segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018

Memorial de Direitos Humanos


                                                                       
          
José Carlos Alexandre

Estou apreensivo. O governo do Estado anunciou que, no dia 31 de março, inauguraria na sede do

ex-DOPS, o Memorial de Direitos Humanos.

No entanto, o secretário de Direitos Humanos, Nilmário Miranda, que havia confirmado a esta 

coluna  a notícia, afastou-se do governo para candidatar-se nas próximas eleições.

Quem acessa o site do governo de Minas vê que Nilmário ainda consta como secretário. 

Mas ninguém mais fala na instalação do Memorial nem dia 31 de março, nem em nenhuma outra

data.

Ao contrário do governo federal que anunciou a demissão da ministra dos Direitos Humanos, 

Luislinda Valois, que ficou desgastada por conta de defender salário acima de 60 mil reais.

Em seu lugar  assumiu, interinamente, o atual subchefe de Assuntos Jurídicos da Casa Civil, Gustavo 

do Vale Rocha, acumulará as duas funções, segundo a Globo News.

Isto é, saída e logo logo com outro nome no Ministério.

O que se espera é que o governador Fernando Pimentel (cujas palmas recebidas na cerimônia de 

entrega oficial  do relatório  da  Comissão da Verdade em Minas) se resumiram ao anúncio em que 

secundou a notícia dada no discurso do Nilmário Miranda sobre a instalação do Memorial, cumpra as

suas promessas.

A criação do Memorial de Direitos Humanos data do ano 2000, através da lei 13448, do ex-

governador Itamar Franco.


O artigo 1º diz: "Fica criado o Memorial de Direitos Humanos de Minas Gerais, que se destina à guarda e exposição de material  que se refira ao esforço de defesa e preservação dos direitos da pessoa humana.'

Desde 2010 venho cobrando dos governantes do Estado a concretização do Memorial.

Cheguei a fazê-lo até em ato público que o Betinho Duarte promoveu em  frente ao prédio do  DOPS,

ao lado de um mosaico de vítimas da ditadura cívico-militar de 1964.

Betinho e Heloísa Greco, a Bizoca, também são históricos defensores do Memorial.

Havia uma esperança de que instituição do Memorial acontecesse no governo do atual senador

Antônio Anastasia, que ter sido cobrado ao tempo em que era vice-governador, por um militante dos

direitos humanos, durante homenagem que lhe prestou na ocasião a Associação dos Professores

Públicos de Minas Gerais.

Nada aconteceu até hoje e, pelo visto, também não ocorrerá na nova data prevista.

Lamentável. Profundamente lamentável.

Principalmente porque o Memorial Nacional, fruto de trabalho do Ministério da Justiça com a 

UFMG, na rua Carangola, está enroladíssimo, com suspeita de grossa corrupção...

E como o atual governo federal é conservador ao extremo, está condenado a não sair dos projetos.

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Anita Prestes foi convidada a inaugurar em Berlim a "Pedra do Tropeço", onde morou sua mãe

                                                                              
Nascida em Munique, em 12 de fevereiro de 1908, Olga Benario foi deportada do Brasil pela ditadura Vargas, após a fracassada Intentona Comunista de 1935. De origem judaica, ela foi vítima do Holocausto em 1942.

Olga Benario nasceu em Munique, em 12 de fevereiro de 1908. No início dos anos de 1920, os arquivos policiais da República de Weimar já a classificavam como "agitadora comunista". Juntamente com seu parceiro, o comunista Otto Braun, ela se mudou aos 17 anos para Berlim-Neukölln, onde se tornou membro ativo da Juventude Comunista.

Olga Benario e Otto Braun ocuparam um apartamento na Innstrasse 24 em Neukölln, tradicional bairro proletário berlinense. Foi nesse endereço que foram presos. Logo libertada, Olga organizou a ação espetacular que resgatou seu companheiro Otto Braun da prisão de Moabit.

Em abril de 1928, Olga e camaradas de Otto Braun disfarçados de estudantes de Direito invadiram a sala de audiências para onde Braun era levado. Subjugaram os policiais e libertaram o preso. Após a operação, Olga e Braun fugiram para Moscou, onde Olga trabalhava para o movimento trabalhista internacional.

