sexta-feira, 31 de agosto de 2012

DIÁLOGO COM AS FARC PODE VIR A SER UMA VITÓRIA DO POVO COLOMBIANO


                                                          
Ivan Pinheiro (*)

A imprensa vem noticiando o início das negociações políticas, na cidade de Havana, com vistas à solução do conflito colombiano. O presidente Santos anunciou formalmente os entendimentos, que envolveriam os governos cubano e venezuelano, com a sinalização da Noruega de aceitar sediar o diálogo.

Mas antes de comemorar a notícia é preciso aguardar os desdobramentos, ouvir a opinião da insurgência, dos governos citados. As classes dominantes colombianas são ardilosas. Os entendimentos estão ainda numa fase de prospecção.

De qualquer maneira, é verossímil que a negociação se efetive. Como internacionalistas, devemos contribuir para isso, inclusive pressionando o governo brasileiro a se somar à iniciativa e a Unasul a avocar o assunto, antes que caia no âmbito da OEA, onde pontifica a indesejável presença dos EUA. Sem um expressivo respaldo internacional, este processo não irá a lugar nenhum.

Até agora só quem havia dado sinais de disposição para o diálogo político eram as FARC, em seguidos comunicados públicos e gestos, como a libertação unilateral de presos políticos, sem a contrapartida da libertação de um só dos cerca de 7.000 militantes presos sob a custódia estatal.  Todos os observadores sérios da cena política colombiana sabem que não há solução militar para este conflito que já dura meio século e tem origem em causas políticas e sociais. Recente relatório da ONU revela que a Colômbia, em matéria de desigualdade social, só perde na América Latina para Guatemala e Honduras.

Mas não devemos nos iludir com a campanha que tenta mostrar Santos como um democrata pacifista, aproveitando-se de seu “discreto charme da burguesia”, como oligarca de berço, membro da família Santos, dona do maior império de comunicação do país. Comparam-no com o estilo tosco, medíocre e grosseiro de Uribe, cujo currículo é um prontuário de crimes ligados ao narcotráfico e às milícias. Uribe recebeu das oligarquias oito anos de mandato para acabar com a insurgência, sete bases norte-americanas, bilhões de dólares, equipamento militar de última geração, assessoria da CIA e da MOSSAD. Mas não adiantou. Seu discurso arrogante caiu no ridículo.

Não nos esqueçamos de que Santos foi Ministro da Defesa de Uribe, na fase mais agressiva do estado colombiano, que coincidiu com o assassinato de Raul Reyes, ao preço da invasão do espaço aéreo equatoriano. Ambos são agentes do imperialismo norte-americano e da oligarquia colombiana.

Não foi Santos que mudou; foi  a conjuntura. As classes dominantes colombianas já há algum tempo se dividem entre os que querem a continuidade ou o fim do conflito. Os primeiros são os que ganham com a “ajuda militar” dos EUA, o paramilitarismo, o comércio de armas e drogas;  os segundos são os que precisam de um ambiente político estávelpara não atrapalhar o desenvolvimento de seus negócios, para atrair investidores estrangeiros.

Ocorre que fracassou a prometida vitória militar sobre a guerrilha, a despeito da maior ofensiva que o estado colombiano já lhe moveu e dos duros golpes que sofreu com a morte de importantes comandantes. A insurgência, no lugar de se enfraquecer, mantém suas sólidas posições militares e políticas e seu enraizamento no seio da massa campesina que lhe abraça nas fronteiras do vasto território em que luta e domina.

Além do mais, viceja na Colômbia o mais importante, unitário e amplo movimento de massas das últimas décadas, em toda a America Latina. A Marcha Patriótica faz a diferença.  A dois meses de sua fundação, já articula cerca de 2.000 movimentos populares, de camponeses, indígenas, afrodescendentes, trabalhadores urbanos, mulheres, jovens, com uma hegemonia proletária. Só o povo em luta pode garantir a efetivação dos entendimentos e principalmente resultados concretos a seu favor, sem os quais não haverá armistício.

E aqui reside uma das maiores dificuldades, que só poderá ser superada com o avanço cada vez maior da Marcha Patriótica e a solidariedade internacional. As FARC e a ELN jamais aceitarão a paz dos cemitérios. A burguesia sabe que só haverá solução para o conflito se isso representar reais mudanças políticas e sociais a favor do povo, entre as quais o fim do terrorismo de estado, dos paramilitares, a libertação dos presos, o fim do despejo dos camponeses de suas terras, uma reforma agrária verdadeira, ou seja, uma mudança radical do sistema, o que só será possível com uma constituinte livre e soberana com participação popular. Sem este ator, a tentativa será frustrada.

Outra dificuldade é que a iniciativa de entendimentos terá certamente a oposição do imperialismo, notadamente o norte-americano, que não tem qualquer interesse em perder um motivo para construir mais bases militares, além das instaladas no governo Uribe/Santos, e muito menos abandonar seu projeto de atribuir à Colômbia, na América Latina, o papel que Israel desempenha no Oriente Médio.

E por fim, para que não esqueçamos as lições da história, sabemos que a insurgência não entregará suas armas e suas vidas para saciar a fome de sangue e vingança das classes dominantes. O extermínio de mais de 4.000 militantes da União Patriótica, na primeira metade da década de noventa do século passado, após um “acordo de paz” traído, ainda está vivo na memória de todos.

Só com muitas garantias internacionais e mudanças reais a favor do povo é que haverá paz militar na Colômbia a partir desta mesa de negociações. Caso contrário, ela será conquistada pelo povo colombiano, a maior vítima do conflito, que não vacilará em se valer das formas de luta que a realidade impuser.

Em qualquer caso, a luta continuará. O fim do estado de beligerância é positivo; mas não será o fim da luta de classes.

(*) Ivan Pinheiro é Secretário Geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro)

terça-feira, 28 de agosto de 2012

SOU MAIS OBAMA


                                       
José Carlos Alexandre

Muito próximo das convenções republicana e democrata nos Estados Unidos, o candidato presidencial Mitt Romney superava hoje Barack Obama por um ponto com relação à intenção de votos para novembro.

  De acordo com uma pesquisa do jornal Washington Post e da emissora ABC News, Romney tinha 47 por cento de preferência entre os eleitores registrados e Obama detinha 46 por cento no final desse mês.

A recente eleição do congressista Paul Ryan como parceiro de chapa contribuiu com um leve impulso ao ex-governador republicano, cuja popularidade também se beneficia dos preparativos da Convenção Nacional.

A pesquisa Post-ABC demonstrou também que a economia será o principal tema que os cidadãos levarão em conta quando forem às urnas no dia 6 de novembro. 72 por cento dos consultados disse que acompanha como a Casa Branca maneja esse tema.

Estou abrindo estas observações com nota da PL sobre as eleições norte-americanas. Acompanhei-as de perto quando da disputa sobre George Herbert Bush e Bill Clinton, enviado aos EUA por jornal de Belo Horizonte com a missão.

As eleições foram ganhas, afinal, por Clinton, enquanto Bush pai foi curtir a derrota em seu ranho no Texas, talvez arrependido de ter desencadeado então a "Mãe de todas as Batalhas", contra Saddam Hussein.

O dirigente iraquiano enfrentaria depois Bush filho e toda a sua ira sob a desculpa de que estava acumulando "armas de destruição em massa", que não apareceram até agora, com o Iraque destroçado, ocupado, vilipendiado...

Mas dizia eu ( como têm se expressado os ministros que analisam o mensalão), nos EUA fui cobrir as eleições, visitando o Departamento de Estado, jornais como o The Washington Post, diplomatas na sede ds ONU, membros da OIT, jornais , jornalistas e professores em Denver, Los Angeles e Nova York.

Só que, com a campanha "Fora Collor" no Brasil, acabei sendo, de entrevistador a entrevistado. Então tive de explicar todas as razões para o "impeachment" , as mobilizações em São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte...


Eu que, em Belo Horizonte, havia participado dos preparativos para o grande comício da Praça da Rodoviária, como representante do PCB, junto com Carlos Olavo, representando o PDT, Carlos Calazans o PT e outros que não me recordo mais. Sei que nos reunimos numa saleta no edifício da Rua Tupinambás 179, quase na esquina com a Rua da Bahia...Logo depois tive de viajar para os  os EUA.

Então tomei como tarefa continuar o trabalho de respaldo às mobilizações pelo "impeachment"  durante os quase 30 dias que fiquei fora. Tive a sorte de encontrar sempre interessados em obter informações sobre a campanha, a começar pelos professores do Departamento latino-americano da Universidade do Texas, em Austin, a capital do grande Estado norte-americano.

