domingo, 10 de dezembro de 2017

Brasil: jornalistas relatam rotina de assédio sexual

                                                                       
Se você é uma mulher trabalhando em uma redação, talvez os relatos acima pareçam familiares. Eles foram colhidos em grupos focais para o relatório “Mulheres no Jornalismo Brasileiro”, feita em parceria entre a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e o site de jornalismo Gênero e Número. 

Os resultados apontam que 70,4% das mulheres que responderam ao questionário online da pesquisa já receberam cantadas que as deixaram desconfortáveis no exercício da profissão. Outras 70,2% afirmaram já ter presenciado ou tomado conhecimento de assédio a colegas no ambiente de trabalho.

O levantamento, o primeiro do tipo no Brasil, ouviu 42 mulheres em mesas de discussão em Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e São Paulo, além de 477 jornalistas de 277 veículos, que responderam a um formulário pela internet. O cenário encontrado pelos pesquisadores mostra um ambiente de redações em que as práticas sexistas são naturalizadas, segundo a coordenadora do relatório e cofundadora da Gênero e Número, Natália Mazotte. Para ela, o constrangimento sofrido pelas mulheres impacta severamente seu trabalho.

“Vimos casos em que a mulheres citaram explicitamente não ter ido a um encontro social com uma fonte por se sentirem constrangidas. Tem todo um universo de práticas dentro e fora das redações que dificulta o trabalho das mulheres jornalistas, que hoje em dia são maioria. Se não cuidarmos disso, vamos estar interferindo na qualidade do jornalismo como um todo”, disse ela ao Centro Knight.

Hoje, as mulheres são mais de 60% dos profissionais de jornalismo no Brasil, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina. O presidente da Abraji, Thiago Herdy, afirma que a iniciativa de fazer o relatório veio do entendimento de que o assédio de uma fonte a uma repórter que está em busca de informação é uma ameaça à liberdade de expressão e de imprensa.

“Tem a mesma gravidade do caso de um repórter que leva uma pedrada de manifestante ou tiro de borracha da polícia em uma manifestação. Entendemos que o primeiro passo para lidar com o problema seria produzir um diagnóstico preciso deste quadro”, disse ele ao Centro Knight.

As situações relatadas pelas mulheres ouvidas no relatório vão além do assédio: foram reportadas também assimetrias na distribuição de tarefas (57,7% das jornalistas disseram ter sido discriminadas), nas determinações de horários de trabalho (23,7%) e nas obtenções de aumentos (35,4%) e de promoções (39,4%).

“Meu chefe, quando eu ainda era estagiária, me disse que não me efetivaria porque ‘só trabalho com homens’”; “já me tiraram de uma pauta justamente por ser mulher e deram para o homem fazer porque seria algo perigoso para mim”; e “eu sou a repórter que ganha menos na minha editoria. Eu sou o menor salário” foram alguns dos desabafos feitos nos grupos focais da pesquisa.

                                                                 
                                                (Gráfico de Lillian Michel/Knight Center)


Mazotte explica que, mesmo as situações de menor potencial ofensivo, como ouvir piadas machistas (experiência vivida por 92,3% das pesquisadas), interferem no trabalho da mulher e, consequentemente, na cobertura jornalística. Segundo ela, esse cenário acaba minando a confiança das repórteres.

“As mulheres de fato se sentem desqualificadas nesse ambiente nocivo da redação e isso coloca a mulher em um lugar inferior. O homem se sente mais à vontade com as fontes, ele se sente mais ouvido, ele tem um acolhimento dentro do espaço da redação que dá a ele uma confiança maior”, resumiu Mazotte.

No final, o jornalismo também sai prejudicado, especialmente na cobertura de gênero e outras questões identitárias, de acordo com o relatório. As mulheres ouvidas na pesquisa reclamaram da banalização de temas como violência doméstica, estupro, feminicídio, discriminação e machismo. Algumas disseram que editores homens interferiram em matérias, suavizando casos de violência contra a mulher.

Para Mazotte, essa tendência aponta para a necessidade de diversidade de visões de mundo nas coberturas jornalística. E não apenas em questões de gênero, mas também de raça — 94,5% das respondentes disseram haver mais pessoas brancas do que negras em seus veículos.

“Consolidamos nas redações uma cultura em que o estereótipo de gênero predomina e aponta que tipo de trabalho pode ser feito por mulheres e por homens. Isso acaba consolidando um tipo de olhar que é muito pouco diverso”, disse.

