quarta-feira, 27 de março de 2013

PCB comemora 91 anos com debate sobre Reconstrução Revolucionária


                 

Segunda-feira 25 de março, data de aniversário dos 91 anos do Partido Comunista Brasileiro (PCB), o Comitê Regional da organização no Rio de Janeiro concluiu a semana de palestras sobre a trajetória dos comunistas com debate que contou com a participação dos secretários Geral e de Organização do PCB, respectivamente Ivan Pinheiro e Edilson Gomes, acerca da "Reconstrução Revolucionária" do Partido.

Com a presença de antigos camaradas e militantes recém-ingressos no Partido, além de amigos e simpatizantes, o debate apontou os desafios postos para o PCB - na atualidade e no futuro próximo -, além dos 21 anos de reconstrução desde o racha com os liquidacionistas do PPS.

Segundo Ivan Pinheiro, o processo de Reconstrução Revolucionária do PCB é algo não acabado, ainda em construção. "É nítida a afinidade política entre os militantes do Partido, que em seus dois últimos Congressos (XIII em 2005 e XIV em 2009) conseguiram consolidar uma linha política revolucionária, claramente anti-reformista, não sectária, que aponta a necessidade da revolução socialista sem afirmar que ele está no horizonte próximo. Porém, é inegável que temos que vencer algumas deficiências organizativas", argumentou.

Para Edilson Gomes, tais desafios estão postos sobremaneira na inserção do partido junto aos movimentos sociais, numa conjuntura acachapante do individualismo neoliberal e de cooptação de grande parte do movimento para o projeto do reformismo. "Temos esse desafio, sem dúvidas. Ao mesmo tempo, ao contrário do que ocorria nos anos 1980, o PCB hoje é visto como uma força política que faz avançar a luta de classes, o que desperta atenção não só da esquerda como da extrema-direita. temos que estar preparados para essa nova realidade", lembrou.

Com ampla participação daqueles que estavam no plenário do evento, foi consensual que o XV Congresso do PCB, a ser realizado em duas etapas até abril de 2014, terá o desafio de desatar os "nós" apontados na fala do secretário-geral, em processo de continuidade da Reconstrução Revolucionária do PCB.

MST recebe homenagem da prefeitura de Guernica pela luta por Reforma Agrária


                                                              
O MST receberá o Premio Paz e Reconciliação 2013 da prefeitura de Guernica, do Pais Basco, em uma cerimônia de premiação em 26 de abril.
O MST será homenageado por organizar agricultores que não têm terra para a luta pela Reforma Agrária.
"Há atualmente mais de 1.500 assentamentos legalizados, que reúne 350 mil famílias em um total de 5 milhões de hectares", disse o prefeito local, José María Gorroño.
A decisão foi tomada pelo júri composto por representantes políticos de Gernika-Lumo, o prefeito da cidade alemã de Pforzheim, Gernika Gogoratuz, a Fundação Casa da Cultura e Museu da Paz.
A atividade acontecerá durante os atos do aniversário de 76 anos do bombardeio de Guernica.
O Bombardeio de Guernica, que aconteceu em 26 de abril de 1937, foi um ataque aéreo por aviões alemães da Legião Condor durante a Guerra Civil Espanhola no País Basco. Milhares de pessoas morreram.
O painel Guernica, pintado por Pablo Picasso em 1937, é normalmente tratado como representativa do bombardeio sofrido pela cidade de Guernica.(Com a Página do MST na internet)

91º aniversário do PCB comemorado sábado na AMI

                                                                         
Luiz Fernando, do PCB de Sabará
Daniel Oliveira, escritor 

Alex , da Juventude Comunista
Túlio Lopes, do Comitê Regional do PCB
Fábio Bezerra, Magela Medeiros e José Francisco Neres
Joaquim Goulart, do PCB de Sabará
Pablo Lima, presidente do Instituto Caio Prado Júnior em Minas
Fábio Bezerra, do Comitê Central do PCB
                                                                                                       
O 91º aniversário do Partido Comunista Brasileiro foi comemorado em Belo Horizonte com ato público na sede da Associação Mineira de Impresa. A abertura foi do secretário do Comitê Municipal de Belo Horizonte Magela Medeiros. Seguiu-se a intervenção de Fábio Bezerra, do Comitê Central do PCB, fazendo uma análise  da situação política internacional, com as crises da Europa, inclusive a da ilha do Chipre, dos Estados Unidos e abordando a campanha eleitoral na Venezuela,com a candidatura de Nicolás Maduro Moro à Presidência da República no próximo dia 14. 

Também falaram Túlio Lopes, em nome do Comitê Estadual e da União da Juventude Comunista, Alex, do Comitê Municipal de Belo Horizonte e o secretário-político do PCB ba capital, José Francisco Neres. 

Este último abordando a necessidade de criação da Comissão da Verdade do Partido no Estado. Houve  também intervenções de Pablo Lima, do Instituto Caio Prado Júnior, e Antonio Almeida, o candidato a vice-prefeito pelo PCB nas últimas eleições, além dos depoimentos de Joaquim Goulart, sobre o espião norte-ameridno Dan Mitrione e sua atuação em Sabará, e Arutana Cobério, ex-prefeito de Belo Horizonte pelo PCB e ex-juiz de Direito em Nanuque.

Foi lembrada, durante o ato a atuação do ex-vereador Anélio Marques Guimarães no movimento comunista mineiro e no sindicalismo.

Veja em outro local deste espaço vídeos sobre a festa dos 91 anos do PCB na capital de Minas Gerais

Arquivos do DEOPS de São Paulo na internet


terça-feira, 26 de março de 2013

MEIA DÚZIA DE GATOS PINGADOS



José Carlos Alexandre

Como fazer a revolução com meia dúzia de gatos pingados?

Lamentavelmente, por mais que antigos militantes reclamem que "não se faz revolução somente de palavras", sem quadros é praticamente impossível vencer o capitalismo, atingir o socialismo e chegar ao comunismo, objetivo maior dos comunistas.

Ora, gastou-se tempo e ocupou-se espaço (na Associação Mineira de Imprensa) no que seria a comemoração dos 91 anos do Partido Comunista Brasileiro.

No entanto, a bem da verdade, o número de dirigentes e/ou militantes presentes ao ato realizado na AMI, quase que não passou do número de fundadores do Partido,em 25 de março de 1922...

Tem-se a impressão de que o velho Partidão não conseguiu sobreviver à débâcle do socialismo nos anos 89 e 91.

Parece que o chamado "ouro de Moscou" ( que na verdade nunca existiu) está a fazer falta no PCB...

O que se vê nas reuniões são realmente meia dúzia de gatos pingados, entre velhos capengas e jovens talvez à procura de um caminho que leve realmente ao socialismo de algum tipo, ainda que desconhecido...

O PCB tem-se apresentado patético. E ainda se fala em organizar o XV Congresso Nacional...

Nem mesmo resoluções de congressos anteriores são cumpridas e das conferências, muito menos.

Haja vista a decisão de se lutar por um Parlamento unicameral, com a extinção do Senado, optando-se somente pela Câmara...

Não há uma só palavra das direções neste sentido. Nem aproveitando-se a crise criada pela eleição do sr.Renan Calheiros para presidir o Congresso Nacional.

O partido aos 91 anos não é nem sombra do que o era ao tempo da curta legalidade dos anos 40...

Assim não é  de se  estranhar  que suas bases sejam somente pro forma, como que para se cumprir os estatutos, seguramente de olho no fundo partidário...

Repetindo Lênin, a pergunta é:"Que fazer?".

Fechar as portas, pedir desculpas aos trabalhadores e ao povo pela ausência de quadros e de militantes?

Partir para a defesa da reformulação partidária, tentar unir a esquerda em torno de um partido realmente de massa, que defenda os trabalhadores e o povo, talvez seja a única solução.

domingo, 24 de março de 2013

Operação Condor

Jornada de lutas da juventude

Imprensa esconde greve em Volta Redonda

                Paulo Dimas/Reprodução da internet
                                                           

Em mensagem dirigida à ABI, professores de Volta Redonda, no Sul do Estado do Rio, denunciaram que a imprensa local vem recobrindo de silêncio a greve do pessoal do magistério e de outras categorias funcionais e se nega a incluir em suas programações anúncios dos sindicatos, mesmo mediante pagamento.
 Diz mensagem enviada à ABI pelo cidadão Luiz Eduardo Farias da Silva:

“Volta Redonda está em greve desde o início deste mês. Professores e outros funcionários públicos reivindicam o cumprimento de um Plano de Cargos, Carreiras e Salários que existe desde 1995/96 e até hoje está suspenso pela Prefeitura. 