As eleições norte-americanas ficaram em segundo plano, para o então empolgado editor de Internacional, papel que cumpria no extinto Diário da Tarde (esse negócio de ser "ex" isto, ex-aquilo" está me cansando...).

Estamos agora praticamente pertinho de novas eleições nos EUA. e Barack Obama tem sua reeleição ameaçada.

Em primeiro lugar devido a crise que enfrentou em 2008, com a quebra de bancos, crise que poderia ser equiparada a de 1929, como agravante de que Tio Sam agora domina o mundo e com hegemonia, já que não mais existe a União Soviética e os países socialistas europeus, embora o socialismo não tenha acabado, ao contrário do que quiseram afirmar historiadores e palpiteiros fãs do capitalismo...

Obama, em segundo lugar, perdeu pontos porque encontrou um país envolvido em duqas guerras onde jamais poderia ter se metido: no Iraque e no Afeganistão, esta última, numa interpretação toda particular do ataque terrorista de  11 de setembro de 2001.

O atual presidente também não cumpriu promessas como a de fechar a prisão de Guantánamo, em Cuba, e de pôr fim às ações de órgãos de segurança do pais em outras nações, sob a alegação de combate ao terrorismo.

Dito como está, entre Ronmey e Obama, não há escolha.

Seria como se fosse entre o Serra e o Maluf, então o jeito seria votar em branco, anular o voto ou ficar com o Serra.

No caso em foco, sou mais Obama, apesar de tudo...

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Contra Assange

                                                                              VicMan/Rebelión/Divulgação

sábado, 25 de agosto de 2012

O Capitalismo anda mal de saúde...

                   Allan MacDonald/Rebelión/Divulgação

Curso de Introdução ao Marxismo


                                                         

CeCAC e Jornal Arma da Crítica promovem:
Curso de
Introdução ao Marxismo
 
· Marx: sua obra no contexto histórico e revolucionário
· Conceitos básicos sobre a teoria marxista (2 aulas)
· A questão do Estado e as revoluções socialistas

Duração:
4 semanas (1 aula por semana)

Horários disponíveis:
Segunda, de 18h30 às 21h
Quarta, de 14h às 17h
Sábado, de 10h às 13h

Contribuição:
R$ 40 reais
Para estudante: R$ 20,00
+ cópia dos textos (opcional)

Inscrições no local ou por telefone até 10 de setembro
Aberto de segunda à sexta,
entre 14h e 18h
contato: cecac@terra.com.br
tels: (21) 2524-6042   e (21) 8892-5202

Início das aulas:
15 de setembro

"Os filósofos se limitaram a interpretar o mundo de formas diferentes. Trata-se, porém, de transformá-lo"(Karl Marx)

Centro Cultural Antonio Carlos Carvalho - CeCAC
Rua Haddock Lobo, 408 / sala 101 (térreo) - Tijuca (próximo ao Metrô Afonso Pena) - Rio de Janeiro/RJ
telefones: (21) 2524-6042 e (21) 8892-5202
E-mail: cecac@terra.com.br  - sítio: www.cecac.org.br

Forçando a barra


sexta-feira, 24 de agosto de 2012

PCB cria a sua Comissão da Verdade


                                                                
                             (Nota Política do PCB)

O Comitê Central do PCB decidiu compor uma Comissão da Verdade própria para pesquisar, organizar e produzir um relatório sobre os crimes cometidos pelo Estado e seus agentes durante a ditadura militar-empresarial que tomou de assalto de forma golpista o poder no país no período entre 1964 e 1985.

O órgão terá seu funcionamento e trabalhos organizados de forma coletiva pelo próprio Comitê Central. De acordo com o secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro, a medida visa garantir que todos os atos cometidos contra o Partido e seus militantes durante aqueles anos dramáticos sejam levados ao conhecimento público.

"Temos razões para suspeitar que a Comissão da Verdade criada pelo Governo Federal possa não trazer resultados que contemplem os anseios por informação dos familiares de mortos, desaparecidos e torturados por aquele regime ditatorial. O Partido toma como sua a luta dessas pessoas; o arbítrio cometido a todo e qualquer militante de nossas fileiras é o arbítrio contra o PCB, seu ideário e sua prática cotidiana de organização do povo em prol de sua libertação. Nosso Comitê Central assume como das maiores responsabilidades e principais tarefas do presente esclarecer o que precisa ser trazido ao conhecimento da população", ressaltou Ivan.

A iniciativa prevê a pesquisa e coleta de informações e documentos, além de entrevistas e a produção de um relatório que deverá ser encaminhado à Comissão da Verdade criada pelo governo.

"Fomos a organização que mais teve militantes sofrendo as agruras da Ditadura. Mais de uma dezena de nossos camaradas continuam desaparecidos, outras dezenas foram assassinados, centenas, quiçá milhares, sofreram torturas, outros milhares foram prejudicados em seus empregos, em sua vida familiar", comentou o secretário-geral.

Dessa forma, o PCB conclama os militantes daquele período que ainda se encontram em nossas fileiras, aos familiares, amigos e colegas de nossos militantes que foram prejudicados pela ditadura, a entrarem em contato com o Partido para que possamos organizar um relatório o mais completo possível.

Solicitamos a qualquer cidadão que tiver informações a respeito do tema, e desde já lhe agradecemos por isso, que entre em contato com o PCB.

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Secretariado Nacional

"O recebimento de informações e materiais será centralizado pelo Secretariado Nacional do PCB, que é contactado através do e-mail pcb@pcb.org.br e/ou do telefone (21) 2262-0855."

Depoimentos perante a Comissão da Verdade da OAB

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Um governo a serviço do grande capital

                                                     
(Pacote da privataria petista é o “kit felicidade” do empresariado)

(Nota Política do PCB)

A Comissão Política Nacional do PCB avalia que o recente pacote econômico anunciado pelo governo, envolvendo recursos no valor de R$ 133 bilhões para obras de infraestrutura da malha ferroviária e rodoviária, consolida e aprofunda a opção do governo do PT pelo grande capital e amplia de maneira acelerada o processo de privatização da economia brasileira, sob os disfarçados nomes “concessões”, “parceria público-privada”.

Esse pacote é apenas a primeira etapa do chamado Programa de Investimento em Logística, que ainda vai abranger os setores de energia, portos e aeroportos e vem consolidar a linha iniciada com a privatização dos três principais aeroportos do País e de uma rodovia que liga o Rio de Janeiro ao Espírito Santo.

Esta medida representa o escancaramento de uma linha política muito semelhante à do governo Fernando Henrique Cardoso, de entregar o patrimônio público para a iniciativa privada; tanto que o próprio PSDB publicou matéria paga nos jornais cumprimentando a presidente Dilma pelo novo programa de privatizações. Além disso, todo o empresariado comemorou o pacote e fez coro em elogios à presidente, chegando ao ponto de Eike Batista, o empresário mais rico do País, ter definido o pacote como o “kit felicidade” para o empresariado.

O chamado choque de capitalismo - um volume colossal de concessões à iniciativa privada, como bem definiu a revista reacionária Veja - vai privatizar 7,5 mil quilômetros de rodovias, muito mais que todas as concessões do governo passado, que atingiram pouco mais de 5 mil quilômetros, e ainda 10 mil quilômetros de ferrovias. Como informa orgulhosamente o jornal O Globo, porta-voz dos interesses do grande capital, o Brasil, com 23,4 mil km de rodovias com pedágio, passa a ser recordista mundial dessa forma de privatização, à frente até de Alemanha e Estados Unidos.

Para facilitar ainda mais a vida do empresariado, o governo se encarregou de garantir a compra de toda a capacidade de transporte de carga das novas empresas concessionárias, o que significa que esses empresários não correrão qualquer risco de prejuízo em caso de baixa demanda por transporte de carga.

Além disso, ainda dentro do pacote de bondades ao empresariado, ficou acertado que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) financiará cerca de 80% dos projetos de privatização, num processo também semelhante ao do governo FHC. É o dinheiro público, mais uma vez, financiando os investidores privados. E, para que não se tenha dúvida dos objetivos do governo, este ainda vai conceder incentivos (renúncias fiscais) aos consórcios vencedores das privatizações das rodovias e ferrovias e divulgar nas próximas semanas novas medidas privatizantes na área de portos e aeroportos.

