segunda-feira, 27 de março de 2017

Assembleia dos trabalhadores do ensino no pátio da AL


Mobilização contra as reformas propostas do governo


O 95º aniversário do PCB

                             

                                              

José Carlos Alexandre

25 de março, data que deveria ser sempre escrita com maiúsculas .em negrito, caixa alta. Com todo destaque.

Nesta data, em 1922, nascia o PCB. O Partido Comunista Brasileiro.

Inconfundível, apesar de siglas mais ou menos assemelhadas...

Conheci um de seus fundadores.

À época ele era menor de idade e não pôde aparecer entre os fundadores, digamos, oficiais, do então

Partido Comunista do Brasil, uma seção da Internacional Comunista.

Hoje não foi falar sobre ele: José Costa, depois empresário de sucesso, dono de jornais.

Mas jamais relegando suas origens, de comerciário em Niterói.

José Costa veio para BH  com a missão de fundar aqui as bases do PCB.

Um sucesso que fez tremer as bases do capitalismo, da mesma forma que o espectro do  comunismo

assustava o mundo no século 19.

Mas poderia lhes falar também de Luiz Carlos Prestes, um nome que orgulhava os trabalhadores de

toda a América Latina e, dos mineiros de Nova Lima em particular.

Ou do Tintureiro Joaquim, ex-camponês...

E dos irmãos Correia. Orlando e Manuel.

De Anelio Marques Guimarães, que os mineiros puseram à frente de clubes esportivos

de Raposos e  de Nova Lima, onde foi vereador dos mais votados.

E de Luiz Pascoal, sindicalista, pai de 10 filhos, fiel segurança de Prestes.

De Edir Penna (Canoa), Armando Ziller, José Francisco Neres (ainda em plena militância), de José 

Alexandre (ex-presidente do Sindicato dos Mineiros de Nova Lima) e de tantos outros que fizeram 

história na Moscou ou na Moscouzinha (Nova Lima  Raposos)...

Quero porém,  abordar um dos mártires da classe operária, da dimensão dos 51 demitidos da Morro Velho, então truste inglês: William Dias Gomes (imagem), assassinado cruelmente.

Os trabalhadores comemoravam a tomada do poder na Rússia por seus companheiros , aliados com

os camponeses e os bravos militares do Exército Vermelho.

Era  7  de novembro de 1948, aniversário da grande Revolução de Outubro, festejando agora seu 100º aniversário.

Era muito para os esbirros da multinacional.

O moço William, orgulho dos mineiros na Câmara Municipal de Nova Lima, caiu fuzilado, passando

à história do movimento operário mundial.

Esta data, 25 de Março, é também dele e de todos os que, de um jeito ou de outro, em todo o mundo,

comemoram  os 100 anos da Revolução Socialista.

Sua foto é uma das que ilustram a sede da Câmara Municipal de Nova Lima e que é digna de todo o

respeito dos trabalhadores e dos villanovenses, em cujo time, William Dias Gomes jogou.


(Publicado originalmente em José Carlos Alexandre Informa e Comenta de 25/03/2017)

Nova América

Vasco Gargalo/Rebelión

Mão e contramão

Latuff/Sulzi

Álvaro Lins



 Miguel Urbano Rodrigues   


Álvaro Lins é uma das mais notáveis figuras da intelectualidade brasileira, uma grande figura de democrata, de antifascista, de combatente pela paz, de revolucionário. Embaixador em Portugal na segunda metade da década de 1950 – num período em que, com a cumplicidade das “democracias” ocidentais, o salazarismo sobrevivia à derrota do nazi-fascismo na II Guerra - foi pelo Portugal resistente e contra o salazarismo que orientou a sua actividade, numa acção solidária que prosseguiu depois de abandonar o cargo, em ruptura com Juscelino Kubitschek.

Encontrei pela primeira vez Álvaro Lins em São Paulo, em 1960.

Tinha-lhe escrito quando ele era embaixador em Lisboa e concedera asilo ao general Humberto Delgado. A decisão, tomada sem consulta a Brasília, desagradou ao Governo de Juscelino Kubitschek e enfureceu Salazar.

