sexta-feira, 29 de junho de 2012


Partido Comunista Brasileiro: 90 Anos

                                                        
Dia 29 de junho na UNESP

Debate Cedem/Unesp 
   

            90 anos de história do Partido Comunista Brasileiro (PCB): a ruptura da tradição, pesquisa em andamento com recorte na história política, de Milton Pinheiro, integrante do Núcleo de Estudos de Ideologias e Lutas Sociais (NEILS) da PUC/SP, será o centro do debate no próximo dia 29 de junho, sexta-feira a partir das 18h30, promovido pelo CEDEM – Centro de Documentação e Memória da UNESP.

            O PCB foi fundado na cidade de Niterói no dia 25 de março de 1922 e conseguiu manter sua existência abaixo de repressão por décadas. Foi uma organização que, em torno da figura de Luis Carlos Prestes, arrebatou “as massas” após o fim do Estado Novo e chegou a ter 10% dos votos para uma eleição presidencial, tornando-se reduto político de importantes intelectuais brasileiros como  Astrojildo Pereira, Graciliano Ramos, Jorge Amado, Di Cavalcanti, Oscar Niemeyer, João Saldanha, Caio Prado Júnior, Mario Lago, Dyonélio Machado, Mario Schenberg, entre outros. 

            Desta forma, Milton Pinheiro procura analisar a trajetória do PCB como operador político, protagonista das lutas sociais e culturais até o final dos anos 1970 e a perda da influência política que marcou os anos 1980, quando consolidou-se a crise política e orgânica do Partido mais antigo da história do Brasil.


Expositor

Milton Pinheiro

Graduação em Ciências Sociais na UFBA

Mestrado em Ciências Humanas na Universidade de Quebec/Canadá

Doutorando em Ciência Política na PUC/SP, Professor de Ciência Política da UNEB

Membro do grupo de pesquisa: Cultura e Política no Mundo do Trabalho na UNESP/Marília

 Debatedores

Caio Navarro de Toledo

Graduação em Filosofia na USP, Doutorado em Filosofia na UNESP/Marília

Professor do Departamento de Política da UNICAMP

Pesquisador do Centro de Estudos Marxistas - CEMARX
Marcos Napolitano

Graduação, Mestrado e Doutorado em História na USP

Professor visitante do Instituto de Altos Estudos da América Latina da Universidade de Paris III

Professor de História na UFPR e na USP 

 Mediadora

Angélica Lovatto


Mestrado e Doutorado em Ciência Política na PUC/SP

Membro do grupo de pesquisa: Cultura e Política no Mundo do Trabalho na UNESP/Marília

Pesquisadora do NEILS - PUC/SP e Professora do Dep. de Ciências Políticas e Econômicas da UNESP/Marília



PARTICIPE E CONVIDE OS SEUS AMIGOS!


Documentários mostra ao mundo um dos maiores revolucionários brasileiros: Carlos Mariguella, ex-deputado federal pelo PCB


quinta-feira, 28 de junho de 2012


Oposição quer a reestruturação do        
Sindicato dos Jornalistas pela base
                                 

Entre todas as contradições do 12º Congresso Estadual dos Jornalistas de Minas – aprovar no regimento o uso da palavra e encaminhar que as perguntas fossem feitas por escrito nos debates; propor a extensão formal da jornada da categoria para 7h de trabalho e retirá-la da pauta sem uma autocrítica; contar com o patrocínio de empresas e governos comprometendo a independência do sindicato – uma das mais intrigantes, foi a supressão, por apenas dois votos, da tese da Oposição Sindical dos Jornalistas de Minas pela diretoria do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais.

Na tese, a OSJM defende a reestruturação do sindicato pela base, propondo que seja garantida a ampla participação da categoria, sindicalizados ou não, em todos os processos do SJPMG, incluindo as votações às diferentes instâncias do sindicato, tomando como princípio a participação de toda a categoria no debate sobre a alteração do estatuto do Sindicato. Estatuto, que conforme revelaram alguns membros da diretoria, deverá ser alterado provavelmente neste ano. Sem dúvidas, a aprovação da tese da Oposição Sindical durante o 12º Congresso legitimaria a intenção da diretoria em realizar as mudanças estatutárias e ampliaria  debate com a categoria.


Movimentos sociais com Antônio Patriota
      Manifestação em São Paulo em defesa do povo paraguaio

 Movimentos sociais promovem hoje (28), a partir das 16h, em São Paulo, ato de solidariedade ao povo paraguaio, em defesa da democracia e pelo restabelecimento de Fernando Lugo. Será em frente ao gabinete da Presidência da República, no edifício do Banco do Brasil, esquina da Avenida Paulista com a Rua Augusta.

Entre outras organizações, o ato é convocado pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a Central Única dos Trabalhadores (CUT), o Centro Brasileiro de Luta pela Paz (Cebrapaz), a Marcha das Mulheres e a União da Juventude Socialista (UJS).

Os manifestantes pretendem cobrar do governo medidas mais incisivas contra o que consideram golpe de Estado no Paraguai, com o impeachment de Fernando Lugo. Entre as reivindicações estão a suspensão política do governo paraguaio, sanções comerciais ao país, o cancelamento dos projetos de cooperação econômica e o bloqueio aos financiamentos públicos.(Com a ABr)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

A polícia civil do Pará pediu à Justiça a prisão preventiva de 11 pessoas acusadas de participar dos protestos contra a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte entre os dias 13 e 17 de junho, durante a realização do evento Xingu +23 na Vila de Santo Antônio, a 50km de Altamira, oeste do Pará. A representação pela prisão preventiva aguarda o parecer do Ministério Público Estadual (MPE). Entre os acusados no inquérito estão integrantes e assessores do Movimento Xingu Vivo para Sempre, um padre que rezou uma missa e abençoou o encontro, uma freira, um pescador que teve sua casa destruída pelo Consórcio poucos dias antes, missionários indigenistas e um documentarista de São Paulo. A polícia acusa essas pessoas de terem planejado uma ação no escritório do Consórcio Norte Energia, “apesar de não existir nos autos uma única imagem comprovando isso”, diz Marco Apolo Leão, advogado e presidente da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos, que atua na defesa dos militantes. Também há acusações de danos, roubo, incêndio, desobediência, esbulho possessório, perturbação da ordem pública e formação de quadrilha. Diante das ameaças de prisão da polícia divulgadas na imprensa, advogados do movimento entraram com um pedido de habeas corpus preventivo para garantir a liberdade dos perseguidos. Protocolado pela defesa na sexta-feira, 22, o pedido de Hábeas Corpus recebeu parecer favorável do Ministério Público, mas foi negado pela justiça na segunda-feira, 25. “Vamos recorrer dessa decisão e manter a posição de que ninguém falará na polícia, pois não conseguimos ter acesso a todas as peças do inquérito”, afirma o advogado. O depoimento de oito dos 11 acusados está marcado para quarta-feira, 27, em Altamira. DEFESA Além da dificuldade de acessar todas as peças do processo, a defesa dos integrantes do movimento Xingu Vivo alega que as investigações sobre o caso carecem de legitimidade e imparcialidade, já que as polícias civil e militar, em Altamira, são, em grande parte, “patrocinadas e financiadas pelas próprias empresas que constroem Belo Monte”, por conta de um termo de cooperação assinado com o governo estadual. A defesa também diz que este é mais um caso de criminalização das lideranças de movimentos sociais e, por isso, uma grande rede de solidariedade e manifestações está sendo construída para apoiar os integrantes do movimento Xingu Vivo e as outras pessoas vítimas das acusações do Consórcio Norte Energia e da polícia. Uma nota de apoio aos militantes já conta com assinatura de 146 instituições da sociedade civil de todo o Brasil, entre eles a Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH) e o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH). Ainda esta semana, a frente jurídica do movimento irá encaminhar um informe denunciando a criminalização dos ativistas para a ONU e a OEA.


Nota de apoio – Vítimas de Belo Monte não são criminosos

Publicado em 26 de junho de 2012 


Desde que foram pensados no período da ditadura, os projetos de barramento do rio Xingu na região de Altamira, Pará, geram indignação, revolta e ferrenha oposição dos povos da bacia deste que é um dos mais importantes e megadiversos rios do país.

Há mais de 23 anos, os movimentos sociais do Xingu resistem à Belo Monte.No marco da Rio +20,  realizaram em Altamira o encontro Xingu +23 que, de 13 a 16 de junho, reuniu cerca de 300 pessoas, entre atingidos pela usina e apoiadores de sua luta.

Um dia antes do início do evento, o Consórcio Norte Energia tentou anulá-lo com um interdito proibitório, criminalizando antecipadamente quatro membros do Movimento Xingu Vivo para Sempre. A despeito de serem a empresa e o governo os vetores de toda a violência que explodiu na região desde o início das obras da hidrelétrica, o Consórcio e as forças repressivas da polícia reforçaram o processo de criminalização, e agora 11 participantes do Xingu +23 – entre eles um padre que rezou uma missa e abençoou o encontro, um pescador que teve sua casa destruída pelo Consórcio poucos dias antes, e um documentarista que apenas o registrou -, estão sendo investigados e indiciados como criminosos.

Diante das ameaças de prisão preventiva, divulgadas na imprensa, os advogados do Movimento Xingu Vivo entraram com um habeas corpus preventivo para garantir a liberdade dos perseguidos. O pedido foi negado pela Justiça.

Hoje, Belo Monte é um resumo de tudo de mais nefasto engendrado pelo regime militar, imposto com brutalidade sem precedentes pelo governo federal às populações do Xingu. Divulgando inverdades sobre este projeto sem viabilidade econômica, energética, social e ambiental, o governo, seus ministros, seus burocratas e seus empreiteiros destroem sem pudor a vida da população que depende das matas derrubadas, dos peixes que já quase não existem, da caça que fugiu das detonações das obras ou cujos corpos se amontoam nas margens da Transamazônica. E, quando os expulsos, os ameaçados e os acuados se defendem, o Estado apela à polícia e transforma suas vítimas em criminosos.

