sábado, 29 de novembro de 2014

Meu Recado

eu Recado

                                       
J.C.Alexandre, em frente ao DOPS, cobrando o Memorial
       
Marcando passo...

José Carlos Alexandre

O ano está chegando ao fim. Um fim melancólico, já que, em termos de política econômica, tudo indica que o Brasil andou para trás. 

Ou deixou de crescer, o que é temerário em face das perspectivas de emprego e renda.

Pior: em termos de avanços na descoberta e divulgação dos crimes da ditadura cívico-militar (ou burguesa-militar, tanto faz) de 1964, também ficamos marcando passo.

As Comissões da Verdade, salvo raríssimas exceções, ficaram mais no barulho do que em ganhos concretos.

Estou profundamente decepcionado. Tanto com a CNV, quanto com a Estadual.

Com relação a esta última, não sei bem o que anda acontecendo mas ao que parece ela teve uma espécie de recuo muito grande, talvez em função das eleições que se realizaram este ano ou por outros motivos...

O que passou para o público é que há uma divisão muito grande na área...

Não se sabe mais quem é quem na Estadual. Se há duas Comissões...

Eu que milito há muitos anos na área de direitos humanos, até recebi um alerta sobre cuidados ai passar informações a esta ou àquela fonte...

Só sei de uma coisa: os relatórios que as Comissões apresentarão nos próximos dias estarão bem abaixo do que se esperava...

A não ser que ocorra algum milagre...

Mas não avançaram até agora a apuração da morte e sumiço do corpo do sindicalista Nestor Veras.

Não se cuidou de esclarecer a situação dos sobreviventes dos 51 mineiros demitidos da Morro Velho, como "terroristas", nos anos 40.

Tampouco se falou na conclusão (?) do Memorial de Direitos Humanos na Rua Carangola, em BH.

E muito menos na efetiva transformação do prédio do antigo DOPS, na avenida Afonso Pena, em Memorial que marque a repressão em Minas Gerais, conforme lei estadual assinada pelo ex-presidente Itamar Franco no ano 2000.

Houve, é certo, o tombamento do prédio do ex-DOPS por parte de um órgão específico da Prefeitura de Belo Horizonte.

Mas parece que ficou nisso...

Enquanto que a lei que cria o Memorial onde se situa aquele antro de repressão prevê tudo, tintim por tintim, verbas para seu funcionamento, órgão responsáveis e tudo o mais...

Mas os dois últimos governos estaduais, quando  acionados, preferiram o silêncio...

Minas, cujo "primeiro compromisso é a liberdade", na expressão do ex-governador Tancredo Neves, 

fica a dever muito ao país.

Miguel Urbano Rodrigues na sede do PCB

                                                                      
Heitor Cesar R. Oliveira (*)

Recebemos no dia 25 de novembro, na sede do Comitê Central do PCB, no Rio de Janeiro, o histórico militante comunista Miguel Urbano Rodrigues. O que seria uma roda de conversa, transformou-se em verdadeira aula sobre Socialismo e Internacionalismo.

Miguel Urbano, militante e dirigente comunista português, deputado duas vezes pelo PCP, continua sendo jornalista de grande prestígio em seu país. Durante a ditadura salazarista viveu no Brasil, tendo trabalhado no jornal O Estado de São Paulo, continuando sua militância política do outro lado do Atlântico, no PCB.

Hoje, Miguel Urbano é o principal editor do blog informativo “O Diário.info”, um dos mais lidos nos meios da esquerda mundial.

À mesa, presidida pelo Secretário Geral do PCB, Ivan Pinheiro, foi convidado o camarada Miguel Urbano Rodrigues. Dentre os presentes, alguns importantes amigos do PCB, tais como o Coronel da Reserva Bolivar Meireles, além de militantes da esquerda em nosso estado, como Aurelio Fernandes, Leo Leal, Gaiola, Marcelo Chalreo, Barão, a professora Virginia Fontes, Marco Antonio V. dos Santos e tantos outros que se somaram à militância do PCB nessa importante ocasião, anunciada pelo próprio Miguel Urbano, como possivelmente a última travessia atlântica dele.

Na apresentação do resumido histórico deste importante militante marxista, foram destacadas suas passagens pela Bolívia, Peru, Cuba, bem como o período em que morou exilado no Brasil militando nas fileiras do PCB. Ressaltou-se o fato de que Miguel Urbano, nos seus mais de 90 anos, continuar sua acelerada produção intelectual, vindo a ser um dos mais importantes marxistas da atualidade, cuja ação prática se consolida em seu blog, o qual se tornou uma trincheira a serviço do movimento revolucionário internacional, reproduzindo textos, artigos, teses dos partidos comunistas revolucionários e movimentos anticapitalistas de todo o mundo.

Miguel Urbano Rodrigues, que com mais de 90 anos se recusa ser chamado de senhor, apenas de camarada ou companheiro, falou desta viagem como uma possível última estada não somente no Brasil, mas também deste outro lado do oceano Atlântico. Disse ainda que, por sua idade, vem se recusando a participar de reuniões e plenárias, porém não poderia se negar a participar deste evento pelo fato de ser patrocinado pelo PCB, partido em que ele teve e sempre terá o prazer de militar.

Por último, fomos presenteados com uma viagem pelo mundo, no qual Miguel Urbano teceu o quadro da luta de classes, não apenas em sua atual configuração, como também traçou um histórico da atuação do imperialismo estadunidense e suas guerras por todo o planeta.

Tecendo um cenário de intensificação da luta de classes a partir da ação coordenada do imperialismo, em todas as suas formas e blocos, utilizando da intervenção política, econômica e militar como meio de sua manutenção Miguel Urbano aborda a necessidade de rearticulação, em escala internacional, da luta social, contudo, uma luta social a partir de perspectivas socialistas e comunistas, únicas formas de promover avanços reais para a classe trabalhadora. Movimentos como os “Ocupa”, “Podemos” e tantos outros demonstraram a rearticulação de lutas, contudo com caráter movimentista e em alguns lugares assumindo nitidamente posturas antipartidárias e anticomunistas. Tal processo possui também um lastro institucional, com a formação de partidos ou grupamentos políticos que se apresentam como nova esquerda, tal como Syriza (Grécia) com características reformistas e de conciliação e administração do capital e suas crises.

A escalada da ofensiva imperialista através de guerras e mentiras contra países como Iuguslávia, Líbia, Iraque, Síria, ataques de mentiras para buscar construir uma opinião pública mundial contra o Estado do Irã, contra as FARC-EP demonstra, nas palavras de Miguel Urbano Rodrigues, um quadro de adversidade, onde cada vez mais se faz crer na formulação Socialismo ou Barbárie. A ofensiva é forte contra os trabalhadores do mundo todo, o que demanda estudo, analises e um programa revolucionário. O Socialismo ainda continua sendo a única forma possível de superar os problemas gerados pelo capitalismo e Miguel Urbano Rodrigues está convencido, como algumas vezes afirmado em sua fala, de que o caminho ainda é o caminho pensado, teorizado, construído por Marx, Engels, Lênin e desenvolvido por tantos marxistas ao longo do século XX.

Miguel Urbano brinca com sua idade e tempo de vida prestado à causa do comunismo. Simpatia, lucidez, ampla visão política e bom humor, também características de um revolucionário marxista. Miguel Urbano um dos mais importantes marxistas vivos brindou o PCB com sua participação numa animada roda de conversa, respondendo pacientemente todas as dúvidas e perguntas, passeando pelo mundo e pela história com um brilhante conhecimento e sagacidade política, típicas de um revolucionário.