O governo, anuncia com alegria a imprensa burguesa, também concederá "incentivo" adicional aos vencedores das concessões: a desoneração da folha salarial nos setores de transporte aéreo e de carga, navegação de cabotagem, transporte marítimo, navegação de apoio marítimo e portuário, e manutenção e reparação de aeronaves, motores e componentes (renúncia de cerca de R$ 900 milhões). Ganha a burguesia e perdem os trabalhadores, pois estes setores deixam de contribuir com 20% da folha de pagamentos à Previdência Social, e passam a recolher uma alíquota de 1% ou 2% sobre o faturamento bruto.

Trata-se, portanto, da consolidação de um modelo radical de construção de um estado máximo para o grande capital e mínimo para os trabalhadores. Não é essa a essência do que se chama de neoliberalismo? Mais uma vez fica demonstrado o caráter de classe do governo Dilma: enquanto nega reajuste de salários aos 400 mil funcionários públicos e professores universitários em greve e endurece as negociações com os trabalhadores, abre os cofres do governo, via BNDES, para os empresários adquirirem o próprio patrimônio público. 

O mais vergonhoso é que a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e outras centrais pelegas, que deveriam estar ao lado dos trabalhadores grevistas, avaliaram as medidas privatizantes como positivas e deram seu aval às privatizações, o que demonstra a completa degeneração tanto do sindicalismo chapa branca quanto do sindicalismo pelego no Brasil.

Não precisamos esperar que os vencedores das concessões sejam anunciados para saber, a priori, que, além das empreiteiras e dos novos ricos escolhidos pelo governo,  os fundos de pensão ligados ao sindicalismo oficial e pelego (como Previ, Petros e Funcef) estarão entre os principais beneficiários da decisão do governo. Mais uma vez, o "PT Patrão" estará representado nos conselhos de administração das grandes empresas que serão criadas, em novos setores estratégicos da economia brasileira.

Com esse pacote de privatizações, o governo do Partido dos Trabalhadores (e seus aliados à esquerda e à direita) tira a mascara definitivamente e sepulta as ilusões dos ingênuos e daqueles que ainda acreditavam que esse governo possuía alguma dimensão popular. Além disso, confirma as avaliações que o PCB vem fazendo a respeito do PT desde 2005, quando rompemos com o governo e passamos a ter uma posição independente, mesmo com a incompreensão de vários setores da esquerda. 

Afinal, o critério para avaliar um governo é a sua relação com os interesses dos trabalhadores. E, nesse caso, essa é uma administração que governa essencialmente para o capital, que articula e financia seus negócios, e dá apenas migalhas para os trabalhadores, de quem ainda quer retirar o pouco que têm, com a proposta de flexibilização para baixo de direitos trabalhistas, que em breve enviará ao Congresso Nacional.

PCB – Partido Comunista Brasileiro

Comissão Política Nacional – agosto de 2012

A ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA

                                                 

A ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA


História, Presente, Perspectivas

Simpósio Internacional

Universidade de São Paulo – FFLCH – Departamento de História

11, 12 e 13 de setembro de 2012 (9 às 22 horas)

Programação

3ª. feira 11 de setembro

ABERTURA: Emília Viotti da Costa

09:00 h. (AH): DO PETISMO AO LULISMO: O PT ONTEM E HOJE: André Singer – Lincoln Secco – Tales Ab´Sáber – Cyro Garcia

09:00 h. (AG): ESQUERDA, DITADURAS E DIREITOS HUMANOS: Pedro Pomar – Jorge Souto Maior – Renan Quinalha – Nils Castro

09:00 h. (CPJ): INTELECTUAIS E MARXISMO NA AMÉRICA LATINA: Bernardo Ricupero – Lidiane Soares Rodrigues – Marcos Napolitano – Maurício Cardoso

14:00 h. (AH): O COMUNISMO NA HISTÓRIA DO BRASIL: Milton Pinheiro – Apoena Cosenza – Frederico Falcão – Marly Vianna

14:00 h. (AG): CHINA E A AMÉRICA LATINA: Wilson N. Barbosa – Marcos Cordeiro Pires – Luis Antonio Paulino – Vladimir Milton Pomar

14:00 h. (CPJ): CUBA: PASSADO E PRESENTE DA REVOLUÇÃO: Luiz E. Simões de Souza – Joana Salém – Silvia Miskulin – José R. Máo Jr.

14:00 h. (RXCP): LÍNGUAS E LITERATURAS: DISCURSOS DE RESISTÊNCIA: Elvira Narvaja de Arnoux – Graciela Foglia – Adrián Fanjul – Pablo Gasparini

17:00 h. (AH): RECURSOS NATURAIS, ENERGIA E INTEGRAÇÃO CONTINENTAL: Ildo Sauer – Ariovaldo U. de Oliveira – Mónica Arroyo – Raimundo Rodrigues Pereira

17:00 h. (AG): PROGRAMAS SOCIAIS COMPENSATÓRIOS: SAÍDA DA POBREZA?: Ruy Braga – Eduardo Januario – Maria Cristina Cacciamali – Fúlvia Rosenberg

17:00 h. (CPJ): A REORGANIZAÇÃO DA CLASSE TRABALHADORA: Francisco Miraglia – José Maria de Almeida – Pablo Heller – Marina Barbosa Pinto

17:00 h. (RXCP): PERU, EQUADOR, BOLÍVIA: INDIANISMO E COSMOVISÃO ANDINA: Vivian Urquidi – Enrique Amayo – Tadeu Breda – Mónica Bruckmann

19:30 h. (AH): A LUTA DOS ESTUDANTES NA AMÉRICA LATINA: Clara Saraiva – Alejandro Lipcovich – Lucia Sioli – Mario Costa – Maria Ribeiro do Valle

19:30 h. (AG): AMÉRICA LATINA NA GEOPOLÍTICA INTERNACIONAL: André Martin – Leonel Itaussu A. Mello – Rodrigo Medina Zagni – Manoel Fernandes

19:30 h. (CPJ): O COMUNISMO NA AMÉRICA LATINA: Antonio C. Mazzeo – Marcos Del Roio – Victor Vigneron – Kennedy Ferreira

4ª. feira 12 de setembro

09:00 h. (AH): VENEZUELA E A REVOLUÇÃO BOLIVARIANA: Rafael Duarte Villa – Gilberto Maringoni – Flávio Benedito – Flavio Mendes

09:00 h. (AG): REDES SOCIAIS, AÇÃO DIGITAL E ATIVISMO POLÍTICO: Sergio Amadeu – Raphael Tsavkko – Rodrigo Vianna – Luiz Carlos Azenha

09:00 h. (CPJ): BOLÍVIA: DA ASSEMBLÉIA POPULAR A EVO MORALES: Everaldo Andrade – Diego Siqueira – Cristian Henkel – Igor Ojeda

14:00 h. (AH): O MARXISMO NA AMÉRICA LATINA: Michael Löwy – Osvaldo Coggiola – Luiz Bernardo Pericás – Marcio Bobik Braga

14:00 h. (AG): MÉXICO: DE ZAPATA AO ZAPATISMO: Waldo Lao Sánchez – Igor Fuser – Jorge Grespan – Azucena Jaso

14:00 h. (CPJ): EDITORAS DE ESQUERDA NA AMÉRICA LATINA: Marisa Midori – Flamarion Maués – Rogerio Chaves  – Sandra Reimão

14:00 h. (RXCP): CIÊNCIA E TECNOLOGIA NA AMÉRICA LATINA, EM PERSPECTIVA DE ESQUERDA: Renato Dagnino – Carlos Sanches – Ciro Teixeira Correa – Marcos B. de Oliveira

17:00 h. (AH): O ANARQUISMO NA AMÉRICA LATINA: Edson Passetti – Marcos A. Silva – Ricardo Rugai – Margareth Rago

17:00 h. (AG): A ESQUERDA E O POPULISMO: Maria Helena Capelato – André Velasco e Cruz – Antonio Rago – Fernando Sarti Ferreira

17:00 h. (CPJ): COLÔMBIA: DA “VIOLÊNCIA” À GUERRA SEM FIM: Antonio Carlos R. de Moraes – Yuri Martins Fontes – Ana Carolina Ramos – Pietro Lora Alarcón

17:00 h. (RXCP): SOCIALISMO E ANTIIMPERIALISMO NA AMÉRICA LATINA: Vitor Schincariol – Carlos César Almendra – Fabio Luis – Alexandre Hecker

19:30 h. (AH): O MARXISMO NO BRASIL: Paulo Arantes – Dainis Karepovs – Armando Boito – Ricardo Musse

19:30 h. (AG): LUTA ARMADA NO BRASIL: UM BALANÇO: Carlos Eugênio Clemente – João Quartim de Moraes – Ivan Seixas – Antonio R. Espinosa

