ainda um caso de censura. A categoria dos jornalistas ainda foi vítima de violência, como um todo, em dois casos contra a organização sindical.

No levantamento por região do país, o Sudeste liderou o ranking, com 57 casos, o que representa 41,6% do total. Na região e no país, o estado de São Paulo foi o que teve o maior número de ocorrências, 24. No ranking por região, a Nordeste ficou em segundo lugar entre as mais violentas para os jornalistas em 2015 (29 casos, equivalente a 21,16% do total. Na região Norte foram registradas 22 ocorrências (16,06%), na Sul 18 (13,14%) e na região Centro-Oeste houve 11 casos de violência contra jornalistas (8,03%).

" Entre as violências sofridas pelos jornalistas em 2015, as agressões físicas (49) foram registradas em maior número. Grande parte delas foi registrada em manifestações de rua, mas em número muito inferior às ocorridas nos anos de 2013 e 2014", aponta o relatório da FENAJ. No levantamento dos responsáveis pelas 137 agressões contra jornalistas em 2015, policiais militares foram os principais autores em 28 casos (20,44%). Em segundo lugar, aparecem os políticos/assessores/parentes com 21 ocorrências (15,33%). Na sequência, aparecem os manifestantes, com 19 (13,87%) casos.

Coibir as agressões e combater a impunidade

Autora do relatório produzido a partir de informações encaminhadas à FENAJ pelos Sindicatos de Jornalistas, a 1ª vice presidente da entidade, Maria José Braga, destacou as principais medidas defendidas pela Federação para coibir as agressões aos jornalistas e profissionais de comunicação: a criação do Observatório da Violência contra Comunicadores, a instituição de um Protocolo de Segurança a ser adotado pelas empresas de comunicação e de outro protocolo direcionado às forças de segurança no país.

"Precisamos retomar a discussão sobre as condições necessárias para o exercício do Jornalismo e para a garantia das liberdades de expressão e de imprensa no Brasil, do contrário a democracia e o direito da sociedade às informações relevantes prosseguirão ameaçados", defende Maria José Braga. "As medidas que defendemos são essenciais para identificar e responsabilizar os culpados, combatendo a impunidade, e já foram aprovadas em nível de governo federal, mas infelizmente ainda não foram implementadas", completa.

Para acesso à íntegra do Relatório da Violência contra Jornalistas e Liberdade de Imprensa no Brasil - 2015, clique aqui.

Há 55 anos era assassinado Patrice Lumumba

                                                                          

Há 55 anos, agentes dos serviços secretos belgas e da CIA introduziram o corpo de Patrice Lumumba em um barril de ácido e o fizeram desaparecer. O Congo poderia ter rumado para uma democracia popular mas, pelo contrário, ingressou em uma das piores ditaduras africanas do século XX.

Foi o primeiro chefe de governo da República Democrática do Congo. Buscou a descolonização de seu país das mãos da Bélgica, destruir totalmente o poder colonialista europeu presente na África, erradicar o ultraje e o espólio que durante séculos sofreu o continente.

Em 1958, se orientou decididamente para a luta pela descolonização do Congo por conta das escassas possibilidades de ação social que permitiam as autoridades coloniais belgas e, assim, fundou o Movimento Nacional Congolês, partidário de criar um Estado independente e laico, cujas estruturas políticas unitárias ajudaram a superar as diferenças tribais, criando um sentimento nacional.

Após a independência em relação à Bélgica, em 1960, o Congo celebrou eleições e Patrice Lumumba, líder da luta independentista, chegou à presidência com um programa nacionalista e de esquerda.

Lumumba não pode impedir que a retirada do exército belga desse lugar ao conflito político com golpes militares, ataques à população branca e distúrbios generalizados.

A rebelião foi especialmente grave na região mineradora de Katanga, que se declarou independente, sob a liderança de Tschombé. Lumumba denunciou que esta secessão foi promovida pelo governo belga em defesa dos interesses da companhia mineradora que explorava as jazidas da região.

Lumumba pediu ajuda à ONU, que enviou um pequeno contingente de «capacetes azuis» incapazes de restabelecer a ordem e, por isso, pediu o apoio da União Soviética, com o qual ameaçou diretamente os interesses ocidentais.

O presidente dos EUA, Eisenhower, deu, então, a ordem para eliminá-lo. E enviou o agente da CIA, Frank Carlucci, que depois seria secretário de Defesa de Ronald Reagan.

Um golpe de Estado derrubou Lumumba, em setembro de 1960. Foi brutalmente torturado e fuzilado por mercenários belgas, que dissolveram seu corpo em ácido e espalharam seus restos mortais para que não fosse reconhecido.