(*) Heitor Cesar é Mestre em História Social pela UNIRIO e membro do Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro - PCB.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Neste sábado em Porto Alegre ato em desagravo ao líder comunista Luiz Carlos Prestes junto a seu memorial



 Realizaremos no dia 29 de novembro, às 17h, um ato em repudio, ao ataque do dia 08 deste mês, e em defesa da democracia, no Memorial Luiz Carlos Prestes. Teremos ainda definições para os próximos atos, com a presença de várias entidades e personalidades. Gostariamos muito de poder contar com a presença de todos. Estou chegando no dia 27 em porto alegre, para o evento.


Atentado a democracia



Amigos, 



Tenho visto situações nada naturais para um País  importante como o Brasil e de tamanha influencia no cenário mundial, e que até o fim das eleições se orgulhava de sua democracia. Hoje vejo e não acredito, parece um quadro de Salvador Dali ! Reações estupidas e sem sentido de um grupo de pessoas ou pior a monumentos ou museus da importância e relevância para a história do nosso País, como é o caso do Memorial Luíz Carlos Prestes, um

 símbolo desse ou daquele movimento, mas sim de um período importantíssimo da nossa história, período esse, que tem sinergia e respeito do mundo, pela coragem e caráter desse BRASILEIRO, que prova que todos nós, podemos ter orgulho de nossa história, acreditando ou não em suas idéias, porem enfrentando, com ou sem apoio às injustiças à que o povo era submetido. 
Sinto uma reação estranha e absurda contra a democracia. Pedimos apoio e repudio contra a infame proposta de loucos, de demolir este bem criado principalmente por Oscar Niemeyer e por mim e que hoje já é um ícone da arquitetura mundial e que só pode ser motivo de orgulho para o povo Porto Alegrense e do Rio Grande


Paulo Niemeyer



ATENTADO AO MEMORIAL LUIZ CARLOS PRESTES



As classes conservadoras não aceitam a derrota nas últimas eleições presidenciais e, inconformadas com a vitória de Dilma, se voltam contra as esquerdas e os símbolos progressistas do país. 

É o caso das manifestações nazifascistas, convocadas pelas redes sociais, diante do Memorial Luiz Carlos Prestes criado por Oscar Niemeyer com a colaboração de seu neto Paulo Niemeyer. Grupos de extrema direita usam cartazes com frases insultuosas a Prestes como "traidor da democracia", "abaixo o comunismo"  e com palavras de ordem incitando ao vandalismo: "vamos derrubar o monumento ao comuna Prestes".



Nós reverenciamos Luiz Carlos Prestes como um dos mais importantes brasileiros de todos os tempos. Portanto, neste momento não podemos permanecer passivos, estamos indignados diante da tentativa de impedir a inauguração deste importante monumento, prevista para o fim do ano. Como sabemos, Prestes nasceu em Porto Alegre e o Memorial exibirá seus objetos pessoais, armas do tempo da Coluna, fotos e outros documentos em exposição permanente.



Convocamos todos os companheiros, compromissados com a luta histórica das esquerdas brasileiras, para criar um movimento de resistência a esses atos totalitários que atentam contra um monumento sumamente representativo da luta libertária do  povo brasileiro, com a assinatura de Oscar e Paulo Niemeyer.



Jesus Chediak

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Camaradas e amigos do PCB

                                                             
Dia 04 Dezembro - quinta feira - Comemoraremos os 80 anos do Camarada José Francisco Neres (Pinheiro)

Local: Clube Mineiro da Cachaça - Rua Marmóre 373 - proximo a pç Santa Tereza
Horário 19h

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Vamos baixar lá? Será um festão de despedida do ano! A Festa Cubana...O Magela poderia conseguir transporte? Lugar de dormir a gente se vira...


Todo apoio aos médicos brasileiros formados em Cuba

                                                     

     “Aqui no se pratica la caridad. Aqui lo que se practica es la solidariedad.”

Ernesto Che Guevara – Placa no Hall de entrada do Hospital Enrique Cabrera – Hospital Nacional de Cuba.

Desde a passagem dos furacões George y Mitch em 1998, que devastaram a América Central, o governo de Cuba resolveu criar a Escola Latino-americana de Medicina (ELAM), com o intuito de formar profissionais para brindar atenção em saúde ao povo latino-americano. Desde então, milhares de médicas e médicos são formados anualmente em Cuba, provenientes de países dos cinco continentes, inclusive brasileiros.

No último ano, se graduaram em cuba cerca de 400 médicos brasileiros. Médicas e médicos que compreendem que a saúde do nosso povo não depende somente de profissionais capacitados, mas principalmente das condições de moradia, saneamento, educação, cultura, esporte, tempo livre e qualidade de vida que possibilitam que as pessoas tenham plenas condições de se desenvolver como sujeitos.

Médicas e médicos formados com o princípio de defesa da saúde pública e de uma medicina humanizada. Profissionais formados na perspectiva de que o processo saúde-doença dos povos depende de suas condições de trabalho, de sua relação com os meios de produção e reprodução da vida e das relações sociais determinadas em cada modo de produção; ou seja, profissionais que compreendem que o processo saúde-doença dos povos é determinado pelas condições sociais de sua existência e que, numa sociedade dividida em explorados e exploradores, é distinto para cada classe social. Em síntese, médicas e médicos de ciência e consciência, capazes de compreender todos esses aspectos ao trabalhar a saúde, e não apenas enfocar nos aspectos biológicos como é costumeiro em nosso país.

Contudo, de acordo com a legislação brasileira, estes médicos são impedidos de trabalhar, a não ser que façam uma prova de revalidação dos diplomas. Essa prova, o REVALIDA, é realizada anualmente pelo INEP, desde 2010, na qual menos de 10% dos estudantes aprovam. Lutamos por um sistema justo de revalidação dos diplomas de medicina no Brasil, para que médicos e médicas com uma formação humanista e altamente qualificada cientificamente, como os formados em Cuba, possam atuar imediatamente no Brasil e contribuir pra transformar nosso sistema de saúde.

A União da Juventude Comunista considera que a saúde é um direito da população brasileira, e a construção de um sistema de saúde público, gratuito, 100% estatal e humanizado é um dos princípios de nossa organização. Por isso apoiamos estes médicos e médicas que corajosamente, depois de sete anos aprendendo sobre as ciências médicas e a solidariedade internacional, regressam ao nosso povo trabalhador para compartilhar tudo o que aprenderam com nossos companheiros e hermanos cubanos e latino-americanos.

Por uma saúde 100% pública e estatal, integral, gratuita e de alta qualidade!

Viva a medicina cubana!

Viva a Escola Latino-Americana de Medicina em Cuba!

Revalidação Já!

Coordenação Nacional da União da Juventude Comunista-UJC

http://ujc.org.br/ujc/?p=1369

domingo, 23 de novembro de 2014

MILITANTE COMUNISTA NÃO SE INTIMIDA DIANTE DAS AGRESSÕES DA DIREITA

                                                                 
Camaradas do PCB caminhavam para a sede do Partido em São Paulo quando se depararam com uma recente manifestação da direita.

Como um dos camaradas vestia uma camisa vermelha com os símbolos comunistas e uma frase pelo Poder Popular, alguns manifestantes, dentre os quais se destacavam fascistas, tentaram intimidá-lo com seu ódio anticomunista, atacando-o verbalmente e ameaçando com agressão física.