19:30 h. (CPJ): FEMINISMO E SOCIALISMO NA AMÉRICA LATINA: Fernanda Estima – Cecília Toledo – Sara Albieri – Janete Luzia Leite

19:30 h. (RXCP): A ESQUERDA E O RACISMO: Flávio Jorge – Muryatan Santana Barbosa – José Carlos Miranda – Caio Dezorzi

5ª. feira 13 de setembro

09:00 h. (AH): PIQUETEIROS, FÁBRICAS OCUPADAS, SUJEITOS E MÉTODOS DE LUTA: Néstor Pitrola – Josiane Lombardi – Atenágoras Teixeira Lopes – Rodrigo Ricupero

09:00 h. (AG):  A ESQUERDA E O MEIO-AMBIENTE: Francisco del Moral Hernández – Mauricio Waldman – Ana Paula Salviatti – Gilson Dantas

09:00 h. (CPJ): SOCIALISMO E SOCIAL-DEMOCRACIA NA AMÉRICA LATINA: Adalberto Coutinho – Gonzalo Rojas – Lúcio Flavio de Almeida – Claudio Batalha

14:00 h. (AH): A LUTA PELA TERRA NA AMÉRICA LATINA: Gilmar Mauro – Zilda Iokoi – Horacio Martins de Carvalho – Valeria De Marcos

14:00 h. (AG): A FRENTE DE ESQUERDA NA ARGENTINA (E O BRASIL): Luis Mauro S. Magalhães – Pablo Rieznik – Valério Arcary – João B. Araújo “Babá”

14:00 h. (CPJ): AMÉRICA LATINA: IMUNE À CRISE?: José Menezes Gomes – Plínio de Arruda Sampaio Jr. – Leda Paulani – Ramón Peña Castro

17:00 h. (AH): A CLASSE OPERÁRIA NA HISTÓRIA LATINO-AMERICANA: Ricardo Antunes – Agnaldo dos Santos – Sean Purdy – Mauro Iasi

17:00 h. (AG): ESQUERDA, IGREJAS, DIVERSIDADE SEXUAL E HOMOFOBIA: Laerte – Horacio Gutiérrez – Wilson H. Da Silva – Maria Fernanda Pinto

17:00 h. (CPJ): DILEMAS DA UNIVERSIDADE NA AMÉRICA LATINA: Gladys Beatriz Barreyro – Afrânio Catani – César Minto – João Flavio Moreira

17:00 h. (RXCP): PARAGUAI: DA TRÍPLICE ALIANÇA A ITAIPU: Cristiana Vasconcelos – Dorival Gonçalves – Brás Batista Vaz – Filipe Canavese – José A. Rolón

19:30 h. (AH): AMÉRICA LATINA, A CRISE MUNDIAL E A ESQUERDA: Plínio de Arruda Sampaio – Jorge Altamira – Ricardo Canese – Valter Pomar

19:30 h. (AG): DROGAS, NARCOTRÁFICO E CAPITALISMO NA AMÉRICA LATINA: Henrique Carneiro – Julio Delmanto – Rosana Schwartz – José Arbex

19:30 h. (CPJ): A TEOLOGIA DA LIBERTAÇÃO NO SÉCULO XXI: Fernando Torres Londoño – Lucelmo Lacerda – Valéria Melki Busin – Jung Mo Sung

AH: Anfiteatro de História / AG: Anfiteatro de Geografia/ CPJ: Sala Caio Prado Júnior / RXCP: Sala Reinaldo Carneiro Pessoa

Inscrições On-Line: www.esquerdaamlatina.fflch.usp.br  

Apoio: GMarx – NEPHE – CEMOP - Mouro  

Entrada Franca   Serão fornecidos certificados de freqüência

Comissão Organizadora: Lincoln Secco – Osvaldo Coggiola – Rodrigo Ricupero – Jorge Grespan – Marcos A. Silva – Francisco Alambert

Co-Organização: PROLAM (Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina) – USP

Mostra Paralela

ESQUERDAS DE CINEMA – IMAGENS DAS AMÉRICAS LATINAS

(Ciclo de filmes)

Coordenação geral: Marcos Silva (FFLCH/USP) e

Thiago de Faria Silva (Rede de ensino básico e fundamental

 da Prefeitura de São Paulo)

MÉXICO - O anjo exterminador, de Luis Buñuel (1962), comentado por Marcos Silva (FFLCH/USP).



ARGENTINA - La hora de los hornos, de Pino Solanas (1968), comentado por Mauricio Cardoso (FFLCH/USP).

BRASIL - Memórias do inconsciente, de Leon Hirzsman (1986), comentado por Nelson Tomelin (UFPA).

CUBA - Guantanamera, de Tomás Gutierrez Alea e Juan Carlos Tabio (1995), comentado por Marco Aguiar (UNIFAC).

URUGUAI - O banheiro do Papa, de Cesar Charlone (2005), comentado por Gilberto Maringoni (Fundação Casper Libero).

BRASIL – Videolência, do Núcleo de Consciência Alternativa (2009), e Qual Centro?, do Nossa Tela (2010), comentados por Thiago de Faria Silva (Rede de ensino básico e fundamental da Prefeitura de São Paulo)

CHILE - Dawson Ilha 10: a verdade sobre a ilha de Pinochet, de Miguel Littín (2009), comentado por Helio Costa Jr. (UFAC)

ARGENTINA - Cómplices del silencio, de Stefano Incerti (2010), comentado por Darcio Argento (Pesquisador autônomo).

COLÔMBIA -  Los Infiltrados (2011), comentado por Neusah Cerveira (Rede estadual de ensino básico e fundamental do Rio Grande do Norte)

LANÇAMENTO E RECITAL: Dulce Patria, poemas de Horacio Gutiérrez, sobre a ditadura chilena




Texto: / Postado em 19/08/2012 ás 18:14





--------------------------------------------------------------------------------

Jovens militantes do PCB protestam no local onde teriam sido incinerados antigos camaradas!

Jovens militantes do PCB protestam no local onde teriam sido incinerados antigos camaradas!

domingo, 19 de agosto de 2012


Ato reúne militantes em usina onde presos foram incinerados


                                   

Cerca de 200 pessoas participaram nesta quinta-feira (16) de ato em usina onde dez presos políticos foram incinerados durante a ditadura militar 

Cerca de 200 pessoas participaram nesta quinta-feira (16) de um ato conjunto pela memória, verdade e justiça, e pela reforma agrária na região de Campos, RJ. O coletivo  prestou uma emocionante homenagem às vítimas da ditadura civil-militar nos fornos da Usina Cambahyba, onde, conforme relatado no livro "Memórias de uma guerra suja", dez corpos foram incinerados.

Memórias de uma Guerra Suja, uma coletânea de depoimentos do ex-delegado da Polícia Civil do Espírito Santo Cláudio Guerra, indica que foram levados para a Usina Cambahyba os restos mortais de David Capristano, comunista histórico, do casal Ana Rosa Kucinski Silva e Wilson Silva e de outros presos políticos, como João Batista Rita, Joaquim Pires e João Massena Melo.

O grupo prestou homenagem aos militantes mortos com flores e um minuto de silêncio. Durante o protesto os manifestantes aproveitaram para pedir agilidade ao Poder Judiciário no processo de desapropriação, tanto da área da Usina Cambahyba, quanto outras terras improdutivas da região.

O MST tem cerca de 15 acampamentos próximos das antigas usinas e sofre constantes ameaças de representantes dos ex-produtores. 

No centro de Campos, a articulação realizou um julgamento popular do antigo proprietário da Fazenda Cambahyba, Heli Ribeiro, condenando-o pela participação no encobrimento dos crimes da ditadura de tortura e assassinato e pelo desaparecimento dos corpos - o que realça a parceria civil-militar nos anos de chumbo no país. (Com o Brasil de Fato)

sábado, 18 de agosto de 2012


Entrevista de Ivan Pinheiro, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro, PCB, no Foro de São Paulo, realizado em Caracas em julho de 2012.

- Por Dick y Mirian Emanuelsson -

Tribuna Popular TP – ENTREVISTA INTERNACIONAL – O veterano comunista destaca a importância de fortalecer a luta do povo brasileiro contra as medidas neoliberais cujas bases não foram alteradas no Brasil, apesar dos períodos de governo do Partido dos Trabalhadores encabeçados por Lula e atualmente na mesma direção pelo governo de Dilma Rousseff.