Além disso, lutamos pelo piso salarial dos professores, criado pela Lei federal  nº 11.738, de 16 de julho de 2008. Nós professores recebemos um salário inicial que equivale à metade do que a referida lei ordena. Isso sem nos referirmos ao descumprimento do tempo mínimo para as atividades fora da sala de aula (a lei determina 1/3 da carga horária).

Ressaltando esse contexto, venho denunciar a censura que a imprensa local, sobretudo o Sistema Sul Fluminense, está impondo aos funcionários públicos. De um lado a Prefeitura derramando rios de dinheiro em jornais, rádios e na tv, espalhando inverdades sobre os nossos direitos. Do outro lado nós que estamos de mãos atadas, pois esses veículos de comunicação se negam a incluir em sua programação os anúncios (pagos!) dos nossos sindicatos.

Pedimos ajuda! Queremos um retorno sobre as possibilidades que nós temos para reverter tal injustiça. Desde já agradecemos!”

sábado, 23 de março de 2013

Várias personalidades apoiam os Cinco Cubanos em Washington


                                     
Várias personalidades confirmaram até hoje sua participação na segunda jornada de apoio à causa dos Cinco antiterroristas cubanos, prisioneiros políticos nos Estados Unidos, que acontecerá de 30 de maio a 5 de junho em Washington DC.

Estarão presentes a lengendária ativista afro-estadunidense, Angela Davis; o ator Danny Glover; e o padre Miguel D'Escoto, ex- ministro de Relações Exteriores da Nicarágua e presidente da 63ª Assembleia Geral das Nações Unidas, disse o Comitê Internacional pela Liberdade dos Cinco em um comunicado recebido na Prensa Latina.
Também se espera a destacada lutadora social hispânica Dolores Huerta, co-fundadora da Associação Nacional de Trabalhadores Agrícolas e a reverenda Joan Brown Campbell, ex-secretária geral do Conselho Nacional de Igrejas de Cristo nos Estados Unidos.

Além desses, o escritor, jornalista e ex-parlamentar brasileiro, Fernando Morais, autor do livro "Os últimos soldados da guerra fria”, que narra a história dos Cinco como são conhecidos a nível mundial Gerardo Hernández, Ramón Labañino, Antonio Guerrero, Fernando González e René González (em liberdade condicional desde outubro de 2011).

Igualmente se inclui na lista o cineasta Saul Landau, o advogado Matin Garbus, integrante da equipe legal dos Cinco, assim como Wayne Smith, ex-chefe da seção de Interesses de Washington em Havana, entre outros.

Um dos pontos chave nesta discussão é a necessidade de encontrar uma solução ao caso dos Cinco (presos há quase 15 anos em território estadunidense), segundo lembrou o Comitê Internacional.

"Para ser parte do diálogo, estamos convidando os amigos solidários com Cuba e a gente de boa vontade dos Estados Unidos e do exterior para que nos acompanhem nesta jornada Cinco dias pelos Cinco cubanos em Washington DC”, enfatizou o texto.

O grupo foi preso em 12 de setembro de 1998 na cidade de Miami, enquanto vigiava a organizações violentas de origem cubana, dedicadas a executar ações criminosas contra a população civil nacional antillana, que tem ocasionando em meio século mais 3.400 vítimas fatais.(Com a PL/Adital)

DESAPARECIDOS POLÍTICOS

quarta-feira, 20 de março de 2013


ANOS DE CHUMBO


                                                                     
Frei Tito, uma biografia

Leneide Duarte-Plon  (*)

Artigo adaptado de texto originalmente publicado em Carta Capital nº 739, de 8/3/2013
      
Escrever a biografia de Frei Tito de Alencar Lima é um desafio. Por se tratar de um personagem complexo, atormentado, paradoxal. Por se tratar de um religioso envolvido com um grupo revolucionário de luta armada contra a ditadura, pela morte trágica que o destino lhe reservou, pela importância que sua morte adquiriu transformando-o em ícone e “mártir” da resistência à ditadura, pelo momento político que viveu.

Foi como um desafio que aceitei a sugestão de um amigo editor quando lhe disse que havia conhecido num colóquio em Paris, no Centro Primo Levi, o psiquiatra-psicanalista que tratou de Tito até sua morte. Ia entrevistá-lo para a Carta Capital.

O Dr. Jean-Claude Rolland falara no colóquio “Langage et Violence – Les effets des discours sur la subjectivité d’une époque” (Linguagem e violência – Os efeitos dos discursos na subjetividade de uma época). Sua conferência tinha por título, “Soigner, Témoigner” (Tratar, testemunhar) e era um relato do caso Tito de Alencar.

“Tito vivia na certeza de que ia ser morto de um momento ao outro. Essa impressão deve ter sido o que ele viveu durante todo o tempo em que ficou preso e, principalmente, durante as sessões de tortura. Interiormente, ele vivia como um condenado à morte e o recurso ao suicídio tem como princípio a lógica: matar-se em vez de ser morto”, diz o psicanalista.

Antes e depois do Dr. Rolland, outros psicanalistas, juristas e filósofos fizeram conferências. O filme Batismo de sangue, baseado no livro de Frei Betto, foi projetado e seu realizador, Helvécio Ratton, debateu com o público.

“Em vez de entrevista, por que você não faz a biografia de Frei Tito, com ênfase nos últimos anos da vida dele?” Consciente do volume de trabalho que o livro representaria, convidei a jornalista Clarisse Meireles para escrevermos juntas e há mais de um ano estamos trabalhando na biografia.

O livro tinha que ser uma investigação jornalística , uma reportagem histórica, uma página que se abre a cada evento em torno da vida de Tito. Tivemos que contextualizar todos os principais fatos históricos nos quais Tito se viu envolvido direta ou indiretamente.

Veneração popular

A história de Tito abre um leque de acontecimentos que precisamos reconstituir: o movimento estudantil de 1968, as grandes passeatas e a importância do Congresso da UNE em Ibiúna, do qual Tito foi um protagonista paradoxal : sua atuação foi nos bastidores. Foi ele quem conseguiu o sítio através de relações de amizade. Pagou na tortura esse envolvimento.

Paralelamente ao endurecimento do regime com o AI-5, a resistência organizou a luta armada, os sequestros de embaixadores. O governo respondeu com a tortura como política de Estado, com prisões ilegais e “desaparecimentos”. Era preciso abrir uma janela sobre o sequestro do embaixador americano (captura, como prefere o historiador e ex-guerrilheiro Daniel Aarão Reis), que levou à queda dos frades e à execução de Marighella.

Por outro lado, o engajamento dos frades na ALN só existiu porque houve o Concílio Vaticano II e o aggiornamento promovido por João XXIII, seguido da renovação de parte da Igreja brasileira. Ninguém podia dizer que a Igreja progressista era “o ópio do povo”. “Para quem pretende mudar as estruturas da sociedade, Marx é indispensável”, disse Frei Tito, já no exílio, em 1972, respondendo afirmativamente a um jornalista italiano que perguntou se ele era marxista.

Contar a vida de Tito impunha reconstituir um pouco da vida dos exilados brasileiros em Santiago e em Paris. Na capital francesa, a Frente Brasileira de Informação (FBI), fundada por Miguel Arraes e Márcio Moreira Alves, divulgava na Europa as prisões ilegais, tortura e desaparecimentos promovidos pelos agentes da ditadura. E muitos dos ex-exilados entrevistados confirmaram, com fatos vividos, a estreita colaboração entre os órgãos de informação brasileiros e a polícia francesa.

Para reconstituir a vida de Tito no exílio francês, fomos primeiramente ao encontro do psiquiatra e psicanalista que tratou dele até sua morte. O doutor Rolland tem 74 anos e vive cercado de animais de estimação, a 30 minutos de Lyon. De sua casa, estendem-se a perder de vista os vinhedos do Beaujolais. A casa fica dentro de uma grande propriedade onde o médico cria 13 pavões, uma arara do Brasil e pássaros do Gabão grandes e coloridos. Num grande viveiro, cerca de vinte aves exóticas, de diversas origens, voam e misturam seus cantos aos sons dos pavões. Quando tratou de Tito, o médico já habitava essa casa, onde sempre viveu cercado de animais, um contato com a natureza vital para seu bem-estar.

Com o doutor Rolland, tomamos a estrada que leva a L’Arbresle para entrevistar todos os dominicanos que o conheceram e que ainda estão no convento. Depois, fomos ao Convento Saint-Jacques, em Paris, onde entrevistamos seus antigos mestres e diretores de estudos teológicos. E pudemos ouvir aquele que foi seu mais próximo amigo durante o último ano de vida, o dominicano Xavier Plassat, que vive no Brasil desde os anos 80. 