Há pouco tempo, em novembro de 2001, o parlamento da Bélgica reconheceu a responsabilidade de seu Estado na morte de Patrice Lumumba.

Foi assassinado dessa maneira por conta da grande batalha política e ideológica que travou para apresentar a unidade como instrumento e via para a conquista da libertação por parte dos povos africanos dos jugos coloniais, que se mantinham no momento em que liderou sua luta e que ainda se mantém, incluindo entre eles o neocolonialismo nascente e o imperialismo norte-americano que já começava a ser introduzido nos países africanos para somar-se aos saqueadores das riquezas desse continente.

O pensamento de Patrice Lumumba constituiu um perigo para as potências ocidentais exploradoras dos povos africanos. Meio século depois, as autoridades estadunidenses reconheceram sua implicação na derrubada e assassinato do líder congolês.

Telesur

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2016/01/18/hace-55-anos-la-cia-asesino-a-patrice-lumumba-lider-revolucionario-congoles/

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Noventa e dois anos da morte de Lenin

  Em 21 e janeiro de 1924 morria o grande líder da Revolução russa,Vladimir Ilitch Lenin
                                                              

"A INSCRIÇÃO INVENCÍVEL

No tempo da Guerra Mundial
Em uma cela da prisão italiana de San Carlo
Cheia de soldados aprisionados, de bêbados e ladrões
Um soldado socialista riscou na parede com um estilete:
VIVA LENIN!
Bem alto na cela meio escura, pouco visível, mas
Escrito com letras imensas.
Quando os guardas viram, enviaram um pintor com um balde de cal
Que com um pincel de cabo longo cobriu a inscrição ameaçadora
Mas, como ele apenas acompanhou os traços com a cal
Via-se agora em letras brancas, no alto da cela:
VIVA LENIN!
Somente um segundo pintor cobriu tudo com pincel largo
De modo que durante horas desapareceu, mas pela manhã
Quando a cal secou, destacou-se novamente a inscrição
VIVA LENIN!
Então enviaram os guardas um pedreiro com uma faca para eliminar a inscrição.
E ele raspou letra por letra, durante uma hora
E quanto terminou, lá estava no alto da cela, incolor
Mas gravada fundo na parede, a inscrição invencível:
VIVA LENIN!
Agora derrubem a parede! disse o soldado."

BERTOLD BRECHT

(Com Prestes a Ressurgir)

quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ato Político antecede a Conferência Estadual do PCB na Câmara Municipal

                                                                      
                 

O Comitê Estadual do PCB/MG, convida todos os militantes, amigos e aliados
para o ato político de abertura da etapa estadual Conferência Político e de Organização nacional do PCB.

Na ocasião teremos como palestrante o camarada Eduardo Serra, membro do Comitê Central, que falará sobre o projeto do Partido de construção do Poder Popular rumo ao Socialismo.

A etapa estadual da Conferência Política e de Organização do Partido Comunista Brasileiro será realizada na Câmara Municipal de BH nos dias 23 e 24 de janeiro.

Já a Conferência Nacional do PCB será realizada  no Rio de Janeiro, de 25 a 27 de março, com o seguinte temário:
1 - Inserção do PCB no movimento de massas e na classe trabalhadora; O Papel das Frentes de Massa e sua Relação com o PCB.
2 - O Poder Popular;
3 - Organização para um partido revolucionário.


Metalúrgicos de São José dos Campos em greve por participação nos lucros

                                                                   
                                                               
Os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos rejeitaram  a proposta da segunda parcela de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) apresentada pela montadora e decidiram manter a greve iniciada dia 18 por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a montadora ofereceu R$ 5.000, enquanto os trabalhadores reivindicam R$ 6.405. A proposta inicial da empresa era de R$ 4.250,00.

De acordo com o sindicato, a greve parou 100% das atividades e pressionou a empresa a avançar nas negociações, mas o avanço foi insuficiente e rejeitado por ampla maioria dos trabalhadores. “O valor mínimo aceitável é R$ 6.405, que equivale a 86% da tabela que temos há dois anos", disse o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros.

O sindicato busca uma nova negociação com a empresa ainda hoje. A GM também não pagou a segunda parcela da PLR para as fábricas de São Caetano do Sul e Gravataí. Em São Caetano, os trabalhadores já protocolaram aviso de greve.