Tamanha violação dos direitos humanos dos que são vítimas da violência estatal e do capital é inaceitável num país que preza sua democracia. É inconcebível que a criminalização do protesto seja aplicada ainda hoje.

Exigimos a imediata anulação de todos os processos de criminalização da população do Xingu e seus apoiadores. Exigimos que suas perdas econômicas, morais, culturais e espirituais sejam reparadas. Exigimos que a população brasileira tenha o direito de decidir sobre a construção de projetos de grande porte, que tenha o direito de dizer não, que seja consultada sobre como e onde os recursos públicos são aplicados – e exigimos, acima de tudo, que a democracia e os princípios básicos dos direitos humanos sejam garantidos no Brasil.

Assinam:
 4 Cantos do Mundo, Minas Gerais
 AATR – Associação de Advogados de Trabalhadores Rurais no Estado da Bahia – Salvador – BA
 AFBEPA
 Amazon Watch
 Amigos da Terra Brasil – Porto Alegre – RS
 ANEL
 Apremavi
 Associação Ageroecológica Tijupá
 Associação “Dando as Mão” organização Solidária dos Assentados e Empreendedores em Geral
 Associação Aritaguá – Ilhéus – BA
 Associação Brasileira de Homeopatia Popular , ABHP
 Associação de Moradores de Porto das Caixas (vítimas do derramamento de óleo da Ferrovia Centro Atlântica)  – Itaboraí – RJ
 Associação dos Concursados do Pará (ASCONPA)
 Associação dos Empregados do Banco da Amazônia (AEBA)
 Associação Indígena Tembé de Santa Maria do Pará (AITESAMPA)
 Associação Paraense de Apoio às Comunidades Carentes (APACC)
 Associação Sindical Unidos Pra Lutar
 Associação Socioambiental Verdemar  – Cachoeira – BA
 Campo Étnico e Popular
 CEDEFES (Centro de Documentação Eloy Ferreira da Silva) – Belo Horizonte – MG
 CEERT (Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades) -  São Paulo
 Central Sindical e Popular CONLUTAS
 Central Única das Favelas (CUFA-CEARÁ) – Fortaleza – CE
 Centro de Cultura Negra do Maranhão – São Luís – MA
 Sodireitos
 Centro de Estudos e Defesa do Negro do Pará (CEDENPA) – Belém – PA
 CEPEDES (Centro de Estudos e Pesquisas para o Desenvolvimento do Extremo Sul da Bahia) – Eunápolis – BA
 CIMI
 COIAB
 COICA
 Coletivo de Mulheres Rosas de Liberdade – Santarém-Pará.
 Comissão Pastora da Terra (CPT/PA)
 Comissão Pastoral da Terra, CPT-MT
 Comitê Dorothy
 Conselho Indigenista Missionário Regional Norte II (CIMI)
 Contraponto
 Coordenação Nacional de Juventude Negra – Recife – PE
 CPP (Conselho Pastoral dos Pescadores) Nacional
 CPP BA – Salvador – BA
 CPP CE – Fortaleza – CE
 CPP Juazeiro – BA
 CPP Nordeste – Recife (PE, AL, SE, PB, RN)
 CPP Norte (Paz e Bem) – Belém – PA
 CPT – Comissão Pastoral da Terra Nacional
 CRIOLA – Rio de Janeiro – RJ
 DCE – UFRA
 Defensoria do Estado de Mato Grosso
 Diretório Central dos Estudantes/UEPA
 Diretório Central dos Estudantes/UFPA
 Diretório Central dos Estudantes/UNAMA
 Econg-Ong de defesa do meio ambiente de Castilho e regiao/SP
 EKOS – Instituto para a Justiça e a Equidade –  São Luís – MA
 Humanas/Universidade Federal do Pará
 FAOR – Fórum da Amazônia Oriental – Belém – PA
 FASE – Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional
 Fase Amazônia – Belém – PA
 FASE Bahia
 Fase Nacional (Núcleo Brasil Sustentável) – Rio de Janeiro – RJ
 FDA (Frente em Defesa da Amazônia)  – Santarém – PA
 Federação de Órgãos para Assistência social e educacional (FASE – Amazônia)
 Fernando Matos Rodrigues, estudante de Arquitetura e Urbanismo – UFSC
 FIOCRUZ – RJ
 Fecacine – Federação Catarinense de Cineclubes
 Fórum Carajás – São Luís – MA
 Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)
 Fórum de Defesa da Zona Costeira do Ceará – Fortaleza – CE
 Fórum de Direitos Humanos e da Terra, FDHT
 Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense (FMAP)
 Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento (Formad)
 Fórum Social Pan-amazônico (FSPA)
 FUNAGUAS – Terezina – PI
 FONASC CBH – FORUM NACIONAL DA SOCIEDADE CIVIL NOS CBHS
 Fundo Dema/FASE
 GELEDÉS – Instituto da Mulher Negra  – São Paulo – SP
 GPEA (Grupo Pesquisador em Educação Ambiental da UFMT) – Cuiabá – MT
 Greenpeace Brasil
 Grêmio EE “Ulysses Guimarães”
 Grupo de Mulheres Brasileiras (GMB)
 Grupo de Pesquisa Historicidade do Estado e do Direito: interações sociedade e meio ambiente, da UFBA – Salvador – BA
 Grupo de Trabalho Amazônico – GTA
 Grupo de Trabalho de Mobilização Social, GTMS
 Grupo Pesquisador em Educação Ambiental, Comunicação e Arte, GPEA-UFMT
 GT Observatório e GT Água e Meio Ambiente do Fórum da Amazônia Oriental (FAOR)  – Belém – PA
 IARA – Rio de Janeiro – RJ
 Ibase – Rio de Janeiro – RJ
 INESC – Brasília – DF
 Instituto Amazônia Solidária e Sustentável (IAMAS)
 Instituto Amazônico de Planejamento, Gestão Urbana e Ambiental (IAGUA)
 Instituto Búzios
 Instituto Búzios – Salvador – BA
 Instituto Caracol, iC
 Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense – IF Fluminense – Macaé – RJ
 Instituto Humanitas
 Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental/IMADEA
 Instituto Terramar – Fortaleza – CE
 Instituto Universidade Popular (UNIPOP)
 Inernational Rivers
 JUNTOS
 Justiça Global  – Rio de Janeiro – RJ
 Associação de Defesa Etnoambiental Kanindé
 Lutadoras do Campo, Pela Vida
 Mana-Maní Círculo Aberto de Comunicação, Educação e Cultura
 Missionários Combonianos Brasil
 Mocambo Cultural
 Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia, MAMA
 Movimento Cultura de Rua (MCR) – Fortaleza – CE
 Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST)
 Movimento Estudantil Vamos à Luta
 Movimento Inter-Religioso (MIR/Iser) – Rio de Janeiro – RJ
 Movimento Luta de Classes (MLC)
 Movimento Nacional de Direitos Humanos
 Movimento Popular de Saúde de Santo Amaro da Purificação (MOPS) – Santo Amaro da Purificação – BA
 Movimento Wangari Maathai – Salvador – BA
 NINJA – Núcleo de Investigações em Justiça Ambiental (Universidade Federal de São João del-Rei) – São João del-Rei – MG
 Núcleo TRAMAS (Trabalho Meio Ambiente e Saúde para Sustentabilidade/UFC) – Fortaleza – CE
 Observatório Ambiental Alberto Ribeiro Lamego – Macaé – RJ
 Omolaiyè (Sociedade de Estudos Étnicos, Políticos, Sociais e Culturais)  – Aracajú – SE
 ONG Repórter Brasil
 ONG.GDASI – Grupo de Defesa Ambiental e Social de Itacuruçá – Mangaratiba – RJ
 Opção Brasil – São Paulo – SP
 Oriashé Sociedade Brasileira de Cultura e Arte Negra  – São Paulo – SP
 Organização Luverdense de Meio Ambiente, Lucas do Rio Verde Mato Grosso
 OXISPHERA – Associação de Saúde Ambiental – PR
 PACS – Instituto Políticas Alternativas para o Cone Sul
 Partido Comunista Brasileiro (PCB)
 Partido Comunista Revolucionário (PCR)
 Partido Socialismo e Liberdade (PSOL)
 Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU)
 Projeto Recriar – Ouro Preto – MG
 MOSAL e INMMAR- SC
 Rede Amazônia Negra – RAN
 Rede Axé Dudu  – Cuiabá – MT
 Rede Brasileira de Justiça Ambiental
 Rede Alerta contra o Deserto Verde
 Rede Justiça nos Trilhos
 Rede de Juventude e Meio Ambiente (REJUMA)
 Rede Matogrossense de Educação Ambiental – Cuiabá – MT
 RENAP Ceará – Fortaleza – CE
 Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal do Pará (SINTSEP/PA)
 Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Gestão Ambiental do Estado do Pará (SINDIAMBIENTAL)
 Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil de Belém e Ananindeua
 Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior (ANDES-SN)
 SINDTIFES
 Sociedade de Melhoramentos do São Manoel – São Manoel – SP
 Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH)
 Terra de Direitos
 Tô Coletivo
 Tribunal Popular
 Vegetarianos em Movimento (VEM)
 Movimento Gota D’água
 Escola de Ativismo
 Matilha Cultural

