sexta-feira, 17 de novembro de 2017

Dia 25 , Grupo de Estudos de Anarquismo no Instituto Helena Greco


ATIVO ESTADUAL DE FINANÇAS – 18 DE NOVEMBRO DE 2017 BELO HORIZONTE – MINAS GERAIS

                                                                       

Programação:

I – Abertura – 09 horas.
II – Política de finanças e a construção do PCB – 10 horas.
III - Almoço – 12 horas às 13 horas.
III – As finanças do PCB e dos coletivos partidários - 13 horas às 15 horas.
IV – Plano Estadual de Finanças – 15 horas às 18 horas.

Política de finanças

Outro elemento fundamental para o fortalecimento orgânico do Partido é uma política de finanças criativa e ousada, que possibilite a construção material do Partido, a nossa independência financeira e política. A tarefa de finanças é não só um dever de todo militante, mas também um motivo de orgulho de cada camarada. 

Vale lembrar que não se pode realizar grandes tarefas políticas se não tivermos recursos materiais. Contribuindo financeiramente com sua organização revolucionária e tornando-a materialmente capaz de intervir na luta social e política, estaremos contribuindo para transformar nosso Partido num poderoso instrumento do proletariado para a revolução brasileira. 

Nesse sentido, tanto as células, quanto nossos coletivos partidários devem definir uma política de finanças na área onde atuam, com criatividade e ousadia, para dotar o Partido das condições materiais para fazer a grande política.

Mas só as contribuições das células não bastam para dotarmos o Partido de uma estrutura material com capacidade de intervir na luta social e política. É necessária a construção de instrumentos que possibilitem uma política de finanças para além do Partido. Nesse sentido, é importante recuperarmos alguns elementos de nossa tradição de construção financeira.


A Caixa Preta da Ditadura Civil Militar

                                                                              
Lucas Figueiredo é um dos mais premiados jornalistas brasileiros e um dos raros profissionais a quem faz sentido associar o termo “investigativo”. Nunca foi um mero e acrítico reprodutor de grampos ou documentos convenientemente vazados por autoridades, esse estilo preguiçoso que construiu na mídia carreiras tão meteóricas quanto inconsistentes.

Só por essa razão valeria prestar atenção em seu novo livro, Lugar Nenhum: Militares e Civis na Ocultação dos Documentos da Ditadura (Lucas Figueiredo. Companhia das Letras. 170 págs., 34,90 reais), integrante de uma coleção sobre os arquivos da repressão organizada pela Companhia das Letras. 

Há outro motivo, tão relevante quanto as qualidades do autor: Figueiredo foi pesquisador da Comissão Nacional da Verdade. Tem, portanto, autoridade e conhecimento de sobra para analisar o assunto.

CartaCapital: Por que os militares ainda resistem a fornecer documentos sobre a ditadura, principalmente os arquivos da repressão?

Lucas Figueiredo: Uma vez no poder, a partir de 1964, os militares implantaram uma política de Estado baseada na perseguição, sequestro, tortura, assassinato e ocultação de corpos daqueles considerados inimigos. No fim da ditadura, eles trabalharam para apagar ou esconder a memória de seus crimes.Destruir todos os documentos poderia, no entanto, parecer uma confissão de culpa, então boa parte dos arquivos foi simplesmente escondida em organizações militares ou colocada sob a guarda de oficiais da reserva. 

Ao manter intacta parte dos arquivos, os militares puderam e sempre poderão dizer, sobretudo para o público interno, que não têm do que se envergonhar em relação ao passado, que apenas cumpriram seu dever ao aniquilar o inimigo disposto a dominar o País e converter o Brasil em uma ditadura de esquerda.Ainda segundo esse discurso, manter os arquivos longe do público, da mídia, do Ministério Público e da Justiça seria dar continuidade à luta contra o comunismo. Ainda hoje, os militares se escondem atrás de uma suposta luta contra o revanchismo patrocinado por antigos e novos inimigos. No vermelho da goiaba, as Forças Armadas apenas escondem seus crimes.

CC: Os civis ainda têm medo dos militares, ainda são assombrados pelo fantasma de um golpe tramado nas casernas?

LF: No fim da ditadura, Tancredo Neves fez um pacto silencioso com os militares. O governo civil não investigaria os crimes das Forças Armadas na ditadura e, em troca, os militares não trabalhariam para desestabilizar o governo civil. Em sua primeira entrevista como presidente eleito, em 1985, Tancredo deixou isso bem claro ao dizer que não governaria olhando pelo retrovisor, que não estava disposto a trabalhar para colocar os militares no banco dos réus.

O pacto delineado por Tancredo foi posteriormente implantado por José Sarney e mantido por Fernando Collor, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Lula e, agora por Dilma Rousseff. Nenhum presidente civil do pós-ditadura, não custa lembrar, eles também são os comandantes-em-chefe das Forças Armadas, atuou com energia para abrir os arquivos.

Preferiram engolir a desculpa esfarrapada dos militares, e eu me refiro aos ministros militares e comandantes pós-1985, de que os arquivos foram destruídos em época incerta e sem registro. De Sarney a Dilma, todos os presidentes civis poderiam dizer aos comandantes militares que essa desculpa da destruição total e corriqueira dos arquivos é inaceitável.

Se arquivos foram destruídos, e uma grande parte realmente o foi, isso tinha o objetivo de apagar provas, o que também pode ser entendido como infração administrativa e crime. Quem diz isso não sou eu, é a legislação que trata da salvaguarda de documentos sigilosos do período posterior a 1964. Enfrentar os militares, exigir deles explicações convincentes, significaria inaugurar uma agenda complexa e sujeita a turbulências.