Em 1974, Tito acompanhou Plassat em viagem à Bretanha e Plassat acompanhou Tito a praticamente todas as consultas com o psiquiatra em Lyon. Depois da morte de Tito, o francês organizou um precioso arquivo dos escritos do brasileiro e escreveu Alors les pierres crieront (Então as pedras clamarão, Paris, Editions Cana, 1980).

No Brasil, ouvimos praticamente todos os dominicanos que conviveram com Tito, em entrevistas feitas pessoalmente, por telefone ou e-mail. Além dos que foram presos, entrevistamos o ex-frade Magno Vilela, que conseguiu escapar ao cerco de Fleury e que Tito reencontrou em Paris no convento Saint-Jacques, assim como frei Oswaldo Rezende, responsável pela aproximação dos dominicanos com Marighella, que fora estudar na Suíça, antes dos acontecimentos de novembro de 1969. A exceção foi um dos frades, que não fala mais sobre sua militância.

Nas entrevistas e na pesquisa, descobrimos um homem que viveu os últimos anos profundamente só e atormentado, mesmo tendo encontrado a compreensão de confrades acolhedores, primeiramente no convento Saint-Jacques, em Paris, e depois no Convento Sainte-Marie de la Tourette, em L’Arbresle, perto de Lyon, um prédio moderno projetado pelo arquiteto Le Corbusier.

Descobrimos também a tentativa de familiares em construir um martirológio para, quem sabe, preparar uma beatificação. A pesquisa nos fez descobrir uma veneração popular em torno de frei Tito, sobretudo no Ceará. O trabalho nos levou a alguns fatos da vida do dominicano, que acentuam sua humanidade, como seu afastamento do convento por um ano, em Paris, ou seu entusiasmo amoroso por uma moça de origem japonesa, que trabalhava na biblioteca do convento, em São Paulo.

A prisão e o exílio

No 4 de novembro de 1969, Frei Tito de Alencar Lima foi preso no Convento das Perdizes, em São Paulo. Por um ano e dois meses, o frade ficaria preso junto com outros dominicanos: Ivo Lesbaupin, Fernando Brito, Carlos Alberto Libânio Christo (frei Betto), João Antônio Caldas Valença e Giorgio Callegari. Esses dois últimos foram os primeiros a serem libertados.

Torturado sob a acusação de pertencer à Ação Libertadora Nacional-ALN, organização de luta armada fundada por Carlos Marighella, Tito foi destruído psiquicamente por seus carrascos.

Os frades dominicanos foram presos na chamada “Operação Batina Branca”, montada pelo delegado Sérgio Paranhos Fleury, criador do Esquadrão da Morte. O delegado era o “puro produto da polícia paulista com sua tradição de torturas e assassinatos” segundo o jornalista Elio Gaspari, que escreveu: “Nunca na história brasileira um delinquente adquiriu sua proeminência”.

O delegado Fleury encarnava na época o combate aos grupos armados que resistiam à ditadura, os “terroristas”, como imprensa e aparelho repressor os qualificavam.

Depois da prisão dos frades, Fleury começou imediatamente a bombardear a imprensa com a versão da traição dos dominicanos. Os frades da ALN eram ora “terroristas”, ora “Judas”. Todos os jornais aderiram à versão de que os dominicanos haviam traído Marighella. As manchetes associavam as palavras “frades” e “terror”. O Globo deu na primeira página a fotografia do convento dos dominicanos com a manchete: “Aqui é o reduto dos terroristas do Brasil”. E fez um editorial, “O beijo de Judas” que não honra a história da nossa imprensa.

Começava a campanha da ditadura de desmoralização dos dominicanos, responsabilizando-os pela queda do “inimigo público número 1”. O regime tentava dividir a esquerda, ao apresentar os frades como “traidores”.

Comentando como a imprensa aderiu à diabolização dos frades orquestrada pela ditadura, o ex-frade Roberto Romano observou: “Eles não agiram como jornalistas. Agiram como carrascos e torturadores”.

O sequestro dos frades Ivo e Fernando, pela polícia no Rio, foi decisivo para a queda de Marighella, fuzilado na Alameda Casa Branca no dia 4 de novembro, dia em que frei Tito foi preso e torturado pelo delegado Fleury. Três meses depois, ao voltar à tortura, dessa vez na Operação Bandeirantes, Tito tentou o suicídio, sendo salvo in extremis depois de hospitalizado. “Ele fez isso para evitar que nós todos voltássemos à tortura”, diz frei Fernando.

O relato das torturas a que foi submetido pelo capitão Albernaz saiu clandestinamente da prisão de São Paulo e foi publicado na revista americana Look e na italiana L’Europeo. A Look recebeu por esse texto o prêmio de reportagem do ano, em 1970, atribuído pelo New York Overseas Press Club, associação da imprensa estrangeira de Nova York.

O jornal Le Monde e a imprensa europeia noticiaram com destaque a prisão, a tortura e o processo dos dominicanos. O papa Paulo VI foi informado desde o início da prisão dos frades e seguiu de perto o processo. Os dominicanos presos enviaram ao papa de presente uma cruz de madeira feita por eles, com o nome de todos os frades presos.

Meses depois, Tito foi posto na lista dos presos trocados pelo terceiro embaixador sequestrado, o suíço Giovanni Enrico Bücher, em janeiro de 1971. Banido do território nacional por decreto, embarcou para Santiago juntamente com 69 presos políticos. Estava triste e abatido.

Encerrava-se ali o ciclo de capturas de diplomatas. A repressão violenta desarticulou a luta armada prendendo e matando os principais líderes e militantes. Em setembro de 1971, Lamarca foi fuzilado. A ditadura já exterminara Marighella, em 1969, e Câmara Ferreira, o Toledo, em 1970.

Os revolucionários que conseguiram escapar da prisão ou foram trocados por embaixadores viviam no exílio. Os que tentaram uma volta na clandestinidade foram executados.

Ultraje indelével

Tito optou pelo trabalho de informação: passou a dar testemunho do que se passava nos cárceres brasileiros, através de entrevistas em várias capitais. Em Santiago, deu entrevista aos cineastas americanos Haskell Wexler e Saul Landau, que fizeram o documentário Brazil: a report on torture (Brasil, um relato de tortura) com depoimentos de alguns dos 70 brasileiros libertados em troca do embaixador suíço. De passagem por Roma, Tito não pôde falar a religiosos no Colégio Pio Brasileiro, impedido pela hierarquia, que alegava sua fama de “terrorista”.

Mas deu entrevistas à imprensa em Roma, na Alemanha e na França. Na capital francesa militou ao lado de brasileiros na denúncia das torturas praticadas pela ditadura.

No Convento Sainte-Marie de La Tourette, perto de Lyon, para onde se mudou em 1973, o dominicano esperava encontrar um porto seguro e retomar os estudos de teologia. No meio da natureza, no alto de uma colina, Tito encontrou o silêncio, mas não a tranquilidade. Em 10 de setembro de 1974, o corpo do frade foi visto por um camponês, pendendo de uma árvore, numa área inóspita, às margens do rio Saône, perto de Villefranche-sur-Saône. Tito foi enterrado no cemitério do convento. Seu corpo voltou ao Brasil em 1983. Hoje, repousa em Fortaleza.

Ele preferiu a morte a conviver com a tortura e com seus torturadores que o atormentavam onde quer que fosse. O filósofo Jean Améry, amigo de Primo Levi, dizia que quem foi submetido à tortura “fica incapaz de sentir-se em casa neste mundo. O ultraje do aniquilamento é indelével. A confiança no mundo que a tortura apaga é irrecuperável”.

Segundo a Anistia Internacional, apesar de 147 países terem ratificado a Convenção contra a tortura, adotada pela ONU em 1984, a organização detectou casos específicos de tortura em 98 países, do total de 198 países existentes no planeta.