Captura de tela da pesquisa Mulheres no Jornalismo Brasileiro

“Se em pautas de gênero a mulher não é ouvida em última instância, você corre o risco de gerar falas preconceituosas, que não vão qualificar o debate em torno daquele tema. Isso é uma das funções da imprensa — qualificar o debate público, informar as pessoas. Se a gente acaba confirmando vieses, não estamos informando, só estamos reafirmando o que já é status quo”.

                                                                   
Mudança à vista

A pesquisa apontou para cenários positivos em relação a representação feminina nos cargos de editoras. Segundo a pesquisa, 44% das entrevistadas tinham editores homens, 37,5% tinham editoras mulheres e 12% eram elas mesmas editoras. Na área de economia, há muito mais mulheres editoras, o que indica a conquista feminina de espaços anteriormente masculinos.

“Para mim, a perspectiva é boa. As mulheres estão mais conscientes das dificuldades e discriminação que elas sofrem. Estamos caminhando para um lugar de melhores condições das mulheres. Só de a gente estar olhando para isso agora, mapeando os problemas, dispostos a conversar sobre isso, já é um grande avanço”, disse Mazotte.

O presidente da Abraji, Herdy, adianta que no primeiro semestre de 2018 a associação vai realizar uma campanha de sensibilização em torno do tema. “Queremos mostrar que o assédio à repórter por fonte diz respeito a todos nós e combatê-lo é lutar pelo direito à informação de qualidade”, disse ele. “Iremos compartilhar os resultados da pesquisa com a direção dos veículos. Estamos certos de que, no atual contexto, são dados que interessam também a eles”.

(Com a ABI)

Comissão da Verdade condena "ataque" contra a UFMG

                                   

A Comissão da Verdade em Minas Gerais (COVEMG) recebeu com surpresa e indignação a notícia da realização da operação da Polícia Federal, ironicamente, intitulada “Esperança Equilibrista”.

Há um evidente ataque de setores conservadores e autoritários contra a Universidade brasileira e tudo o que essas instituições representam para o Brasil.

O ocorrido com o reitor da UFSC, a absurda nota de instituição financeira do exterior a criminalizar o ensino superior público, as inúmeras investidas contra os setores profissionais, artísticos e culturais que lutam contra o arbítrio e pela democracia real são claros sinais do estado de exceção em curso no país.

A construção do Memorial da Anistia em Belo Horizonte é um complexo projeto arquitetônico e de engenharia que envolve a reforma de prédios antigos e a construção de novos equipamentos em terreno com problemas estruturais. Portanto, o devido acompanhamento dessa obra, paralisada a fórceps pelo atual governo federal, não deveria ser objeto de ação policial e sim, de adequações financeiras, técnicas e administrativas.

Os acervos memorialístico e documental que compõem o Memorial, de vital importância para a história, a memória e a justiça em nosso país, demandam uma construção cuidadosa e diversificada.

Ao criminalizar uma das maiores Universidades do país abre-se a porta para a criminalização de todo um segmento que não se alinha aos setores autoritários. Nós da Covemg conhecemos bem essa metodologia.

Manifestamos nossa solidariedade aos dirigentes e ex-dirigentes da UFMG constrangidos nessa operação. Afinal, tendo residência fixa e sendo cidadãos do mais alto conceito, a condução coercitiva se transforma numa brutal violência, a evidenciar o obscurantismo que envolve ações da justiça e da polícia nesse momento histórico.

Estendemos à toda a comunidade da UFMG nossa solidariedade e apoio.

Belo Horizonte, 06 de dezembro de 2017.

COMISSAO DA VERDADE EM MINAS GERAIS

Carlos Melgaço Valadares

Emely Vieira Salazar

Jurandir Persichini Cunha

Maria Celina Pinto Albano

Maria Ceres Pimenta Spínola Castro

Paulo Afonso Moreira

Robson Sávio Reis Souza (coord.)

sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Viva a Grande Revolução de Outubro, contra 100 anos de agressão imperialista!


                                                                                 
Andre Vltchek [*]

O mundo está em ruínas. Está literalmente a arder, coberto por favelas, por campos de refugiados, e na sua grande maioria é controlado pelos "mercados", como era o sonho e o projecto de indivíduos como Milton Friedman, Friedrich von Hayek, Margaret Thatcher e Ronald Reagan. 