Não acredito que hoje haveria risco de golpe militar, mas certamente haveria tensão política e nos quartéis. Até hoje, contudo, não subiu a rampa do Palácio do Planalto alguém disposto a implantar essa agenda.Basta lembrar que FHC e Lula, por intermédio da Advocacia-Geral da União, tentaram evitar, com todas as forças possíveis, que a Justiça Federal de Brasília ordenasse a abertura dos arquivos da Guerrilha do Araguaia. 

Sarney, Collor, Itamar, FHC, Lula e Dilma acharam que seria mais cômodo para eles deixar as gavetas trancadas. Ainda que isso tenha significado colocar a democracia em posição extremamente frágil.

CC: Há quem argumente que a sociedade brasileira tem menos interesse nos crimes da ditadura do que nos países vizinhos. Isso explicaria os nossos tímidos avanços. Concorda com essa visão ou acredita que o problema deriva dos receios, até mesmo covardia, de quem teria poder para exigir e garantir a transparência desse processo? Ou está no fato de que muitos dos apoiadores do regime continuam na ativa, tanto na política quanto no setor privado?
                                                                  
LF: Concordo com todas essas razões. A partir de 1985, o poder civil no pós-ditadura esteve impregnado de apoiadores do regime militar. E, diferentemente do que aconteceu e ainda acontece na Argentina e no Uruguai, por exemplo, esse não é um assunto caro a uma parcela grande da sociedade brasileira. Há, por certo, setores muito empenhados, de organizações de familiares a grupos muito preparados dentro do Ministério Público e da Justiça. Mas não há como negar que o grosso da sociedade não se incomoda com o passado autoritário do País.

CC: O Brasil terá outra oportunidade de discutir esse assunto a fundo ou as comissões da verdade vão enterrar de vez a possibilidade de o País se reencontrar com seu passado? Um dia teremos torturadores e mandantes julgados e presos?

LF: Com o resultado tímido da Comissão Nacional da Verdade, perdemos uma grande chance de avançar. A luta pelo resgate da verdade sempre vai existir, mas a luta pela Justiça agora corre contra o tempo, pois falamos de crimes ocorridos há 30, 40 ou 50 anos. Daqui a pouco, mesmo que se decida julgar os crimes da ditadura, não haverá ninguém para sentar no banco dos réus.

* Reportagem publicada na edição 871 de CartaCapital com o título "Medo e Mentiras"

(Com a Fundação Dinarco Reis)

Contra a criminalização da Liga dos Comunistas da UFOP

                   

                 Nota de repúdio à criminalização da Liga dos Comunistas (UFOP)

17/11/2017

O Partido Comunista Brasileiro-PCB, a corrente Sindical Unidade Classista, a União da Juventude Comunista e os Coletivos Ana Montenegro, Minervino de Oliveira e LGBT Comunista vêm a público manifestar repúdio à tentativa de criminalização via inquérito da Polícia Federal sobre as atividades acadêmicas da Liga dos Comunistas da UFOP – Núcleo de Estudos Marxistas, desde 2009 vinculado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico – CNPQ.

Reiteramos também nosso repúdio à proibição do Centro de Difusão do Comunismo-CDC UFOP (cassado em 14 de agosto de 2013) e a tentativa de criminalização do Grupo de Estudos e Pesquisa Marx, Trabalho e Educação da FAE-UFMG (processo arquivado) que ocorreu no primeiro semestre 2017.

O anticomunismo presente e crescente no Brasil e no mundo tem como alvo principal os partidos comunistas, seus militantes, e as lideranças sindicais, estudantis e populares. 

No âmbito acadêmico universitário seu alvo predileto são os professores e estudantes vinculados aos grupos e núcleos de pesquisa que contestam o status quo dominante. 

Os conservadores e os grupelhos fascistas buscam utilizar o aparato do Estado Burguês para tentar coibir, proibir e reprimir todas as manifestações de livre pensamento crítico à ordem do Capital.

O coordenador do núcleo de pesquisa, professor André Mayer, é um destacado dirigente sindical, presidente da Associação dos Docentes da Universidade Federal de Ouro Preto (ADUFOP) – seção sindical do ANDES-Sindicato Nacional e membro do Comitê Estadual do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e da corrente sindical Unidade Classista.

Convocamos os/as militantes do PCB e de seus coletivos partidários (UC, UJC, CFCAM, CNMO e LGBT Comunista) a marcarem presença na porta da Delegacia da Polícia Federal em Belo Horizonte no dia do depoimento do camarada André, em um ato de solidariedade. O depoimento irá acontecer no dia 29/11/17, quarta-feira, a partir das 14h.

Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB)

segunda-feira, 13 de novembro de 2017

Nesta terça um ato contra a censura no Teatro da Cidade às 19h

                                                                          

Pedro Paulo Cava <pedropaulocava@pedropaulocava.com.br>

Caros amigos:

Artistas de todas as categorias, jornalistas, entidades de classe da sociedade civil, personalidades, intelectuais, professores, têm se reunido há alguns dias no Sindicato dos Jornalistas de MG, para esboçar um movimento contra os arbítrios, contra a censura e contra as agressões que vêm sofrendo várias manifestações do pensamento e da criação artística em Minas e no Brasil, comandadas pelos evangélicos mais fundamentalistas e,  mais recentemente, por católicos retrógrados pertencentes à renovação carismática.

Aqui em Minas este terrorismo religioso e fascista foi protagonizado contra a exposição de Pedro Moraleida no Palácio das Artes.

A censura às artes e à liberdade de expressão é um movimento orquestrado pelos neofascistas brasileiros que se uniram a religiosos raivosos para levar a cabo a destruição da cultura plural e diversa do povo brasileiro. 