***

(*) Leneide Duarte-Plon é jornalista, em Paris (Com Observatório da Imprensa em 19/03/2013 na edição 738)
com 

XV Congresso Nacional do PCB


                                                           
Cronograma:
- Abertura da Tribuna de Debates - 15/07/13.
Cursos preparatórios - Temário: Princípios básicos do marxismo; breve histórico do PCB; resoluções
políticas atuais: estratégia e tática do PCB.
- Em Outubro: conferências das bases e comitês municipais, onde estiverem constituídos;
- Conferência Estadual para o debate sobre as teses ao XV Congresso do PCB - 15, 16 e 17 de novembro de
2013.
- Fevereiro de 2014: Caderno de Debates com as contribuições das conferências estaduais;
- Março de 2014: Conferência congressual estadual para discussão final das teses e para eleição dos
delegados ao XV Congresso;
XV Congresso do PCB -
Dias 18 a 21 de abril de 2014: realização da fase final do XV Congresso Nacional do PCB, em São Paulo,
com discussão das teses, aprovação das resoluções e eleição do Comitê Central.
Temário do XV Congresso do PCB:
1) ESTRATÉGIA E TÁTICA DO PCB NA REVOLUÇÃO SOCIALISTA (SÍNTESE ATUALIZADA DAS
RESOLUÇÕES POLÍTICAS E DE ORGANIZAÇÃO DO PARTIDO);
2) EIXOS DE IMPLEMENTAÇÃO DA TÁTICA (POLÍTICA DE ALIANÇAS; O PCB E O MOVIMENTO DE MASSAS;
ENRAIZAMENTO NA CLASSE TRABALHADORA; O PCB E AS ELEIÇÕES);
3) A RECONSTRUÇÃO REVOLUCIONÁRIA DO PCB: BALANÇO DO TRABALHO DE DIREÇÃO PARTIDÁRIA E
PERSPECTIVAS;
4) ELEIÇÃO DO COMITÊ CENTRAL

PELA PAZ


terça-feira, 19 de março de 2013

Gramsci, Lukács e José Paulo Netto nos falam de Marx e da atualidade de seu pensamento


Por ocasião dos 130 anos da morte de Marx, a página da Fundação Dinarco Reis disponibiliza textos de renomados autores marxistas, os quais, em contextos diferenciados, foram publicados com o propósito de defender e ajudar a difundir o legado teórico do fundador do materialismo histórico.
Em artigo publicado no periódico socialista Il Grido del Popolo, para comemorar o centenário de nascimento de Marx, Gramsci levanta questionamentos sobre a expressão "marxismo", enaltece a figura de Marx e sua produção teórica, indispensável para o processo de tomada de consciência do proletariado na missão revolucionária:
"Karl Marx é, para nós, mestre de vida espiritual e moral, não um pastor brandindo o seu cajado. É aquele que sacode a preguiça mental, que desperta as boas energias que dormiam e que devem ser mobilizadas para o bom combate."

Em texto divulgado originalmente na revista moscovita Internacionale Literatur, em 1993, Georg Lukács revela o caminho intelectual trilhado por ele, desde a juventude, até a assimilação completa das ideias de Marx e Engels, a partir da leitura dos clássicos e do seu (de Lukács) envolvimento nas lutas políticas e sociais de seu tempo. Daí a conclusão a que chegou:
"O materialismo dialético, a doutrina de Marx, deve ser conquistado a cada dia, assimilado a cada hora, a partir da práxis. Por outro lado, a doutrina de Marx, em sua inatacável unidade e totalidade, constitui a arma para a condução da prática, para o domínio dos fenômenos e de suas leis."

Por fim, extraímos do livro O que é Marxismo, de José Paulo Netto, publicado pela Editora Brasiliense e reeditado na passagem do centenário de morte de Marx, dois capítulos que analisam o nascimento da teoria marxiana, como resultado do acúmulo cultural produzido desde o Iluminismo em associação ao protagonismo da classe operária em meados do século XIX, estágio da luta de classes que propiciou o surgimento da teoria científica e revolucionária proposta por Marx (com a inestimável colaboração de Engels) para o necessário conhecimento crítico da sociedade burguesa, passo inicial para o desenvolvimento da luta de classes contra o capitalismo, no rumo da construção do socialismo e do comunismo. (Com a FDR)

PCB comemora 91 anos


Na próxima quinta-feira o PCB estará à noite no rádio e na TV. Aqui os bastidores da gravação. O Partido Comunista Brasileiro veicula seu programa nacional de radio (de 20h às 20h05) e TV (de 20h30 às 20h35) em cadeia nacional. No programa, o PCB defende uma estratégia revolucionária contra a crise do capitalismo, denuncia as benesses para o capital concedidas pelo governo Dilma e aponta a luta dos trabalhadores contra o projeto de Acordo Coletivo Especial, além de homenagear o comandante Hugo Chávez. Quem não puder assistir ao programa na TV poderá conferir as propostas dos comunistas no Portal do PCB, que ainda na noite de quinta-feira publicará o vídeo na íntegra.

segunda-feira, 18 de março de 2013


Um vídeo do Coletivo Ana Montenegro

PCB faz ato público em BH para festejar seus 91 anos

José Francisco Neres, secretário Político do PCB em BH
                                       
                                                            
No próximo sábado, 23, o Partido Comunista Brasileiro, PCB, estará comemorando seu 91º aniversário. Em Minas Gerais as principais comemorações serão em Belo Horizonte, onde o Partido tem diretório municipal e já participa do processo político com candidatos próprios e em coligação com organizações progressistas de esquerda.

As comemorações serão na sede da Associação Mineira de Imprensa, AMI, situada na Rua da Bahia, 1450, ao lado da Academia Mineira de Letras. O secretário do Comitê Municipal do PCB, Magela Medeiros, afirma que as comemorações serão a partir das 14h com palestras, números musicais e uma confraternização ao final. 

Dentre os temas a serem tratados estão a história do PCB (que foi fundado em 1922) o XV Congresso, a Comissão da Verdade, dentre outros. Em Belo Horizonte o PCB  tem sua sede na Rua Curitiba, 626.

O Partido está organizado em todas as regiões mineiras. Seu secretário político ( presidente) é o líder tecelão José Francisco Neres, que foi diretor do Sindicato dos Tecelões e vereador em Sabará até ter seu mandato cassado em 1964 mas simbolicamente devolvido o passado em ato realizado na Câmara Municipal daquele município da Grande BH.

domingo, 17 de março de 2013

Viva Chávez!


                                                          

João Pedro Stedile

Do MST e da Via Campesina

A morte de Hugo Chávez, no dia 5 de março de 2013, representa uma perda irreparável para todos os povos da América Latina.
Sua origem humilde, sua trajetória de militar nacionalista e seu compromisso inquebrantável com um projeto de libertação do povo venezuelano o transformou em um líder popular de todo o continente.
Foi o primeiro a enfrentar de armas em punho as mazelas do neoliberalismo na década de 90. Amargou a prisão. O povo o reconheceu e o conduziu ao governo com o maior apoio eleitoral da história do país.
Promoveu mais de dez eleições, com ampla participação popular e com extremo rigor de controle popular sobre a lisura das urnas. Ganhou todas.
Enfrentou o Império e a mídia burguesa de todo o mundo. Enfrentou os empresários lúmpens e corruptos marionetes da CIA, que lhe deram um golpe.
Mas o desdenhado protagonismo do povo o salvou!
Nesses anos todos, implementou mudanças fundamentais na sociedade venezuelana.  Depois de um século de uma economia dependente das exportações do petróleo, deu uma virada.
Primeiro distribuiu a renda petroleira para resolver os problemas do povo, de saúde, educação, moradia e alimentação.
Depois implementou mudanças para reorganizar a economia com um processo de industrialização do país e de autonomia nacional.
Na política, incentivou com todas as forças a participação popular. Não apenas nos processos eleitorais e governamentais, mas estimulou o protagonismo dos trabalhadores em todos espaços da sociedade.
Solidário com outros países mais empobrecidos, criou a Petrocaribe, que vende a preço de custo o necessário petróleo.
Como MST e demais movimentos da Via Campesina, sempre tivemos uma identidade muito grande com seu projeto. E um carinho especial por esse líder comprometido unicamente com seu povo. 
Conhecemo-nos em atividades do Fórum Social Mundial (FSM) para debater o neoliberalismo e as saídas para a crise capitalista.
Construímos juntos uma proposta continental de agroecologia, que pudesse servir de base para uma política de produção de alimentos sadios para toda população.
Organizamos uma rede continental de escolas de agroecologia e de experimentos de sementes, nossa rede IALA (Institutos Agroecologicos Latinoamericanos).
Juntos colocamos as bases para um projeto de integração continental, porém popular, que fosse mais além das articulações governamentais e comerciais.
Uma integração que pudesse servir de integração popular, com iniciativas produtivas. Com iniciativas educacionais para erradicar o analfabetismo de nossa população, além de sociais e políticas.
Para tanto, estamos construindo uma articulação de todos os movimentos sociais da América que se identificam com esse projeto. 
Foi uma década de derrotas para o neoliberalismo, para os setores da burguesia e aos  eternos serviçais dos interesses do capital estrangeiro. 
Foram dez anos de construção de um processo de alternativas. Com desafios enormes, vitórias e pequenas derrotas, mas sempre caminhando para frente!
Chávez nos fará falta!
Mas com a intensidade de um líder verdadeiro, colocou as bases fundamentais na sociedade venezuelana para que o projeto tenha continuidade. 
Seu exemplo e lucidez servirão de ânimo para toda a militância social da América Latina, forças populares e governos progressistas, para que se possa seguir construindo processos de verdadeira libertação popular.
Processos de verdadeira integração continental
Viva Chávez!
Viva a integração popular de nosso continente!
Leia mais
João Pedro Stedile à Telesur: Chávez fue un líder comprometido con la sociedad
Salim Lamrani: 50 verdades sobre Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana
Valmir Assunção: a altivez do povo venezuelano na despedida de Chávez
Veja cartaz da Via Campesina na campanha "Brasil está com Chávez"
Poema de Ademar Bogo em homenagem a Chávez
Carta dos movimentos sociais ao povo venezuelano
Com Chávez, MST erradicou analfabetismo em assentamentos no MA
MST realiza ato em homenagem a Chávez na embaixada da Venezuela (Com a página do MST)