Com firmeza ideológica, o militante do PCB e seus camaradas não se deixaram intimidar, não recuaram e nem aceitaram as provocações. De forma altiva, os camaradas deram um exemplo de resistência revolucionária, registrado no breve vídeo abaixo.

Secretariado Nacional do PCB

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

CÁLICE, de Gilberto Gil e Chico Buarque, com Milton Nascimento e Chico Buarque. Clip Ditadura

Delegação do PCB participa de grande manifestação de trabalhadores equatorianos

                                                         


       A delegação do PCB ao 16º Encontro Mundial dos Partidos Comunistas participou, juntamente com diversas outras delegações, de uma coluna de centenas de militantes do PCE (Partido Comunista do Equador) e da JCE (Juventude Comunista do Equador) durante grande manifestação de massas, em Quayaquil, em memória do massacre de centenas de operários, em 15 de novembro de 1922, por ordem da oligarquia local em conluio com o imperialismo norte-americano.

Inspirados na Revolução Russa (outubro de 1917) e organizados pela Federação Regional dos Trabalhadores de Quayaquil, fundada alguns anos antes, os trabalhadores deste centro industrial deflagraram uma greve geral, que teve início com a paralização dos ferroviários de uma empresa norte-americana e se espalhou por várias categorias, sobretudo operárias. Faltou àquele movimento operário uma organização política revolucionária, mas criou as condições para a fundação, em 1926, do Partido Comunista do Equador.

O movimento paralisou e assumiu o controle da cidade durante alguns dias, levando o governo oligárquico a afogar com sangue o nascente e promissor movimento operário, mobilizando as forças armadas e policiais para atacar violentamente uma concentração popular pacífica no centro da cidade. Foram assassinados a tiros mais de 300 trabalhadores, vestidos com seus uniformes de trabalho, todos desaparecidos, muitos deles jogados no Rio Guayas, que banha a cidade, após terem sido abertos seus abdomens com baionetas.

A coluna dos comunistas equatorianos e de dezenas de outros países, com muitas bandeiras do PCE e da JCE, culminou sua participação no ato com uma combativa caminhada até o local do rio onde os corpos foram jogados. Entre discursos e palavras de ordem, realizou-se uma emocionante cerimônia de oferenda de flores nas águas do rio Guayas.

Viva o PCE!

Viva a JCE!

Viva o internacionalismo proletário!

(Delegação do PCB no Encontro Mundial dos Partidos Comunistas)

domingo, 16 de novembro de 2014

Comissão Nacional da Verdade lista 421 mortos e desaparecidos na ditadura cívico-militar

                                   
Quase 30 anos depois do fim da ditadura militar brasileira, começam a surgir os primeiros números oficiais de mortos e desaparecidos políticos durante o período entre 1964 e 1985. Um relatório que está sendo concluído pela Comissão Nacional da Verdade (CNV) mostra que os militares que governaram o Brasil foram responsáveis por 421 assassinatos ou desaparecimentos de pessoas consideradas adversárias políticas do regime ditatorial. A relação de vítimas pode ser maior, já que, conforme a comissão, as Forças Armadas pouco colaboraram com as apurações.

Antes das investigações da CNV, iniciadas em maio de 2012, os pesquisadores, historiadores e jornalistas apontavam que havia entre 350 e 370 desaparecidos e mortos nos 21 anos de regime militar. Os números brasileiros costumam ser comparados com outras ditaduras que ocorreram na América do Sul no século passado, como a do Chile (3.065 mortos e desaparecidos entre 1973 e 1989) e a da Argentina (cerca de 30.000, entre 1976 e 1983).

Segundo a CNV, nos últimos anos, 32 corpos foram localizados por familiares, policiais, Ministério Público e, um deles, pela própria Comissão. Antes da instalação da CNV, 181 haviam sido achados. Ou seja, ignoram-se ainda o paradeiro de 208 desaparecidos. Entre eles, estão 70 que lutaram na Guerrilha do Araguaia, uma das principais ações contrárias à ditadura.

Nesses dois anos de apurações, os membros da CNV identificaram a existência de casas de torturas usadas pelo regime e compilaram informações sobre o apoio de civis aos militares. Apontaram também que cerca de 80 empresas espionaram sindicalistas e seus funcionários com o objetivo de colaborar com os ditadores. Entre as que participaram da espionagem, segundo um relatório da CNV, estão as multinacionais Volkswagen, Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, além das brasileiras Petrobras e Embraer.

A identificação dos 421 mortos e desaparecidos na ditadura não necessariamente implicará na punição dos envolvidos nos casos. Muitos dos responsáveis pelos crimes de tortura e assassinato de militantes opositores ao regime já morreram. Um deles foi o coronel reformado Paulo Malhães, assassinado em abril deste ano, um mês após admitir para a CNV que participou da tortura de supostos militantes comunistas durante o regime. 

Os processos judiciais contra responsáveis por crimes contra a vida costumam levar anos e como alguns dos agressores não foram identificados, o relatório, em princípio, servirá como um documento oficial de que o Governo brasileiro infringiu os direitos humanos e cometeu crimes contra vários de seus cidadãos.

Além disso, há a Lei da Anistia. Promulgada em 1979, ela perdoou os crimes cometidos por natureza política. Por um lado, inocentou ou libertou mais de 25.000 presos políticos. Por outro, estendeu o perdão aos crimes conexos, garantindo que os militares e seus apoiadores não fossem julgados pelos delitos que cometeram no período.

No próximo dia 10 de dezembro, a CNV deverá apresentar seu relatório final, no qual tentará apontar ao menos alguns dos responsáveis pelas barbáries cometidas contra opositores ao regime militar. Como antecipou em entrevista ao EL PAÍS em outubro, o coordenador da comissão, Pedro Dallari, nesses dois anos de trabalho o grupo concluiu que a tortura não foi uma prática aleatória, mas uma política de Estado. (Com El País)



sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Morre Leandro Konder, filósofo marxista

                                                               

Faleceu em sua casa no Rio de Janeiro, aos 78 anos, no dia de ontem, um dos maiores pensadores marxistas contemporâneos. Leandro Konder, nascido em Petrópolis (RJ) em 1936 e pertencente a uma família de comunistas, muito jovem abraçou a militância no Partido Comunista Brasileiro (PCB). 

Formou-se em Direito, mas dedicou-se prioritariamente ao jornalismo e à filosofia, tendo dado seus primeiros passos como ensaísta, unindo as duas atividades, na revista Estudos Sociais e no jornal Novos Rumos, publicações do PCB nas décadas de 1950 e 1960, até a vigência do golpe empresarial-militar de 1964. 

Membro do Comitê Cultural do PCB, junto com Carlos Nélson Coutinho, foi pioneiro na divulgação das ideias de György Lukács e Antonio Gramsci no Brasil, ainda nos anos 60. Posteriormente, publicou obras e textos sobre outros pensadores do campo do marxismo, como Walter Benjamin, Theodor Adorno, Hebert Marcuse, Jean-Paul Sartre.

“Marxista de profundo espírito crítico”, nas palavras de Coutinho, não aprendeu o marxismo nos manuais da antiga Academia de Ciências da URSS, mas diretamente nos textos clássicos dos teóricos do socialismo. 