A fábrica de São José dos Campos produz os modelos S10 e Trailblazer, além de motores e transmissão. A GM tem 4.800 trabalhadores, sendo que cerca de 600 estão em lay-off (com o contrato de trabalho suspenso) até o dia 31 de janeiro. (Com a Agência Brasil)

Unidade Classista promove lançamento de biografia de Luiz Carlos Prestes em Santos


                                                           

Em 14 de janeiro houve, em Santos-SP, pela primeira vez em todo o estado, o lançamento do livro “Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro” com a presença de sua autora, a professora emérita do Departamento de História da UFRJ Anita Leocádia Prestes, filha dos comunistas históricos Olga Benário e o próprio Luiz Carlos Prestes.

A realização do evento, organizada pela corrente sindical Unidade Classista e pelos militantes do Partido Comunista Brasileiro, teve o inestimável apoio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (SINDSERV) e do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista (STISMMMEC), ambos importantes instrumentos de luta e resistência da classe trabalhadora.

Apesar dos contratempos – entre eles um preocupante vazamento de gás no Porto de Santos, que liberou uma fumaça tóxica um pouco antes do início do evento e da forte chuva – a presença das pessoas superou todas as expectativas.

A preleção de Anita cativou a todos por sua precisão e contundência, munindo a todos de elementos calcados na ciência histórica tão necessários para uma rica formação de cultura política.

A tônica do discurso foi a de que toda a afirmação durante a palestra estava presente no livro acompanhada de fontes documentais, exalando compromisso genuíno com a verdade, confrontando campanhas de calúnias e boicotes que Prestes e os comunistas em geral sofreram e sofrem deliberadamente para que a luta de classes e as manifestações da questão social sejam abafadas.

A palestrante não deixou de sublinhar o papel de destaque que a cidade de Santos possuiu no movimento de trabalhadores, tendo sido conhecida por apelidos como “Cidade Vermelha” e “Moscou Brasileira” devido ao trabalho dos comunistas do PCB no município, cuja combatividade foi exemplar para todo o Brasil.

Após o fim da sessão de perguntas do público, antes do início dos autógrafos, o público gritou uníssono: CAMARADA LUIZ CARLOS PRESTES, PRESENTE!

UNIDADE CLASSISTA DA BAIXADA SANTISTA

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Juventude produz documentário que conta a história dos Sem Terra em MG



Produzido pelo coletivo de juventude Lampiões de Minas, o documentário “Marcha aos Sonhos” retrata a história do Assentamento Dênis Gonçalves, antigo latifúndio Fortaleza de Sant’Anna e conta um pouco dos sonhos dos jovens assentados.

O filme tem objetivo de dialogar com a população da região sobre o que é o MST, seu projeto de Reforma Agrária Popular e o que significa a chegada do Movimento para os trabalhadores da antiga fazenda.

Resultado de um ano de trabalho, o processo de produção começou com oficinas de planejamento do roteiro e introdução à filmagem. Em seguida, os jovens realizaram as entrevistas com os sem terra e os colonos, antigos trabalhadores do local.

As oficinas são fruto de uma parceria entre o MST, a Universidade Federal de Juiz de Fora, o Levante Popular da Juventude e professores que organizam o Curso de Realidade Brasileira Jovem, na Escola Estadual Central de Juiz de Fora.

O Assentamento

A antiga fazenda foi ocupada em 25 de março de 2010 com o apoio de estudantes das Universidades Federais de Viçosa e Juiz de Fora. As famílias sofreram despejo antes de completar um ano de ocupação e se abrigaram à beira da MG 353, que liga Goianá a Juiz de Fora.

Após anos de resistência, a terra conquistada abrigará 120 famílias em seus 4.213 ha. Os assentados já possuem ampla produção agroecológica de verduras, feijão, mandioca, leite e queijo. Atualmente, procuram desenvolver a cooperação e luta com agroindústrias, escola e preservação do amplo patrimônio histórico da área, além da construção de uma rádio na comunidade. 

(Com o MST)

Por que tanta histeria contra Cuba?

                                                                           
      Quadros de Helder Becerra durante a Convenção baiana de solidariedade a Cuba/2015

Rodrigo Choinski

Cuba está na boca do povo e não foram os comunistas que colocaram, pelo contrário, são os conservadores de direita que insistem em lembrar da ilha caribenha. Expressões como “vai pra Cuba” são abundantemente usadas para atacar qualquer posicionamento de esquerda – e para os histéricos até trocar o carro por bicicleta já virou “subversão” comunista.


Outro episódio nesta novela foi a reação non sense contra os médicos cubanos – criticados só por serem cubanos (e também por serem a maioria negros), acusados de estarem formando um exército secreto para implementar o comunismo no Brasil - isso mesmo, amiguinho, não parece piada que pessoas adultas acreditem nisso...