Também chama as forças  revolucionárias do continente e do mundo a levantarem-se na resistência contra a guerra do imperialismo no Oriente Médio, assim como pelo repúdio aos planos ocultos e abertos que tem na América Latina.

Pede solidariedade com a Marcha Patriótica, na Colômbia, força constituída por 1700 movimentos populares e sociais com uma plataforma de esquerda avançada. E nesse sentido também expressa a importância de reforçar a ANNCOL, em resposta à contra-ofensivo arbitrária recai sobre a agência de notícias colombiana.

Sobre a imagem que se tem do governo do Brasil na América Latina, visualizando-o como um governo progressista, o dirigente comunista diz:

- A esquerda latino-americana acredita que o Brasil é progressista, antiimperialista, em função da imagem que a América Latina tem de Lula, que foi um grande líder sindical e permaneceu com essa imagem. Alguns até dizem que o Brasil é um país socialista! E isso é muito ruim para a América Latina porque é um equívoco, funcional para a oligarquia em toda a América Latina. Desafio qualquer petista a dizer uma única medida de caráter socialista que tenha sido implementada nos governos de seu partido. Não conheço nenhuma, porque não houve. Hoje, o Brasil está passando por um processo de revolução, mas uma revolução capitalista. "O capitalismo brasileiro nunca cresceu tanto como nos governos petistas, que são governos socialdemocratas cujas diferenças com os setores neoliberais são apenas na forma de como administrar o capitalismo”.

“Converter o Brasil em uma potência mundial”


Sobre a política externa dos governos do PT, Ivan Pinheiro diz que no fundamental é a mesma velha política pragmática do Estado burguês brasileiro, com algumas nuanças em função da conjuntura em cada momento.

- O principal objetivo da política externa brasileira é fazer do país uma grande potência. Seu sonho maior é obter um assento permanente no Conselho de Segurança das Nações Unidas, como um símbolo do seu reconhecimento como potência mundial.

Ivan destaca que é claramente uma política pragmática, que trata de se mover por onde pode ganhar espaço. Mas há setores de esquerda no Brasil que sustentam o governo e dizem que o país representa posições antiimperialistas, que o imperialismo é um “inimigo externo” ao país. Daí defenderem aliança com o que chamam de burguesia nacional. Porém, os fatos mostram o contrário, agrega o secretário geral do Partido Comunista Brasileiro:

“Os comunistas brasileiros dizemos que o imperialismo não é um inimigo externo ao Brasil porque que este é parte do imperialismo, mesmo que ainda coadjuvante. O Brasil é um dos países capitalistas mais desenvolvidos do mundo, não apenas por ser a 5ª ou 6ª economia capitalista do mundo, mas porque tem um Estado burguês altamente estável e forte. É impossível pensar em um golpe de Estado no Brasil, como o que houve, por exemplo, recentemente, no Paraguai, contra Fernando Lugo, ou em Honduras, contra Manuel Zelaya, ou os que tentaram contra Chávez, Evo Morales e Rafael Correa. No Brasil, não há razão alguma para golpe de direita. Porque o governo brasileiro tem uma política de desenvolver o capitalismo, custe o que custar. O governo dispõe de uma ampla maioria no parlamento, com apoio de paridos de direita e de centro-direita”.

Estímulo a fusões entre as corporações brasileiras


“Quando o Brasil presta solidariedade a um país ou a algum governo, o faz principalmente pensando em favorecer as grandes corporações brasileiras. Um exemplo são os crescentes acordos entre Venezuela e Brasil, com o surgimento de um grande comércio que favoreceu primeiramente os interesses capitalistas do Brasil. O mesmo acontece com outros países onde o governo brasileiro abre o mercado para empresas gigantes do Brasil. As relações comerciais brasileiras são ecléticas, indo desde investimentos em Cuba até um intenso comércio de armas com a Colômbia e Israel.

“O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social é uma ferramenta a serviço das empresas monopolistas, financiando fusões entre elas para que possam competir no mercado mundial como verdadeiras gigantes”.

Privatizando empresas públicas

“Os governos petistas, no fundamental, mantiveram todos os compromissos com os banqueiros e apenas mitigaram os programas neoliberais, com assistencialismo e políticas compensatórias. As privatizações continuam: um por um estão privatizando os aeroportos. A privatização das rodovias foi aprofundada no governo Lula. Há uma impressão na América Latina de que a Petrobras é uma empresa estatal. Mas a maioria do capital é privado e as ações da empresa são vendidas na Bolsa de Nova Iorque. A principal iniciativa do governo chama-se PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), um imenso conjunto de obras voltadas para alavancar o crescimento capitalista e não o desenvolvimento social”.

Assim, enumera setor por setor da sociedade brasileira por onde o grande capital monopolista está avançando, cooptando cada dia mais o poder verdadeiro no gigante latino-americano, um poder cujo Estado é administrado por presidentes que vêm do Partido dos “Trabalhadores”.

“Estão tratando de privatizar os serviços públicos. Como se fosse pouco, estão usando agora a Central Única dos Trabalhadores, CUT - que foi uma central combativa nos governos anteriores e hoje em dia tem sido cooptada e é uma correia de transmissão do governo atual -, com um projeto de “flexibilização”, para baixo, dos direitos trabalhistas”.

“A América Latina não necessita mais da Espada de Bolívar, necessita de créditos” (Lula para empresários colombianos).

Aviões brasileiros para a guerra na Colômbia


Ele menciona as relações comerciais com a Colômbia, país que vive um conflito social armado interno, de mais de meio século, onde o regime de Bogotá e suas forças militares são citados em cada relatório sobre Direitos Humanos, por violá-los de todas as formas. Isto não impediu que o Brasil, sob o governo Lula, vendesse 25 aviões de guerra para uso em ações de guerra contra-insurgente, que bombardeia não somente acampamentos guerrilheiros durante as noites, mas também aldeias e povoados da comunidade rural colombiana.

“Para nós, a Colômbia é um Estado terrorista, um perigo para a América Latina. Nosso partido tomou a decisão de priorizar a solidariedade com esta resistência colombiana nos marcos do internacionalismo proletário. A Colômbia está se transformando numa espécie de Israel da América Latina, uma ponta de lança do imperialismo”.

“Lula inaugurou em Bogotá um fórum para empresários brasileiros e colombianos, tendo aberto o evento com as palavras: “A América Latina não necessita mais da Espada de Bolívar; necessita de créditos”. O PCB dá toda solidariedade à multifacetada resistência colombiana. Solidarizamo-nos com todas as formas de luta, tanto da insurgência como do movimento popular. E o Brasil, se quisesse, poderia jogar um papel importantíssimo, com o peso político que tem, através da Unasul, para tentar viabilizar um processo de solução política para o conflito colombiano. Só que o governo brasileiro não quer se indispor com os governos de direita colombianos; sua preocupação principal são negócios”.

O papel da Venezuela na América Latina


Ivan Pinheiro e o Partido Comunista Brasileiro destacam a importância que seria, nas próximas eleições na Venezuela, a vitória de Chávez, não somente para a consolidação do próprio processo bolivariano, mas pelo futuro de toda a América Latina.

“Uma vitória eleitoral da oposição entreguista e pró-EUA na Venezuela seria fatal para toda a luta popular na América Latina e ocasionaria também repercussões no movimento revolucionário no âmbito mundial, já que o continente latino-americano talvez seja onde as forças progressistas e revolucionárias mais estão avançando, apesar do reformismo de muitos”.

“A Venezuela e a Colômbia são o eixo e a combinação, o binômio onde a correlação de forças se disputa no continente. O jogo principal da luta de classes no nosso continente hoje está sendo disputado nesses dois países. Mesmo com algumas divergências e preocupações que temos com Chávez, reconhecemos a importância dele para a continuidade do processo de mudanças na Venezuela, que achamos que pode transitar para o socialismo, desde que as massas assumam o protagonismo e o processo não depende de uma única pessoa”.

“Para nós, seria difícil imaginar as mudanças (heterogêneas) que podem seguir adiante na América Latina sem o precedente da Revolução Cubana e das grandes lutas de massa que marcaram a região e também sem a combatividade e a coragem de Chávez e da chamada revolução bolivariana”.

Esquerda boa ou ruim?


Em um editorial do jornal El Tiempo, nos anos 2004 ou 2005, o diretor, da família Santos, se perguntava por que a esquerda colombiana não se adaptava aos princípios da “esquerda de Lula”. O veterano brasileiro ri da comparação.


E o Foro de São Paulo em Caracas?