Estes grupos da extrema direita que saíram do armário nos últimos anos, são vários e ruidosos e querem cercear as liberdades civis garantidas pela Constituição Federal, acabar com o estado laico e implantar um governo que remonta aos tempos da inquisição. 

Convém lembrar também que foi desta forma que em 1933,  a Alemanha de Hitler destruiu toda a arte e o pensamento daquele país e depois de toda a Europa, implantando uma estrutura policial-militar de governo que deu no que todos sabem.

Ao deparar-me com os descalabros que vêm sendo cometidos em nosso país, lembrei-me do nosso passado recente de combate à ditadura, à censura e aos fascistas que atrasaram em mais 30 anos os avanços que a sociedade brasileira exigia.

Como podem ver a história tende a se repetir de tempos em tempos. É preciso dizer: - basta! Partir para o enfrentamento, defender as instituições livres e democráticas e defender em especial, o futuro de nossos filhos, netos e garantir a liberdade de expressão e criação para sempre em nosso país, da forma como está contemplada em nossa Carta Magna.

Não é possível admitir retrocessos e nem se intimidar diante da intolerância e virulência de quem se arvora em dono da verdade única e imutável. Estes são os fundamentalistas que se assemelham ao que vemos hoje no oriente médio com o surgimento de grupos religiosos, terroristas e fanáticos, jamais visto. 

Estas seitas e doutrinas que, em nome de uma pretensa religião salvadora, matam, destróem e eliminam tudo que sequer entendem e que consideram um perigo para seus planos de chegar ao poder, dominar e escravizar pela ilusão do dogma, os mais frágeis e ignorantes a respeito de sua própria história e condição humana.

Da minha parte, junto a minha voz a milhares que estão nesta luta pela criação da FRENTE NACIONAL DE  LUTA CONTRA A CENSURA e convoco a todos os que ainda prezam sua liberdade para um encontro no Teatro da Cidade, nesta terça-feira, dia 14/11/2017, às 19 horas, para que possamos traçar as estratégias de um ato público contra a censura e o obscurantismo.

Peço que repassem a seus contatos. Esperamos vocês.
Com meu abraço, em nome do coletivo do Sindicato dos Jornalistas,
Conclamo a se moverem em defesa das nossas liberdades duramente conquistadas e da nossa cultura.
Depois será tarde.
Censura Nunca Mais!!!

**Aproprio-me abaixo da poesia de resistência de um dos grandes poetas brasileiros, para que possamos permanecer vigilantes, lúcidos, atentos e fortes ao momento histórico que atravessamos.

Pedro Paulo Cava
(31) 3273-1050 - Teatro da Cidade - após 14:30h
(31)99982-4631
www.teatrodacidade.com.br

O mundo seria diferente se a URSS não tivesse vencido


A Revolução Russa

                                                                         
                                                                            

Astrojildo Pereira (*)

Bem difícil, sem dúvida, é precisar o curso dos atuais acontecimentos na Rússia. Aliás, seria rematada tolice pretender firmar tais ou quais traços definitivos do grande movimento que deu por terra, abruptamente, com a casta dos Romanov, e com ela, de cambulhada, todas as demais castas aristocráticas e monopolizadoras das riquezas e do poder.


Movimento de tal magnitude e complexidade, revolvido por mil correntes diversas, há de por força manifestar-se confuso e contraditório, com altos e baixos, com claros e escuros violentos. Impossível, pois, determinar em linhas inflexíveis os traços essenciais dos fatos revolucionários e suas consequências. 

O que não quer dizer que, em meio do cipoal dos telegramas e correspondências e de outros documentos mais raros, não se possa fazer uma ideia mais ou menos aproximada do grande drama político – grande por si mesmo e ainda maior pelas suas consequências – da orientação que o tem guiado e das tendências que o caracterizam.

Os dois núcleos orientadores do movimento, a Duma e o Comitê de Operários e Soldados – este surgido da própria Revolução –, logo tomaram posições antagônicas, terminado o primeiro golpe demolidor. A Duma, vinda do antigo regime, pode-se dizer que representa, em maioria, a burguesia moderada e democrática, ao passo que o Comitê de Operários e Soldados, composto de operários, representa o proletariado avançado, democrata, socialista e anarquista. 

A Duma deu o governo provisório e o primeiro ministério; o Comitê de Operários e Soldados derrubou o primeiro ministro, influiu poderosamente na formação do segundo e tem anulado quase por completo, senão de todo, a ação da Duma.

Insignificante, sem nenhum peso, ao menos até agora, o elemento reacionário e aristocrático, a situação russa tem de obedecer, na sua luta pela estabilização pública, às duas forças principais enfeixadas pelo proletariado socialista e anarquista e pela burguesia democrática e republicana. A qual das duas forças está destinada a preponderância na reorganização da vida russa? O que se pode afirmar com certeza é que essa preponderância tem cabido, até agora, ao proletariado.

E como o proletariado, cuja capacidade política já anulou o papel da Duma burguesa, está também com as armas na mão, não encontrando, pois, resistência séria aos desígnios, não muito longe da certeza andará quem prever a sua contínua preponderância, até a completa absorção de todos os campos da vida nacional, extinguindo-se, de tal modo num prazo mais ou menos largo, a divisão do povo em castas diversas e inimigas.

E inútil é insistir na influência que tais acontecimentos exercerão no resto do mundo, na obra de reconstrução dos povos, cujos alicerces estão sendo abalados pelo fragor inaudito dos grandes canhões destruidores…

(*) Astrojildo Pereira é um dos fundadores do PCB e seu primeiro secretário geral.Blog da Boitempo disponibiliza um artigo clássico de Astrojildo , recuperado para a edição especial da revista Margem Esquerda, um volume inteiramente dedicado ao centenário da Revolução Russa.