Respeitado por sua vasta produção intelectual, produziu mais de vinte livros e publicou inúmeros textos em jornais e revistas. Depois de 1964, escreveu para Revista Civilização Brasileira, Paz e Terra, Temas de Ciências Humanas, as publicações do PCB Folha da Semana, Voz Operária (esta produzida no exílio, na década de 1970), Voz da Unidade (nos anos oitenta) e, após deixar o partido em 1982, também para a grande imprensa, como Jornal do Brasil e O Globo.

A exemplo de vários intelectuais e militantes de esquerda, foi obrigado a exilar-se em 1972, após ter sido preso e torturado pelos algozes da ditadura. Morou na Alemanha e depois na França, tendo regressado ao Brasil em 1978. 

Leandro doutorou-se em filosofia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro e foi professor do Departamento de Educação da PUC-RJ e do Departamento de História da UFF.

Em 2002, foi eleito o Intelectual do Ano pelo Fórum do Rio de Janeiro, da UERJ. Coordenou, juntamente com Michael Löwy, a coleção Marxismo e literatura, da Editora Boitempo.

O Comitê Central do PCB vem a público externar seu pesar pela perda deste inovador pensador do marxismo contemporâneo, que nos legou uma obra marcada pelo antidogmatismo e pela forte presença do pensamento dialético. 

Como deixou claro no livro autobiográfico “Memórias de um intelectual comunista”, Leandro Konder continuou, até o fim de sua vida, acreditando no socialismo como caminho possível para a instauração de uma sociedade igualitária e verdadeiramente democrática.

quinta-feira, 13 de novembro de 2014

Mauro Iasi analisa questões atuais como raça e classe à luz do marxismo. Acompanhe com atenção esta aula. Você vai se surpreender até com a abordagem do racismo no início da revolução cubana, sendo combatido, por exemplo, pelo próprio Che Guevara. Vale a pena voltar atrás em alguns trechos desde vídeo para compreendê-lo melhor...Bom proveito! (José Carlos Alexandre)

O que está em jogo no segundo mandato de Dilma Rousseff?

                                                                         

Leonardo Avritzer

Do Le Monde Diplomatique 

Apenas a participação social, aliada às políticas sociais e ao financiamento público, pode dar continuidade a um processo de redução da desigualdade, que hoje, mais do que nunca, precisa estar associado a um aprofundamento da democracia no país.

As eleições deste ano passarão para a história como um dos processos eleitorais mais conturbados da nossa jovem democracia. Foi uma votação em que o país se dividiu até o último momento. Duas questões estiveram em jogo: a primeira foi a continuidade de um projeto de governo que mudou intensamente o país no campo das políticas sociais. 

O Brasil, uma nação viciada em desigualdade social, reduziu esta mais rapidamente que qualquer outro país nos últimos dez anos. A segunda questão é uma radicalização no campo da participação política. O PT foi o partido que introduziu e reabilitou a participação social, mas recentemente ela esteve contida em certos setores e áreas de política do governo federal. Como ampliá-la também será objeto deste artigo.

Iniciemos nossa análise pelo primeiro ponto, as políticas sociais – as políticas de inclusão social iniciadas ou aprofundadas em 2003. A Constituição de 1988 estabeleceu grandes mudanças na organização das políticas sociais no Brasil, a começar pela universalização da saúde, a transformação da assistência social em direito e a abertura de enormes incentivos para processos de participação social. 

É verdade que esses processos se iniciaram em níveis locais e foram bastante erráticos durante os governos federais do PSDB. O financiamento da saúde foi debatido, questionado, mas não era bem resolvido naquele momento. Ele ficou em média em 3% do PIB ao longo dos governos do PSDB. Na última década, ele passou de aproximadamente R$ 400 para R$ 700 per capita e alcançou em torno de 4% do PIB. 

Os gastos em educação também aumentaram muito e foram de 4% para 6% do PIB. Por último, o Bolsa Família foi introduzido em 2003 e alcançou a marca de 0,5% do PIB. Todos esses programas sociais conjuntamente são responsáveis por uma diferenciação do Brasil em relação a nossos congêneres sul-americanos. 

O Brasil arrecada em torno de 35% do PIB em impostos e gasta em torno de 10% em políticas sociais. Tal panorama está mudando o mapa da desigualdade, e é em nível local que ela está diminuindo, como é possível ver no Atlas do Desenvolvimento Humano no Brasil 2013 (disponível em http://www.pnud.org.br/arquivos/idhm-do-brasil.pdf).

Essa é a primeira questão relevante para pensar o segundo turno. Aécio Neves, apesar de ter dito formalmente que, se eleito, manteria as principais políticas sociais, também disse que readequaria a carga tributária ao nível dos demais países latino-americanos que, em média, arrecadam de impostos entre 20% e 25% do PIB. 

Os principais economistas vinculados à candidatura de Aécio, entre os quais cabe destacar Armínio Fraga, acenaram com a redução da meta de inflação para 3%, o que só seria possível com aumento da taxa de juros e, consequentemente, da parcela da carga tributária comprometida com o pagamento da dívida pública (ver O Globo, 3 out. 2014). Desse modo, a primeira questão relevante nesta eleição esteve ligada à continuidade das políticas sociais e do processo de redução das desigualdades.

Três mecanismos foram responsáveis por essa diminuição da desigualdade: os aumentos reais do salário mínimo, os programas de transferência de renda e as políticas sociais. É provável que os três mecanismos fossem fortemente revistos em um cenário de governo Aécio. 

Uma vez vencida a eleição por Dilma, coloca-se na agenda a institucionalização das políticas sociais enquanto políticas de Estado, isto é, elas têm de se tornar independentes do governo. A redução da desigualdade deve ser um objetivo do país, e o eleitorado votou nessa direção.

O segundo ponto fundamental para pensar os últimos doze anos é o processo de participação social, uma das bandeiras mais fortes do PT, introduzida em nível local em cidades como Porto Alegre e Belo Horizonte, e trazida para o nível federal a partir de 2003. A participação social nos governos Lula e Dilma se centrou nas conferências nacionais, que alcançaram o número de 138 até 2013, 74 realizadas nos governos Lula e 23 nos três primeiros anos do governo Dilma (as demais foram realizadas antes de 2003). 

O governo Lula realizou entre 2003 e 2010 74 conferências nacionais das quais participaram 6,5% da população brasileira. Além da participação desse contingente próximo de 10 milhões de pessoas (ou, excluídas as crianças, 6 milhões de adultos), 41,8% dos respondentes de uma pesquisa feita com uma amostra representativa da população afirmaram ter ouvido falar das conferências nacionais, o que é bastante significativo. 

Por último, vale a pena salientar o perfil dos participantes das conferências nacionais: mulher em 51,2% dos casos, com quatro anos de escolaridade (26,9%) ou com ensino médio completo em 20,3% dos casos. Sua renda varia entre um e quatro salários mínimos em 52,2% dos casos. Assim, a primeira observação que eu gostaria de fazer sobre o padrão de participação nas conferências nacionais é que ele é muito semelhante ao padrão de participação no nível local. Mais uma vez, essa foi uma das questões que esteve ameaçada desde o início das eleições, quando uma forte onda conservadora se formou contra o Decreto n. 8.243, que estende a participação para diversas outras áreas do governo federal. No entanto, vale a pena pensar também no que é necessário avançar com relação à participação social no segundo mandato do governo Dilma.

Sobre a participação social no Brasil, é possível afirmar que, neste momento, existe certa cisão em termos das áreas de políticas públicas que ela deve influenciar. Já no início do segundo mandato do presidente Lula ocorreu uma cisão desse campo com a tensão ligada às políticas participativas na área do meio ambiente. 