Ana Almeida – Salvador – BA
 Ana Daniela Farias Franco, estudante, UFPA.
 Ana Lídia Brizola, Cientista Social, UFSC
 Ana Paula Caldeira Souto Maior, advogada, Roraima
 Ana Paula Cavalcanti – Rio de Janeiro – RJ
 Ana Paula Gomes, geógrafa pela USP – São Paulo-SP
 Olga Fogaça Balboni Cunha Geremias,  -  São Paulo/SP
 Ananda Machado, Universidade Federal de Roraima
 André de Castro Souza, Cineasta, CINEDELIA
 Andre Luis Lopes Neves, antropólogo, USP
 André Vallias, designer gráfico / sócio-diretor, Refazenda Produções
 Andréa Zhouri – Profa. Associada do Depto. Sociologia e Antropologia FAFICH-UFMG. Coordenadora do GESTA-UFMG
 Angélica Cosenza Rodrigues – Juiz de Fora – Minas
 Antonio Carlos Magalhães, antropólogo, Instituto Humanitas
 Ariane Cavalcante de Souza, Educadora Popular, IMV
 Arsenio Oswaldo Sevá Filho, Engenheiro, Professor universitário, Universidade Estadual de Campinas, SP
 Bruno Milanez – Universidade Federal de Juiz de Fora
 Camila Aranha – Estudante – UFPA
 Carmela Morena Zigoni – Brasília – DF
 Cauê Vieira Morgado- Naea/UFPA
 Cecília Campello do A. Mello – Antropóloga – IPPUR/UFRJ
 Celia Aparecida de Azevedo- atriz- Forum Social Panamazonico-PA
 Cíntia Beatriz Müller – Salvador – BA
 Clarice Cohn, antropóloga, professora da UFSCar
 Cláudio Silva – Rio de Janeiro – RJ
 Dandara Nobre De Oliveira Nascimento, Estudante, Ufpa
 Daniel Fonsêca – Fortaleza – CE
 Daniel Silvestre – Brasília – DF
 Danilo D’Addio Chammas, advogado, Justiça nos Trilhos, MA
 Déborah Danowski, Coordenadora da Pós-Graduação em Filosofia PUC-Rio/CNPq
 Diogo Rocha – Rio de Janeiro – RJ
 Edgar Rodrigues Barbosa Neto – Antropólogo – UFMG
 Edilberto Moura Sena, Comissão Diocesana de Justiça e Paz da diocese de Santarém
 Edna Maria Ramos de Castro -  Socióloga, professora da UFPA
 Eduarda Canto – FACI
 Eduarda Gama Canto – FACI
 Eduardo Viveiros de Castro, Antropólogo, Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
 Eduardo Wanghon, UNIPOP e DCE UFOPA
 Eliana Conde Barroso Leite, Engenheira agrônoma, Rio de Janeiro
 Elis Tarcila Souza de Souza, estudante, Ciencias Sociais-UFPA
 Elysângela Sousa Pinheiro – estudante NAEA/UFPA
 Eneida Assis, Antropóloga e Cientista Política. Instituto de Filosofia e Ciências
 Érina Batista Gomes, Advogada, Santarém-Pará
 Fádia Rebouças, geógrafa (UFBA)
 FASE – Federação de órgãos para Assistência Social e Educacional
 Fernanda Aires Bombardi, Mestrado em História Social, USP.
 Florival de José de Souza Filho – Aracajú – SE
 Francisco del Moral Hernández, Engenheiro, Professor Universitário, Universidade Estadual Paulista
 Gabriela Scalambra Ferreira / Jornalismo – Uninove
 Gabriela Scalambra Ferreira / Jornalismo – Uninove
 Géssica da Silva Miranda, Estudante, UFPA
 Gustavo Tosello Pinheiro, Administrador, Brasília, DF
 Iara Pietricovsky, antrpóloga, colegiado de gestão do Inesc – Brasíla
 Igor Vitorino – Vitória – ES
 Inaê de Brito Albuquerque Nascimento – Oceanógrafa – Belém/PA
 Inês Sousa Fernandes, pós-graduação FIBRA, Educação Especial.
 Iraneide Evangelista Rocha, assistente social da UFPA
 Iremar Antonio Ferreira, Educomunicador, Imv
 Ivo Lesbaupin – sociólogo, coordenador do Iser Assessoria – Rio de Janeiro
 Jacqueline Guerreiro – GEEMA ( RJ)
 Janaína Torres Moraes – Estudante – UFPA
 Janaína Tude Sevá – Rio de Janeiro – RJ
 Jean Pierre René Joseph Leroy, Sociólogo, Fase
 Joana Valente Santana, professora, UFPA/Serviço Social
 Jorge Gustavo Neves Ferreira, Educador Popular, Imv
 José Guilherme Carvalho da Silva, Educador, FASE Programa Amazônia.
 Josie Rabelo – Recife – PE
 Juan Dias Barros, UFPA.
 Julia Schadeck Locatelli, estudante de graduação em Ciências Biológicas, UFSC
 Juliana Souza – Rio de Janeiro – RJ
 Julio Fernandes Muller, geógrafo pela USP – São Paulo/SP
 Rafael Soares de Oliveira, psicólogo e antropólogo, diretor executivo de KOINONIA – ACT
 Janice Muriel Cunha, bióloga, UFPA
 Alexandre Cunha, antropólogo, UFPA
 Andréa Mendes – Militante de Movimento Social – Empreendimento Solidário Casa de Criola – Porto Velho – Rondônia
 Laíse Lorena Lobato, Licenciatura em Música, UEPA.
 Lanna Beatriz Lima Peixoto – UFPA
 Leide Marlene Paiva de Oliveira Diaz – Aposentada
 Leila Santana – Juazeiro – BA
 Leonardo Sakamoto, jornalista, cientista político e professor da PUC-SP
 Letícia Tura, socióloga, FASE
 Letícia Tura, socióloga, FASE
 Luah Sampaio Nogueira Estudante UFPA
 Luan Gomes dos Santos de Oliveira – Natal – RN
 Luana Beatriz Lima Peixoto – Estudante – UFPA
 Luana Paiva Diaz Rosas – Arquiteta – UFPA
 Lucas de Mendonça Morais – Jornalista – Belo Horizonte/MG
 Lucia Ortiz, geologa, Coordenadora Amigos da Terra Brasil, RS
 Luís Claúdio Teixeira (FAOR e CIMI) Belém- PA
 Luis Fernando Novoa Garzon, sociólogo, Universidade Federal de Rondônia
 Luiz Arnaldo Campos – cineasta- Forum Social Panamazonico-PA
 Manuelle Lopes de Matos, UNIUBE e membro do FDA
 Marcel Hazeu, mestre em planejamento do desenvolvimento, articulador político da Sodireitos, Belém, Pará
 Marijane Vieira Lisboa, Socióloga, PUC-SP
 Marco Mota, Coordenado do Programa de Formação e Gestão Associação Mundial de Rádios Comunitárias – AMARC – Brasil
 Marcos de Almeida Matos, professor da Universidade Federal do Acre
 Maria Beatriz Ferreira Lima – SEDUC
 Maria do Carmo Barcellos – Cacoal – RO
 Maria Elvira Rocha de Sá- UFPA/Instituto de Ciências Sociais Aplicadas.
 Mariana Ciavatta Pantoja, antropóloga, UFAC
 José Antonio Kelly Luciani, profesor de antropologia, Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
 Maria Inês de Almeida, professora, UFMG.
 Amanda Schoenmaker, cientista social, Secretaria de Estado de Políticas para as Mulheres – Acre
 Luana Machado de Almeida, Indigenista Especializada, FUNAI – Rio Branco/AC
 Karine Lopes Narahara, Analista Ambiental, CGPEG/DILIC/IBAMA
 Marina Trindade Cruz, Estudante, UFPA
 Maurício Paixão – São Luís – MA
 Mauricio Sebastian Berger – Córdoba, Argentina
 Mayara Lopes de La-Rocque, graduanda em Letras- Hab. Língua Francesa, UFPA
 Mellaine Mendes dos Santos, estudante da UFOPA, membro da ANEL Santarém
 Milena Andrade, Geóloga, UFPA
 Mirleide Chaar Bahia, Professora, UFPA.
 Moema Miranda, antropóloga, diretora do Ibase
 Nilo d´Avila – coordenado de politicas publicas greenpeace
 Norma Felicidade Lopes da Silva Valencio – São Carlos – SP
 Norma Valencio, Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres, UFSCar.
 Norma Valencio, Núcleo de Estudos e Pesquisas Sociais em Desastres, UFSCar.
 Formad – Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento
 Paulo Lemos, Ouvidor-Geral da Defensoria Pública do Estado de Mato Grosso
 Pedro Ivo Batista, Ambientalista, Rede Brasileira de Ecossocialistas
 Gabriela Barbosa, Gestora Ambiental, Presidente da Associação Alternativa Terrazul
 Pedro Rapozo – Manaus – AM
 Rafael Dias Busquetti, estudante, UFPA.
 Rafael Paiva de Oliveira Diaz – Oceanógrafo – UFPA
 Raquel Giffoni Pinto, Socióloga, UFRJ
 Raquel Macruz- artista visual, MOSAL e INMMAR- SC Raquel Macruz- artista visual,
 Raquel Minervino de Carvalho Bisneta, estudante, Uepa
 Ricardo Stanziola – São Paulo – SP
 Rita de Cássia Barbosa dos Santos – Assistente Social – Mestranda/UFPA
 Rodolfo Araújo de Mendonça dos Santos,Cineasta, Unama
 Ruben Siqueira – Salvador – BA
 Rui Kureda – São Paulo – SP
 Sabrina Mesquita do Nascimento – NAEA/UFPA
 Samuel Marques – Salvador – BA
 Sandoval dos Santos Amparo, Geógrafo – Fundação Nacional do Índio
 Sebastião Fernandes Raulino – Professor da UERJ e Membro da Rede Brasileira de Justiça Ambiental
 Shaji Thomas – Doutorando em Desenvolvimento Sustentável UFPA/NAEA
 Silke Tribukait , ASW, Berlin
 Sol González, Estudante de Doutorado NAEA/UFPA
 Solange Gayoso, Professora, UFPA.
 Sonia Guajajara, Vice Coordenadora – COIAB
 Sonia Magalhães, Antropóloga, professora da UFPA
 Sonia Mariza Martuscelli
 Suely Rodrigues Alves – Estudante UFPA