Escrito no calor da hora, texto foi e publicado no primeiro número periódico carioca O Debate, de julho de 1917. No ano seguinte, o jovem jornalista anarcossindicalista seria preso por participar da frustrada insurreição anarquista de 1918, sendo libertado em 1919. É sob o impacto mundial da experiência revolucionária russa que começava a se desdobrar que Astrojildo eventualmente adere ao comunismo, chegando a fundar, em 1921 o Grupo Comunista do Rio de Janeiro e, no ano seguinte, o Partido Comunista do Brasil.

(Com Prestes a Ressurgir)

sábado, 11 de novembro de 2017

Outubro (*)

                                                                

 Jorge Cadima   

A Revolução de Outubro mostrou que é possível uma sociedade diferente, que é mentira que tenha de ‘ser sempre assim’. Mostrou que a Humanidade não precisa de banqueiros, de grandes capitalistas ou latifundiários para viver e progredir. Mostrou que quando a sociedade humana deixa de alimentar os apetites insaciáveis das classes parasitárias, cai por terra a tese do ‘não há dinheiro’ para despesas sociais.

É impossível falar do último século sem falar da grande Revolução Socialista de Outubro, o maior acontecimento libertador da História. Mesmo os seus inimigos o sabem. Por isso a denigrem e falsificam. Porque a odeiam, mas também porque dela continuam a ter medo.

A Revolução de Outubro mostrou que é possível uma sociedade diferente, que é mentira que tenha de ‘ser sempre assim’. Mostrou que a Humanidade não precisa de banqueiros, de grandes capitalistas ou latifundiários para viver e progredir. Mostrou que quando a sociedade humana deixa de alimentar os apetites insaciáveis das classes parasitárias, cai por terra a tese do ‘não há dinheiro’ para despesas sociais.

Apesar do atraso da Rússia czarista e da hostilidade permanente das classes exploradoras de todo o mundo, a União Soviética socialista assegurou ‘dinheiro’ para alfabetizar e educar todo o povo, com ensino gratuito e de qualidade. ‘Houve dinheiro’ para assegurar cuidados de saúde gratuitos, férias, descanso, cultura, ciência e desporto para todos. 

‘Houve dinheiro’ para, sem esmolas caritativas, assegurar direitos laborais, segurança na terceira idade e perante os infortúnios da vida, direitos das mulheres e das crianças. O desemprego foi erradicado. Enquanto o mundo capitalista se afundava na grande crise dos anos 30, a URSS assegurou um impetuoso desenvolvimento das forças produtivas, transformando-se numa grande potência industrial. Façanhas possíveis porque a sociedade deixou de ser gerida em função do lucro e dos interesses do grande capital financeiro.

A Revolução de Outubro não foi apenas uma Revolução russa. Foi uma Revolução que inspirou os trabalhadores e povos de todo o mundo. Foi uma Revolução da Humanidade trabalhadora, explorada e oprimida. Foi o seu exemplo que pôs fim à carnificina da I Guerra Mundial, alentando a revolução alemã de 1918.

Que levou o movimento operário de todo o mundo a criar os seus partidos revolucionários de classe e potenciou a luta das classes exploradas pelos seus direitos sociais. Que inspirou os povos colonizados (a maioria da Humanidade) a libertarem-se da dominação imperialista. Que inspirou novas revoluções socialistas e a luta anti-fascista. 

Foi o pavor de que o exemplo da Revolução de Outubro se generalizasse que levou o grande capital – sobretudo após a derrota da aposta no fascismo – a fazer concessões que representaram avanços sociais até então desconhecidos e que não são fruto do capitalismo, como os dias de hoje dramaticamente comprovam. A Humanidade deve muito à Revolução de Outubro. Incluindo a derrota do monstro nazi-fascista, filho do capitalismo em crise, e a defesa da paz mundial.

Não é um acaso que o desaparecimento da URSS tenha sido acompanhado de um enorme retrocesso para os trabalhadores e povos do mundo: explodiram de novo a exploração de classe desenfreada, enormes desigualdades sociais e as guerras e agressões do imperialismo. 

O capitalismo, mais livre para funcionar de acordo com as suas leis (e contradições), caiu numa profunda crise sistémica. É também o século XXI que mostra que a Revolução de Outubro faz falta aos trabalhadores e aos povos. E ninguém melhor do que as classes dominantes deste cada vez mais parasitário e destrutivo capitalismo sabe que ela aponta o caminho do ‘outro mundo’ necessário e possível. É por isso que, cem anos depois, continuam a temê-la e odiá-la. Viva a Revolução de Outubro!

(*) Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2293, 9.11.2017

(Com Odiario.info/Ilustração: cartaz publicado por Russia Beyond)

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A Grande Revolução Socialista de Outubro iniciou uma nova era para a humanidade

                                                                      
Discurso de José Ramón Machado Ventura, segundo secretário do Comitê Central do Partido e vice-Presidente dos Conselhos de Estado e Ministros, no ato político-cultural pelo ensejo do Centenário da Grande Revolução Socialista de outubro, realizado no Teatro Karl Marx, Havana, em 7 de novembro de 2017

"Companheiro general-de-exército Raúl Castro Ruz, primeiro secretário do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba

Companheiras e companheiros:

Somos convocados para comemorar um dos eventos mais transcendentais do século XX: a Grande Revolução Socialista de Outubro, com a qual uma nova era para a humanidade começou.