Vale mencionar aqui a questão dos transgênicos e a dos arranjos institucionais que resultaram das audiências da BR-163 – aspectos fundamentais do movimento de meio ambiente que não se tornaram agendas do governo Lula, mas ficaram isoladas no meio ambiente. A divisão fundamental, porém, se deu em relação a Belo Monte, no início do governo Dilma.

O conflito gerado pela construção da usina foi o primeiro enfrentamento de porte em torno de políticas participativas no Brasil envolvendo de um lado os movimentos sociais e de outro o governo do PT. O governo federal realizou quatro audiências públicas para o licenciamento de Belo Monte. Todas foram contenciosas e consideradas problemáticas pelo procurador da República Rodrigo Costa e Silva em dois aspectos fundamentais: o primeiro foi o tempo e a condução do debate; o segundo foi a questão do critério da participação dos indígenas. Vale a pena lembrar que todas as audiências públicas relativas a Belo Monte foram organizadas pela Eletronorte.

O conflito em torno da construção de Belo Monte é apenas um indicador da disputa relacionado à participação social, que hoje está completamente segmentada no interior do governo federal. Algumas áreas deste, em especial aquelas ligadas às políticas sociais, se tornaram muito participativas, mas com enormes diferenciações internas.

Ao mesmo tempo, outras áreas das políticas públicas tiveram suas propostas de participação fortemente questionadas. Um dado elaborado pelo Ipea fornece uma imagem ainda mais clara dessa segmentação. Em entrevistas com os 140 gestores de programas do governo federal, apenas 10% daqueles da área de infraestrutura afirmaram utilizar a participação social. 

Assim, podemos dizer que no primeiro mandato de Dilma acabou sendo gerado um conflito entre as áreas participativas e as não participativas do governo federal. Entre as não participativas ou que deixaram de ser organizadas participativamente, vale a pena mencionar o meio ambiente, em particular as decisões sobre obras de infraestrutura na Amazônia. Esse parece ser um dos grandes desafios à participação social no Brasil neste segundo mandato.

Por fim, é importante fazer algumas considerações sobre a questão da participação social no Brasil e do combate à corrupção. Esta tem como fonte o sistema de financiamento de campanha e a falta de controle público nas obras de infraestrutura, que em geral são negociadas com os grandes financiadores privados de campanha.

Sabemos que esse sistema é inadequado, e a verdade é que o envolvimento do PT com essa modalidade de financiamento eleitoral foi desastrosa. As formas de corrupção quase naturais nesse campo não apenas são exploradas seletivamente contra os governos do PT, como também abaixam a moral e a confiança dos militantes do partido. 

Os resultados eleitorais para deputado no estado de São Paulo mostram claramente a rejeição dessas práticas pelo eleitorado do PT. No entanto, não devemos nos iludir: o discurso anticorrupção feito hoje pelos setores conservadores piora a qualidade da representação parlamentar porque não vem associado a práticas alternativas de gestão. 

O melhor exemplo são os deputados federais mais votados em São Paulo: Celso Russomano e Tiririca. Eles certamente não irão melhorar a qualidade de nossa representação parlamentar. Assim, o que se coloca como alternativa para a corrupção são novas práticas de gestão participativa estendidas para o campo da infraestrutura. Essa perspectiva só pode ser realizada por meio do Decreto n. 8.243, que sinaliza na direção de uma intensa ampliação da participação social. Apenas a participação social, aliada às políticas sociais e ao financiamento público, pode dar continuidade a um processo de redução da desigualdade, que hoje, mais do que nunca, precisa estar associado a um aprofundamento da democracia no país.

(*) Leonardo Avritzer, doutor em sociologia pela New School for Social Research (1993) e pós-doutor pelo Massachusetts Institute Of Technology (MIT), é professor adjunto da Universidade Federal de Minas Gerais.

Ilustração: Daniel Kondo (Com Le Monde Diplomatique/Diario Liberdade)

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA O CAMARADA PRESTES!


                                                                     

                                          (Nota Política do PCB/RS)

A Comissão Política Regional do Partido Comunista Brasileiro no RS vem a público manifestar seu mais firme repúdio ao ataque fascista promovido contra a memória de Luiz Carlos Prestes e contra o Movimento Comunista de um modo geral. O ataque é mais uma prova do perigo fascista que germina na sociedade capitalista, no contexto atual de crise sistêmica do capital. Já dizia Lênin: “Fascismo é capitalismo em decomposição”.

Sob o pretexto de “comemorar” a queda do Muro de Berlim, algumas dezenas de pessoas se reuniram, no último sábado, em frente ao Memorial Luiz Carlos Prestes (ainda não inaugurado), em Porto Alegre. Empunhavam faixas e cartazes pedindo a volta da ditadura empresarial-militar, a derrubada do Memorial, ofensas como “assassino” a Prestes, além de inscrições como a suástica e símbolos de organizações de extrema-direita brasileira, como a TFP (Tradição, Família e Propriedade) e a AIB (Ação Integralista Brasileira).

Não é acaso que os fascistas tenham escolhido a figura de Prestes para personificar seus ataques. É impossível falar do comunismo no Brasil sem falar da figura do Cavaleiro da Esperança. Valoroso lutador social, perseguido por duas ditaduras, Prestes personifica, como poucos, a história do comunismo no Brasil, e das lutas populares de um modo geral. É nada menos que o mais importante dirigente comunista da história do Brasil e um dos mais importantes da história mundial.

É ultrajante que chamem a Prestes “assassino”. Os únicos assassinos estão do lado de lá. Foram os fascistas apoiadores da ditadura de Vargas que mandaram a companheira de Prestes, Olga Benário, grávida da única filha do casal, para um campo de concentração nazista, onde foi covardemente assassinada. É odioso que falem em democracia atacando a figura de um dirigente comunista que ficou nove anos no cárcere, a maior parte do tempo em solitária, por combater uma ditadura de cunho fascistizante.

O PCB não aparelha a figura de Prestes, que é patrimônio da classe trabalhadora brasileira. Não podemos, porém, deixar de nos sentir especialmente atingidos por este ataque. Prestes foi secretário-geral do Partidão por mais de quatro décadas, período no qual, sob sua liderança, o Partido travou importantes combates pela democracia e pelo socialismo, escrevendo, com o sangue de sua valorosa militância, importantes páginas da História do Brasil.

O PCB manifesta sua solidariedade militante à família do camarada Prestes, nesse importante momento. Em especial, à sua filha Anita Leocádia, nascida em uma prisão nazista, pouco antes de sua mãe, Olga Benário Prestes, ser assassinada pelo Reich. Tendo sobrevivido a essa canalha que hoje achincalha a memória de seu pai, Anita é hoje importante intelectual e militante comunista e trava importante combate contra o reformismo, o oportunismo e o revisionismo. Um combate no qual com ela também nos solidarizamos.

Por fim, o PCB/RS roga todas as forças progressistas que sejam vigilantes quanto ao perigo do fascismo, sem se deixar levar pelo terrorismo ideológico dos reformistas e revisionistas, que puxam a classe trabalhadora à defensiva cada vez que confrontada como o fascismo. Não! A saída é à esquerda, travando o combate sem rebaixar bandeiras ou programas.

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA PRESTES E OLGA!

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: VIVA O COMUNISMO! ABAIXO O FASCISMO!

QUE TODOS OS MUROS GRITEM: NÃO PASSARÃO!