Intentona Comunista

Com Luiz Carlos Prestes, Olga Benario partiu de Moscou para o Rio de Janeiro, em 1935. Durante a viagem, os dois se apaixonaram e tornaram-se um casal, vindo a organizar a Intentona Comunista de 1935.

Após a fracassada tentativa, Olga e Prestes foram presos e, apesar de protestos internacionais, ela foi entregue, em 1936, grávida de sua filha, à Gestapo pela ditadura varguista.

Em setembro do mesmo ano, Olga foi enviada à Alemanha. Em 27 de novembro de 1936, nascia Anita Prestes na maternidade da prisão feminina berlinense da Barnimstrasse. No começo de 1938, Olga foi separada de sua filha e enviada para o campo de concentração feminino de Lichtenburg.

OIga Benario Prestes teve ainda que passar três anos no campo de concentração de Ravensbrück, antes de ser enviada para a câmara de gás em Bernburg, em 1942. O endereço da Innstrasse 24, em Neukölln, foi sua última morada como cidadã livre na Alemanha.

Em comemoração aos 100 anos da revolucionária e aos seus 24 anos de existência, a Galeria Olga Benario, em Berlim-Neukölln, convidou Anita Prestes, filha de Olga Benario e Luiz Carlos Prestes, para inaugurar a "pedra de tropeço" na calçada do último endereço berlinense de sua mãe, Olga Benario Prestes.

(Com a Deutsche Welle)

sábado, 10 de fevereiro de 2018

Comuna que Pariu: revolução e carnaval


                                         
Comuna que Pariu: revolução e carnaval

Supremo é ter o povo no poder!

Dá cá o nosso, se não der a gente toma!

Em 2018 o Comuna que Pariu canta a classe trabalhadora em seu cotidiano de lutas, dramas, amores e sonhos. Afinal, “além da dor também nos une o amor… Chegou Comuna, bando de trabalhador”!

Comuna que Pariu: revolução e carnavalFevereiro. A classe trabalhadora toma as ruas e tira a fantasia que veste o ano inteiro, pra brincar o carnaval. Estão todos lá, seja na rabeira dos blocos e escolas de samba, vestidos de garis, varrendo a moral deixada no asfalto pelos foliões; ou no meio da avenida e da multidão, vivendo um momento de ilusão, quando os paletós, gravatas, macacões, uniformes, calças e sapatos apertados dão lugar a plumas, paetês e ao que mais a criatividade permitir. É com os trabalhadores e trabalhadoras – é com os nossos – que o Bloco Comuna que Pariu mostrará a sua cara em 2018.

Contaremos e cantaremos a história e o cotidiano de quem agora sofre com a intensificação da precarização da vida. Precarização que ganha contornos dramáticos com a retirada de conquistas históricas de nossa classe, que teve rasgadas sua dignidade e a carteira de trabalho, que tende a morrer na labuta sem ter tempo pra curtir seus cabelos brancos, que tende a trabalhar mais ganhando menos, que está, enfim, entrando no século XXI, marcado pela retirada dos direitos conquistados a ferro e fogo no século passado.

Com os direitos, vão junto as nossas noites de sono. E dá-lhe trem lotado, banho de água gelada, gasolina cara, aluguel atrasado, susto com o preço na gôndola do supermercado. Na informalidade do trabalho, está a nova realidade, que é também a daqueles que não vão se aposentar. E sobra criatividade pra se virar em tempos difíceis. Do camelô vendendo bugigangas no meio da rua, driblando a indiferença e correndo do rapa, aos volantes de um Uber, vamos dando um jeitinho pra botar o feijão com arroz no prato.

A culpa disso tudo? Não só Lula, nem Dilma, nem Temer. Indivíduos são fantoches a serviço das mãos nada invisíveis, localizadas nos arranha-céus da Avenida Paulista. Entram em crise, brigam entre si, jogam uns aos outros às jaulas. Perdem os anéis, mas mantêm os dedos. É no nosso sufoco que está o lucro do patrão. E sobra chicote nas costas dos trabalhadores, intensificando a exploração. Querem nos fazer pagar a conta da crise, mas se a crise é deles, vamos pendurar essa conta e sair de fininho.