Atualmente, em alguns meios de comunicação, há uma tendência para diminuir a importância da Revolução que levou à fundação do primeiro estado socialista no mundo e abriu um caminho de esperança, dando lugar a um novo regime social que mostraria que um mundo era possível, sem exploradores ou explorados. Tenta-se diminuir e até mesmo ignorar o papel desempenhado por seu eminente líder, Vladimir Ilyich Lenin.

Quando se referiu a Lenin, o Comandante-em-chefe Fidel Castro Ruz disse: «Ele foi um brilhante estrategista revolucionário que não hesitou em aceitar as ideias de Marx e realizá-las em um país imenso e apenas parcialmente industrializado... Lenin foi um homem verdadeiramente excepcional, um profissional, capaz de interpretar toda a profundidade, essência e valor da teoria marxista», fim da citação.

Teve o mérito de tirar proveito de um momento de crise do imperialismo, provocado por sua própria guerra e o crescimento do movimento trabalhista na Rússia czarista, para realizar a revolução socialista. Lenin era um homem que achava incompreensão em seu próprio ambiente, mas, ao mesmo tempo teve, como ninguém, naquele momento, a maior compreensão dos humildes, dos trabalhadores conscientes de que a tomada do poder político era o único meio de levá-los à sua emancipação .

Foi, precisamente, a liderança brilhante de Lenin a que propiciou aquela grande revolução, depois da qual ocorreram mudanças transcendentes para os oprimidos deste mundo.

Cem anos depois não é possível negar o imenso contributo e legado da Revolução bolchevique, que deu passagem a outras grandes revoluções sociais do século XX, surgidas alguns anos após a vitória contra o fascismo, como a da China, a vietnamita e a cubana.

Os acontecimentos ocorridos em outubro, a implementação da teoria marxista nas condições específicas desse momento, demonstraram a relevância da revolução social mundial, para a qual, segundo Lenin, a russa era apenas o prólogo ou um patamar.

O processo de descolonização não teria sido possível sem a enorme influência da Revolução de Outubro, na medida em que contribuiu decisivamente para o fato de que o direito dos povos à autodeterminação e à independência se tornasse uma realidade em muitos países do mundo.

Um contributo inegável desta grande façanha foi o início do processo de estruturação político-econômica de um novo sistema: o socialismo.

A Revolução propiciou a mudança drástica na correlação de forças global, demonstrou que a eliminação da exploração era possível, que existiam outras formas de governo e democracia e que alternativas existiam além das fórmulas oferecidas pelo capitalismo, gerador de guerras e divisões, opressor de povos e nações.

No campo das relações internacionais, esta Revolução inaugurou uma nova maneira de fazer e agir. No Decreto da Paz e na Declaração dos Direitos dos Povos da Rússia, foram registrados os princípios que devem reger as relações entre os Estados e os povos, que ainda são válidos hoje.

A URSS alcançou, em um período historicamente muito curto, o desenvolvimento tecnológico e industrial. Erradicou o analfabetismo, generalizou a escolaridade, atingiu um alto nível científico, assegurou o emprego e a proteção social, eliminou a discriminação contra as mulheres e aumentou seus direitos, bem como a das crianças e dos jovens.

Essas realizações foram obtidas em meio a agressões militares, econômicas e políticas. O Estado socialista nascente tornou realidade os postulados de sua Revolução através do sangue e do fogo e começou a ser construída em um país totalmente arruinado, sangrado e bloqueado, o que exigia esforços não menos duros e heróicos.

Foram muitas as contribuições dos povos que compunham a URSS, mas nenhuma mais significativa do que a derrota do fascismo, que merece uma eterna gratidão.

O influxo da Revolução de Outubro e a batalha pelo desenvolvimento multifacetado que se realizou no que era o país imperial mais atrasado de seu tempo, também chegaram à América Latina, onde as ideias da Revolução foram disseminadas e começaram a surgir os partidos comunistas, incluindo Cuba, no meio das condições de uma república intervida primeiramente e neocolonial mais tarde.

Nestes e em outros grupos revolucionários cubanos que enfrentavam a dominação imperialista e seus cúmplices governos estavam presentes, ao lado das ideias de José Martí, as ideias da Revolução de Outubro, as ideias do marxismo-leninismo.

Em 1970, por ocasião da comemoração do centenário do nascimento de Lenin, o líder histórico da Revolução Cubana disse e eu cito: «...Sem a Revolução de Outubro de 1917, Cuba não poderia ter sido constituída como o primeiro país socialista da América Latina». Mais tarde, em 1972, em uma profunda reflexão sobre as raízes da nossa Revolução socialista, ele especificou: «o processo revolucionário de Cuba é a confirmação da extraordinária força das ideias de Karl Marx, Friedrich Engels e Vladimir Ilicht Lenin», fim da citação.

Durante esses 100 anos, mas principalmente depois do desaparecimento do sistema socialista na Europa, muito tem sido escrito e debatido, desde posições ideológicas muito diferentes, sobre essa Revolução. Lamentavelmente, as posições extremas convergem para apontar que suas ideias falharam, com uma marcante distorção de suas causas e consequências, com a intenção de impor um pensamento único destinado a destacar a supremacia do capitalismo acima do socialismo.

A Revolução de Outubro iniciou um processo extraordinariamente complexo, com realizações e fracassos, mas para julgá-lo, devemos levar em conta, em primeiro lugar, as condições históricas em que se desenvolveu, o contexto internacional e as contradições geradas por qualquer processo revolucionário. Foi também a primeira grande tentativa de transformar o mundo, transformar a utopia em realidade.

O imperialismo hoje busca novas alianças e tenta por todos os meios possíveis para sufocar e destruir qualquer tentativa de mudança social.