“Nosso partido, o PCB, foi um dos fundadores do Foro de São Paulo há 25 anos, e este nasceu com uma maioria de organizações comunistas e revolucionárias. Inclusive as FARC são fundadoras também e participaram durante anos dos encontros do Foro, até serem expulsas sumariamente pelo PT, quando este assumiu a hegemonia do Foro, que detém até hoje, cada vez mais forte. Com o passar do tempo, o Foro de São Paulo foi mudando. Hoje, o Foro está mais preocupado com a governabilidade institucional de governos reformistas socialdemocratas e também com ganhar algumas eleições, como no Peru, que foi uma vitória do Foro de São Paulo,  do PT no Brasil e o mesmo em El Salvador”.

“Aqui no Fórum de SP, em Caracas, não há discussão política de fundo, do ponto de vista ideológico, nem estratégico. Não há confronto de ideias. Na maioria dos dias os participantes foram divididos em função de seu campo de atuação, em discussões localizadas, específicas, como no Fórum Social Mundial. A discussão política se deu num pequeno grupo de dirigentes, em sua maioria socialdemocratas, que hoje ou amanhã apresentarão não um anteprojeto mas já a declaração política final, redigida por eles. E certamente será aprovada por aclamação, porque não haverá espaço para debate”.

“Apesar desse reformismo, não vamos sair do Foro; não apenas porque somos fundadores, mas porque aqui nos encontramos com os que se identificam com o nosso campo ideológico, vamos construindo um campo político combativo, em torno do Movimento Continental Bolivariano, um espaço aonde a esquerda revolucionária debate sobre como chegar além do que permitem as instituições burguesas. Aprofundamos aqui relações com várias organizações de luta contra o capital. Aqui estamos aprofundando nossos laços, por exemplo, com o movimento mais importante da América Latina neste momento, que é a Marcha Patriótica, da Colômbia, Trata-se de uma organização ampla e unitária, agregando mais de 1.700 movimentos sociais e políticos populares. Lamentavelmente, a direção do Foro de SP resiste em aceitá-la como filiada do Foro e lhe dar voz, certamente por ser um movimento de rebeldia contra a ordem.

E qual a opinião do PCB sobre a insurgência colombiana?

“Entendemos que a luta das FARC e da ELN é um exemplo para toda a América Latina. Contribui, inclusive, para que a Amazônia não seja ocupada pelo imperialismo e constitui uma barreira de defesa da Venezuela frente à infiltração de paramilitares colombianos no país. Porém é mais importante que isso. Temos que defender esse processo para que esta forma de luta não seja derrotada, porque essa forma de luta insurgente, seja da forma que for, de acordo com as características de cada país, pode vir a ser usada pelos povos que querem se libertar da exploração e transitar ao socialismo. Porque através da institucionalidade burguesa, não é possível”.

Ver e escutar a entrevista completa com o companheiro Ivan Pinheiro, Secretário Geral do Partido Comunista Brasileiro, PCB, por Dick e Mirian Emanuelsson, no Vídeo (Aqui reproduzido).

Entrevista do secretário-geral do PCB Ivan Martins Pinheiro no Fórum São Paulo

Campanha-Movimento PCB - Belo Horizonte


José  Francisco Neres, Pinheiro
                              
                                              
22 de agosto - Debate sobre Direitos Humanos - 19 horas - Local: Sede - Roberto Auad e José Francisco Neres.

01 de setembro - Ato Político Cultural no Bairro Floresta

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Nesta sexta-feira a 61ª Caravana da Anistia homenageia o ex-secretário-geral do PCB Luiz Carlos Prestes

Luiz Carlos Prestes em 1935
   


Prestes em sua cela triangula  na Casa de Correção
                                                         
Nesta sexta-feira (17/8), durante a Conferência Internacional: Memória América Latina em Perspectiva Internacional e Comparada, no Rio de Janeiro,  será realizada a 61ª Caravana da Anistia da Comissão de Anistia do Ministério da Justiça. As caravanas são sessões itinerantes da Comissão de Anistia para o julgamento de processos de cidadãos e ou familiares atingidos pelos atos de exceção no período de 1946 a 1988.

Serão julgados sete processos de anistia política. Dentre eles, o dos irmãos Yuri e Alex Xavier Pereira, militantes do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da Ação Libertadora Nacional (ALN). Eles foram para Cuba em 1968 e retornaram na clandestinidade. Após a morte do líder e fundador da ALN,  Carlos Marighella, Yuri  passou a ser membro efetivo do Comando Nacional da ALN e foi assassinado em junho de 1972 após uma emboscada. Alex foi morto em janeiro de 1972 e enterrado com outro nome.

Outro processo de requerimento de anistia é o de José Grabois, professor da Secretaria de Educação do antigo estado da Guanabara, demitido por ter sido detido em 1954 enquanto anunciava a realização de um comício. A família de Lincoln Bicalho Roque, militante do PCB,  também requereu anistia, alegando que ele foi aposentado compulsoriamente em 1968 por causa de suas atividades políticas. Esteve preso diversas vezes antes de entrar na clandestinidade em 1972. No dia 13 de março de 1973, o corpo de Lincoln  foi encontrado com 15 tiros. A polícia alegou que ele reagira às forças de segurança. 

A militante do  Partido Revolucionário dos Trabalhadores,  Maria Cristina da Costa Lyra presa e torturada em 1970 e a militante da Ação Popular Mariela Venâncio Porfírio, presa em dezembro de 1972, condenada a seis anos de detenção  também pedem reparação moral e econômica à Comissão de Anistia.

Outro caso a ser julgado é o de Fernando Augusto de Santa Cruz, membro da Ação Popular Marxista-Leninista e desaparecido. Em decorrência da prisão de vários companheiros da organização, em 1973 mudou-se para São Paulo, juntamente com sua família e o filho recém-nascido. Durante o carnaval de 1974 foi ao Rio de Janeiro visitar seu irmão, ao sair de casa avisou que ia encontrar um companheiro e estaria de volta duas horas depois. Nunca mais foi visto.

A Caravana da Anistia também vai homenagear Luiz Carlos Prestes, o “Cavaleiro da Esperança”, comandou a Coluna Prestes e foi líder do Partido Comunista Brasileiro (PCB) por mais de 50 anos; a estilista Zuzu Angel, mãe do militante do MR-8 Stuart Angel, torturado e morto pela repressão, também morta num misterioso acidente; o teatrólogo Augusto Boal, fundador do Teatro do Oprimido que alia teatro à ação social, entre outros homenageados. Todos têm em comum o fato de terem vivido no Rio de Janeiro, além de serem protagonistas, cada uma a sua maneira, da luta pela democracia no país.

O evento terá transmissão pela Internet: http://puc-riodigital.com.puc-rio.br/

Comissão de Anistia - Criada em 2001, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça analisa processos de requerimento de anistia política de cidadãos perseguidos durante os períodos autoritários entre 1946 a 1988.  Em 2012, a Comissão já realizou sete caravanas em diferentes cidades: Camaçari (BA), São Paulo (SP),  Teresina (PI),  Porto Alegre (RS), Bauru (SP),  Florianópolis (SC) e Fortaleza (CE). O objetivo das sessões de julgamento itinerantes é levar o tema a  diferentes regiões do país,  promover o resgate histórico e o debate na sociedade.

Além da 61ª Caravana da Anistia, a  Conferência Internacional: Memória América Latina em Perspectiva Internacional e Comparada,  terá mais quatro painéis nesta sexta-feira. Iniciada na última  terça, a conferência foi organizada pela Comissão de Anistia do Ministério da Justiça, pela Memória Aberta de Buenos Aires e pela Coalizão Internacional de Sítios de Consciência.

Prestes em 1928 em Buenos Aires onde vendia cabos de vassoura para sobreviver
Confira programação da Conferência Internacional: Memória América Latina em Perspectiva Internacional e Comparada: http://www.jur.puc-rio.br/ndh/

terça-feira, 14 de agosto de 2012

CINEMA DA RESISTÊNCIA abre com filme sobre Manoel Fiel Filho, militante do PCB morto no DOI -CODI em São Paulo


                                                         

CINEMA DA RESISTÊNCIA

O Memorial da Resistência tem procurado, por meio da sua programação, utilizar o potencial das diferentes manifestações artísticas para abordar os principais temas trabalhados pela Instituição – repressão e resistência políticas e direitos humanos.
Com o objetivo de utilizar o cinema de forma mais sistemática, o Memorial da Resistência iniciará, no segundo semestre de 2012, o projeto “Cinema da Resistência”, com a exibição de 4 filmes (1 sábado por mês, de agosto a novembro, às 14h), sempre seguidos de debate com o diretor e/ou outro colaborador para realização do filme.
Serão conferidos certificados de hora complementar para estudantes.
Acesse nosso site para se atualizar sobre nossa programação e os links abaixo para conhecer mais sobre os próximos filmes.