Enfim, o cenário polarizado da eleição de 2014 só jogou mais lenha na fogueira, mas agora pensem comigo, porque Cuba está tão evidentemente na cabeça das pessoas? Será que alguma intuição de que há algo ali diferente dessa normalidade globalizada pós-moderna-ser-escravo-é-cool-vista-a-camisa-da-empresa.

Seja este um palpite correto ou não a verdade é que os ataques contra Cuba funcionavam muito bem dentro de uma sociedade conservadora e controlada por uma ditadura militar, com todos os meios de comunicação atuando para demonizar qualquer regime contrário aos Estados Unidos e Europa Ocidental. Mas este tempo passou.

Hoje mais de 50% dos brasileiros estão dispostos a apoiar uma saída de esquerda – como demonstrou a eleição – mesmo aqueles que não consideram que o PT e os governos de Lula e Dilma representem verdadeiramente uma saída à esquerda tem de admitir que as pessoas votaram em um partido que não tem apoio algum na mídia e é vendido sim como um partido de esquerda, seja para defendê-lo seja para criticá-lo.

A Globo está triste, ainda subsiste um entusiasmo na esperança da extrema-direita retomar o Poder Executivo, mas não descarte a possibilidade de em breve ver o Bone cabisbaixo tomando um whisky (daqueles que a garrafa custa mais de mil dólares) em algum boteco (chique, em Miami ou nas Bahamas). 

O mundo colorido dos Marinho, em que podiam manipular a sociedade como um cachorrinho adestrado acabou. Eles já não podem ver tranquilamente os que ameaçavam seu poder ser simplesmente torturados, mortos e jogados na vala comum pela ditadura militar, isso ficou no passado.

E Cuba continua lá, apesar de não aderir à democradura ocidental pluripartidária (em que você pode ter diversos partidos mas todos devem obedecer os banqueiros, empreiteiros e diplomatas americanos) a participação da população nas eleições é maciça, com um processo muito mais transparente que no Brasil. 

Além disso, tem um dos melhores sistema educacionais e de saúde do mundo: totalmente gratuito, sua indústria farmacêutica é de ponta e apesar da falta de recursos (o PIB per capita é metade do brasileiro) seu IDH deixa países como o Brasil no chinelo.

E pior para os conservadores, a alguns quilometros da costa cubana um dos mais marcantes exemplos do que acontece com países que (obrigados) seguem as diretrizes econômicas dos Estados Unidos, o Haiti, um verdadeiro paraíso natural como são as ilhas da região, é um dos países mais pobres do mundo com uma população mendicante colocadas de joelhos devido às seguidas intervenções militares dos EUA e da ONU ( e no comando um país otário, que acredita que pode conseguir uma vaga no Conselho de Segurança fazendo o serviço sujo da política externa norte-americana).

Quem duvida que estes 50%, já simpáticos a uma saída de esquerda, em um país extremamente desigual, em que 37% das famílias vivem com MENOS DE R$ 350,00 por pessoa, ouvindo soar dia após dia a palavra “Cuba” nos seus ouvidos, se tornem um tanto simpáticos pelo regime socialista que de forma digna e eu diria até heroica sobrevive entre as potências ocidentais intervencionistas (Siria, Líbia e Iraque que o diga) - isso estando a pouco mais de 500 quilômetros de Miami. 

Com o Diário Liberdade)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Morre o ex-presidente da Federação Latino-americana de Jornalistas e fundador do "Granma"

                                                         
                                                                  
 Ernesto Vera Méndez foi presidente da União dos Jornalistas e Escritores de Cuba (UPEC), entre 1966 e 1986 e depois presidiu a Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap)

Na manhã de domingo 10 de janeiro faleceu em Havana, aos 86 anos de idade, o companheiro Ernesto Vera Méndez, presidente de Honra da União dos Jornalistas de Cuba (UPEC) e da Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap), que havia nascido em 29 de julho de 1929 em Sagua la Grande, antiga província de Las Villas.

Com uma relevante trajetória revolucionária e jornalística desde os anos 1955-56 na imprensa clandestina e no Movimento 26 de Julho, Ernesto Vera Méndez enfrentou a perseguição, cárcere, a censura e o exílio por parte da tirania de Batista. Também participou da edição e distribuição clandestinas dos jornais Revolución e Vanguardia Obrera.

Depois do triunfo revolucionário, ocupou importantes responsabilidades na imprensa, como diretor do jornal La Calle, primeiramente e depois de La Tarde, vice-diretor do jornal Revolución, fundador do jornal Granma, em 1965, do qual chegou a ser vice-diretor. Foi fundador do Partido Comunista de Cuba.

No ano 1966, no Segundo Congresso da UPEC, foi eleito presidente, função que desempenhou até 1986, quando passou a presidir a Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap).