PCdoB - ESTELIONATO POLÍTICO, MENTIRA E MANIPULAÇÃO DESAVERGONHADA!

                                                                                                   

        Antonio Carlos Mazzeo (*)


A Pior coisa do mundo é o enganador ... ou melhor o estelionatário!
Quem teve o desprazer de ver as inserções do PCdoB no horário nobre da TV, pode assistir um estelionato político ao vivo, a cores e sem cortes .... despudorado.~

A falta de vergonha foi  tal, que cheguei a ficar ruborizado diante de tanta mentira e manipulação.
É mais do que sabido que o PCdoB, surgiu em 1962, como dissidência de uma absoluta minoria do Comitê Central do PCB, formada por João Amazonas e Maurício Grabois, que discordavam dos debates sobre o XX Congresso do PCUS - Partido Comunista da União Soviética - e a necessidade de desestalinizar o Partido e o próprio Movimento Comunista Internacional.

Adere ao maoismo e passa a nominar o PCB como "bando de Prestes" e a União Soviética de "social imperialismo". Para o PCdoB, Cuba passa a ser um "satélite do social imperialismo", sendo Fidel Castro uma "marionete dos soviéticos". 

Mais tarde, o PCdoB  rompe com a China e passa a considerar a Albânia do stalinista ortodoxo Henver Hoxha como "farol do socialismo". Com a crise e a divisão do PCB, em 1992, que deixa o Partido muito debilitado, aproveita o momento de fragilidade do PCB e monta uma agressiva  e deliberada política de apropriação  da história do PCB, distorcendo e manipulando os fatos históricos.

Mas, se para os setores mais esclarecidos e mais informados do movimento social e da intelectualidade de esquerda, essa agremiação não é levada à sério, é de preocupar que essa mentira dita muitas vezes possa ganhar alguma dimensão entre os segmentos mais atrasados do movimento social.

Não bastasse dizer que tem 90 anos – grosseria sem algum respaldo histórico e temporal, pois se o PCdoB foi fundado em 1962, ele tem 51 anos de vida política errática e oportunista – mentiu descarada e escandalosamente, ao dizer que Prestes, Olga, Niemeyer, Jorge Amado, entre outros, foram daquela agremiação (esse é o termo possível)

Olga foi deportada para a Alemanha em 1936 e executada pelos nazistas no campo de concentração de Bernburg, em 1942. Prestes, de 1934 a 1980, foi Secretário geral do PCB, rompendo em 1981 com o Comitê Central do Partido.  

Jorge Amado, deputado constituinte do PCB, em 1945, ficou no Partido até inícios da década de 1960, quando afasta-se de sua militância política, sem nunca ter pertencido às fileiras da agremiação fundada por Amazonas e Grabois. 

Niemeyer, ainda muito jovem, ingressou no PCB e foi um dos líderes da luta contra a liquidação do Partido, em 1992, opondo-se duramente ao grupo liquidacionista de Roberto Freire.
Portanto, o PCdoB cometeu estelionato político em suas inserções televisivas!

Mas essa mentira despudorada tem um objetivo: o de esconder sua adesão ao projeto de modernização conservadora do capitalismo liderada pelo PT, as alianças com os monopólios internacionais e nacionais, a amizade com o agronegócio e a conciliação de classes.

Para mentir desavergonhadamente, o PCdoB não tem limites e enxovalha nomes de lutadores que jamais estiveram do lado de lá das barricadas ....

Não tenho ilusões de que protestos e denúncias desse estelionato político alterem a linha e o caminho sem volta que essa agremiação política abraçou.

Mas fica aqui registrado meu repúdio, minha náusea e minha indignação.

(*)  Antonio Carlos Mazzeo  é professor de Ciências Políticas da Universidade Estadual Paulista - Unesp e Membro do Comitê Central do PCB (Com Prestes a Ressurgir/site do PCB)

O PCB não se intimida com neonazistas


                                                     


                         (Nota Política do Secretariado Nacional do PCB)

O Partido Comunista Brasileiro valoriza a nota publicada pela direção estadual do PSTU no Rio de Janeiro - que reproduzimos na íntegra mais adiante - denunciando tentativa de intimidação por parte de agrupamento neonazista na cidade.

Somos tomados por maior indignação, porque o cartaz intimidatório é dirigido diretamente aos comunistas e, como se vê em sua reprodução, ataca especificamente o símbolo histórico utilizado pelo PCB: a foice e o martelo.

Não lembrou-se entretanto o PSTU de registrar que, no edifício onde se afixaram clandestinamente os cartazes anti-comunistas, além da sede estadual desse partido, está localizada a sede nacional do PCB, que vem sendo ameaçado por setores de direita, por conta da nossa firmeza na apuração e julgamento dos crimes cometidos pela ditadura contra camaradas do nosso Partido e de outras organizações que lutavam na clandestinidade e em função de nosso internacionalismo proletário na luta contra o imperialismo.

Em nossa trajetória, que está prestes a completar 91 anos de luta, os comunistas do PCB fomos a força política que mais fortemente combateu a variante brasileira do nazi-fascismo, o integralismo. Orgulhamo-nos de ter enviado camaradas - verdadeiros heróis da humanidade - para combater tal ideologia na Guerra Civil Espanhola e na Resistência Francesa e de ter lutado para o Brasil entrar na Segunda Guerra contra o Eixo. Não nos intimidaremos com essa ameaça.

Conclamamos todas as forças progressistas a ficarem atentas e somarem esforços para enfrentarmos essas tentativas de intimidação. A história registra que sempre os primeiros a serem perseguidos pelos nazi-fascistas são os comunistas.

Por isso, lembramos Bertold Brecht em seu poema 'A Indiferença', escrito durante a escala nazista na Europa:

"Primeiro levaram os comunistas,

Mas eu não me importei

Porque não era nada comigo.

Em seguida levaram alguns operários,

Mas a mim não me afetou

Porque eu não sou operário.

Depois prenderam os sindicalistas,

Mas eu não me incomodei

Porque nunca fui sindicalista.

Logo a seguir chegou a vez

De alguns padres, mas como

Nunca fui religioso, também não liguei.

Agora levaram-me a mim

E quando percebi,

Já era tarde."

Nota do PSTU:

"Ameaça neonazista no Rio de Janeiro

Organização neonazista ameaça movimentos sociais e partidos de esquerda com cartazes espalhados pela cidade

PSTU - RJ

Na semana do 8 de Março, dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização neonazista denominada“Combat 18 – Divisão RJ”. O 18 é derivado das iniciais de Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.

Em uma clara tentativa de intimar e provocar os movimentos sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos cartazes afirma: “Comunistas e subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.

Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns países do mundo, inclusive no Brasil. É o braço armado do National Front, partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas eleições de 1979, recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010, apresentou 17 candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (Sangue e Honra).

O blog da seção do Rio de Janeiro exibe os “Códigos da Raça Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens de espancamentos de moradores negros de rua; cartazes de agitação, além de inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.

Campanha antineonazista

Em primeiro lugar, não toleraremos nenhum tipo de provocação, ameaça ou intimidação de nossos militantes, ou de qualquer organização democrática. O Combat 18 têm aproximadamente 5 ou 6 membros na cidade do Rio e não possui absolutamente nenhum lastro social. São um grupo de classe média, provavelmente moradores da região do Centro, Zona Sul e Tijuca, que escondem seus rostos e praticam a covardia contra aqueles que julgam ser inferiores.