Neste contexto histórico, podemos afirmar que as ideias que a inspiraram e o socialismo como sistema mantêm força total. Os princípios da igualdade, da solidariedade, do internacionalismo, da justiça social, do direito dos povos à sua autodeterminação, independência e soberania, que foram o sustento da Revolução de outubro, continuarão a ser nossos também.

Viva a Grande Revolução Socialista de Outubro!

Muito obrigado.

(Com o Granma)

"Enfrentar as ilusões do reformismo"



                                             
 Intervenção do PCB no 19° Encontro Internacional 
 Partidos Comunistas e Operários, em Leningrado

O Partido Comunista Brasileiro (PCB) enviou delegação ao XIX Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e Operários, realizado em Petrogrado (ex-Leningrado) e Moscou, na Rússia, neste ano em que se comemora o Centenário da Revolução Socialista. 

Os camaradas Edmílson Costa (Secretário Geral), Edílson Neves (Secretário de Organização), Eduardo Serra (Secretário de Relações Internacionais) e Aníbal Valença (membro do Comitê Central) participam do evento, que reúne organizações comunistas e operárias de todo o mundo, as quais relatam suas experiências de lutas nos seus países e elaboram propostas de ações conjuntas neste momento de grandes desafios para o movimento operário e comunista internacional no enfrentamento aos ataques do capital e do imperialismo. Segue abaixo resumo da intervenção do PCB no Encontro, cujo discurso foi proferido pelo camarada Eduardo Serra.

O Partido Comunista Brasileiro saúda todos os partidos comunistas e operários presentes neste evento e felicita nosso anfitrião, o Partido Comunista da Federação Russa. Desejamos-lhe toda a força e o sucesso na luta contra o capitalismo em todos os países. Esperamos que este seja um encontro muito bem sucedido, especialmente porque estamos no país de Lenin e porque Lenin é a nossa referência principal no esforço revolucionário para o socialismo. Aqui estamos também para comemorar o Centenário da Revolução Bolchevique, o episódio histórico de maior importância para a Humanidade até os dias atuais. 

A evolução recente do capitalismo criou um estado de guerra entre os trabalhadores e as grandes empresas internacionais, que tentam manter suas taxas de lucro altas, aumentando a taxa de exploração sobre a classe trabalhadora com o apoio dos governos burgueses que, dia a dia, eliminam cada vez mais os direitos sociais e até mesmo os direitos humanos para apoiar seus interesses e superar a crise mundial, buscando retomar, desta forma, o crescimento econômico. 

A dificuldade em lidar com a crise e as muitas incertezas sobre o futuro torna os poderes imperialistas hegemônicos do mundo cada vez mais agressivos contra os povos e países, especialmente aqueles que possuem grandes reservas de recursos naturais. Os EUA e seus aliados invadiram o Iraque, o Afeganistão, a Líbia e financiam as forças mercenárias para combater e tentar derrubar o presidente sírio legalmente eleito. Agora, ameaçam e provocam a Coréia do Norte e o Irã, além de manter o bloqueio contra Cuba socialista. 

Por outro lado, o povo venezuelano provou mais uma vez que é possível derrotar as forças imperialistas mobilizando e organizando os trabalhadores. Entendemos que, na Venezuela, há uma possibilidade de construir um caminho para o socialismo e que esta é a única maneira de evitar que as forças populares sejam derrotadas. Também gostaríamos de destacar a luta em torno do processo de negociação de paz liderado pelas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia, que agora são um partido político popular de esquerda, capaz de conduzir os trabalhadores colombianos a obterem melhores condições para lutar pelo socialismo. 

O Movimento Comunista Internacional tem a tarefa não só de combater o poder do capital e o imperialismo em uma base mundial, mas também enfrentar as ilusões do reformismo que ainda existem em nossas trincheiras. O reformismo é muito perigoso para o movimento revolucionário à medida que desmobiliza os trabalhadores e facilita as coisas para os capitalistas, dado que muitos partidos se apresentam como "esquerdistas", mas são, de fato, organizações de fantasia cuja tarefa é iludir os trabalhadores e criar obstáculos para a ação revolucionária. Algumas forças reformistas conseguem escolher um melhor imperialismo, como se isso pudesse existir, e vendem a ideia de que eleições e disputas institucionais são suficientes para avançar no rumo do socialismo. 

No Brasil, sofremos uma situação complexa e difícil. Há uma enorme crise econômica e política com recessão e desemprego. Agora, temos um governo burguês puro sangue, que chegou ao poder através de um golpe parlamentar e midiático, com a missão de eliminar todos os ganhos sociais obtidos pelos trabalhadores nos últimos 50 anos por meio de muitas greves e confrontos, bem como também para eliminar os direitos democráticos. 

Os grupos fascistas mostram seus rostos e são ativos, e muitas pessoas pedem o retorno do governo militar. Mesmo com uma taxa de aprovação popular de apenas 3% e sob denúncias sérias de corrupção envolvendo relações financeiras ilegais com grandes empresas, o atual presidente controla mais de metade do Congresso comprando votos. 
                                                             
Mas, desde 2013, os movimentos populares estão ficando mais fortes. Este ano, houve muitas greves e manifestações populares no Brasil, incluindo uma greve geral em 28 de abril, a greve geral mais importante nos últimos 30 anos. Nosso Partido esteve presente em todas essas ações e acabamos de apresentar à classe trabalhadora um programa político visando à união das forças de esquerda e dos movimentos populares, como contribuição para o debate político sobre possíveis linhas de luta para superar a situação atual e para combate o capitalismo. Seu título é "Derrotar o projeto burguês e construir uma alternativa popular – pão, trabalho e habitação". Esta iniciativa se agrega a outras similares que estão sendo tomadas por muitos grupos políticos e movimentos sociais no Brasil. 