Durante muitos anos Ernesto foi professor da Universidade de Havana e no Instituto Internacional de Jornalismo José Martí. Foi vice-presidente da Organização Internacional de Jornalistas (OIP) e se desempenhou como diretor do Gabinete Regional para a América Latina, com sede no México.

Ao longo de sua frutífera vida e pelos serviços prestados recebeu inúmeras distinções e reconhecimentos, entre eles, o Prêmio Nacional de Jornalismo José Martí pela Obra da Vida.

A cerimônia fúnebre do companheiro Ernesto Vera teve lugar em 11 de janeiro na Funerária de Calzada y K, em Havana e foi enterrado no Panteão dos Veteranos do cemitério Colombo, de Havana, onde recebeu homenagem.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O que vi quando visitei a Coreia do Norte


                                                                    
                                                               Marcel Cartier
Apresentação das forças armadas da Coreia do Norte em Pyongyang (Arquivo)
                                                                                                
Jornalista dos EUA visita a Coreia do Norte e "corrige" alguns equívocos que a mídia ocidental propaga sobre o país. Confira mitos, verdades e episódios que podem surpreendê-lo

Tive a oportunidade única de pas­sar vários dias em três partes diferentes da República Popular Democrática da Coreia, mais comumente referida apenas como Coreia do Norte. Aqui estão algu­mas coisas sobre o país que podem sur­preendê-lo.

1. Os americanos não são odiados, mas bem-vindos

O alto nível de consciência de classe dos coreanos faz com que eles não con­fundam o povo estadunidense com o seu governo. Os coreanos não fazem segredo quanto ao seu desprezo pelo imperialis­mo dos EUA, mas se você diz que é um estadunidense, a conversa geralmente gira muito mais em torno de temas cul­turais ou relacionados a esportes do que de política.

Na biblioteca The Grand Pe­ople's Study House, localizada em Pyon­gyang, o CD mais popular é o Greatest Hits, dos Beatles, embora Linkin Park também seja bastante solicitado entre a juventude local. Os jovens parecem fasci­nados pela NBA e sabem muito mais so­bre a liga de basquete e seu campeonato do que apenas sobre o ex-jogador Den­nis Rodman.

2. Fronteira e alfândega

Muitos dos ocidentais que viajaram de Pequim para Pyongyang comigo es­tavam preocupados que o procedimen­to de imigração seria longo e intenso. Todos pareciam muito surpresos que os passaportes foram carimbados, sem perguntas, e que apenas um punhado de passageiros teve alguns itens de su­as malas olhados.

Antes de viajar, é al­tamente recomendável por empresas de turismo que as pessoas não tragam qualquer livro sobre a Guerra da Coreia ou itens que estampem bandeiras dos Estados Unidos. Este pode ser um con­selho sólido, mas a imigração realmente não parece muito preocupada com o que é trazido para o país.

3. Pyongyang é bonita, limpa e colorida

Provavelmente uma das cidades mais lindas do mundo, Pyongyang está incrivel­mente bem conservada. Considerando­-se que toda a cidade foi bombardeada pelas forças dos EUA na Guerra da Co­reia (que eles chamam de Guerra de Li­bertação Pátria) e que apenas dois edi­fícios permaneceram em pé em 1953, é uma realização impressionante. 

As es­tátuas e grandes edifícios são inspira­dores, assim como são os grandes espa­ços verdes, onde você pode ver as pesso­as relaxando. Há muitos novos prédios surgindo em toda a cidade, mas mesmo os que são evidentemente mais antigos são bem mantidos. Costuma-se dizer que Pyongyang durante a noite é escura, e embora possa ser comparada a uma ci­dade ocidental, ela tem belas luzes que iluminam muito o centro da cidade.

4. Cabelo a la Kim Jong-Un

Quando eu estava a caminho do aero­porto para o centro da cidade, vi apenas um homem usando o "corte de cabelo a la Kim", que, aliás, não me pareceu na­da bom. Os rumores quanto à obrigato­riedade de todos os homens da Coreia do Norte em idade universitária terem de usar o mesmo corte do líder norte-core­ano surgiram após a BBC e a Time vei­cularem a história de um tabloide sul-co­reano. Essa história não só não é verda­de, assim como também não é a alegação de que os homens no país só teriam um número seleto de cortes para escolher na barbearia, sancionado pelo Estado.

5. Norte-coreanos sorriem muito

A pergunta que você deve estar se per­guntando é: "Mas eles não sorriem por­que são forçados a isso?". Isso seria um grande feito se para todos os risos genu­ínos que eu compartilhei com os corea­nos, eles estiverem apenas rindo "para inglês ver".