Ao mesmo tempo, procuraremos demais partidos operários, partidos democráticos em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, lideranças dos movimentos sociais e parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista. Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais que o Combat 18 não tenha nenhuma expressão social, o PSTU entende que devemos nos precaver de qualquer inciativa desse grupo.

Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do movimento operário. Somos sobreviventes dos campos de concentração nazistas no período que antecedeu a II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80; morremos e resistimos aos torturadores do regime militar; e agora estamos impulsionando a Caravana da Anistia da antiga Convergência Socialista em todo o Brasil. Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos de austeridade na Europa ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos grandes, e não admitiremos que toquem em um de nossos militantes." ( om o site do PCB)

sexta-feira, 15 de março de 2013

HUGO CHÁVEZ

                                                               
Paul Craig Roberts [*]

Dia 5 de março de 2013, morreu Hugo Chávez, Presidente da Venezuela e líder mundial contra o imperialismo. Os imperialistas em Washington e as prostitutas e prostitutos que os servem na imprensa-empresa e nos think-tanks distribuíram alegres suspiros de alívio, como boa parte da descerebrada população dos EUA: foi-se um "inimigo dos EUA".

Chávez nunca foi inimigo dos EUA. Foi inimigo do domínio de Washington sobre outros países, inimigo da aliança que Washington mantém com as claques governantes pelo mundo, que roubam do povo ao qual negam sustento e direitos. Foi inimigo da injustiça que Washington semeia pelo mundo, da política externa de Washington, só de mentiras feita, de mentiras, de agressões militares, de bombas, de invasões.

Washington não é os EUA. Washington é cidade natal do Diabo.

Chávez foi amigo da verdade e da justiça, o que basta para torná-lo impopular em todo o mundo ocidental onde os líderes políticos consideram a verdade e a justiça como ameaças diretas contra eles.

Chávez foi líder mundial. Diferente dos políticos norte-americanos, Chávez era respeitado em todo o mundo não ocidental. Recebeu títulos de doutor honorário da China, da Rússia, do Brasil e de muitos outros países, mas não de Harvard, Yale, Cambridge e Oxford.

Chávez foi um milagre. Foi um milagre porque não se vendeu aos EUA nem às claques governantes da Venezuela. Se se tivesse vendido, Chávez teria enriquecido dos lucros do petróleo, como a família real saudita, e teria sido honrado nos EUA, do modo como Washington honra seus fantoches: com visitas à Casa Branca. Teria sido ditador vitalício, por tanto tempo quanto quisesse, desde que se mantivesse vendido a Washington.

Cada um dos fantoches de Washington, da Ásia à Europa e ao Oriente Médio, espera ansiosamente o convite que comprova a satisfação de Washington ante sua servidão, ante a rendição à potência imperialista global – que ainda ocupa o Japão e a Alemanha, 68 anos depois da 2ª Guerra Mundial e a Coreia do Sul, 60 anos depois do fim da Guerra da Coreia, e que mantém tropas e bases militares em vasto número de outras nações 'soberanas'.

Nada teria sido mais fácil, para Chávez, do que se vender politicamente. Bastaria manter a mesma retórica populista, promover seus aliados no exército, oferecer mais benefícios aos mais pobres do que outros ditadores jamais fizeram... e partilhar o que sobrasse da riqueza do petróleo com as corruptas elites venezuelanas.

Mas Chávez era gente real, um homem real, como Rafael Correa, reeleito para o terceiro mandato como presidente do Equador, que também enfrentou os EUA e garantiu asilo político a Julian Assange. E como Evo Morales, o primeiro presidente indígena da Bolívia, desde a conquista espanhola. A maioria dos venezuelanos entenderam que Chávez era real. Elegeram-no quatro vezes e mais vezes o elegeriam, enquanto Chávez vivesse. O que Washington mais odeia é gente real, que não pode ser comprada.

Quanto mais os políticos ocidentais corruptos e a imprensa prostituída demonizaram Chávez, mais os venezuelanos o amaram. Os venezuelanos entenderam completamente que alguém que Washington deteste sempre será presente de Deus ao mundo.

Não é fácil nem barato enfrentar Washington. Todos os que tenham coragem para fazê-lo são demonizados. Correm risco de ser assassinados ou derrubados do poder em golpe organizado pela CIA – como Chávez, em 2002. Quando elites venezuelanas instruídas pela CIA deram seu golpe e sequestraram Chávez, o golpe foi derrotado, em horas, pelo povo venezuelano que tomou as ruas e por elementos do exército, que agiram antes de Chávez ser assassinado pelas elites venezuelanas controladas pela CIA – e elites que só escaparam com suas vidas venais, porque, diferente delas, Chávez sempre foi um humanista, um homem de bem. O povo venezuelano levantou-se em massa e instantaneamente na defesa pública de Chávez – e fez calar as mentiras da Casa Branca de Bush, de que Chávez seria um ditador.

Sem vergonha de expor sua mais sórdida corrupção, o New York Times assumiu a defesa dos golpistas, aquele punhado de elitistas antidemocráticos, contra Chávez democraticamente eleito, e declarou que a derrubada de Chávez, por aquele pequeno grupo de ricos e de agentes da CIA, significaria que "a democracia venezuelana já não está ameaçada por nenhum ditador em potencial."

As mentiras e a demonização continuam, depois da morte de Chávez. Jamais será perdoado por não se ter rendido. Nem Correa nem Morales – dois nomes que, ninguém duvide, já estão nas 'listas de matar' de Obama.

CounterPunch, Fairness & Accuracy in Reporting, e outros veículos e comentaristas recolheram exemplos de obituários dos quais pingava veneno, escritos e publicados na imprensa ocidental prostituída, sobre Chávez. De fato, festejavam que a morte tivesse silenciado a voz mais valorosa do ocidente. [1]

A voz mais absurda foi a da repórter da Associated Press, Pamela Sampson, para quem Chávez desperdiçava a riqueza do petróleo da Venezuela em "programas sociais, inclusive em mercadões estatais de alimentos, benefícios em dinheiro para os pobres, clínicas gratuitas de saúde e educação de graça", mau uso do dinheiro, é claro, que deveria ser usado para construir arranha-céus como o "prédio mais alto do mundo em Dubai e filiais dos museus Louvre e Guggenheim em Abu Dhabi." [2]

Para as dezenas de milhões de vítimas de Washington em todo o mundo – o povo do Afeganistão, do Iraque, da Líbia, do Sudão, do Paquistão, do Iêmen, da Somália, da Síria, da Palestina, do Líbano do Mali, com Irão, Rússia, China e América do Sul esperando no corredor para que os EUA os ataquem com sanções, desestabilização, conquista ou reconquista ou ocupação, o discurso de Chávez, dia 20/9/2006 à Assembleia Geral da ONU, durante o governo de George W. Bush, ficará para sempre, como o maior discurso político do início do século XXI.

Chávez fez barba e cabelo do leão, quero dizer, do Diabo, ali mesmo, na própria toca do Diabo:

"Ontem, o Diabo em pessoa esteve aqui, nesta tribuna, falando como se fosse dono do mundo. O ar ainda cheira a enxofre.

"Deve-se chamar um psiquiatra, para analisar o que disse ontem o presidente dos EUA. Como porta-voz do imperialismo, veio nos impingir seus remédios de charlatão, tentando preservar o atual padrão de dominação, exploração e pilhagem dos povos do mundo. Alfred Hitchcock bem poderia usar aquela fala. Proponho o título do filme: 'A receita do Diabo'".

A Assembleia Geral da ONU jamais ouvira antes coisa semelhante, nem nos tempos em que ali estava presente a militarmente poderosa União Soviética. Viram-se sorrisos de solidariedade e aprovação. Mas ninguém se atreveu a aplaudir: estava em jogo o dinheiro, muito dinheiro, dos EUA, para aqueles países acovardados.

Delegados dos EUA e do Reino Unidos deixaram a sala – vampiros que fugiam da réstia de alho e da cruz, ou lobisomens, da bala de prata.

Chávez falou sobre a falsa democracia das elites que se impõem pela força, "pelas armas, pelo fogo e pelas bombas". Chávez perguntou: "Que tipo de democracia vocês impõem pelo mundo, com Marines e bombardeio?"