Führers como Kissinger e Brzezinski, sacrificaram dezenas de milhões de vidas humanas em todo o planeta, apenas para impedir que nações tentassem seguir a sua própria via socialista, e até mesmo, Deus os livre, de sonhos e aspirações Comunistas. Alguns dos tiranos foram na verdade muito "honestos": Henry Kissinger uma vez observou, publicamente, que não via nenhuma razão para que um determinado país devesse ser "marxista" apenas porque "as pessoas são irresponsáveis". Ele estava a pensar no Chile e, em consequência, vários milhares de pessoas foram assassinadas... 

Arruinar, destruir países inteiros, só para impedi-los de seguirem o seu próprio caminho, tem sido totalmente aceitável nos círculos políticos, por estrategas militares, responsáveis de serviços secretos e economistas com sede em Londres, Nova Iorque, Washington, Paris e outros centros do chamado "mundo livre", para o qual quase todas as vidas de "não-pessoas" habitando a Ásia, o Médio Oriente, a América Latina, África e Oceânia são dispensáveis e controladas sem cerimónias. 

O sistema de opressão ocidental muitas vezes parece ser quase "perfeito". Em grande medida é certamente à prova de bala. 

Mas há sempre um grave obstáculo que bloqueia o caminho do imperialismo ocidental, uma barreira que o impede de totalmente controlar e destruir o planeta. Esse obstáculo, essa barreira, chama-se a Grande Revolução de Outubro e o seu legado. 

Desde 1917, há exactamente cem anos, que existe este "fantasma" que assombra os impérios europeus e norte-americanos: é um fantasma que sussurra inexoravelmente acerca de internacionalismo, de igualitarismo, sobre grandes sonhos humanistas em que todas as pessoas têm exactamente os mesmos direitos e oportunidades e não podem ser exploradas por uma determinada raça ou por um dogma económico. 

Para tornar as coisas ainda piores, esse fantasma vermelho é de alguma forma muito optimista, faz muito mais do que apenas sussurrar: também canta, dança, recita poesia revolucionária e periodicamente pega em armas e luta pelos oprimidos, até por seres humanos totalmente desesperados, independentemente da cor da sua pele. 

Muitas vezes perguntamo-nos se o fantasma é realmente um fantasma ou uma criatura viva. O que torna tudo ainda mais assustador, pelo menos para os tiranos e os imperialistas. 

O Ocidente está totalmente petrificado! Ele tenta parecer simpático no seu controlo total. Implanta um sistema de elaborada propaganda, regurgita os seus dogmas em todos os lugares; introduz-se nas artes, entretenimento, noticiários, currículos escolares, psicologia e até mesmo na publicidade. Ele mente, distorce factos, perverte a história e constrói uma pseudo-realidade. Todos os meios disponíveis são utilizados; a guerra ideológica é completa. 

O que quer que faça o Império do Ocidente, o fantasma vermelho ainda está presente, por toda a parte, e inspira milhões de homens e mulheres cultos e dedicados em todo o mundo. É tremendamente resiliente. Ele nunca se rende, nunca desiste de lutar, mesmo em países onde todas as esperanças e os sonhos parecem estar totalmente destruídos. E onde existem apenas cinzas a esquerda nunca cede, assombrando, assustando quer as elites locais e quer os regimes imperialistas implantados. 

Enquanto para muitas pessoas que vivem nas capitais ocidentais, este fantasma vermelho é sinónimo do pior inimigo, na maioria das nações oprimidas, ocupadas e humilhadas, representa a perpétua luta contra o colonialismo e a opressão, simboliza resistência e resiliência, o orgulho e a crença num mundo totalmente diferente. 

Os imperialistas sabem que a menos que esta criatura, o fantasma e a esperança que ele representa, sejam completamente destruídos, aniquilados e enterrados em algum lugar debaixo da terra não pode haver nenhuma vitória final e, portanto, nenhuma celebração. 

Eles estão a fazer tudo ao seu alcance para desacreditar o fantasma e os ideais que professa. Eles apresentam-no com as piores cores, confundindo as pessoas, conectando-o com o fascismo e o nazismo (enquanto são eles – os imperialistas ocidentais – e o seu próprio sistema, que foram fascistas e "nazis", por décadas e mesmo séculos). 

Eles brutalizam, aterrorizam e matam pessoas inocentes em países que se atrevem a decidir ser Comunistas, socialistas ou simplesmente "independentes". Tais actos hediondos forçam os governos das Nações em dificuldades a ficarem na defensiva e tomar "medidas extraordinárias" para proteger os seus cidadãos, E estas medidas defensivas são, por sua vez, descritas pela propaganda ocidental como opressivas, dogmáticas e "antidemocráticas".