6. Ideologia monolítica não significa personalidade monolítica

Este é um bom lembrete quanto ao fato de individualismo e individualidade não serem a mesma coisa. Na realidade, ob­servando as pessoas interagirem umas com as outras me deu a impressão que a diversidade de tipos de personalidade é tão forte quanto o é no "liberado" Oci­dente. As pessoas têm uma divergência de interesses, desde esportes à cultura, e são livres para escolher o que eles gostam e desgostam.

7. As pessoas se vestem incrivelmente bem no país todo

Até mesmo no campo, os coreanos se vestem de maneira muito digna. Não houve um só lugar que viajei onde as pes­soas parecessem malvestidas ou vestindo roupas que parecessem ser velhas. Ho­mens e mulheres também não vestem o mesmo estilo de roupa, como somos con­dicionados a pensar. É comum ver mu­lheres usando roupas bem brilhantes, in­cluindo ternos e vestidos tradicionais co­reanos de cor pink. Os homens usam gra­vata, camisas de cola e ternos, mas tam­bém não é incomum vê-los em roupas mais casuais, como moletons, dependen­do da ocasião.

8. As crianças começam a aprender inglês aos 7 anos

O domínio da língua inglesa, particu­larmente pela geração mais nova, im­pressiona. Nas décadas anteriores, a época de aprender inglês era no cole­gial. Mas isso foi mudado para a tercei­ra série do ginásio agora. Embora muitas crianças sejam tímidas (no final das con­tas, elas não veem muitos estrangeiros), muitas delas apertaram minhas mãos e até mesmo trocaram poucas palavras em inglês comigo. Entre as línguas popula­res estudadas no colegial estão o chinês e o alemão.

9. O turismo será incentivado num futuro próximo

Um dos aspectos da economia que se­rão priorizados no futuro parece ser o tu­rismo. No momento, todo o aeroporto de Pyongyang está em obras - e sendo ex­pandido. Os coreanos estão dispostos a se abrir para o mundo, mas também es­tão certos de fazerem isso de maneira di­ferente da dos chineses (após ter estado em Pequim e visto a onipotência de al­guns dos piores aspectos da cultural oci­dental, isso os dá toda a razão para te­rem cuidado a esse respeito). 

A compa­nhia Air Koryo, a qual foi concedida ape­nas 1-estrela pela companhia SkyTrax, na realidade, foi muito melhor em ter­mos de serviço e conforto do que ao me­nos um dúzia de outras companhias aé­reas que já voei. Eles têm uma nova fro­ta de aviões russos que voam entre Pyon­gyang e Pequim, proveem entretenimen­to a bordo ao longo de toda a viagem (o desenho para crianças Clever Raccoon Dog é hilário) e servem um "hambúr­guer" (que não é muito bom, mas comí­vel) e uma variedade de bebidas (café, chá, cerveja e suco). Toda a experiência valeria no mínimo 3 estrelas se tivésse­mos que avaliá-la para valer.

10. Coreanos estão dispostos a falar sobre seu país de maneira aberta

As pessoas estão bem abertas para fa­lar a respeito dos problemas que o país enfrenta e não se furtam em discutir al­guns dos mais difíceis aspectos da vida. Por exemplo, eles falam sobre a "Marcha Árdua" (pense no "Período Especial" em Cuba) quando seca, fome e enchentes so­madas à perda da maioria dos parceiros comerciais do país causaram grandes re­trocessos ao país que até os anos de 1980 tinha uma qualidade de vida mais alta do que a da sua vizinha Coreia do Sul. 

Eles também discutem as narrativas em rela­ção à Guerra da Coreia e estão dispostos a um melhor relacionamento com a Co­reia do Sul na esperança que aconteça a reunificação. Entretanto, também são bem firmes quanto ao fato de que nunca irão renunciar seus princípios socialistas para facilitar essa reunificação.

11. Cerveja e microcervejarias

Quase todos os distritos do país agora têm uma cervejaria local que provê cer­veja para os arredores. Há uma varieda­de de diferentes tipos que são bebidas por todo o país e a maioria das refeições são servidas com uma pequena quantidade de cerveja. No Kim Il Sung Stadium, on­de a maratona de Pyongyang começou e terminou não era incomum ver locais be­bendo cerveja enquanto observavam as partidas-exibição entre os times de fute­bol do país. Pense no estádio dos Yanke­es, sem a agressividade do público.