Porto Alegre, XX de novembro de 2014.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ocupação Glória em Uberlândia luta para que seja transformada em bairro, solucionando impasse com a Universidade


                          
                                      
Na última reunião do INCIS - Instituto de Ciências Sociais da UFU - foi retirada por unanimidade uma nota em apoio a Ocupação do Glória em Uberlândia, defendendo que seja resolvido o impasse sem a reintegração de posse. Que se regularize a situação transformando a área de propriedade da UFU em moradia ("bairro") aos atuais residentes (ocupados) que somam hoje mais de 12.000 pessoas.

É preciso uma mobilização firme para vencermos essa batalha em favor do movimento popular, contra as forças sociais burguesas e seus aliados, no caso aquelas ligadas à privatização do espaço urbano e rural - via especulação imobiliária - bancos, construtoras, empreiteiras etc.

É fundamental a divulgação massiva dessa situação que se repete em milhares de localidades no Brasil e no mundo, precisamos furar o cerco da grande mídia local, nacional  e internacional que oculta a existência dessas situações de explícito conflito social de classes - de um lado segmentos das classes populares (trabalhadores urbanos e rurais - assalariados, subempregados, de contratos sazonais etc. expressando todas as modalidades de exploração capitalista) e de outro as "forças civilizadoras do mercado" com sua racionalidade burguesa "capaz" de transformar tudo em lucro capitalista - da água ao ar -. Não tenhamos ilusão de que é possível e desejável assumirmos uma posição neutra, imparcial e semelhantes.

Os que se conformam, se resignam ante conflito social (luta de classes) tomam fatalmente o lado dos opressores e exploradores do povo (dos trabalhadores), e o povo é aqui definido política e concretamente, diferentes das abstrações burguesas e pequeno burguesas dos filósofos e juristas comprometidos com a conservação da exploração capitalista.

Quando nós marxistas, comunistas dissemos "povo" nos referimos a todos aqueles que produzem de fato e efetivamente aumentam (valorizam) a riqueza social e que não têm acesso suficiente ao que foi produzido socialmente, através do seu trabalho explorado. 

Essa definição global sob o termo "povo" não nos impede de reconhecer ao mesmo tempo que no complexo das contradições próprias da luta social no interior do povo existem classes, frações de classe, camadas e segmentos sociais que por -  fatores objetivos (forma de inserção/posição no processo da produção social dominado pelo "lógica histórica" da sociedade capitalistas - de suas estruturas "típicas" = econômica e jurídico-política) e fatores subjetivos (capacidade e e formas de organização social (econômica, política e ideológica), formas de luta e ação) - um conjunto complexo de fatores reais (objetivos e subjetivos), dominados em última instância pelos fatores objetivos da produção social (forma de inserção na produção social capitalista), que são a chave explicativa das variações da luta social e determinam a extensão das alianças de classe (do proletariado como classe explorada fundamental - trabalhador assalariado "produtivo" = produtor de mais-valia) no interior do "povo" na direção da luta anticapitalista e necessariamente socialista no sentido da transição histórica ao comunismo (sociedade sem classes), tal qual Marx, Engels, Lenin e outros esboçaram  teoricamente as suas linhas gerais.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Nota de Repúdio PCB e Unidade Classista Ipatinga/MG... Contra a demissão do camarada Elias Cabelo

                                                                   

"O Massacre na Usiminas continua... Em 07 de outubro de 1963 ocorreu um dos mais graves massacres contra a vida de dezenas de trabalhadores da referida fábrica. Os operários da Usiminas reivindicavam melhores condições de trabalho, alimentação e salários dignos e foram metralhados na portaria da fábrica pela Polícia Militar com a autorização do então Governador de Minas Gerais o fascista Magalhães Pinto, sendo para muitos um ensaio da repressão da Ditadura Empresarial-Militar no Brasil que viria um ano depois.

Hoje em pleno século XXI o Massacre na Usiminas se evidencia de várias formas, exaustivas horas de trabalho, áreas insalubres, demissões em massa, operários executando atividades além de sua capacidade física e a clara e evidente perseguição política. Esta última se confirma com a demissão na última sexta-feira, 07/11/2014 do camarada Elias Fernandes Valadares, militante PCB e da Unidade Classista, casado, pai de uma filha, morador do Bairro Bom Jardim em Ipatinga/MG.

Elias Cabelo como é conhecido, é um operário dinâmico e bem aceito pela grande maioria dos proletários da fábrica, consegue expor suas opiniões com muta facilidade e após passar a militar no PCB, especificamente na Campanha Movimento Contínuo de 2014, na qual levava o nome do Camarada Daniel Cristiano pra Deputado Estadual, cinco militantes PCB de Ipatinga/MG pra Deputado Federal, Professor Pablo Lima pra Senador, Professor Túlio Lopes pra Governador e o Professor Mauro Iasi pra Presidência da República... 

A partir da decisão do camarada Cabelo em entrar pro movimento, que luta realmente pela classe operária, alguns superiores ligados aos sindicalistas que já dirigiram o SINDIPA passaram a persegui-lo e o ameaçar A PONTO DO MESMO SER PROIBIDO DE PANFLETAR A FAVOR DO PCB NA PORTARIA DA FÁBRICA.


O PCB, juntamente com a Unidade Classista Ipatinga vem repudiar esta atitude covarde da empresa CONVAÇO - CONSTRUTORA VALE DO AÇO, que de forma arbitrária caracterizou a perseguição política, veio a demitir o operário Elias Fernanes Valadares (Cabelo). Salientamos ainda mais o repúdio, pois não levaram em consideração os 17 anos de excelentes atividades desenvolvidas pelo metalúrgico Cabelo, que é considerado destaque no setor que trabalhava (Montador de Fabricação do Pátio de Sucatas da Aciaria), não respeitaram também a data base da categoria que iniciada em 01/11/2014, ou seja, uma demissão completamente arbitrária e de cunho de repressão ideológica.

Sendo assim, nós que fazemos parte da militância PCB Ipatinga viemos através desta nota de repúdio reafirmar o nosso compromisso com a Construção do Poder Popular, com nenhum direito a menos e com a perspectiva de avançar nas conquistas!!! 

Apesar de vivenciarmos que o Massacre na Usiminas continua!!! Desejamos Força, Fé e Ação ao camarada Cabelo e a todos os camaradas e as camaradas que sofrerem qualquer tipo de repressão seja ela física, psicológica ou de liberdade de expressão!!!

PCB, Unidade Classista - UC, União da Juventude Comunista - UJC, Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro e Coletivo Minervino de Oliveira de Ipatinga/MG."

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

NOTÍCIAS DO PCB,PELO SEU SECRETÁRIO POLÍTICO EM MINAS GERAIS

                                                                             
"Participei ontem, de uma reunião com algumas forças de esquerda em BH convocada pelo PSOL (Insurgência). Observação: embora o presidente do PSOL seja desta corrente, as demais correntes do PSOL não estiveram presentes. 

II - Estiveram presentes PSOL (Insurgência), PSTU, PCR/UPS, Brigadas Populares e o PCB. Foi dada a palavra para as organizações presentes apresentarem suas análises. Apresentei entre outras coisas a nossa posição (acertada) no segundo turno e a necessidade de construção da Frente Anti-capitalista e Anti-imperialista. 