A estratégia e as tácticas do Império são claras e altamente eficazes: agridem, molestam e assediam pessoas inocentes que estão simplesmente a tentar viver a sua vida. Quando estas acharam que era demais e decidem replicar, armar-se, mudar a fechadura de sua casa, descrevem-nas como agressivas, paranóicas e perigosas para a sociedade. Afirmam que o seu comportamento dá o direito de invadir-lhe a casa, bater-lhe, violá-la e depois forçá-la a mudar completamente de convicções e estilo de vida. 

Logo após a Revolução, 100 anos atrás, os Soviéticos deram o direito de separação a todas as partes do anterior Império Russo. Foram introduzidas reformas democráticas radicais e todas as estruturas feudais e opressivas do governo czarista entraram imediatamente em colapso. Mas o país jovem foi atacado quase imediatamente do exterior, por um grupo de nações que incluiu o Reino Unido, EUA, França, Polónia, Checoslováquia, Roménia e Japão. Agressões implacáveis e campanhas estrangeiras de sabotagem radicalizaram o Estado Soviético, como mais tarde Cuba, Coreia do Norte, Nicarágua, Vietname, China, Venezuela e muitos outros países revolucionários. 

É uma maneira hedionda de governar o mundo, repugnante, mas é altamente eficaz; "funciona". E isso tem sido feito durante tanto tempo, que ninguém já fica surpreendido. É assim que o Ocidente controla, manipula e arruína o mundo desde há séculos, desfrutando de absoluta impunidade, mesmo congratulando-se por ser "livre" e "democrático", descaradamente usando clichés como o dos "direitos humanos". 

Mas pelo menos agora, há uma luta. 

O mundo costumava estar totalmente à mercê da Europa e América do Norte. 

Até a Grande Revolução Socialista de Outubro! 

Recentemente, escrevi um livro sobre a Grande Revolução Socialista de Outubro, o seu impacto sobre o mundo e sobre o nascimento do internacionalismo. Eu tinha de escrevê-lo. Cansei de ler e assistir a todo aquele bordel de propaganda anticomunista e anti-soviética, esse evangelho fundamentalista; Cansei de ser bombardeado com lavagem ao cérebro com lixo dia após dia, ano após ano, década após década! 

Depois de trabalhar em mais de 160 países, em todos os cantos do mundo, testemunhei a unidade assassina Ocidental contra a democracia e a vontade livre das pessoas, senti que era minha obrigação pelo menos explicar minha posição sobre o evento que teve lugar há 100 anos na cidade e o país onde eu nasci. 

E no meu livro foi exactamente isso que fiz. 

Não é o que alguns podem chamar de "livro objectivo". Definitivamente não é nenhum ensaio académico cansativo, cheio de notas de rodapé e citações inúteis. Não acredito em "objectividade". Ou mais precisamente, não acho que os seres humanos sejam capazes de ser objectivos, ou que sequer devam preocupar-se com isso. No entanto, acredito fortemente que deveriam clara e honestamente dizer e definir onde se situam, sem enganar os seus leitores.

E isso foi precisamente o que fiz no meu último livro: Esclareci o que a Revolução significa para mim. Lembrei-me do que significa para centenas de milhões de oprimidos e atormentados de seres humanos em todo o mundo. Eu citei alguns deles. 

A Grande Revolução Socialista de Outubro não era perfeita. Nada neste mundo é, nada deve ser "perfeito". A "perfeição" é aterradora, fria, e até mesmo se a imaginarmos terrivelmente aborrecida. 

Em vez disso, a Grande Revolução Socialista De Outubro fez uma tentativa heróica de libertar pessoas de crenças arcaicas, do feudalismo e da submissão cega, da escravidão física, intelectual e emocional. Definiu todos os seres humanos como iguais, independentemente da sua raça e sexo. Não fez isso por meio de hipocrisias "politicamente correctas" que apenas espalham mel pegajoso de má qualidade sobre bosta, deixando o próprio excremento intacto. A Revolução cortou até ao âmago; construiu um novo léxico, uma nova compreensão do mundo e uma realidade totalmente nova. 

A Revolução deu esperança a centenas de milhões de seres humanos que já haviam perdido toda a fé numa vida melhor. Deu orgulho e coragem aos escravos. Devolveu todas as cores e tons ao mundo, que tinha sido brutalmente dividido entre brancos e negros, entre aqueles que tinham e os que não tinham, entre aqueles que eram racial e "culturalmente" destinados a dominar e aqueles que só estavam destinados a servir. 