 Suzana Mesquita do Nascimento – UEPA
 Tania Pacheco – Rio de Janeiro – RJ
 Telma Monteiro – Juquitiba – SP
 Teresa Cristina Vital de Sousa – Recife – PE
 Tereza Ribeiro   – Rio de Janeiro – RJ
 Valquíria de Carvalho Azevedo – Presidente do Instituto Matogrossense de Direito e Educação Ambiental
 Vânia Regina de Carvalho – Belém – PA
 Voyner Ravena Cañete, Antropóloga – UFPA
 Waldinéia Antunes de Alcantara Ferreira/ Pedagoga/UNEMAT
 Wendell Ficher Teixeira Assis, sociólogo – IPPUR/UFRJ
 Oriana Rey Tanaka Santos, advogada com especialização em sustentabilidade– São Paulo –SP
 Fernanda Aguiar Magnani- Atriz- Pós- Graduada em Literatura Brasileira e História Nacional- CEFET- PR
 Alexandre Cunha, Antropólogo, UFPA
 Eleonora Trajano, Bióloga, USP
 Fabio Di Dario, Biólogo, UFRJ
 Flávio César Thadeo de Lima, Biólogo, UNICAMP
 Francisco Langeani Neto, Biólogo, UNESP
 Janice Muriel Cunha, Bióloga, UFPA
 Jansen Alfredo Sampaio Zuanon, Biólogo, INPA
 Lucia Rapp Py-Daniel – Bióloga, INPA
 Marivana Borges Silva, Bióloga, UFPA
 Flávia Cera – Estudante – UFSC
 Aquiles Vasconcelos Simões – Universidade Federal do Pará
 Maria Cristina Alves Maneschy, professora, UFPA
 Helena Palmquist – jornalista
 Idelber Avelar, Professor Universitário, Tulane e Colunista da Revista Fórum
 Juliana B. Oliveira, geógrafa pela USP – São Paulo/SP
 Bárbara Guimarães Arányi, tradutora
 Gabriel Borges – Jornalista
 Caetano Pacheco Araujo – Polícia Civil SP, Estudante UNIFESP-Guarulhos
 Fernanda Marra, servidora pública, CGE
 Camila Bylaardt Volker, professora da Universidade Federal do Acre
 João Guilherme Dayrell de Magalhães Santos, Doutorando em Literatura pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)
 Beatriz de Almeida Matos, antropóloga, doutorado Museu Nacional, UFRJ
 Edgar Bolivar, Estudante, Universidade Federal Fluminense
 Fernanda Aires Bombardi, mestranda em História Social, USP
 Rafael Santoliquido Davini – estudante de Filosofia em Coimbra
 Fábio Márcio Alkmin- FFLCH/USP
 Valquíria Garrote, bióloga, UFAC
 Marcela Vecchione, cientista política, McMaster University e CPI-AC
 Adriano Jerozolimski, Biólogo, AFP
 Erika Masinarara – Economista e Ecofeminista – Instituto Equit – Rio de Janeiro
 Miguel Sorans -  Izquierda Socialista  – UIT – Argentina;
 Enrique Gomez Delgado – Partido Obrero Socialista – México;
 Mercedes Petit – Izquierda Socialista – UIT/CI – Argentina;
 Juan c. Giordano – Izquierda Socialista – Frente de Izquierda – Argentina;
 Gabriel Schwert – Izquierda Socialista – Frente de Izquierda – Argentina;
 Guillermo Sánchez – Dirigente Docente de SUTEBA – Buenos Aires – Argentina;
 José Bodas Lugo – Secretário General de la Federación de Trabajadores Petrolero (F.U.T.P.V.) – Venezuela;
 Miguel a. Hernandez – Profesor Universidad Central de Venezuela – Secretário General de Partido Socialismo y Libertad (PSL) – Venezuela;
 Manuel Iraola – Executiva Estadual do PSOL-SP- Brasil;
 Douglas Diniz – Diretório Nacional do PSOL – Brasil;
 Kathrin Yankovic – Alemanha;
 Michel Oliveira – Diretório Nacional do PSOL – Brasil;
 Dorinaldo Malafaia – SINDESAÚDE – AP – Brasil;
 Neide Rocha Cunha Solimões – SINTSEP/PA; Executiva CONDSEF; Diretório Estadual do PSOL – PA – Brasil;
 Diego Vitello – Diretório estadual do PSOL – RS – Brasil;
 Jorge Auques – Dirección UNÍOS – Peru
 Miguel Lamas – Periodista – LA PROTESTA – Bolívia;
 Eliseo Mamani Bautista – Secretário Ejecutivo F.D.M.R.L.P – bolívia;
 Carlos Barrera Blanco – Vice-Presidente de FEJUVE – Bolívia;
 Josep Lluis Del Alcazar Fabregat – Sindicalista – Lucha Internacionalista (Estado Espanhol) – Espanha;
 Atakan Giftni – Frente brero – Turquia;
 Augusto Yankovic – URD Alemanha;
 Norberto Piñón -  CC – Izquierda Socialista – Argentina;
 João Batista Oliveira De Araújo – Diretório Nacional do PSOL – Brasil;
 Felipe López – Direção MST – Chile;
 Rosi Messias – Executiva  PSOL – RJ – Brasil;
 Marco Antônio Pelaes Costa – Executiva PSOL – Niterói/RJ – Brasil;
 Pedro Rosa Cabral – SINTUFF – Direção FASUBRA;
 Claudia Gonzales Reis – Executivo  PSOL – Niterói / RJ – Brasil;
 Adolfo Santos Barbieri – Direção Nacional CST/PSOL – Brasil;
 Silvia Santos – Executiva Nacional PSOL – Brasil;
 Wellington Luiz Cabral – Sindicato de Químicos São José dos Campos – SP – Brasil;
 Orlando Chirino – C-CURA – Venezuela;
 Nancy De Oliveira Galvão – Diretório Nacional do PSOL – Brasil;
 Silaedson Silva – Diretório Estadual PSOL – RJ – Brasil.
 Emanuel Mello Mattos de Castro, estudante de Flosofia – PUC-Rio
 Ricardo Waizbort, Programa de Pós-graduação em Ensino em Biociências e Saúde, FIOCRUZ
 Clara Flaksman, doutoranda PPGAS-MN/UFRJ
 Rosemary Esquenazi, Professora da PUC-Rio
 Bettine Silveira, Diretora da Txucarramãe Filmes Rio de Janeiro
 Ivone Margulies, Associate professor Film and Media Studies City University of New York
 Maria Inez do Espírito Santo, Educadora, escritora, terapeuta cultural
 Filipe Ceppas de Carvalho e Faria, Professor adjunto da UFRJ
 Gislene Torrente Vilara, Bióloga, UFAM
 Ronnayana Rayla Silva, Bióloga, INPA
 Orlando Calheiros, Antropólogo, UFRJ
 Rodolfo Aureliano Salm, Biologo. UFPa-Altamira
 Michèle Sato, GPEA-UFMT
 Vera Regina Paula Baroni- Advogada Sanitarista Recife/PE
 Luciana Borges – Antropóloga UFPA
 Plínio Rodrigo Borges – Linguista – UFPA
 Gustavo Ramos da Silva Graduando de Letras Português/UFSC
 Thiago Candido da Silva, estudante.
 Ricardo Domeneck, escritor
 Alexandre Nodari, estudante, UFSC
 Vera Rodrigues. Psicóloga e ambientalista. Rio de Janeiro-RJ.
 Raquel de Azevedo – Economista
 Fernando José Caldeira Bastos Neto – mestrando em literatura – UFSC
 Luiza Possebon Ribas
 Elysa Tomazi, estudante, Universidade Federal de Santa Catarina.
 Fabián Ludueña Romandini, filósofo, Universidad de Buenos Aires, Argentina
 Silvia  Emilia Espósito – Psicanalista
 Oscar Reymundo – Psicanalista
 Marília Librandi Rocha. Professora. Universidade de Stanford
 Pascal Rochette. Artista Plástico
 Eduardo Sterzi – professor e escritor – UNICAMP
 Veronica Stigger – professora e escritora – FAAP
 Jorge H Wolff, professor, UFSC
 Antonio Marcos Pereira – Professor – UFBA
 Cristiane Barreto Napoli – Psicanalista – Escola Brasileira de Psicanálise/MG; Associação Mundial de Psicanálise; Prefeitura de BH.
 Diego Cervelin, doutorando (UFSC)
 Ana Carolina Cernicchiaro – doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Literatura/UFSC
 Tania Stolze Lima, Antropóloga, UFF
 Elane Maria Farias de Carvalho, Prof. Filosofia IF Fluminense, Campos-Guarus
 Isabella Massa de Campos, professora CEAT
 Ligia Massa Bacellar Mendes, estudante CEAT
 Sylvio Massa de Campos, economista aposentado
 Luiz Francisco Buarque de Lacerda Júnior, doutorando em Comunicação – PPGCOM/UFPE
 Susan A. de Oliveira – professora de literatura portuguesa na Universidade Federal de Santa Catarina
 Wilma Felinto, diretora de escola, PMSP
 Ivaneide Bandeira Cardozo, indigenista, Kanindé
 Sislene Costa da Silva – Gedmma (UFMA)/RJNT
 Ana Carolina Gomes – USP
 Cecilia Cruz Vecina, geógrafa pela USP, São Paulo
 Carol Ramos, São Paulo
 Moysés Pinto Neto – Doutorando em Filosofia, PUCRS
 Felipe Augusto Vicari de Carli – Estudante (UFPR)
 Heitor Scalambrini Costa, Professor Associado da UFPE
 Johny F. Giffoni – Defensor Público do Estado do Pará
 Silvio Kanner Pereira Farias – AEBA Banco da Amazônia Belém
 Soraya Abreu de Carvalho -professora da  UFPA
 Marina de Castro Schwab, engenheira, Rio de Janeiro-RJ
 Marcos Prados, Diretor de Cinema, RJ
 Marcos Palmeira, ator, RJ
 Maria Paula Fernandes, jornalista, RJ
 Maria Paula Fidalga, atriz, RJ
 Sergio Passarela Marone, ator, RJ
 Sofia Vilarigues, PANTOS – Quercus
 Maíra Borges Fainguelernt – Geógrafa – pesquisadora do Instituto Mais Democracia
 Carlos Tautz, jornalista, Instituto Mais Democracia
 Aderval Costa Filho – Belo Horizonte – UFMG