Olhe para o lado que olhar, disse Chávez, George W. Bush "só vê extremistas. Olha para você, meu irmão, vê a cor de sua pele e diz oh, yes, mais um extremista. Evo Morales, o valoroso presidente da Bolívia, aos olhos de George W. Bush, tem cara de extremista. Os imperialistas veem extremistas em toda parte. Mas não somos extremistas. Não se trata disso. Trata-se, isso sim, de que o mundo está despertando. Por todos os cantos, o mundo desperta. E os povos puseram-se de pé."

Em frase curta, cerca de 20 palavras, Chávez definiu por séculos e séculos adiante a Washington desse início do século XXI: "O império teme a verdade, morre de medo de vozes independentes. Por isso nos chamam de extremistas. Os extremistas são eles!"

Na América do Sul e em todo o mundo não ocidental, a morte de Chávez está sendo atribuída a crime de Washington. Os sul-americanos lembram bem das audiências no Congresso dos EUA, nos anos 1970s, quando a Comissão Church [3] investigou e trouxe à luz as várias tentativas da CIA para envenenar Fidel Castro.

O documento oficial apresentado ao presidente John F. Kennedy pelo Comandante do Estado-maior Conjunto das Forças Armadas dos EUA, conhecido como "Projeto Northwoods", permanece acessível online. [4]

O Projeto Northwoods consistiu num plano para ataque de militares norte-americanos contra cidadãos norte-americanos, que em seguida seria atribuído a Cuba, de modo a induzir a opinião pública e a comunidade internacional a aceitar que os EUA invadissem Cuba e impusessem ali a 'troca de regime' de praxe. O presidente Kennedy rejeitou a proposta, que implicaria trair todos os seus compromissos com a moralidade e a transparência no governo dos EUA.

Alastra-se pela América Latina a suspeita de que Washington, mestra das mais odiosas tecnologias para matar, teria contaminado Chávez com algum tipo de doença incurável, para, assim, remover esse específico obstáculo ao controle da América do Sul. Aí está suspeita que jamais desaparecerá, mesmo que jamais se confirme: Washington assassinou Chávez, o maior comandante latino-americano desde Simón Bolívar. Verdade ou não, a suspeita já se implantou. Mas verdade indiscutível e já confirmada é que quanto mais Washington e a globalização operem para destruir mais e mais países, mais precária se torna a vida, não dos Chávez do mundo, mas das elites.

O presidente Franklin Delano Roosevelt compreendeu bem que para que haja segurança para os ricos é preciso que haja segurança econômica para os pobres. Roosevelt estabeleceu nos EUA uma modalidade fraca de social-democracia que políticos europeus já haviam entendido que seria indispensável para que houvesse coesão social e política e estabilidade econômica.

Os governos Clinton, Bush e Obama cuidaram sempre de minar a estabilidade que Roosevelt obtivera, enquanto Thatcher, Major, Blair e o atual primeiro-ministro britânico cuidaram de romper o acordo social que havia entre as classes no Reino Unido. No Canadá, Austrália e Nova Zelândia, os políticos também cometeram o erro de entregar o poder a elites privadas e privatizantes, mesmo que ao preço da estabilidade social e econômica.

Gerald Celente prevê que as elites não sobreviverão ao ódio, à fúria, à ira que estão atraindo sobre si mesmas. Suspeito que esteja certíssimo. A classe média norte-americana está sendo destruída. A classe trabalhadora já é um proletariado; e o sistema de bem-estar social está sendo destruído para reduzir o défice do orçamento causado pela perda de arrecadação resultante da exportação de postos de trabalho e das despesas com guerras, bases militares em terras distantes e resgate de bancos e financeiras falidos. O povo norte-americano está sendo forçado a padecer, para que as elites preservem suas agendas. [5]

As elites nos EUA já pressentiram o que as espera. Por isso, precisamente, criaram um ministério do Interior de estilo nazi-fascista, chamado "Segurança da Pátria" [orig. Homeland Security], armado com munição suficiente para matar cinco vezes cada cidadão norte-americano e com tanques em quantidade suficiente para neutralizar qualquer direito que a 2ª Emenda garanta aos norte-americanos. [6]

Pistolas e rifles nada podem contra tanques, como os davidianos descobriram em Waco, Texas. A necessidade de proteger um pequeno punhado de membros da elite, contra a ira dos cidadãos norte-americanos que eles oprimem, é o que explica também a crescente militarização da polícia, e motivo pelo qual as polícias estão sendo postas sob direto comando de Washington e serão armadas com drones suficientemente potentes para assassinar os verdadeiros líderes do povo dos EUA – que não estão nem no Legislativo, nem no Executivo, nem no Judiciário: estão nas ruas. Campos de concentração de prisioneiros nos EUA já parecem ser realidade, sem teoria da conspiração. [7]

A ameaça que o governo dos EUA impõe contra o povo dos EUA já foi detectada e registrada dia 7/3/2013, por dois senadores (Republicanos), Ted Cruz (TX) e Rand Paul (KY), que apresentaram projeto de lei para impedir que o governo dos EUA assassine os próprios cidadãos: "O governo federal não pode assassinar cidadão norte-americano que esteja nos EUA", a menos que a pessoa "represente ameaça iminente de morte ou grave ferimento corporal a outra pessoa. Nada deve ser introduzido no texto dessa lei para sugerir que a Constituição poderá autorizar seja como for o assassinato de cidadão dos EUA sem o devido processo legal." [8]

O "povo indispensável" com seus presidentes Bush e Obama inaugurou o século XXI com morte e violência. É o legado deles, seu único legado.

A morte e a violência que Washington desencadeou voltar-se-ão sobre Washington e as elites corruptas por todo o mundo. Como diz Gerald Celente, a primeira grande guerra do século XXI já começou.
[1] www.counterpunch.org/2013/03/08/obituaries-for-hugo-Chávez ; fair.org/take-action/media-advisories/in-death-as-in-life-Chávez -target-of-media-scorn/ ;

[2] www.fair.org/...

[3] Comissão do Senado dos EUA que investigou as atividades da CIA, presidida pelo sen. Frank Church (D-ID), em 1975. A comissão investigou várias atividades ilegais da CIA e do FBI (de experiências ilegais em seres humanos à invasão de moradias sem autorização legal, interceptação de comunicações sem autorização judicial, assassinatos e outras atividades) trazidas à tona pelo chamado "escândalo de Watergate". Todos os relatórios da Comissão Church podem ser lidos em www.aarclibrary.org/publib/contents/church/contents_church_reports.htm . Em www.aarclibrary.org/publib/contents/church/contents_church_reports_ir.htm reúnem-se os resultados das investigações sobre inúmeros complôs da CIA para assassinar governantes e líderes políticos no exterior [NTs].

[4] http://en.wikipedia.org/wiki/Operation_Northwoods

[5] www.globalresearch.ca/... / kingworldnews.com/...

[6] http://www.informationclearinghouse.info/article34259.htm / www.forbes.com/...

[7] http://www.youtube.com/watch?v=FfkZ1yri26s / http://info.publicintelligence.net/USArmy-InternmentResettlement.pdf

[8] http://www.cruz.senate.gov/record.cfm?id=339952
12/Março/2013

[*] O seu livro mais recente é The Failure Of Laissez Faire Capitalism And Economic Dissolution Of The West. 

O original encontra-se em www.paulcraigroberts.org/2013/03/12/hugo-chavez-paul-craig-roberts-4/
Tradução de Vila Vudu.

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Canção à volta do amigo, dedicada ao comandante Hugo Chávez

113 anos de Gregório Bezerra-Entrevista histórica

História de um valente


                                                   

Ferreira Gullar


Valentes, conheci muitos,

E valentões, muitos mais.

Uns só Valente no nome

uns outros só de cartaz,

uns valentes pela fome,

outros por comer demais,

sem falar dos que são homem

só com capangas atrás.



Conheci na minha terra

um sujeito valentão

que topava qualquer briga

fosse de foice ou facão

e alugava a valentia

pros coronéis do sertão.

Valente sem serventia

foi esse Zé Valentão.



Conheci outro valente

que a ninguém se alugou.

Com tanta fome e miséria,

um dia se revoltou.

Pegou do rifle e, danado,

meia dezena matou

sem perguntar pelo nome

da mãe, do pai, do avô.



E assim, matando gente,

a vida inteira passou.

Valentão inconsequente,

foi esse Zé da Fulô!



Mas existe nesta terra

muito homem de valor

que é bravo sem matar gente

mas não teme matador,

que gosta de sua gente

e que luta a seu favor,

como Gregório Bezerra,

feito de ferro e de flor.



Gregório, que hoje em dia

é um sexagenário,

foi preso pelo Governo

dito "revolucionário",

espancado e torturado,

mais que Cristo no Calvário,

só porque dedica a vida

ao movimento operário

e à luta dos camponeses

contra o latifundiário.