A sua resposta à minha carta comoveu-me. A empatia, quando o abracei pela primeira vez, foi imediata. E evoluiu rapidamente para um sentimento de amizade.

Na época, eu divergia da linha da direção do PCP e era criticado pela sua organização no Brasil. Álvaro Lins não abordou o tema numa visita a São Paulo. No aeroporto, onde o acompanhei à despedida, cruzou-se com a comitiva do presidente e deu um encontrão em Juscelino. 

A rutura entre ambos consumara-se pouco antes quando, em artigo no Diário de Noticias do Rio de Janeiro, criticara com dureza o apoio do governo brasileiro ao colonialismo português, ostensivo desde a nomeação para Lisboa do embaixador Negrão de Lima.

Em 1961, quando regressei da aventura do Santa Maria, devolvido a Salazar por Jânio Quadros, fiquei hospedado a convite de Álvaro Lins no seu apartamento das Laranjeiras, enquanto resolvia na cidade problemas ligados à instalação dos combatentes do Diretório Revolucionário Ibérico de Libertação-DRIL, aos quais o governo brasileiro concedera asilo político.

A nossa amizade ganhou profundidade quando, no final de 1961, aderi ao PCP que adotara a estratégia do levantamento nacional, posteriormente condensada no Rumo à Vitória de Álvaro Cunhal. Lins felicitou- me com entusiasmo.

O ASSASSINIO DE HUMBERTO DELGADO

Em 1965, inesperadamente, recebi em São Paulo um telefonema de Álvaro Lins pedindo que me deslocasse ao Rio com urgência. No dia seguinte, - acompanhava-me Bidarra da Fonseca, camarada do Portugal Democrático - o embaixador sugeriu que tomássemos a iniciativa de comunicar ao mundo que Humberto Delgado fora presumivelmente assassinado.

Explicou- nos que na correspondência que mantivera com o general desde a sua saída do Brasil, Delgado lhe dissera que, se o contato cessasse de repente a partir de uma data que indicava, ele estaria certamente morto. Álvaro Lins cumpria o que lhe fora pedido.

Convocamos uma conferência de imprensa na sede do Centro Republicano Português de São Paulo. E divulgamos a notícia, antecipando-nos às informações confusas da polícia de Franco.

Recordo o episódio para relembrar, desmentindo versões falsas amplamente difundidas, que foi através dos comunistas portugueses do Brasil que o mundo tomou conhecimento do assassínio do general Humberto Delgado pela PIDE.

COM LUIZ CARLOS PRESTES

A amizade forjada com Álvaro Lins adquirira um caracter fraternal quando uma noite em sua casa me convidou para o acompanhar numa visita surpresa. Fomos visitar Luiz Carlos Prestes que vivia então em rigorosa clandestinidade.

Prestes, tal como Lins, sabia que eu, a pedido do PCB, me tornara (com autorização do PCP) militante também do Partido brasileiro e colaborava na sua imprensa.

Somente em 1976 voltei a encontrar Prestes, desta vez em Lisboa, quando saudei a sua chegada com um editorial no diário. Ele vinha participar num comício de solidariedade com os Povos da América Latina, no Campo Pequeno, com Rodney Arismendi do PC do Uruguai, Samuel Riquelme do PC do Chile, Antonio Maidana, do PC Paraguaio, e Álvaro Cunhal. No seu discurso fez uma referência amiga à minha participação nas lutas contra a ditadura brasileira.

O ESCRITOR

Álvaro Lins foi um escritor notável, hoje quase esquecido. Destacou-se sobretudo como ensaísta e crítico literário.

Na época ele exerceu, juntamente com Otto Maria Carpeaux, a crítica literária com um desassombro incomum na intelligentsia brasileira. Insensíveis a pressões, não hesitavam em atacar com dureza a obra de monstros sagrados da literatura. Ambos assumiram essa responsabilidade - apenas um exemplo - em artigos demolidores de romances de Jorge Amado, então no auge da popularidade. 