A solidariedade brasileira ao povo paraguaio contra o golpe de Estado que tirou Lugo do poder

David Capistrano recebe a Medalha Dinarco Reis, numa homenagem do PCB




                                           
Camaradas do PCB, a família de David Capistrano e o vereador João Alfredo (PSOL)



O Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a Fundação Dinarco Reis (FDR) promoveram, no auditório da OAB-Ceará, em Fortaleza, Ato Solene da entrega da Medalha Dinarco Reis in memorian a David Capistrano.

Irmão de David, Daniel Capistrano recebeu a medalha em nome dos familiares. Presidente da FDR, Dinarco Reis Filho contou a trajetória de David Capistrano, que chegou a lutar na Guerra Civil Espanhola nas Brigadas Internacionais.

O PCB recebeu de Valeska Capistrano, sobrinha de David Capistrano, carta de agradecimento pelo evento, que transcrevemos abaixo.

A militância do PCB de Fortaleza prestigiou o ato, que contou com a expressiva presença de Francisco Montenegro de Lima, irmão de José Montenegro de Lima, camarada do Partido desaparecido em 1975.

Camarada David Capistrano, presente!

Na foto, camaradas do PCB, a família de David Capistrano e o vereador João Alfredo (PSOL)

AGRADECIMENTO DA FAMÍLIA CAPISTRANO PELO RECEBIMENTO DA MEDALHA DINARCO REIS

Temos consciência de que a dor de cada tortura não pode simplesmente ser transformada em lágrimas escondidas e esquecidas, é preciso que essas lágrimas sejam transformadas em águas férteis por sobre o terreno arenoso e seco da justiça para que toda a verdade floresça.

Em 2013, tio David Capistrano,se vivo fosse, completaria 100 anos. Mas,  infelizmente, no ano de 1974, um regime ditatorial e desumano ceifou uma vida que incontestavelmente tinha muito a oferecer para a humanidade. Um  pequeno grande homem que saiu do sertão cearense, estudou, entrou para a Aeronáutica no Rio de Janeiro e tornou-se militante partidário. Nessa missão conheceu e fez conhecer-se no mundo.

Um homem que como pai conduziu sua família com uma sábia disciplina capaz de fazer de seus grandes cidadãos que apesar de tudo não perderam a vontade de acreditar na vida.

Como político defendeu a decência de uma vida justa e digna para a comunidade.Seus discursos se fossem lidos numa tribuna legislativa com certeza fariam uma bancada inteira refletir sob o peso de suas firmes palavras. No ano de 2000 foi escolhido pelo Estado de Pernambuco um dos 100 parlamentares do século XX.

Como militante partidário, um herói que não tinha temor, que de cabeça erguida , consciente do risco, levantava a bandeira do seu partido.

Tio David Capistrano foi arrancado do seio de sua família, deixando em nós a angústia da certeza incerta que fazia mais longos os dias e as noites por causa da busca incessante pela vida que não pode mais ser vista. Tivemos e vivemos momentos de muita dor e angústia, mas, percebemos o quão importante será o desvendar das páginas encobertas desse período da história do Brasil.

Por isso agradecemos ao Partido Comunista Brasileiro, na pessoa do camarada Ivan Pinheiro, à Fundação Dinarco Reis, na pessoa do camarada Dinarco Reis Filho por fazer brilhar no peito do meu pai Daniel Capistrano a Medalha Dinarco Reis - que é considerada o símbolo do heroísmo partidário - por materializar a certeza de que um sonho, um idealismo  e o sangue vermelho dos que nada temem ainda vive em nós! (Com o Site do PCB)

terça-feira, 26 de junho de 2012


O professor Edmilson Costa discursa durante homenagem a Jinkings
                                      


PCB entrega medalha Dinarco
Reis a Raimundo Jinkings


O Partido Comunista Brasileiro (PCB) prestou, sábado, uma homenagem a um de seus bravos combatentes: Raimundo Jinkings. Em ato realizado na Câmara Municipal de São Paulo, o partido concedeu a Medalha Dinarco Reis a Jinkings – jornalista, livreiro, dirigente sindical, membro do Comitê Central do PCB –, falecido há 16 anos. Raimundo Jinkings foi um dos responsáveis pela resistência e reorganização do partido no Pará e Amapá. Após receber a medalha, a companheira de Raimundo Jinkings, Isa Jinkings, fez um emocionante discurso de agradecimento.

A cerimônia em homenagem à memória de Raimundo Jinkings, teve início às 15h, na sala Tiradentes da Câmara Municipal de São Paulo, e foi aberta pelo candidato a vice-prefeito pelo PCB, na chapa PCB-PSOL, Edmilson Costa, pelo presidente da Fundação Dinarco Reis, Dinarco Reis Filho, e pelo secretário-geral do PCB, Ivan Pinheiro. 

Após as falas de abertura e exibição de um vídeo-documentário sobre Jinkings, Ivan falou sobre sua trajetória, lembrou passagens de Jinkings e sua importância na vida do Partido. Após receber a medalha, a companheira de Raimundo Jinkings, Isa Jinkings, agraadeceu, sendo aplaudida de pé sob os gritos em, coro: 'força, ação, aqui é o partidão!'  todos lembrando o que Jinkings diria num momento como esse: fomos, somos e seremos comunistas.

Foi um importante evento político porque os comunistas homenagearam não apenas um intelectual militante e valente, que dedicou toda a sua vida à construção do Partido, mas, principalmente, um personagem fundamental no processo de reconstrução revolucionária do PCB.

Estiveram presentes, na sala repleta de jovens militantes do partido, professores universitários e intelectuais como Antonio Rago, Milton Pinheiro, Antonio Carlos Mazzeo, Luiz Bernardo Pericás, Sofia Manzano, Jose Ávila, o artista plástico Sergio Romagnolo, a sindicalista Mercedes Lima, além de familiares do camarada: Ivana Jinkings (filha) e os netos Isabella, Jorge, Maeve, Yuri, Kim e Luca.

Segue abaixo o emocionante texto de agradecimento lido por Isa Jinkings durante a cerimônia:

Raimundo Antonio Jinkings e eu fomos companheiros na vida, no trabalho e na política por 46 anos. Tivemos 5 filhos. Quando ele morreu, tínhamos 12 netos (hoje são 15) e um bisneto (hoje são 5). É uma grande família, que se orgulha e se inspira nos princípios humanistas e de igualdade social que sempre nortearam a sua trajetória política e a nossa vida.

Tenho certeza de que o Jinkings estaria feliz pelas mudanças que tem ocorrido em nosso país. Por ver conquistadas algumas bandeiras que empunhou em sua trajetória de lutas. Mas ele estaria, como sempre esteve, de mangas arregaçadas ao lado dos seus camaradas, exigindo muito mais conquistas, lutando por uma transformação social ampla e emancipadora. Seguramente estaria do lado certo.

Foi um homem simples e generoso, e um lutador incansável. Na prisão, manteve a mais absoluta dignidade. Perseguido sem tréguas pela ditadura, quantas e quantas vezes juntou os cacos e reconstruiu o sonho, que se tornava cada vez mais forte.

Construiu o Partido em cada um dos muitos e longínquos municípios do Pará, transformando-o em um dos Estados onde o PCB foi mais forte e representativo, em que o Partido foi criado em todos os municípios. E que foi campeão de assinaturas do jornal Voz da Unidade, o que nos valeu como prêmio, a nós dois, uma viagem à União Soviética.

Privado de seu emprego, plantou a semente da cultura em nosso Estado, proporcionando o acesso ao livro a quatro gerações, formando leitores, revelando escritores, criando um ponto de referência cultural e político. No ano que antecedeu a sua morte, foi eleito Livreiro do Ano pela Associação Nacional de Livrarias.

O fato de saber que foi outorgada ao Jinkings uma medalha com o nome de Dinarco Reis, me remeteu ao poema dos 60 anos do PCB: “[nossos heróis] eram poucos e nem puderam cantar muito alto a Internacional”, em 1922. 

Mas fundaram o partido.

E me remeteu também a uma fotografia que guardo como preciosa, histórica, em que estão juntos Jinkings, Giocondo Dias, Mário Schenberg e Dinarco Reis. Quatro cabeleiras brancas onde parece estar escrita uma parte da história do Partido.

Quero agradecer ao PCB esta homenagem e dizer do meu sentimento de satisfação e orgulho pelo reconhecimento do valor de meu companheiro e do respeito à sua memória. 

Agradeço a todos que nos honraram com a sua presença. 