Filho de pais camponeses,

seu rumo estava traçado:

bem pequeno já sofria

nos serviços do roçado.

Com doze anos de idade

foi pra capital do estado,

mas no Recife só pôde

ser moleque de recado.

Voltou pra roça e o jeito

foi ser assalariado.

Até que entrou pro Exército

e decidiu ser soldado.



Sentando praça, Gregório

foi um soldado exemplar.

Tratou de aprender a ler

e as armas manejar.

Em breve tornou-se cabo

mas não parou de estudar.

Chegou até a sargento

na carreira militar.

Sua vida melhorou

mas não parou de pensar

na sorte de sua gente

entregue a duro penar.

Um dia aquela miséria

havia de se acabar.



Foi pensando e conversando,

trocando pontos de vista,

que Gregório terminou

por se tornar comunista

e no Partido aprendeu

toda a doutrina marxista.

Convenceu-se de que o homem,

no mundo capitalista

é o próprio lobo do homem,

torna-se mau e egoísta.



Da luta de 35,

Gregório participou.

Derrotado o movimento,

muito caro ele pagou.

O Tribunal Militar

do Exército o expulsou,

e o meteu na cadeia

onde Gregório ficou

até em 45

quando a anistia chegou.



Mas todo esse sofrimento

valeu-lhe muito respeito.

Candidato a deputado

foi gloriosamente eleito

pra Câmara Federal

sendo o segundo do pleito.

Seu trabalho no Congresso

só lhe aumentou o conceito.



Mas eleito deputado,

um problema ia surgir:

Gregório não tinha roupas

para o mandato assumir.

Foi preciso a gente humilde

que o elegeu se unir

e fazer uma "vaquinha"

pras roupas adquirir.

Assim, vestido elegante,

Gregório pôde partir.



A força dos comunistas

assustou a reação.

Viram o apoio que o povo

dera a eles na eleição.

Armaram rapidamente

uma bruta traição.

Contra o PCB votou-se

a total proibição

e contra os seus deputados

engendrou-se a cassação.

Fizeram o que fez agora

a falsa "revolução".



Gregório pronunciou

a oração derradeira

apresentando o projeto

em favor da mãe solteira.

Projeto feito com amor

à mãe pobre brasileira,

a essa mulher do povo

que só conhece canseira.

Projeto que mostra a alma,

alma pura e verdadeira,

desse homem contra quem

já se inventou tanta asneira.



Usurpado no mandato

que o povo lhe confiara,

a reação novo bote

contra ele já armara:

um quartel que pegou fogo

em Pernambuco, inventaram

que Gregório o incendiara,

e o meteram na cadeia

sem que a culpa se provara.

Mas ao final do processo

a verdade brilhou clara.



Assim, posto em liberdade,

Gregório não descansou.

Em Pernambuco e Goiás,

dia e noite trabalhou,

organizou camponeses,

a muita gente ensinou.

No Paraná e em São Paulo

sua ajuda dedicou.

Um dia com um revólver

por azar se acidentou.



Veio a Polícia e, ferido,

para a cadeia o levou.

Solto de novo, Gregório

para Pernambuco voltou.

E é em Pernambuco mesmo

que o vamos encontrar

em abril de 64

quando o golpe militar

se abateu sobre o País

derrubando João Goulart,

prendendo os que encarnavam

a vontade popular,

os que com o povo lutavam

para a Nação libertar.



Gregório então foi detido

no interior do estado.

Mas só se entregou depois

de ter identificado

o capitão que o prendia.

Tivera esse cuidado

pois sabia que um bando

de facínoras mandado

pelo usineiro Zé Lopes

buscava-o naqueles lados.

Pouco adiante, no entanto,

no cruzmento da estrada,

surge um destacamento.

Era uma tropa embalada

do Vigésimo RI

e à sua frente postada

a figura de Zé Lopes

com toda sua capangada.



Foram chegando e dizendo

que o preso lhes entregassem

para que naquele instante

com sua vida acabassem.

O capitão, no entanto,

pediu-lhe que se acalmassem,

pois as ordens do Recife

não era pra que o matassem.

Queriam ouvir Gregório

e depois o fuzilassem.



Zé Lopes e seus capangas

não queriam obedecer.

Gritavam que comunista

não tem direito a viver.

Mas o capitão foi firme,

não se deixou abater.

A coisa então foi deixada

pro comando resolver.

Rumaram pra Ribeirão

onde o comando foi ter.



Zé Lopes, chegando lá,

insistiu com o comandante,

que lhe entregasse Gregório

pra "julgar" a seu talante.

Não conseguiu e Gregório

foi, de maneira ultrajante,

amarrado como um bicho,

jogado num basculante

que o levou pro Recife

às ordens do comandante.



Levado então à presença

do General Alves Bastos,

Gregório, os pulsos sangrando,

nem assim se pôs de rastos.

Quando este lhe perguntou

onde as armas escondera,

respondeu: "se armas tivesse,

não era desta maneira

que eu estaria agora,

mas com as armas na mão,

junto com o povo lá fora".



Pro Forte das Cinco Pontas

foi conduzido, então,

e de lá para o quartel

de Motomecanização,

onde começa a mais negra

cena da "revolução"

que tanta vergonha e crime

derramou sobre a Nação.

Darci Villocq Viana,

eis o nome do vilão.



Esse coronel do Exército

mal viu Gregório chegar

partiu pra cima dele

e o começou a espancar.

Bateu com um cano de ferro

na cabeça até sangrar.

Chamou outros subalternos

para o preso massacrar.

Gritando: "Bate na fera!

Bate, bate, até matar!"

Dava pulos e babava

como se fosse endoidar.



Despois despiram Gregório

e já dentro do xadrez

com a mesma fúria voltaram

a espancá-lo outra vez.

Com 70 anos de idade

e outros tantos de altivez,

nenhum gesto de clemência

ao seu algoz ele fez.

O sangue agora o cobria

da cabeça até os pés.



No chão derramaram ácido

e fizeram ele pisar.

A planta dos pés queimava,

mal podia suportar.

Vestiram-lhe um calção

para depois o amarrar

com três cordas no pescoço

e para a rua o levar

preso à traseira de um jipe

e para ao povo mostrar

o "bandido comunista"

que se devia linchar.

Estava certo Villocq

que o povo o ia apoiar

para em plena praça pública

o comunista enforcar...



Mas para seu desespero

o povo não o apoiou.

Aos seus apelos de "enforca!"

nenhuma voz se juntou.

Um silêncio insuportável

sua histeria cercou.

Via era ódio nos olhos

e se ninguém protestou

é que os soldados em volta

ao povo impunham terror.

Muitas mulheres choravam.

Uma freira desmaiou

no Largo da Casa Forte

onde o cortejo parou.



"Meus pés eram duas chagas

- Gregório mesmo contou -

e no meu pescoço a corda

ainda mais apertou.

O sangue que me banhava

minha vista sombreou.

Senti que a força faltava

mas minha boca falou:

"Meu povo inda será livre!"

E muita gente chorou

no Largo da Casa Forte

onde o cortejo parou.



A freira que desmaiara

o arcebispo procurou

e este ao Genral Justino

nervosamente apelou

para impedir o homicídio

que quase se perpetrou.

A solidariedade humana

como uma flor despontou

no Largo da Casa Forte

onde o cortejo parou.



Quase morto mas de pé,

Gregório foi encarcerado.

Por dias e noites a fio

ele foi interrogado.

Já faz três anos que ele

continua aprisionado

sem ordem legal pra isso

e sem ter sido julgado.

E até um habeas-corpus

pedido lhe foi negado.



Mas nada disso arrefece

o valor desse homem bravo

que luta pra que seu povo

deixe enfim de ser escravo

e a cada nova tortura,

a cada cruel agravo,

mais força tem pra lutar

esse homem sincero e bravo.



E donde vem essa força

que anula a crueldade?

Vem da certeza que tem

numa histórica verdade:

o homem vem caminhando

para a plena liberdade;

tem que se livrar da fome

para atingir a igualdade;

o comunismo é o futuro

risonha da humanidade.



Gregório Bezerra é exemplo

para todo comunista.

É generoso e valente,

não teme a fúria fascista.

À barbárie do inimigo

opõe o amor humanista.



Gregório está na cadeia.

Não basta apenas louvá-lo.

O que a ditadura espera

é a hora de eliminá-lo.

Juntemos nossos esforços

para poder libertá-lo,

que o povo precisa dele

pra em sua luta ajudá-lo.