Programação
 25 de agosto de 2012, às 14h
 Perdão, Mister Fiel (Jorge Oliveira, 2009, BRA, 95min.)

15 de setembro de 2012, às 14h
 Verdades Verdaderas, la vida de Estela (Nicolás Gil Lavedra, 2011, ARG, 99min.)

13 de outubro de 2012, às 14h
 Batismo de Sangue (Helvécio Ratton, 2006, BRA, 94min.)

10 de novembro de 2012, às 14h
 Cabra Cega (Toni Ventura, 2005, BRA, 105min.)


 follow on Twitter | friend on Facebook | forward to a friend
Copyright © 2012 nucleo memoria, All rights reserved.
Discussão sobre o tema da ditadura
Our mailing address is:
nucleo memoria
av. brigadeiro luiz antonio
Sao Paulo, São Paulo 01402000
Brazil

O Tribunal de Justiça de São Paulo confirmou ontem que o coronel da reserva Brilhante Ustra é torturador, ao apreciar ação impetrada por três de suas vitimas. Uma delas é Crimeia Almeida , militante de causas sociais em Belo Horizonte. Reproduzimos aqui seu depoimento divulgado durante a apresentação da novela Amor e Revolução o ano passado pela TV SBT

sábado, 11 de agosto de 2012

Ida ao banheiro é controlada no Call Center do Santander em São Paulo

                                         
Os bancários do Call Center SP II do Santander denunciam que gestores não estão respeitando as normas regulamentadoras das centrais de teleatendimento. Segundo relatos de funcionários feitos aos representantes dos trabalhadores, o tempo de banheiro está sendo controlado. A NR-17, publicada em 1990 pelo então Ministério do Trabalho e Previdência Social, proíbe limitação ou restrição de ida ao banheiro.

Ainda de acordo com os atendentes, caso o tempo ultrapasse o limite estabelecido pelos gestores, os trabalhadores poderão ter de assinar uma advertência. Ocorre que hoje, no SP2, a jornada de trabalho dos assistentes é de seis horas, sendo que os trabalhadores usufruem de duas pausas dentro desse período. 

Uma pausa de 10 minutos denominada "extra break" e outra de 20 minutos, denominado como "break" para o lanche de acordo com negociação entre banco e Sindicato dos Bancários de São Paulo, portanto, o correto é que a pausa de 10 minutos (extra break) seja destinada para o descanso do funcionário. Ou seja, que represente um tempo livre de exclusividade do funcionário. 

E, ainda, que não exista controle de tempo para o banheiro (nem que esse tempo gasto com o banheiro seja descontado das duas pausas existentes), pois o anexo 2 da NR 17 afirma claramente que "com o fim de permitir a satisfação das necessidades fisiológicas, as empresas devem permitir que os operadores saiam de seus postos de trabalho a qualquer momento da jornada, sem repercussões sobre suas avaliações e remunerações.

O funcionário do Santander e diretor do Sindicato Marcelo Gonçalves repudia a postura de alguns gestores que agem desrespeitando as normas e afirma que os trabalhadores não devem aceitar essa situação e denunciar ao Sindicato. 

"Procurem o Sindicato para relatar o problema. Estamos cobrando o banco para que reoriente imediatamente a gestão no SP2, conforme foi estabelecido pela direção do Santander", completa. (Com   
a Contraf)

Boa Saúde

Josetxo Excurra/Rebelión/Divugação

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Governo desrespeita professores anunciando acordo com entidade pelega. A greve continua


                                                         
Publicado por LUTA PELA EDUCAÇÃO em 6 agosto 2012 às 11:52 

Andes-SN - Em uma atitude de total desrespeito com as reivindicações dos professores federais, em greve há 77 dias, o governo federal disse na reunião da última quarta-feira (1) que irá assinar acordo com o Proifes (entidade minoritária, controlada pelo governo).

A afirmativa foi feita após o ANDES-SN, Sinasefe e Condsef apresentarem as respostas das assembleias de base, que rejeitaram, mais uma vez, o proposto pelo Executivo. Para os docentes, a alteração pontual colocada na mesa, na última semana (24/7), não modificou a essência da proposta do governo, o que foi reconhecido pelos próprios representantes do Ministério do Planejamento. Desta forma, continua ignorando pauta da greve nas Instituições Federais de Ensino: reestruturação da carreira docente e valorização e melhoria nas condições de trabalho docente nas IFE. Confira aquio documento apresentado pelo ANDES-SN.
"Todas as assembleias votaram pela rejeição da proposta. No entanto, governo opta por assinar acordo com uma entidade que é sua parceira, e que não tem representatividade junto à categoria. Nós vamos continuar firmes na greve e são as assembleias de base que determinarão os rumos do movimento", afirmou Marinalva Oliveira, presidente do ANDES-SN.
Marinalva apontou ainda que a categoria tem disposição para negociar, mas que o governo não dialoga com a lógica da proposta apresentada pelo ANDES-SN e pelo Sinasefe. "O Executivo permanece surdo às nossas reivindicações, numa atitude de total desrespeito com os professores", denunciou.
Na mesa, o ANDES-SN foi enfático em afirmar que o governo tomou uma decisão que aparentemente já estava acordada na semana passada e introduziu um novo método no trato com os servidores públicos federais.
"Isso é uma escolha política, que ignora as decisões legítimas de assembléia e nega o processo democrático de negociação. Promove um processo até chegar ao impasse e aí chama seus parceiros para assinar acordos unilaterais. Essa Secretaria de Relações do Trabalho inova, mas para menos, ao desconsiderar as decisões da categoria em greve e das entidades que dirigem o movimento", disse Marina Barbosa, 2 ª secretária do ANDES-SN, no fechamento da reunião.
O Sindicato Nacional ressaltou, novamente, que não iria assinar um acordo que pode retirar direitos dos docentes e que, ao invés de valorizar, aprofunda e consolida a desestruturação da carreira, que já se encontra emperrada.
Durante a reunião, o Secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, comunicou que, por determinações superiores, a negociação com os técnicos-administartivos teria início na próxima semana, com Fasubra e Sinasefe.
Vígila
Enquanto a reunião ocorria, representantes dos Comandos Nacionais de Greve do ANDES-SN, dos Estudantes e do Sinasefe se concentraram em frente ao prédio do Ministério do Planejamento. Atividades de vigília foram realizadas pelos Comandos Locais de várias instituições federais de ensino, por todo do país.
Histórico
Em greve desde 17 de maio, os professores das Instituições Federais de Ensino reivindicam a reestruturação da carreira docente, processo acordado em agosto do ano passado com o governo e não cumprido, e a valorização e melhoria nas condições de trabalho docente nas IFE.
Após 57 dias de paralisação, o governo apresenta uma proposta de reajuste na tabela salarial, que promove, ao final dos três anos previstos de parcelamento, a corrosão no poder de compra de grande parte da categoria. Os 45% tão alardeados pelo governo, contemplariam apenas pequena parcela dos docentes, uma vez que seriam concedidos apenas aos titulares, doutores, em regime de dedicação exclusiva. Este percentual também é falacioso, pois considerando a inflação estimada no período 2010-2015, representam menos de 10% de recomposição salarial para este segmento.
Além disso, entre outros pontos, o governo estabelecia novos parâmetros para progressão na carreira que desrespeitavam a Lei de Diretrizes e Bases (LDB) e feriam a autonomia universitária prevista na Constituição. Essa proposta foi rejeitada por unanimidade pelos docentes.
Em 24 de julho, foi apresentada uma reformulação, remetendo a grupos de trabalho diversos pontos estruturais da carreira, que provocaram tensionamentos na negociação, como o reequadramento dos aposentados, os critérios para avaliação institucional e promoção entre classes.
Nesta proposta, ficou evidente que os representantes do executivo mais uma vez desconsideraram os argumentos do ANDES-SN e apresentaram parâmetros que consolidam a desestruturação e o caráter produtivista da atual carreira dos professores federais.
Além disso, não respondem em nenhum momento como pretendem atender ao segundo ponto prioritário da pauta da greve: melhoria nas condições de trabalho e estudo. Jogam também essa questão para ser discutida num GT, que será formado após a assinatura do acordo. Essa proposta foi novamente rejeitada por todas as assembleias.