12. Tabloides

Havia ao menos 100 estaduniden­ses ao mesmo tempo que eu em Pyon­gyang, em grande parte devido aos cor­redores amadores estrangeiros que tive­ram a permissão de competir pela pri­meira vez na maratona. Um casal disse ser esta sua segunda visita ao país, após o terem visitado no ano passado. Eles mencionaram como estavam um pou­co asssustados quando vieram pela pri­meira vez porque isso foi bem depois de uma história que tinha ganhado as man­chetes sobre Kim Jong - um ter mata­do sua namorada e outras pessoas por terem aparecido em uma fita pornô. 

O casal falou de como eles entraram em uma ópera em Pyongyang e assim que sentaram perceberam que a mesma mu­lher que devia estar morta estava sen­tada bem na frente deles. De fato, uma walking dead. Outras histórias recentes que saíram na mídia ocidental via tab­lóides sul-coreanos em relação a execu­ções em massa em estádios ou ao tio de Kim Jong - um ter servido de alimen­to para um bando de cachorros famin­tos também são ditas como sem senti­do por ocidentais que viajam frequente­mente para lá e conhecem bem a situa­ção do país. Isto não é para nada dizer sobre a existência de campos de reedu­cação política ou prisões, mas para fa­lar sobre uma campanha de demoniza­ção contra o país que o distorce comple­tamente e que não ajuda em nada o po­vo coreano

13. Os coreanos não hesitaram em fazer com que você se divirta com eles

Aconteceu uma série de eventos orga­nizados em Pyongyang por ocasião do aniversário de Kim Il Sung, que é um fe­riado nacional quando as pessoas ficam dois dias sem trabalhar. Alguns foram or­ganizados publicamente, como as mass dances, em que centenas de pessoas dan­çam em grandes praças ao som de mú­sicas populares coreanas. Outros even­tos envolveram famílias no parque fazen­do piquenique enquanto crianças com­pravam sorvete e vovós bêbadas dança­vam de forma hilária porque tinham tido muito soju caseiro. Mas, como em qual­quer outro Estado autoritário, você tem que participar! Intimidar-se não é uma opção, já que eles vão te puxar pelo bra­ço e te ensinar a dançar todos os passos mesmo que eles próprios não os estejam fazendo de maneira correta.

Em resumo, eu achei os coreanos do Norte uns dos mais acolhedores e mais autênticos seres humanos que já tive a chance de interagir. Seria tolo referir-se ao país como um "paraíso dos trabalha­dores" devido à profundidade de pro­blemas que enfrenta. Como em todas as sociedades, existem aspectos positi­vos e negativos. 

Entretanto, consideran­do que eles têm superado séculos de do­minação imperial, a perca de quase um quarto de sua população na Guerra da Coreia e continuam a manter seu siste­ma social diante de um continuado esta­do de guerra, eles têm se dado tremen­damente bem. Os sucessos em educa­ção gratuita por meio da Universidade, a não existência de sem-teto e um po­vo orgulhoso e digno deveriam ser apre­sentados no sentido de se ganhar uma imagem do país mais completa e com mais nuances.

Tenho de dizer que a Coreia do Norte pintada pela mídia ocidental na verdade fala mais sobre a eficiência de nosso aparato de propaganda e de téc­nicas de lavagem cerebral do que do de­les. O fato que eu até tenho que escrever sobre as coisas surpreendentes que tes­temunhei é a evidência da séria falta de compreensão que temos sobre o país. Os problemas enfrentados pela Coreia nun­ca são contextualizados como deveriam ser - como uma nação oprimida com o objetivo de libertar-se da servidão das grandes potências que têm a intenção de devorar cada Estado restante livre de uma unipolaridade que morre.

Ah, e eu quase estava esquecendo so­bre as armas nucleares! Bem, vamos considerar se os militares norte-core­anos estivessem realizando exercícios militares anualmente ao largo da cos­ta de Nova Iorque, simulando o bom­bardeio de Manhattan e a ocupação da totalidade do país, o qual já controla a metade ocidental.+

Não seria sensato dado o contexto pa­ra os estadunidenses desenvolverem um arsenal nuclear? Os coreanos não são fa­mintos por guerra ou até mesmo "obce­cados" com o exército ou forças militares. No entanto, dado a forma como a situa­ção na Líbia foi jogada, eles ainda estão mais convencidos - com razão - de que a única razão pela qual o seu Estado inde­pendente continua a existir é devido ao Songun (a política "militares em primei­ro lugar") e a existência de capacidades nucleares. Para ter certeza, eles não têm a intenção de usá-lo a menos que os colo­quem na posição de ter de fazê-lo.