Não lhe negavam talento, admiravam a sua imaginação prodigiosa e a capacidade de criar personagens que «revelavam» aos leitores o povo da Bahia, do coronel ao jagunço. Mas para Álvaro Lins era imperdoável a leviandade de Jorge Amado no «tratamento da língua portuguesa».

Na apreciação dos meus modestos escritos, Álvaro Lins era de uma generosidade imerecida, inseparável da amizade. Em 1967, quando publiquei o meu segundo livro, Opções da Revolução na América Latina*, ouvi dele palavras de estímulo que não esqueci.

Quando ia ao Rio, a embaixatriz Heloísa Lins, que me tratava como se fosse da família, fazia-me sentir em casa no seu apartamento.

Acompanhei de perto a doença rara, devastadora, que o destruiu rapidamente aos 58 anos, quando muito se podia esperar ainda dele como escritor e ensaísta.

Transcorridos 46 anos sobre a sua morte, recordar o amigo, o patriota, o cidadão exemplar, o intelectual revolucionário é para mim um dever.

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*Opções da Revolução na América Latina, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro 1968. O livro foi apreendido em 1969 por decisão do ministro Alfredo Buzaid. Felizmente, da edição de 5000 exemplares restavam somente 150.

(Com O diario.info)

sexta-feira, 24 de março de 2017

Abaixo o golpe da terceirização: pela anulação imediata do PL 4302!

 


"É público e notório que os trabalhadores terceirizados, mais de 10 milhões de pessoas, possuem médias salariais menores apesar das jornadas maiores. Portanto, o que ocorreu no Congresso Nacional faz parte de uma dura ofensiva patronal, a serviço da burguesia e seus representantes no Estado."


Ontem, 22/03/17, o Parlamento brasileiro deu mais uma clara demonstração do seu compromisso com o grande capital e sua indiferença em relação aos direitos históricos e necessidades da maioria da população, a classe trabalhadora. Sob o comando de Rodrigo Maia (DEM), 231 deputados, quase todos denunciados por corrupção, votaram pela aprovação do PL 4302. O projeto estava na gaveta desde o final dos anos 1990, porém uma manobra suja do presidente da Câmara o colocou na pauta da noite para o dia, estabelecendo um atalho regimental para agradar o empresariado.

Trocando em miúdos, Maia “passou o rodo” para permitir a terceirização de atividades-fim (essenciais), ampliar o prazo dos contratos temporários de três para nove meses e outras medidas que, em suma, só contribuem para aprofundar a precarização do trabalho. Receoso quanto à possibilidade de aprovar a contrarreforma da previdência, cada vez mais questionada nas ruas como demonstrou o último 15/03, o bloco dominante busca apressar seus golpes em outro flanco: a contrarreforma trabalhista.

O ilegítimo governo Temer alega que se trata de modernizar as leis trabalhistas e facilitar a geração de empregos. Na verdade, porém, tais alterações na legislação promovem um retrocesso de direitos ao período pré CLT (Consolidação das Leis do Trabalho, de 1943) e intensificam o processo de exploração. 

É público e notório que os trabalhadores terceirizados, mais de 10 milhões de pessoas, possuem médias salariais menores apesar das jornadas maiores. Portanto, o que ocorreu no Congresso Nacional faz parte de uma dura ofensiva patronal, a serviço da burguesia e seus representantes no Estado.

Está mais do que na hora dos trabalhadores darem o troco, exigindo nas ruas a imediata anulação da votação realizada ontem na Câmara dos Deputados, bem como o arquivamento de quaisquer projetos de terceirização, contrarreforma trabalhista, sindical e da previdência.

A burguesia declarou guerra, portanto cabe ao proletariado e ao povo brasileiro em geral lançar mão de todas as armas ao seu alcance para barrar os ataques do capital e impedir que a CLT e a Constituição sejam rasgadas: realizar protestos nas casas dos políticos favoráveis aos retrocessos, parar a produção e esvaziar os locais de trabalho para lotar as ruas! Direitos não se negociam, se defendem! Nossa resposta deve ser a radicalização da luta!

Coordenação Nacional da Unidade Classista.