Muito obrigada, companheiros. (Com Carta Maior)

A língua espanhola

                                              La Jeringacubana/Divulgação

              

Ex-delegado do Dops diz a Comissão da Verdade que incinerou corpos em usina


Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade, o ex-delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) Cláudio Guerra reafirmou os crimes que cometeu durante a ditadura militar (1964-1985). Entre as denúncias, relatadas no livro Memórias de uma Guerra Suja, está a incineração de corpos de militantes de esquerda na Usina Cambaíba, em Campos dos Goytacazes, no norte do Rio de Janeiro.

De acordo com o coordenador da comissão, ministro Gilson Dipp, durante a oitiva, Guerra sugeriu que o grupo ouvisse algumas pessoas citadas por ele no livro. Em entrevista ao programa Observatório da Imprensa, da TV Brasil, Guerra fez um apelo aos militares que atuaram com ele durante o regime militar para que falassem sobre os crimes cometidos.

As denúncias de incineração de cadáveres feitas por Guerra estão sendo investigadas pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Perguntado sobre a possibilidade de as investigações atrapalharem os trabalhos da Comissão da Verdade, Dipp disse apenas que é necessário esclarecer que o grupo não é jurisdicional ou persecutório, nem trabalha visando a fornecer dados para o Ministério Público.

“O Ministério Público trabalha numa linha própria e eu não conheço nenhum detalhe. Se vai prejudicar, em um momento desses as pessoas podem ter algum temor”, disse o ministro.

Dipp informou ainda que pretende convocar o tenente-coronel reformado Paulo Malhães, que em entrevista ao jornal O Globo nesta segunda-feira (25), disse que jacarés e uma jiboia eram usadas para torturar presos políticos. “Em uma conversa informal, demonstrei minha opinião de que devemos ouvi-lo. [Malhães] é alguém que estará na nossa pauta para oitiva”.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

                                        La Jeringacubana/Divulgação

Empresas transnacionais querem destruir a agricultura brasileira. O MST mostra a realidade do campo na Jornada de Agroecologia do Paraná

                                                             VicMan/La Jeringacubana/Divulgação
Ivan Pinheiro, secretário geral do PCB, durante o ano (Imagem:Pedro Rennó/Divulgação)
                                                                                                                      
A professora Maria da Consolação Rocha foi oficializada na noite dessa sexta-feira, durante convenção partidária, candidata do PSOL a prefeita de Belo Horizonte.

O encontro aconteceu na sede do Sindicato dos Servidores da Previdência Federal, no centro da Capital, onde também aconteceu a convenção do PCB.

 As duas legendas selaram coligação e os militantes do partidão indicaram o aposentado Antônio Almeida Lima candidato a vice na chapa de Consolação. Os dois partidos apresentarão chapa para a disputa das eleições para a Câmara Municipal de Belo Horizonte.

Participou da convenção do Partido Comunista Brasileiro em Belo Horizonte, seu secretário geral, Ivan Martins Pinheiro, vindo a BH especialmente para o evento.
               
Cinco candidatos já se apresentaram para concorrer às eleições municipais de Belo Horizonte. Estão na disputa com o prefeito Marcio Lacerda (PSB), o deputado estadual Délio Malheiros (PV), a professora Maria da Consolação (PSOL/PCB), o deputado federal Eros Biondini (PTB) e Tadeu Martins, pelo Partido Pátria Livre, tendo como vice, Marta Alexandre.
                                 Carlos Latuff/Divulgação

O PCB de Ipatinga realizou sua convenção dia 21 na Câmara Municipal. O secretário-político do Partido , Daniel Cristiano, deu entrevista ao "Diário Popular" chamando a atenção para o fato de o PCB disputar as eleições sem firmar nenhuma coligação


quarta-feira, 20 de junho de 2012


No Brasil, a pobreza tem cor

                                                       

Roberto Amaral (*)

O sempre mestre e sempre saudoso Evandro Lins e Silva lembrava-me a força de bisturi da lógica de Anatole France desmontando o igualitarismo farisaico do direito liberal:

 "Em sua igualdade majestática a lei proíbe tanto ao rico quanto ao pobre dormir embaixo da ponte, esmolar nas ruas e furtar pão".

Os dois mestres e a sentença genial me vêm a propósito de telefonema de prezada amiga e leitora, que me interpela pedindo justificativa para as políticas de afirmação positiva:
"Se somos todos iguais, não seria uma discriminação contra os outros, o privilégio dado aos negros no acesso à universidade?"

Ora, não somos iguais, e uma das maiores farsas do direito de classe é a afirmação, consagrada nas chamadas constituições democráticas, de que 'todos são iguais perante a lei', que só poderia ser aceita como projeto de uma sociedade igualitária. 

Numa sociedade de classes, como a brasileira, essa 'igualdade' formal, tomada ao pé da letra, significa simplesmente a manutenção das desigualdades e o aprofundamento da dominação dos pobres. Na verdade, somos desiguais (uns mais fracos outros mais poderosos, uns mais aquinhoados outros menos aquinhoados, uns ricos outros pobres – e, outros, miseráveis), e, por isso, a igualdade só se busca quando os diferentes são tratados de forma diferenciada.

A formulação marxiana – 'De cada um de acordo com suas possibilidades, a cada um de acordo com suas necessidades' – parece-me a mais correta e a única de corte humanista. Não pode o Estado cobrar de todos os mesmos deveres, nem oferecer a todos os mesmos direitos, pois, dos poderosos, dos ricos, incumbe-lhe cobrar mais e aos mais fracos, aos mais pobres, oferecer mais (porque deles, tomou e toma mais).

Toma mais dos pobres, também, porque a estrutura tributária é injusta: penaliza o salário e protege o rendimento financeiro.

Mas, observe-se que, se a maioria da população legitimar um Estado que de pronto consagre a desigualdade absoluta entre seus súditos, legitimará a Pretória do Apartheid, legitimará o statu dos dalits, intocáveis, seres inferiores para 60% da população indiana. No mundo do homem, é desafio buscar a igualdade na desigualdade.

É farsa dizer que o filho do pobre, já inferiorizado em todos os sentidos por ser pobre e arcar com todas as consequências daí resultantes (moradia precária, má alimentação, baixa escolaridade familiar etc.), que frequenta nossas péssimas escolas públicas de ensino básico, fundamental e médio (quando delas não é afastado para contribuir na composição do salário familiar), desaparelhadas propositalmente desde os primeiros governos militares, é farsa dizer, repita-se, que esse filho do pobre tem, no vestibular de acesso ao ensino superior (e o vestibular já é em si uma consagração da diferença) as mesmas oportunidades do rebento da classe média alta, que estuda em escolas privadas e caras, equipadas com laboratórios e bibliotecas, com acesso ao "cursinho", a estudo particular de línguas e a viagens internacionais de intercâmbio – e, com tudo isso e por tudo isso (acrescente-se à lista a rede de contatos, importantíssima na nossa cultura do favor), ingressa no mercado de trabalho muito mais tarde e com preparo incomparável, numa disputa com só os seus pares.

O Estado (os teóricos do reacionarismo não são burros) quando destrói a opção da escola pública, abastardando sua qualidade, está conscientemente desaparelhando o pobre na disputa do mercado de trabalho e impedindo sua ascensão social e a conquista da cidadania, pois mercado e cidadania são reservados aos 'mais iguais', os filhos da classe média alta.

 Quando o Estado põe esse pobre e esse rico "em igualdade de condições" na disputa do que quer que seja, mas principalmente na disputa de uma vaga na universidade pública, está punindo o pobre. E quando digo o pobre, refiro-me, principalmente, aos negros, porque no Brasil a pobreza tem cor. À nossa dívida pela discriminação econômica, soma-se, como elemento ético, a dívida impagável de brancos e escravocratas.

Quando destrói a escola pública, o Estado reacionário decide dificultar o acesso do pobre à escola universitária pública, gratuita e de boa qualidade, e ao fazê-lo procura reservá-la àqueles que puderam frequentar cursos preparatórios de qualidade. 

A decisão da sociedade de classes é essa: aos pobres a formação secundária de baixa qualidade que não os capacita nem para o vestibular da universidade pública nem para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente; aos ricos a escola universitária de qualidade, a carreira universitária, a pesquisa, as grandes clínicas e os grandes escritórios, enfim, a reprodução do poder e da dominação. É ou não é um sistema de cotas às avessas?

As universidades públicas, sejam estaduais, sejam federais – por exemplo, a USP, a Unicamp, a UFRJ e outras que tais – são, a rigor, as únicas que oferecem, na área técnica, laboratório, pesquisa e, quase sempre, bolsas de iniciação científica, custeadas, é evidente, ora pelo CNPq, ora pela Finep, ora pela Fundação de Amparo à Pesquisa do respectivo estado. Aliás, as universidades públicas são responsáveis por algo como 80% dos cursos (respeitáveis) da área técnica, como as engenharias em geral, medicina, física etc.

Por todas essas razões, seus vestibulares são os mais procurados, e, por serem os mais procurados, os mais difíceis. Ou seja, são acessíveis apenas aos vestibulandos mais bem formados, filhos da classe média, de média para alta. Com esses jovens evidentemente não podem concorrer os pobres egressos da escola pública secundária, de baixíssima qualidade, restando-lhes as inumeráveis espeluncas espalhadas pelas esquinas como os botequins, que estão, no país inteiro, há décadas, imprimindo diplomas de ensino superior sem serventia no mercado competitivo.

Mas quais são os cursos que lhes são reservados, aos pobres, na escola privada? Os técnicos? Não. Esses são caros e o ensino privado é um ramo da atividade comercial, que persegue o lucro (já há dessas empresas com ações em bolsa!). 

Aos pobres são destinados os cursos que não requerem laboratórios nem professores de tempo integral, que podem ser dados em salas com mais de 50/60 alunos, cuja didática depende exclusivamente de exposições do professor mal-remunerado correndo de uma escola para outra, de uma aula para outra, para assegurar o salário mensal.