III - Os companheiros do PSOL (Insurgência) pautaram a necessidade de apoiar a mobilização a favor de um Plebiscito sobre a Reforma Política. Brigadas Populares e PCR/UPS também levantaram esta bandeira justificando que foi esta a principal reivindicação dos movimentos de junho de 2013. Os companheiros do PSTU se posicionaram contra esta bandeira. Houve em ato semana passada em BH em defesa da reforma política convocado pela CUT e pelo PT.
  
IV -  Apontei a necessidade de fortalecermos nossa unidade na luta contra os iminentes despejos em BH (são onze ocupações urbanas ameaçadas), e no movimento estudantil e sindical, na perspectiva de construção do Poder Popular. Sobre a Reforma Política - defendi nossa posição expressa no texto "Reforma Política: tática oportunista para as eleições de 2014 e diversionista para as lutas de massa". 

V - Esta foi uma primeira reunião entre estas forças após o processo político-eleitoral. Vamos continuar mantendo o contato com as forças políticas que estiveram presentes. 

Saudações Comunistas!
Túlio Lopes"

DIA DE LENIN

                                                                  


Euskal Herria - ASEH - Há alguns dias o coletivo basco Boltxe anunciou a realização da edição deste ano do Lenin Eguna/Dia de Lénine.

O dia principal é 15 de Novembro e as iniciativas centram-se no bairro operário de Otxarkoaga (Bilbau), mas há novidades. A organização do Lenin Eguna em colaboração com a comparsa Pa-Ya é que já não é coisa nova.

12 de Novembro, Bilbau: realiza-se uma "quarta-feira vermelha" no Centro Cívico de Otxarkoaga. As conferências começam às 19h00 e irão abordar temas como: História do comunismo no País Basco (Boltxe), «Komunismo banatua» (BakalHau), «Lenin eta gazteria».

15 de Novembro, Bilbau: conferência-debate no Centro Cívico de Otxarkoaga (10h30), oferenda floral na praça Kepa Enbeita (14h00), almoço popular (15h00), café, bebida e concerto na Mahatserri (16h30).

22 de Novembro, Pamplona: o Lenin Eguna na Katakrak (rua Nagusia, 54), a partir das 10h30.

15 de Dezembro, Vitória: o Lenin Eguna na Associação Gasteiz Txiki (Las Escuelas, 9), a partir das 10h30.

(Com o Diário Liberdade)

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

MEU RECADO

Na Feira Internacional de Havana
                                   
José Carlos Alexandre 

Permaneci horas na Feira de Havana, em 1989.

Ano em que o país estava começando uma certa transição...

Ainda com o apoio da União Soviética...

Eu próprio comprei maquina fotográfica soviética numa das tiendas...

Bem, na Feira de Havana foi quando, além de conhecer o melhor da indústria participante, ainda tive as primeiras demonstrações da eficiência da medicina cubana.

Com o calor sufocante de Havana, minha mulher,  grávida de nosso filho Yuri, passou mal.

E olhe que não fomos ao "Comedor de Empreados", um dos maiores restaurantes que já havia visto...

Havíamos almoçado  uma paella com feijão mouro não me lembro se no Vedado ( um dos bairros mai badalados de Havana) ou se em Habana Vieja...

Com o melhor dos mojitos e umas "cervejitas"...

O certo é na Feira, instalada no Parque Lenin,  ela começou a suar demais e a sentir outros incômodos...

Imediatamente a coloquei numa cadeira de rodas e nos dirigimos para o setor de atendimento médico.

Atendimento de imediato...

Com eficiência suficiente que nos permitiu ir ao teatro à noite, sem quaisquer problemas...

Yuri nasceu lindo e forte em final de agosto...

Em Belo Horizonte.

Outra vez que precisei fazer uso da medicina cubana estava sozinho em Cuba.

Então dirigi-me ao Hospital Irmãos Almeijeiras, que costuma atender estrangeiros.

Lá me deram um recipiente pequeno com uma pomada pretinha, com a recomendação de esfregá-la no braço pouco antes de me deitar...

Já se passaram anos.

Nunca mais tive de me queixar por não sentir a tal de dor no braço...

No princípio do ano fui a um hospital de BH e lá estavam trabalhando dois médicos cubanos.

Infelizmente não tive a honra de ser atendidos por eles...

Foi durante a primeira e quisera única crise de gota que tive...

Mal conseguia me deslocar...

Só o fazendo com a ajuda do Yuri, hoje estudante em pós-graduação e empresário bem-sucedido em BH...

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

MEU RECADO-2

                                         
     
 Nos tempos da Censura

José Carlos Alexandre

Todos nós jornalistas sabemos que a ditadura burguesa-militar de 1964 investiu furiosamente contra a imprensa independente e alternativa.

E continuou a fazê-lo através da sórdida instituição da censura.

Embora sabemos também que existiam os mais realistas que os reis (militares): editores que procuravam adivinhar o que não seria tolerado e já cortavam e cortavam textos...

Algumas proibições do período se tornaram folclóricas: o veto ao nome do cardeal arcebispo dom Helder Câmara, por exemplo.

Havia coisas ridículas na minha área inicial: de cobertura do sindicalismo (ou do que restava dele).

Camponeses, por exemplo, era palavra vetada. 

O editor a substituía por "lavrador" ou "rurícola"...

Dava vontade de se pegar o paletó e ir embora, ainda que para lutar na guerrilha...

A força dos princípios marxistas-leninistas, contudo, falavam mais alto e a gente partia para cada vez mais atuação nas frentes legais e tidas como ilegais contra o arbítrio. 

Isto até cairmos na campanha das Diretas, com ampla mobilização popular, a ida ao Colégio eleitoral, à vitória de Tancredo Neves , a posse de José Sarney e a saída do último ditador pela porta dos fundos...

Pessoalmente sempre vivi ameaçado pela censura...

Mesmo à época do ex-presidente João Goulart, em que até mesmo o livro de Che Guevara, "Guerra de Guerrilha", era vetado.

E dentro do PCB quem ousava ter certa simpatia pela Primavera de Praga era praticamente colocado no limbo...

Ainda que não fizesse coro com os partidários do eurocomunismo...

E havia retaliações internas de doer...

Eu que assinava sob pseudônimo uma coluna e reportagens no jornal central do PCB, "Novos Rumos", cuja sucursal mineira ficava pertinho da Praça Sete.

Perdi meu espaço para um companheiro que está aí na militância até hoje e que poderá confirmar o que aconteceu...

Simplesmente defendi melhores condições de trabalho numa das então grandes lojas do comércio de Belo Horizonte...

O jornal saiu e logo-logo, perdi o espaço, já que os proprietários da grande Loja era da "burguesia progressista" que até dava contribuição financeira para  o Partido...

Meu emprego, contudo,  foi mantido, ainda que poucos dias...

Passei a escrever sobre sindicalismo no campo, com outro pseudônimo, João Pedro Teixeira, líder das Ligas Camponesas, assassinato na Paraíba, enquanto meu colega passaria a assinar minha então coluna...

História de João Pedro Teixeira é contada no filme "Cabra Marcado para Morrer", de Eduardo Coutinho...

Nem cheguei a ver a nova coluna que estrearia: veio o 1º de Abril de 1964 e o jornal foi fechado...

Só retornei a um emprego fixo dois anos depois, fazendo o possível e o impossível para manter-me íntegro, ligado à política sindical e ao PCB, ainda que num dos maiores representantes da "imprensa burguesa"...

E, ao contrário do que pudesse parecer, não nem muito censurado nem perseguido por minhas ideias...

Quando fui candidato ao Legislativo em 1986, quando José Sarney legalizou todos os partidos,

o jornal até me facilitou espaço em suas edições dominicais..., verdade merece ser dita.