É meu desejo sincero que exista um continuado intercâmbio cultural e inter­pessoal no futuro próximo entre as pes­soas da Coreia do Norte e os países oci­dentais. Praticamente todas as pessoas que viajaram comigo de volta a Pequim estavam em êxtase de quão diferente sua experiência foi, comparado ao que eles esperavam. Eles - como eu - ganharam muito com a experiência humanizado­ra de interagir com os coreanos. Embora os ocidentais sejam relativamente livres para viajar muito mais do que os cida­dãos da Coreia do Norte, é irônico como os coreanos aparentemente sabem muito mais sobre nós do que nós sabemos so­bre eles. Isso terá que mudar nos próxi­mos anos.
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(Com o Pravda)

DOI-Codi sequestra e mata Manoel Fiel e diz que ele cometeu suicídio


                                                                        

Era uma sexta-feira, 16 de janeiro de 1976, dois homens, sem qualquer ordem judicial, retiram o metalúrgico Manoel Fiel do trabalho, vão com ele até a sua residência, na Vila Guarani, em São Paulo, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontram. Mas mesmo assim, o trabalhador é levado para o DOI-Codi. “E ele nunca mais voltou”, conta sua mulher

15 de Janeiro de 2016 às 15:16

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

Como fazia todos os dias, Manoel Fiel Filho acordou cedo, banhou-se, tomou café e foi para a Metal Arte, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, onde trabalhava como prensista. Era uma sexta-feira, 16 de janeiro de 1976, e, por volta do meio-dia, dois homens, sem qualquer ordem judicial, o retiram do trabalho, vão com ele até a sua residência, na Vila Guarani, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontram e, sob os olhares apreensivos da mulher, Thereza Fiel, levam o metalúrgico para o Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). “Ele me deu um beijo na testa e foi embora. Eu falava: ‘Não leva ele, não”, disse Thereza, ao lembrar que o marido chegou a dizer que voltaria logo. “E ele nunca mais voltou”.

Após o sequestro de Fiel, Thereza reuniu toda a família, incluindo as duas filhas, e peregrinou por várias delegacias de polícia em busca de informações do companheiro. “Um conhecido da Polícia Civil disse que ele estava na Operação Bandeirantes [grupo criado em 1969 pelo Exército, com apoio de empresários para coordenar todas as operações dos órgãos de repressão] e que só se entrava lá com ordem do presidente da República”.

Thereza soube da morte do marido no dia seguinte, sábado, 17 de janeiro de 1976. Por volta das 22h, um carro parou em frente à casa. “Desceu um fulano com um saco de lixo preto na mão”. Ele disse: ”Essa aqui é a roupa dele, e ele está morto’.”

Um bom marido

Um marido trabalhador e amoroso. É assim que Thereza, hoje com 83 anos, relembra Manoel. “Trabalhava na firma e ainda me ajudava em casa. Era bom demais. Atencioso, me ajudava bastante. Adorava as filhas. Marido igual àquele não se acha mais”, disse, emocionada, durante a entrevista concedida à Agência Brasil, em Bragança Paulista, a 90 quilômetros da capital. 

Thereza relatou, logo no início da conversa com a reportagem, uma coincidência. “Hoje [7 de janeiro] era aniversário dele. São lembranças, né? A gente fazia um bolo. Comemorava em casa mesmo”. As recordações sobre o marido pareciam estar mais vivas naquela manhã.

Manoel, natural de Quebrangulo, Alagoas, terra natal do escritor Graciliano Ramos, festejava os 49 anos. “Eu lembro que fiz um pavê. Ele adorou. Ele não gostava muito de comemorar, mas gostava de estar com família”, disse a filha Márcia. A outra filha, Aparecida Fiel, de 60 anos, também lembrou o zelo do pai em comprar frutas frescas para a filha mais velha, que estava grávida. “Ele não conheceu nenhum neto”.

Theresa ainda guarda muitas lembranças, como o retrato de casamento

Manoel saiu de Quebrangulo em 1950 em busca de uma vida melhor em São Paulo. Trabalhou como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar metalúrgico, exercendo a atividade de prensista na mesma empresa por 19 anos. Embora a família não soubesse, ele era responsável pela difusão do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro, e pela organização do partido entre os operários das fábricas do bairro da Mooca, conforme relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

A morte do metalúrgico ocorreu menos de três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no mesmo local e em circunstâncias parecidas, sob a versão oficial de suicídio. Embora não tenha provocado a mesma comoção social que marcou a despedida do jornalista, a morte de Manoel Fiel Filho causou o afastamento do comandante do 2º Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, quatro dias depois do assassinato do metalúrgico. “Meu marido morreu e salvou a turma que estava lá [no DOI-Codi]”, disse Thereza, ressaltando que o episódio provocou mudanças no tratamento dado aos presos políticos da época.

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