Depois de quatro anos de 'estudos' e muitas mensalidades e matrículas pagas pelo esforço familiar, o jovem pobre sai da 'faculdade' com um canudo de advogado, de jornalista, de assistente social, disso ou daquilo, e volta para seu empreguinho de origem, no comércio, na indústria, onde puder. Doutor de canudo, anel, foto e festa de formatura, mas sem qualificação e sem mercado. Enquanto isso, seu colega (de geração) que conclui também o curso, mas ou na universidade pública ou numa PUC, já se prepara, com bolsa, para o mestrado, já pensando no doutorado no exterior. Ou já sai empregado, quando não começa a trabalhar nos últimos semestres. Cedo, recomendado pela verdadeira grife que é o só nome de sua escola, já terá conhecido os primeiros estágios profissionais.

É o ensino na sociedade de classes

A política de cotas visa a reduzir essa injustiça. Os reacionários de todos os quadrantes bradam que isso quebrará o 'alto' padrão do ensino. A realidade – como sempre ela! – os desmente. Os egressos da política de cotas e de programas como o Pró-UNI têm-se revelado, no geral, excelentes alunos.

(*) Roberto Amaral é Cientista político e ex-ministro da Ciência e Tecnologia entre 2003 e 2004.

Fonte: http://www.diarioliberdade.org/brasil/lingua-educacom/28115-no-bras...


Publicado por LUTA PELA EDUCAÇÃO em 20 junho 2012 às 10:58 em EDUCAÇÃO . (Imagem: Luiz Morier /Divulgação)



Ao contrário do memorial da anistia mineiro o nacional está em construção no local do antigo Teatro Universitário  na Rua Carangola

                                 Forças ocultas devem estar boicotando
                     a construção do Memorial da Anistia
                     no prédio do antigo DOPS , conforme a lei

               José Carlos Alexandre


Policiais do DOPS estariam envolvidos nas violências sofridas pela presidente Dilma Rousseff quando foi presa em 1972, pela ditadura empresarial-militar. Há anos os defensores dos direitos humanos em Minas Gerais lutam para que o prédio que abrigou o DOPS, situado na avenida Afonso Pena, acima da Praça Tiradentes, possa se transformar no Memorial da Ditadura.

 Um memorial com as cores de Minas Gerais, específico, para abrigar gravuras, fotos, depoimentos, aparelhos que serviram à repressão contra brasileiros presos e torturados no Estado no período da ditadura. 

A demora na viabilização do Memorial mineiro só pode ser atribuído a ações de forças ocultas que  querem boicotar a luta pelos direitos humanos em Minas Gerais.

Outro memorial está em construção, na Rua Carangola, por iniciativa do Ministério da Jjstiça e da Universidade Federal de Minas Gerais. É no lugar  do antigo Teatro Universitário da FAFICH.Tem uma diretoria integrada por atuantes defensores dos Direitos Humanos, a Associação dos Amigos do Memorial da Anistia.

Isto porém não impede, pelo contrário, que se cumpra lei estadual que criou o Memorial e que destina a sede do antigo DOPS como seu componente.

Quando vice-governador, o sr. Antônio Juno Anastasia,indagado sobre o Memorial da Ditadura no antigo DOPS, deu a entender, na ocasião, que o mesmo poderia sair até 10 de dezembro, data em que o mundo comemora o aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, o que, obviamente não aconteceu.
 Memorial dos Direitos Humanos é criado pela lei 13338 2000 de 10 de janeiro de 2000, época em que governava Minas Gerais um cidadão honrado: Itamar Augusto Cautieiro Franco;

Diz seu Art. 1º- Fica criado o Memorial de Direitos Humanos de Minas Gerais, que se destina à guarda e exposição de material que se refira ou se vincule ao esforço de defesa e preservação dos direitos da pessoa humana.

Art.2º- Integram o Memorial de que trata esta lei documentos, fotos, gravuras, relatos gravados e demais matérias relacionadas à defesa w preservação dos direitos humanos.

Art. 3º - Compete à Secretaria de Estado de Justiça e de Direitos Humanos (hoje Secretaria de Defesa Social e Secretaria de Desenvolvimento Social):

I - promover e divulgar o Memorial de Direitos Humanos;

II- exercer a guarda permanente  do acervo do Memorial;

III- manter cadastro centralizado e atualizado do acervo; 

IV- garantir o acesso do público ao acervo, para consulta.

Art. 6º- Fica declarado patrimônio histórico estadual o acervo do Memorial, que se instalará em Belo Horizonte, no prédio ocupado pelo extinto DOPS."

A legislação prevê que a criação de uma comissão para viabilizar o Memorial, formada por um representante da Secretaria de Estado do Governo, um da Secretaria de Justiça e Direitos  Humanos , um da Secretaria de Cultura, um representante do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos e um representante da Comissão de Direitos Humanos da assembleia Legislativa.

O antigo Palácio da Liberdade não deu um passo para concretizar o Memorial. E pelo jeito, o Palácio Tiradentes também não dará. A não ser que haja campanha neste sentido.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Veja o que publicou Pátria Latina, com base na reportagem de Sandra Kiefer no "Estado de Minas" e no "Correio Braziliense". Estamos transcrevendo o texto,embora já tenhamos publicado o assunto.


          
                                                                 

Brasil

Documentos revelam detalhes da
tortura sofrida por Dilma em Minas


A presidente Dilma Vana Rousseff foi torturada nos porões da ditadura em Juiz de Fora, Zona da Mata mineira, e não apenas em São Paulo e no Rio de Janeiro, como se pensava até agora. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária.

Sandra Kiefer, no jornal Estado de Minas
 
É o que revelam documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas , que até então mofavam na última sala do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). As instalações do conselho ocupam o quinto andar do Edifício Maletta, no Centro de Belo Horizonte. Um tanto decadente, sujeito a incêndios e infiltrações, o velho Maletta foi reduto da militância estudantil nas décadas de 1960 e 70.
 
Perdido entre caixas-arquivo de papelão, empilhadas até o teto, repousa o depoimento pessoal de Dilma, o único que mereceu uma cópia xerox entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. Pela primeira vez na história, vem à tona o testemunho de Dilma relatando todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e também Ana (menos conhecido, que ressurge neste processo mineiro). Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), dando origem à VAR-Palmares.
 
As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas os relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida Oban de São Paulo, e a cargeragem na capital fluminense. Já o episódio da tortura sofrida por Dilma em Minas, onde, segundo ela própria, exerceu 90% de sua militância durante a ditadura, tinha ficado no esquecimento. Até agora.
 
Com a palavra, a presidente: “Algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite.

Geralmente, o básico era o choque”. Ela continua: “(...) se o interrogatório é de longa duração, com interrogador experiente, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava palmatória; usaram em mim muita palmatória. Em São Paulo, usaram pouco este ‘método’”.
 
Bilhetes
 
Dilma foi transferida em janeiro de 1972 para Juiz de Fora, ficando presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, a 4ª Companhia da PE. Nesse ponto do depoimento, falham as memórias do cárcere de Dilma e ela crava apenas não ter sido levada ao Departamento de Ordem e Política Social (Dops) de BH. Como já era presa antiga, a militante deveria ter ido a Juiz de Fora somente para ser ouvida pela auditoria da 4ª Circunscrição Judiciária Militar (CJM). Dilma pensou que, como havia ocorrido das outras vezes, estava vindo de São Paulo a Minas para a nova fase do julgamento no processo mineiro. Chegando a Juiz de Fora, porém, ela afirma ter sido novamente torturada e submetida a péssimas condições carcerárias, possivelmente por dois meses.
 
Nesse período, foi mantida na clandestinidade e jogada em uma cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha e em outra na companhia de uma única presa, Terezinha, de identidade desconhecida.Dilma voltou a apanhar dos agentes da repressão em Minas porque havia a suspeita de que Estela teria organizado, no fim de 1969, um plano para dar fuga a Ângelo Pezzuti, ex-companheiro da organização Colina, que havia sido preso na ex-Colônia Magalhães Pinto, hoje Penitenciária de Neves. Os militares haviam conseguido interceptar bilhetinhos trocados entre Estela (Stela nos bilhetes, codinome de Dilma) e Cabral (Ângelo), contendo inclusive o croqui do mapa do presídio, desenhado à mão (veja reproduções ao lado).
 
Seja por discrição ou por precaução, Dilma sempre evitou falar sobre a tortura. Não consta o depoimento dela nos arquivos do grupo Tortura Nunca Mais, nem no livro Mulheres que foram à luta armada, de Luiz Maklouf, de 1998. Só mais tarde, em 2003, ele conseguiria que Dilma contasse detalhes sobre a tortura que sofrera nas prisões do Rio e de São Paulo. Em 2005, trechos da entrevista foram publicados. Naquela época, a então ministra acabava de ser indicada para ocupar a Casa Civil.
 
O relato pessoal de Dilma, que agora se torna público, é anterior a isso. Data de 25 de outubro de 2001, quando ela ainda era secretária das Minas e Energia no Rio Grande do Sul, filiada ao PDT e nem sonhava em ocupar a cadeira da Presidência da República. Diante do jovem filósofo Robson Sávio, que atuava na coordenação da Comissão Estadual de Indenização às Vítimas de Tortura (Ceivt) do Conedh-MG, sem remuneração, Dilma revelou pormenores das sessões de humilhação sofridas em Minas. “O estresse é feroz, inimaginável. Descobri, pela primeira vez, que estava sozinha. Encarei a morte e a solidão.
 
Lembro-me do medo quando minha pele tremeu. Tem um lado que marca a gente pelo resto da vida”, disse.
 
Humilde Apesar de ser ainda apenas a secretária das Minas e Energia, a postura de Dilma impressionou Robson: “A secretária tinha fama de durona. Ela já chegou ao corredor com um jeito impositivo, firme, muito decidida. À medida que foi contando os fatos no seu depoimento, ela foi se emocionando. Nós interrompemos o depoimento e ela deixou a sala com uma postura diferente em relação ao momento em que entrou.