O Ocidente odiou o fantasma vermelho revolucionário desde o início. Odeia-o até hoje. Porque se a União Soviética Comunista tivessem vencido, isso significaria o fim do colonialismo e imperialismo, como o conhecemos. Não haveria a pilhagem e destruição, não haveria a aniquilação monstruosa do Iraque, Líbia, Afeganistão, nenhuma ruína da Síria; nenhuma ameaça mortal como a que paira sobre a Coreia do Norte, o Irão, a Venezuela, não haveria milhões de homens, mulheres e crianças sacrificados no altar do capitalismo global, como está acontecendo na República Democrática do Congo e em tantos outros pontos do globo. 

Não seria possível uma ditadura global racista, pós-cristã; nem um sistema de "valores" retorcidos e "cultura" hipócrita empurrada pelos olhos adentro em todos os países conquistados por um punhado de Estados historicamente gangsters, localizados principalmente na Europa e América do Norte. 

O Ocidente lutou contra a Grande Revolução Socialista De Outubro desde o primeiro dia. Lutou contra a União Soviética, em todas as frentes, banhando o seu povo em sangue, procedendo a lavagem cerebral e assassinando os seus aliados. Finalmente conseguiu feri-la mortalmente no Afeganistão, quebrando primeiro os ossos da URSS e do Afeganistão logo depois. 

Imediatamente depois disto, começou uma reformulada campanha de doutrinação. Seu objectivo tem sido obliterar totalmente o legado do "Grande Outubro". O Ocidente não tem poupado meios e milhares de milhões de dólares têm sido gastos. 

Logicamente, que tipo de "'objectividade" se pode se esperar da "cultura" de uma parte do mundo que tem brutalmente tiranizado e pilhado o planeta por mais de 500 anos? Como poderiam eles ser tolerantes para com o evento e o país, que teve como propósito de sua existência, a batalha pela libertação do imperialismo e do colonialismo em todo o mundo? 

Agora, a luta contra a barbárie neocolonialista continua sob várias bandeiras vermelhas. Bandeiras Comunistas ainda flutuam sobre a China e Cuba, assim como na Venezuela, Angola e outros países. Há muitas outras cores da resistência, também. A coligação é ampla. 

Mas o que é claro e essencial é que a Revolução de 1917 inspira milhares de milhões, consciente e subconscientemente. 

O que também está claro é que o Ocidente nunca realmente venceu. Tivesse ele ganho e não estaria tremendo de medo, como agora. Não estaria a oprimir o livre pensamento, derrubando governos democraticamente eleitos, assassinando líderes que estão lutando contra o seu monstruoso regime global. 

Para ser franco, o "espírito revolucionário vermelho" na realidade não é um fantasma. Ainda é uma criatura extremamente poderosa. É só se esconde por agora, reagrupando-se, preparando-se para levantar as suas bandeiras e arrastar para o campo de batalha todos os tiranos imperialistas. 

O Ocidente adora falar sobre paz. Adora dar lições ao mundo acerca de "paz". Mas a sua "paz" é, de facto, nada mais que um status quo horrível, em que há apenas alguns países ricos e poderosos que reinam sobre o mundo, e há o resto da humanidade, consistindo em fracas, miseráveis, submissas e servis "não-pessoas". 

Para o inferno com essa "paz". Tal paz não pode durar muito tempo; Não deve durar muito, porque é totalmente grotesca e imoral. Não é muito melhor do que a "paz" numa plantação de escravos! 

É só o legado do Grande Outubro pode terminar com este status quo. E ele o fará. 

O fantasma vermelho está assombrando os tiranos. Eles tentam, mas não conseguem expurgar as esperanças e sonhos das pessoas que habitam o nosso planeta. Quanto mais medos os tiranos têm, mais brutais são as suas acções. E mais determinado é o povo dos países subjugados. 

Cem anos desde que o couraçado Aurora disparou a sua primeira salva sobre o Palácio de Inverno em São Petersburgo. 

Cem anos desde que o mundo abriu os olhos, percebendo que um novo mundo é possível. 

Cem anos e o Outubro Vermelho está ainda nos lábios de pessoas na América Latina, na África, Ásia, em todos os lugares. 

Os imperialistas são brutais, mas simplistas. Podem matar um homem ou uma mulher, podem matar milhares, até milhões. Mas não podem matar os sonhos. Não podem matar a coragem da raça humana, a menos que assassinem toda a raça humana. Podem matar, mas definitivamente não podem transformar as pessoas em escravos. 