Fonte : Diário Liberdade

Homenagem a Florestan Fernandes


Candidato do PCB


O PCB na história


domingo, 5 de agosto de 2012

Greve dos professores continua apesar de pressões por acordo

                       
Em greve há 80 dias, os professores das universidades e dos institutos federais de ensino superior continuam sem perspectiva de volta às aulas. O Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (Andes-SN), o Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e Tecnológica (Sinasefe) e a Confederação Nacional dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) recusaram-se a firmar acordo com o governo e mantêm a paralisação.
Na sexta-feira (3), a Federação de Sindicatos de Professores de Instituições Federais de Ensino Superior (Proifes) aceitou a proposta do governo, que prevê reajustes de 25% a 40% até 2015 e diminuição do número de níveis de carreira de 17 para 13. O fechamento do acordo significou o fim das negociações por parte do governo.
Para a presidenta da Andes-SN, Marinalva Oliveira, o governo não foi coerente. “Para nossa indignação, entre quatro entidades, só uma manifestou ter aceitado, e o governo anunciou que as negociações estavam encerradas, de maneira unilateral, suspendeu qualquer tentativa de acordo”, afirmou.
O coordenador-geral do Sinasefe, Gutemberg Almeida, também discorda da proposta apresentada e classificou de “intransigente” a atitude do governo ao encerrar as negociações. “O governo assinou o acordo com uma entidade que não representa a maioria dos docentes. O governo ignora a categoria. Não estamos de acordo com essa postura”, disse Almeida.
Dados do Andes-SN e do Sinasefe indicam que a paralisação atinge 57 das 59 universidades federais, além de 34 dos 38 institutos federais de educação tecnológica. (Com a ABr_

Greve na Fiocruz a partir do dia 6

                                                                   
Funcionários da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) vão paralisar suas atividades a partir de segunda-feira. A decisão foi tomada em assembleia na quarta-feira. Desde junho, os trabalhadores da instituição vinham fazendo paralisações de 24 horas.
Na manhã de sábado, representantes do Sindicato dos Servidores de Ciência, Tecnologia, Produção e Inovação em Saúde Pública (Asfoc) reuniram-se com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, na sede da Fiocruz, no Rio de Janeiro, durante um evento público, e entregaram um documento com as reivindicação do grupo.
O presidente do sindicato, Paulo Garrido, argumentou que há três anos vem negociando com o Ministério do Planejamento e que desde então o salário dos funcionários sofreu desvalorização de 20%.
- Temos um acordo de março do ano passado com o governo determinando que até março de 2012 seria apresentada para os trabalhadores da Fiocruz uma proposta concreta na mesa. Na última reunião [semana passada], a Secretaria de Relações do Trabalho apresentou um diagnóstico um esboço, não uma proposta concreta.
A greve permanecerá pelo menos até o dia 13, dia sinalizado pelo Ministério do Planejamento para a apresentação de uma proposta referente à pauta da categoria. Nesse mesmo dia, uma nova assembleia está marcada.
O ministro da Saúde disse que vai conversar com a ministra do Planejamento, Miriam Belchior. “Os trabalhadores têm seus mecanismos para lutar por aquilo que são seus direitos, pelas suas reivindicações e tenho plena convicção de que esse movimento não vai paralisar as atividades essenciais de assistência e de produção da Fiocruz”.
Além do aumento de salários, os grevistas querem a reestruturação do planos de carreiras, criação de uma data-base e a recomposição dos valores dos adicionais de insalubridade.
Os sindicalistas garantiram que as atividades de emergências dos hospitais e a produção de vacinas e medicamentos nas linhas já iniciadas não serão afetados pela greve.
Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, as reivindicações dos trabalhadores são legítimas e a conduta do sindicato tem sido madura. “A carreira na Fiocruz teve ganhos muito significativos há cerca de três anos, mas ao mesmo tempo desde esse período não tivemos recuperação de perdas e ajustes, que são importantes”. Gadelha ponderou, no entanto, que a conjuntura adversa internacional e nacional leva o governo a ter cautela na negociação.
Vinculada ao Ministério da Saúde, a Fiocruz está instalada em 10 estados e possui um escritório em Maputo, capital de Moçambique, na África. Ao todo, são 16 unidades técnico-científicas, voltadas para ensino, pesquisa, inovação, assistência, desenvolvimento tecnológico e extensão no âmbito da saúde. Além da geração de conhecimento, a fundação produz vacinas, medicamentos à base de plantas, métodos de diagnóstico e monitoramento da saúde do trabalhador, e atua no aumento do número de patentes brasileiras e aprimoramento do sistema de saúde nacional.(Com o Correio do Brasil)

sábado, 4 de agosto de 2012

Para que o PCB disputa eleições?


                                                
(Nota da Comissão Política Nacional do PCB)
  
"Para podermos construir o verdadeiro Poder Popular, só com muita luta e organização todos os dias, não apenas no calendário eleitoral"


Pode parecer difícil entender por que o Partido Comunista Brasileiro (PCB) disputa as eleições com poucos candidatos, em chapa própria ou em algumas coligações com pouca densidade eleitoral, reduzindo nossas chances de vitória.

É porque o povo é levado a pensar que a “política” se reduz às disputas eleitorais e acontece apenas de quatro em quatro anos, ou de dois em dois, já que eleições nos municípios não coincidem com as estaduais ou federais.

A mídia faz com que as eleições se transformem num “show”, escondendo o debate sobre os problemas reais vividos pela população. Nós do PCB não somos um partido eleitoreiro; não queremos crescer a partir de alianças e/ou acordos oportunistas, incompatíveis com nossas ideias e convicções. Por isso, a história das lutas dos trabalhadores brasileiros não pode ser contada sem que se fale no PCB. São 90 anos de vida ativa e coerente em defesa da classe trabalhadora.

O PCB desenvolve uma linha política revolucionária, e acha que nas eleições deve ocorrer um debate profundo sobre a vida dos trabalhadores nas cidades e no campo, que não está descolada da situação do país e do mundo. Os candidatos do PCB não participam das eleições apenas para tentar ganhá-las, mas para fazer com que este debate exista, avançando a luta dos trabalhadores e a organização dos movimentos sociais.

O momento exige uma reflexão sobre a necessidade de uma mudança radical no “desenvolvimento” das cidades. Este deve existir a partir das necessidades dos trabalhadores e das camadas populares, maiores vítimas da exploração e do caos urbano gerado pelo capitalismo. Afinal de contas, sentimos na pele a queda da qualidade de vida pelo aumento da violência e das doenças, pela desigualdade de acesso à educação, ao conhecimento e à cultura, pela destruição do meio ambiente.

O PCB se recusa a fazer parte do jogo sujo que transforma os partidos políticos em meros fantoches de grandes grupos econômicos que não se importam com os trabalhadores. Não usamos as eleições para fazer falsas promessas e enganar o povo. Afinal de contas, o trabalhador vai sendo alijado dos fóruns de decisão e cada vez mais se tornando massa de manobra em favor dos interesses dos poderosos.

Não achamos que “é feio” perder eleições. Entendemos exatamente o contrário; feio é ganhar eleições através da compra de votos, de falsas promessas, de políticas inconsistentes que transformam tudo em jogo eleitoral e afastam a participação popular após o pleito, que trata o eleitor como “consumidor” de candidatos transformados em “mercadoria” pelo marketing e as conveniências do momento.

Nessas eleições, em todas as cidades em que tiver candidatos, o PCB falará uma só linguagem, pois tem um como princípio o compromisso com os trabalhadores. Queremos sim eleger alguns dos nossos candidatos, para que os comunistas transformem seus mandatos em instrumento a serviço da denúncia política, da crítica ao capitalismo, da apresentação de propostas objetivas para os interesses da classe trabalhadora e, principalmente, do apoio às lutas populares e defesa de seus interesses.

Para o PCB, a política não se esgota no voto, não se limita à época das eleições. Os trabalhadores devem fazer política o ano todo, organizando-se, lutando e debatendo tudo que lhes diz respeito como o orçamento público, a educação, a saúde, os transportes, a cultura, a assistência social, a reforma urbana e agrária, a preservação ambiental. E principalmente uma nova sociedade, sem explorados nem exploradores.

Para podermos construir o verdadeiro Poder Popular, só com muita luta e organização todos os dias, não apenas no calendário eleitoral. Convidamos você a fazer parte desse projeto, não apenas através de seu votoconsciente no PCB mas principalmente de sua participação nos movimentos sociais e políticos populares organizados.

Construa ao nosso lado a nova ordem socialista! Só a luta muda a vida!

PCB – Partido Comunista Brasileiro