Saiu cabisbaixa”, conta ele, que teve três dias de prazo para colher sete depoimentos na capital gaúcha. Na avaliação de Robson, Dilma teve uma postura humilde para a época ao concordar em prestar depoimento perante a comissão. “Com ou sem o depoimento dela, a comissão iria aprovar a indenização de qualquer jeito, porque já tinha provas suficientes. Mas a gente insistia em colher os testemunhos, pois tinha a noção de estar fazendo algo histórico”, afirma o filósofo.
 
"Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu"
 
Dilma chorou. Essa é uma das lembranças mais vivas na memória do filósofo Robson Sávio, que, ao lado de outra voluntária do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG), foi ao Rio Grande do Sul coletar o testemunho da então secretária das Minas e Energia daquele estado sobre a tortura que sofrera nos anos de chumbo. Com fama de durona, a então moradora do Bairro da Tristeza, em Porto Alegre, tirou a máscara e voltou a ter 22 anos. Revelou, em primeira mão, que as torturas físicas em Juiz de Fora foram acrescidas de ameaças de dano físico deformador: “Geralmente me ameaçavam de ferimentos na face”.
 
Não eram somente ameaças. Segundo fez constar no depoimento pessoal, Dilma revelou, pela primeira vez, ter levado socos no maxilar, que podem explicar o motivo de a presidente ter os dentes levemente projetados para fora. “Minha arcada girou para o lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu”, disse. Para passar a dor de dente, ela tomava Novalgina em gotas, de vez em quando, na prisão. “Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz (o implacável capitão Alberto Albernaz, do DOI-Codi de São Paulo) completou o serviço com um soco, arrancando o dente”, completou.
 
Mais tarde, durante a campanha presidencial, em 2010, Dilma faria pelo menos três correções de ordem estética, que incluíram uma plástica facial, a troca dos óculos por lentes de contato e a chance de, finalmente, realinhar a arcada dentária. Na mesma época, Dilma combateu e venceu um câncer no sistema linfático. Guerreira, a presidente suavizou as marcas deixadas pelo passado na pele. Não tocou, porém, nas marcas impressas na alma. “As marcas da tortura sou eu. Fazem parte de mim”, definiu Dilma em 2001, no depoimento emocionado à comissão mineira, 11 anos antes de ser criada a Comissão Nacional da Verdade, no mês passado. Leia a seguir trechos do depoimento de Dilma.
 
Fuga pela Rua Goiás
 
“Eu comecei a ser procurada em Minas nos dias seguintes à prisão de Ângelo Pezzuti. Eu morava no Edifício Solar, com meu marido, Cláudio Galeno de Magalhães Linhares, e numa noite, no fim de dezembro de 1968, o apartamento foi cercado e conseguimos fugir, na madrugada. O porteiro disse aos policiais do Dops de Minas que não estávamos em casa. Fugimos pela garagem que dá para a rua do fundo, a Rua Goiás.”
 
Ligações com Ângelo
 
“Fui interrogada dentro da Operação Bandeirantes (Oban) por policiais mineiros que interrogavam sobre processo na auditoria de Juiz de Fora e estavam muito interessados em saber meus contatos com Ângelo Pezzuti, que, segundo eles, já preso, mantinha comigo um conjunto de contatos para que eu viabilizasse sua fuga. Eu não tinha a menor ideia do que se tratava, pois tinha saído de BH no início de 69 e isso era no início de 70. Desconhecia as tentativas de fuga de Pezzuti, mas eles supuseram que se tratava de uma mentira. Talvez uma das coisas mais difíceis de você ser no interrogatório é inocente. Você não sabe nem do que se trata.”
 
Dente podre
 
“Uma das coisas que me aconteceu naquela época é que meu dente começou a cair e só foi derrubado posteriormente pela Oban. Minha arcada girou para o lado, me causando problemas até hoje, problemas no osso do suporte do dente. Me deram um soco e o dente se deslocou e apodreceu. Tomava de vez em quando Novalgina em gotas para passar a dor. Só mais tarde, quando voltei para São Paulo, o Albernaz completou o serviço com um soco, arrancando o dente.”
 
Pau de arara
 
“...algumas características da tortura. No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite.
O interrogatório começava. Geralmente, o básico era choque. Começava assim: ‘Em 1968 o que você estava fazendo?’ e acabava no Ângelo Pezzuti e sua fuga, ganhando

intensidade, com sessões de pau de arara, o que a gente não aguenta muito tempo.”
 
Palmatória
 
“Se o interrogatório é de longa duração, com interrogador ‘experiente’, ele te bota no pau de arara alguns momentos e depois leva para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes também usava palmatória; usava em mim muita palmatória. Em São Paulo usaram pouco esse ‘método’. No fim, quando estava para ir embora, começou uma rotina. No início, não tinha hora. Era de dia e de noite. Emagreci muito, pois não me alimentava direito.”
 
Local da tortura
 
“Acredito hoje ter sido por isso que fui levada no dia 18 de maio de 1970 para Minas Gerais, especificamente para Juiz de Fora, sob a alegação de que ia prestar esclarecimentos no processo que ocorria na 4ª CJM. Mas, depois do depoimento, eu fui levada (ou melhor, teria de ser levada para São Paulo), mas fui colocada num local (encapuzada) que sobre ele tinha várias suposições: ou era uma instalação do Exército ou Delegacia de Polícia. Mas acho que não era do Exército, pois depois estive no QG do Exército e não era lá.”
 
“Nesse lugar fiquei sendo interrogada sistematicamente. Não era sobretudo sobre minha militância em Minas. Supuseram que, tendo apreendido documentos do Ângelo (Pezzutti) que integram o processo, achavam que nossa organização tinha contatos com as polícias Militar ou Civil mineiras que possibilitassem fugas de presos. Acredito ter sido por isso que a tortura foi muito intensa, pois não era presa recente; não tinha ‘pontos’ e ‘aparelhos’ para entregar.”
 
Tortura psicológica
 
“Tinha muito esquema de tortura psicológica, ameaças. Eles interrogavam assim: ‘Me dá o contato da organização com a polícia?’ Eles queriam o concreto. ‘Você fica aqui pensando, daqui a pouco eu volto e vamos começar uma sessão de tortura.’ A pior coisa é esperar por tortura.”
 
Ameaças
 
“Depois (vinham) as ameaças: ‘Eu vou esquecer a mão em você.
Você vai ficar deformada e ninguém vai te querer. Ninguém vai saber que você está aqui. Você vai virar um ‘presunto’ e ninguém vai saber’. Em São Paulo me ameaçaram de fuzilamento e fizeram a encenação. Em Minas não lembro, pois os lugares se confundem um pouco.”
 
“Acho que nenhum de nós consegue explicar a sequela: a gente sempre vai ser diferente. No caso específico da época, acho que ajudou o fato de sermos mais novos; agora, ser mais novo tem uma desvantagem: o impacto é muito grande. Mesmo que a gente consiga suportar a vida melhor quando se é jovem, fisicamente, a médio prazo, o efeito na gente é maior por sermos mais jovens. Quando se tem 20 anos o efeito é mais profundo, no entanto, é mais fácil aguentar no imediato.”
 
Sozinha na cela
 
“Dentro da Barão de Mesquita (RJ), ninguém via ninguém. Havia um buraquinho na porta, por onde se acendia cigarro. Na Oban (Operação Bandeirantes), as mulheres ficavam junto às celas de tortura. Em Minas sempre ficava sozinha, exceto quando fui a julgamento, quando fiquei com a Terezinha. Na ida e na vinda todas as mulheres presas no Tiradentes sabiam que eu estava presa: por exemplo, Maria Celeste Martins e Idoina de Souza Rangel, de São Paulo.”
 
Visita da mãe
 
“Em Minas, estava sozinha. Não via gente. (A solidão) era parte integrante da tortura. Mas a minha mãe me visitava às vezes, porém, não nos piores momentos. Minha mãe sabia que estava presa, mas eles não a deixavam me ver. Mas a doutora Rosa Maria Cardoso da Cunha, advogada, me viu em São Paulo, logo após a minha chegada de Minas. Hoje ela mora no Rio e posso contatá-la ”
 
Cena da bomba
 
“Em Minas, fiquei só com a Terezinha. Uma bomba foi jogada na nossa cela. Voltei em janeiro de 72 para Juiz de Fora (nunca me levaram para BH). Quando voltei para o julgamento, me colocaram numa cela, na 4ª Cia. de Polícia do Exército, 4ª Região Militar, lá apareceu outra vez o Dops que me interrogava. Mas foi um interrogatório bem mais leve. Fiquei esperando o julgamento lá dentro.”
 
Frio de cão
 
“Um dia, a gente estava nessa cela, sem vidro. Um frio de cão. Eis que entra uma bomba de gás lacrimogênio, pois estavam treinando lá fora.

Eu e Terezinha ficamos queimadas nas mucosas e fomos para o hospital. Tive o  ‘prazer’ de conhecer o comandante general Sílvio Frota, que posteriormente me colocaria na lista dos infiltrados no poder público, me levando a perder o emprego.”
 
Motivos
 
“Quando eu tinha hemorragia, na primeira vez foi na Oban (…) foi uma hemorragia de útero. Me deram uma injeção e disseram para não bater naquele dia. Em Minas, quando comecei a ter hemorragia, chamaram alguém que me deu comprimido e depois injeção. Mas me davam choque elétrico e depois paravam. Acho que tem registros disso no final da minha prisão, pois fiz um tratamento no Hospital das Clínicas.”
 
Morte e solidão
 
Texto: / Postado em 18/06/2012 ás 15:53