Durante a Grande Revolução Socialista de Outubro, as pessoas levantaram-se. Puseram-se de pé. Quebraram as cadeias. 

Eles levantar-se-ão novamente. Eles estão a levantar-se novamente, basta olhar com atenção. 

Nos últimos 100 anos, tanta coisa mudou e nada mudou. As esperanças e sonhos ainda são os mesmos. Precisamente como então, não há paz sem justiça. E dificilmente haverá alguma justiça da forma como o nosso mundo está organizado. 

Viva a Grande Revolução Socialista de Outubro! 

Avante! Tal como Hugo Chávez costumava clamar da sua varanda: "Aqui ninguém se rende!" 

O fantasma vermelho está aqui, é o do Grande Outubro Vermelho. É tremendamente poderoso. É o aliado de todos os seres oprimidos. Um dia guiará o povo à vitória. Não pode haver absolutamente nenhuma dúvida sobre isso. 
07/Novembro/2017

[*] Filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação.   Cobriu guerras e conflitos em dezenas de países.   Três de seus livros mais recentes são o romance revolucionário Aurora e dois best-sellers de não-ficção política: Exposing Lies of The Empire e Fighting Against Western Imperialism .   Vltchek actualmente reside no sudeste da Ásia e no Médio Oriente e continua a trabalhar em todo o mundo.   Pode ser contactado através do seu sítio web e do seu Twitter . 

Original encontra-se em http://www.informationclearinghouse.info/48147.htm 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Maria Rita e o sucesso de sua mãe Elis Regina - "O Bêbado e a Equilibrista"



quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Enfim, o Memorial de Direitos Humanos

                 
José Carlos Alexandre reclama a instalação no DOPS, do Memorial dos Direitos Humanos

 José Carlos Alexandre                                                                                    

O Carlos Alberto Dias Duarte acaba de dar-me uma excelente informação a respeito da criação de

um Centro de Direitos Humanos.

E com o local e o dia de sua inauguração.

Informa-me Betinho Duarte que o secretário de Estado de Direitos Humanos, o deputado Nilmário

Miranda, instalará na sede do antigo DOPS, dia 31 de março de 2018, um Centro de Direitos 

Humanos.

Só posso acreditar que se trata do Memorial de Direitos Humanos, previsto na lei assinada no ano 

2000 pelo ex-governador Itamar Franco, logicamente atualizado e dentro de tecnologias mais 

modernas.

Já me referi à referida legislação várias vezes neste mesmo espaço, como fí-lo em reuniões do 

Conselho Estadual de Defesa dos Direitos Humanos, quando tive a honra de integrá-lo, já que o

conselho seria pela lei, um dos responsáveis pela sua instituição e manutenção.

Acho que somente duas vezes troquei duas ou três palavras com o secretario Nilmário, embora 

acompanhe sua atuação jornalística e política desde os anos 70.

Quando eu dirigia o jornal "União Sindical" e tinha conhecimento dos contatos de Nilmário com

meu sócio no jornal, José do Carmo Rocha, para discutirem a política nacional.

O secretário estava à frente de outro órgão de comunicação que igualmente lutava contra a ditadura,

ao que me parece o jornal "Movimento" ou o "Jornal de Bairros".

Na última campanha eleitoral,  a trocar uma palavrinha com ele no sítio de outro jornalista, o 

Aloísio Lopes.

Acho que, pelo seu histórico de ferrenho defensor dos direitos humanos, nas áreas federal e

estadual, posso garantir que o Centro de Defesa dos Direitos Humanos que pretende instalar no

DOPS, certamente terá o mesmo perfil do previsto pelo ex-presidente Itamar Franco.

Seja no que toca à sua constituição, organização e financiamento , quanto à sua missão de conseguir  

resgatar todo o fichário do antigo DOPS, só em parte entregue ao Arquivo Público Mineiro, conforme

resultado de CPI da Assembleia Legislativa, além dos fichários ainda em poder da Polícia Federal, da

Marinha e do Exército.

Bem como continuar, na prática, realizando pequisas serias sobre os períodos autoritários 

enfrentados pelo país, tal qual as que se encerram, por parte da Comissão da Verdade do Estado de

Minas Gerais.

Que os mineiros jamais voltem a enfrentar calamidades como as perseguições políticas, torturas,

censura aos meios artisticos e de comunicação.

Afinal, "liberdade será sempre o outro nome de Minas".


Ligações perigosas

Ramses Morales Isquierdo/rebelión/Divulgação