Estamos fazendo o nosso melhor para fazer avançar a luta de classes no Brasil. Vocês podem ter certeza de que, onde quer que haja uma luta de trabalhadores e movimentos populares, as bandeiras vermelhas do nosso Partido, nossos coletivos e da nossa juventude se fazem presentes. 

VIVA A LUTA DOS TRABALHADORES EM TODO O MUNDO! 
VIVA O CENTENÁRIO DA REVOLUÇÃO SOCIALISTA! 
VIVA O SOCIALISMO! 
08/Novembro/2017

Edmilson Costa, secretário-geral do PCB, em Leningrado 

O original encontra-se em pcb.org.br/portal2/16925 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

100 anos da revolução em que os camponeses e operários tomaram o poder


                                                                              
Por conta do centenário da Revolução de Outubro, que alçou os bolcheviques ao poder na Rússia, a Resumen Latinoamericano dialogou com três acadêmicos latino-americanos para compreender seus alcances e consequências. Como a primeira revolução comunista influiu no resto do mundo? Que transformações desenvolveu? Como é lembrada hoje em dia nas diferentes partes do planeta?

Tratou-se da “primeira ocasião na história em que se mostrou que os camponeses, os operários, os trabalhadores podiam tomar o poder político”, opinou o historiador venezuelano Lionel Muñóz.

Por sua vez, o sociólogo e professor da Universidade de Buenos Aires (Argentina), Martín Ogando, considerou que é “o evento político mundial mais importante do século XX” já que “o socialismo, enquanto transição para uma sociedade pós-capitalista, se converteu em um horizonte possível que envolveu milhões de seres humanos”.

Do mesmo modo, o também historiador e escritor mexicano Leopoldo Mendívil López analisou que “teve o maior impacto econômico no mundo desde que surgiu o capitalismo, no século XVII”. Em poucos anos, “30 países que anteriormente estavam ligados ao comércio da Europa, constituíram a grande esfera soviética”.

De Marx a Lenin

Embora tenha existido o fugaz antecedente da Comuna de Paris (1871), a Revolução Russa fez nascer a primeira experiência exitosa de um governo socialista.

“Essa tomada do poder esteve relacionada com um desenvolvimento teórico importante por parte das correntes que vinham inspirando-se nos pensamentos de Karl Marx desde o século XIX”, explica Muñóz, que também é diretor do Instituto de Estudos Hispano-americanos. Essas ideias encontraram “uma via de execução prática” por meio da obra de Vladímir Lenin, “um dos condutores daquela revolução”.

Comunistas russos através de uma bandeira com a imagem do líder bolchevique Vladímir Lenin / Eduard Korniyenko / Reuters

Para o intelectual venezuelano, Lenin deu “operacionalidade, aterrissou no terreno político as teorias desenvolvidas por Marx” e abordou “fenômenos novos dos quais Marx não falou, como o imperialismo”.

Muñóz destacou que o líder russo “deu ao marxismo uma tradução política organizativa através de uma proposta que terminou sendo a da ala radical – bolchevique – do Partido Operário Socialdemocrata da Rússia”.

O terço socialista do mundo

Com o correr dos anos e, sobretudo, após a Segunda Guerra Mundial, a influência da União Soviética se expandiu por grande parte do planeta. Em 1980, nas repúblicas soviéticas viviam em torno de 400 milhões de pessoas, “a oitava parte da população terrestre”, assinalou Mendívil López.

Ogando ampliou o olhar e pontuou que, depois dessa contenda, “um terço da humanidade habitava Estados-Nações que reivindicavam, sob distintas modalidades, uma organização social identificada com o socialismo”. Depois, diferentes variantes revolucionárias ou reformistas “organizaram movimentos de massas” e governaram “nos cinco continentes”.

Não obstante, o sociólogo argentino esclareceu que “sob a palavra ‘socialismo’ se agruparam as mais diversas experiências e se desenvolveram as mais amargas controvérsias”. Embora “tenha sido um núcleo de articulação hegemônica eficaz durante grande parte do século XX”, seu conteúdo específico “foi terreno de árduas disputas” e, “por momentos, tratou-se de um ensaio polifônico repleto de adjetivos: socialismo nacional, socialismo árabe, socialismo democrático, novo socialismo…”.

Finalmente, Muñóz destacou que “uma das maiores contribuições” que podem contar-se da Revolução de Outubro é “ter transformado a velha Rússia czarista, submersa no atraso, em uma potência industrial e, mais tarde, militar”.

Porém, mais importante ainda, foi que surgiu a URSS e “derrotou o fascismo durante a Segunda Guerra Mundial”, uma vitória “conquistada inteiramente por conta do esforço heroico, sobre-humano” do povo soviético: “a humanidade inteira tem uma dívida para com este povo e a Revolução socialista de 1917”, concluiu o historiador venezuelano.

Santiago Mayor em colaboração com Ernesto J. Navarro e José Luis Montenegro

Fonte: http://www.resumenlatinoamericano.org/2017/11/07/100-anos-de-la-revolucion-que-demostro-que-los-campesinos-y-los-obreros-podian-tomar-el-poder/
Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

*Censo oficial czarista, que foi secreto até antes da revolução 1917.

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Homenagem ao sindicalista José Francisco Neres no Centenário da Revolução Russa

                                       
Neres agradecendo a homenagem, ao seu lado os membros do CC Pablo Lima e Dinarco Reis Filho
                                      
O secretário geral do PCB Edmilson Costa
Neres com seu diploma de Sócio Honorário, proposto pelo vereador Betão
Outubro de 1917. Pela primeira vez os trabalhadores ascendem ao poder numa nação. Não numa nação qualquer mas no maior país do mundo. Nove de outubro de 2017, cem anos depois da Revolução na Rússia, uma cidade do porte da de Juiz de Fora, entrega o título de sua Cidadania Honorária a um ex-preso político mineiro: o tecelão José Francisco Neres, uma verdadeira lenda das lutas sociais em nosso país. 