Não ganhei as eleições porque, mais do que o PCB, sou ruim de voto (e todos os candidatos sabiam de antemão que sua missão era divulgar o partido que estava voltando à legalidade perdida em 1946).

No jornal em questão acabei por trabalhar por mais de 45 anos...

Onde exerci todas as funções: repórter-auxiliar, repórter, redator, chefe de reportagem e editor (de Cidades e de Internacional), embora a rigor nunca tenha de deixar de cobrir sindicalismo, ainda que me faltasse tempo...

(Céus, como ando prolixo, talvez seja por influência do escritor grego Sófocles. Só no fim de semana li três vezes sua tragédia "Édipo Rei"...Por sinal adoro a Paideia (quem puder deve ler, são mais de 1600 páginas)

A violência de Estado atual e suas raízes (11/11)

                                                                
                                                           
A Comissão de Anistia do Ministério da Justiça e a Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae realiza a jornada interdisciplinar "A violência de Estado atual e suas raízes", atividade que integra o eixo de Capacitação deste projeto que oferece atendimento psicológico aos afetados pela ditadura no Brasil.

LOCAL: Auditório Instituto Sedes Sapientiae. Ministro Godoy, 1484. Perdizes, São Paulo
DATA: 11 DE NOVEMBRO DE 2014
HORÁRIO: 9h30 às 17h

Esta Jornada é produto de cinco (5) Oficinas de Capacitação, realizadas com profissionais da Saúde e da Justiça, durante os anos 2013 e 2014, onde o principal objetivo foi aprimorar uma escuta diferenciada nos processos terapêuticos e/ou jurídicos onde estivessem implicados sujeitos afetados pelas marcas traumáticas da violência do Estado, durante a ditadura militar (1964-1988) e na atualidade.

A atividade integra o eixo de Capacitação do Projeto Clinica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae da Comissão de Anistia, que oferece atendimento psicológico aos afetados pela perseguição política durante o regime ditatorial no Brasil, e deseja potencializar a formação e a atuação dos profissionais que prestam serviços à população de baixa renda e socialmente mais vulnerável.

O evento acontecerá em duas etapas. 

9h30
Apresentação do Projeto
Maria Cristina Ocariz. Psicanalista. Coordenadora da Clínica do Testemunho Instituto Sedes Sapientiae. Professora do Curso de Psicanálise do ISS.

10h à 12h30
Mesa 1: “Clínica, Memória e Cidadania”
Vera Warchavchik. Psicanalista. Professora do Curso Formação em Psicanálise. Membro da Diretoria do Instituto Sedes Sapientiae.

“Violência de Estado e resistências” 
Maria de Fátima Vicente. Psicanalista. Professora do Curso de Psicanálise Diretora adjunta da Clínica Psicológica do Sedes (2003-2012). Diretora do Instituto nos períodos 2000-2002 e 2007-2012.
Debate entre os participantes.

14h
Mesa 2: “A memória do medo no Brasil contemporâneo”
Vera Malaguti Batista. Professora de Criminologia da UERJ, secretária- geral do Instituto Carioca de Criminologia. Diretora da Revista Discursos sediciosos: crime,
direito e sociedade.

Abertura para Conversa Pública. Testemunhos.

17h
Fechamento da Jornada


EQUIPE DE TERAPEUTAS-PESQUISADORAS 
Maria Cristina Ocariz (Coordenadora) 
Maria Carolina Gentile Sciulli 
Maria Liliana I. Emparan Martins Pereira
Nana Corrêa Navarro 
Paula Salvia Trindade
Tereza Cristina Gonçalves

ENTRADA GRATUITA. NÃO É NECESSÁRIA INSCRIÇÃO PREVIA.


Documento sobre violações de Direitos Humanos será lançado na ABI

                                                               

Daniel Mazola (*)

” Nossa Copa foi nas ruas! A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas (ANCOP) com apoio da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, promove ato de lançamento nacional do Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Brasil, versão 2014, no dia 7 de novembro, às 18h, na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro do Rio de Janeiro.

Representantes dos 12 Comitês Populares da Copa e Olimpíadas estarão presentes ao lançamento do dossiê, que apresenta e atualiza as denúncias de violações de direitos nas cidades-sede dos megaeventos esportivos e as conquistas dos movimentos organizados. O conselheiro Daniel Mazola representará a ABI no lançamento.

Conforme destaca a apresentação do documento, um Dossiê sobre a Copa do Mundo 2014, sediada por 12 cidades brasileiras, e sobre as Olimpíadas 2016, que se realizarão na cidade do Rio de Janeiro, deveria ter como tema central a prática do esporte, das relações pacíficas, culturais e esportivas entre todos os povos do planeta. Deveria falar da alegria de termos sido escolhidos para sediar estes dois grandes eventos. Mas não é disso que trata este Dossiê.

Preparado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas, ele fala de outro lado destes megaeventos. Ele fala de cerca de 250 mil pessoas que, segundo estimativas conservadoras, tiveram seu direito à moradia violado ou ameaçado nessas doze cidades. 

Ele fala de cidades que se tornaram mais desiguais, tirando das pessoas mais vulneráveis suas condições de trabalho e perpetuando relações de extrema exploração em obras milionárias.

Ele fala de investimentos públicos, tão esperados, mas que chegaram para acentuar distâncias sociais, levando os pobres para mais longe das possibilidades de renda e acesso à educação, da fruição da cultura, de espaços públicos e lazer, do meio ambiente e mesmo do acesso ao tão celebrado esporte.

No entanto, a Copa de 2014 mostrou que a paixão do brasileiro pelo futebol não diminui. Na Copa, o povo torceu e acreditou no seu time. Mas alguma coisa certamente mudou. Milhares nas ruas gritando “Não Vai Ter Copa”, mais do que dizer que a Copa não iria acontecer, denunciou a construção de uma cidade para poucos e mostrou a maioria cobrando seus direitos. Essa mudança não se encerrou nas manifestações de junho de 2013.

Esse dossiê mais uma vez reivindica a legitimidade incontestável dos cidadãos de lutarem por seus direitos sem serem criminalizados. O direito de responsabilizarem as autoridades que abusarem de seu poder e de substituírem o arbítrio e a violência pelo princípio da democracia participativa, responsabilização dos servidores públicos e garantia dos direitos humanos, inscritos em nossa Constituição e nos tratados internacionais assinados pelo Brasil.

Apesar das dramáticas realidades que descreve e das violências que denuncia, este Dossiê não é uma lamentação, mas um convite, uma conclamação à luta, à resistência. Copa e Olimpíadas não justificam a violação de direitos humanos. 

Nenhum direito pode ser violado a pretexto dos interesses e emergências que pretendem impor ao povo brasileiro. A Articulação Nacional dos Comitês da Copa e das Olimpíadas convida todos os cidadãos a participarem da luta para que tenhamos uma CIDADE JUSTA COM RESPEITO À CIDADANIA E AOS DIREITOS HUMANOS!

Precisamos atuar, colaborar, estar ao lado, dialogar e contribuir com a luta do Comitê Popular RIO da Copa e das Olimpíadas, é tarefa de todos nós. As reuniões acontecem todas as terças, às 19h, no 7o andar da ABI.  Confirme sua participação no evento no endereço: https://www.facebook.com/events/794190633976885/”

(*) Daniel Mazola é jornalista, Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e Secretário da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da entidade. (Com a ABI)