Não vão roubar nossa esperança. Em cada rosto sorrindo nas ruas e avenidas, salpicados por confetes e purpurinas, está a nossa possibilidade de transformação. Se, de um lado, nossa classe é atacada, por outro, só ela pode mudar os rumos dessa história. Vamos fazer deste carnaval um fevereiro vermelho, porque, se depender de nós, nossos sonhos não vão morrer na quarta-feira de cinzas.

Samba do Comuna que Pariu 2018

Cadê o futuro que tava aqui? O patrão comeu
Ou a classe vem pra rua ou então … fudeu!
Eu vim daqui, eu vim dali, eu vim de lá
“Fora Temer” e Crivella, tô na rua pra lutar
Além da dor, também nos une o amor
Chegou Comuna, bando de trabalhador
Lá vai em cada isopor
O sonho, o suor, feijão e arroz do camelô
Que tá cansado de vender
Pra quem não cansa de comprar
E camelô representa todo mundo que não vai se aposentar
A gente é o rato que roeu a roupa do rei de Roma
Supremo é ter o povo no poder
Dá cá o nosso, se não der a gente toma
A Maluca me embalou (Me embalou)
A Comuna que pariu (Que Pariu!)
Revolução e carnaval
É coisa nossa, nossa classe construiu
E agora, Maria? E agora, José?
Roubaram teu sono, venderam tua fé
Futuro, promessa, passaram a mão
Na bunda da população
Vambora Maria, vambora José
Viver pra mudar nossa história
Vermelha vitória, desbanca burguês
Ó nós aqui outra vez

Compositor@s: Alisson Martins, Belle Lopes, Bil-Rait “Buchecha”, Guilherme Sá, Letícia, LG, Nina Rosa, Tiago Sales e Thiago Kobe.

O Comuna desfila às 15h de 12 de fevereiro, segunda-feira de carnaval, na Rua Alcindo Guanabara, Cinelândia, Centro do Rio de Janeiro.


quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Morre o camarada Frank Svensson

                                                                  

Fábio Martins Bezerra (*)

É com muita tristeza que comunico aos amigos(as) e companheiros(as) a perda de um grande camarada, dirigente do PCB e figura humana de uma grandeza rara. Falo do camarada e amigo Frank Svensson, filho de imigrantes suecos, belo-horizontino de berço, comunista por convicção.

Conheci o Frannk em 1994, durante a camapanha de filiação e logo nutri por ele um grande carinho, respeito e admiração. Começou a sua militância ainda na adolescência, quando conheceu em Belo Horizonte  militantes como Orlando Bonfim Jr. 

Após concluir o curso de arquitetura, foi para o Nordeste e trabalhou na SUDENE com a equipe de Celson Furtado, antes de se tornar professor na UnB. Sempre que nos encontrávamos se dirigia a mim como conterrâneo e perguntava pelo refrigerante Mate Couro, que adorava e eu de vez em quando levava para ele.

Frank foi dirigente destacado em Brasília e na Direção Nacional, sempre questionador tinha o hábito de fazer apontamentos instigantes, que nos fazia sair do lugar comum das meras evidências e da obviedade. 

Tranquilo, irônico,perspicaz, Frank conseguia ,charmosamente, cativar nossa atenção ao mesmo tempo que ridicularizava com seu sarcasmo sutil a ordem do Capital.

Foi professor, pai, companheiro, militante dedicado, candidato a senador, editor e dirigente nacional do PCB; mas acima de tudo foi um ser humano rebelde e inquietante contra a ordem do Capital, foi amigo e conselheiro e para muitos, assim como eu, um mestre em que deposito grande parte de minha formação política. 

Camarada Frank Svensson Presente ! 

Agora e Sermpre!

(*) Fábio Martins Bezerra é professor e membro do Comitê Central do PCB