Um ato multipartidário. A começar pela proposição da honraria, de autoria do vereador Betão, do PT, presentes representantes de outras legendas, como o PCdoB, o secretário-geral do PCB, Edmilson Costa, de outros membros do Comitê Central do Partido como Dinarco Reis Filho e Pablo Lima, além da direção e  membros do PCB de Juiz de Fora, como Luiz Carlos Kaizim e grande parte de jovens lutadores sociais do município, jornalistas e convidados especiais. 

José Francisco Neres, militante há mais de 50 anos no PCB, foi seu secretário-político em Minas Gerais é um dos principais integrantes da Velha Guarda do Partido. Durante a ditadura esteve sempre atuante e chegou a ficar  mais e dois anos preso justamente na Penitenciária de Linhares, em Juiz de Fora.

                                     Dossiê de J.F. Neres

Interrompe-se bruscamente o Sol; das flores só o cheiro cada vez mais distante. Da música os acordes mais dissonantes,depois estridentes até desaparecerem os acordes; a melodia foi vencida.

Resta o barulho ensurdecedor tentando ofuscar a lembrança, as vozes de crianças, as vozes do povo, as vozes do novo, o barulho contra o grito.

Gritos, urros,, homem contra máquina de dor, a maquina contendo refinada tecnologia, manejada com arte sinistra.

Homem no escuro, o ar cada vez mais fragmentado.Sombra da noite, enfim a noite. As asas do  pássaro o carregam para a noite.

Mas não...é proibido anoitecer. Aqui também a medicina tem seu lugar, encobre a noite mas reforça a

escuridão.

Nos raro intervalos em que se pode lembrar, explode o canto novo. É preciso ocupar todas as horas 

do dia, todos os dias da noite.

Som, barulho, dança macabra, onde o velho e o filho bastardo descarregam sua ira como que 

vingando sua decadência.

Como pode o passado se atirar com tanta força contra o presente e o futuro?

O Velho foi ferido de morte em 1917. De lá para cá sobrevive sugando força de sua filha bastarda

- a classe média, e se alimentando da bestialidade, do obscurantismo que também são sub produto do 

velho.

Agora a dança é mais feroz: não conta horas. O dia se perdeu, o ar ficou mais escasso, os 

combustíveis para a vida foram cortados. 

Em lugar o seu terror, o delírio, as alucinações, o encontro com a noite se faz urgente antes que se 

apague da mente as cores, as lembranças e a força do novo.

Até a noite foi acorrentada, passou a ser jogada contra a escuridão. A força nova se mantém por um 

fio, comprida, reprimida. Momentos de refluxo: momentos em que o velho se impõe e festeja a 

vitória que antevê.

Mas um rasgo de sopro passa pelo fio e arromba a janela. Impõe de  novo o novo, a lembrança, de 

novo a  herança, e lá fora se distingue a cor vermelha, a tocha de luz que avança nas mão da classe 

operária.


(Pensamento passado para fora da  prisão por Neres clandestinamente, no mês de julho de 1976)
  
(Imagens do PCB de Juiz de Fora)


Centenário da Revolução Russa


domingo, 5 de novembro de 2017

José Paulo Netto receberá Medalha Pedro Ernesto dia 7 na UFRJ

                                                 

100 anos, ocorreu um evento que “abalou o mundo” e redefiniu o curso do século XX: a grande revolução russa, a primeira sublevação socialista vitoriosa da história.

Para celebrar tal centenário, o mandato de Renato Cinco fará uma homenagem ao professor e militante comunista José Paulo Netto. 

No dia 7 de novembro (terça-feira), data em que ocorreu a insurreição de outubro de 1917, José Paulo receberá a medalha Pedro Ernesto, a maior comenda da Câmara Municipal. A atividade será realizada, às 18h30, no auditório Pedro Calmon da UFRJ.

sábado, 4 de novembro de 2017

A ignorada revolta haitiana (*)

                                                                            
 António Santos 

No Haiti, um dos mais pobres e desiguais países do mundo, levanta-se um movimento popular contra o corrupto regime de Jovenel Moïse, o lacaio do imperialismo de serviço. Afrontando a repressão, transformou-se em mobilização nacional contra a doutrina neoliberal, em clamor popular pela soberania, em exigência de demissão do governo.

A revolta do povo haitiano estalou há dois meses e na comunicação social da classe dominante nem uma notícia. Talvez o critério editorial seja uma escala tanatológica de um para mil em que, para o Haiti ser notícia, é necessário mil haitianos mortos por cada morto estado-unidense. Mas hoje não há terramotos no Haiti e os rodapés dos telejornais voltarão a desfilar fait divers (notícias) sobre celebridades, futebol, curiosidades avulsas, a grande questão nacional Santana versus Rio e um restaurante em Manchester que dá os restos aos pobres.

Entretanto, por todo o Haiti, o povo desafia nas ruas a proibição de manifestações contra o regime cleptocrata de Jovenel Moïse. O movimento que começou, em Setembro, quando foi apresentado o Orçamento do Estado, como um protesto contra o aumento dos impostos e taxas sobre o trabalho, transformou-se em mobilização nacional contra a doutrina neoliberal, clamor pela soberania e exigência de demissão do governo de Moïse.

No poder há um ano, Jovenel Moïse, partido Tèt Kale, é apenas o último nome na longa lista de serventuários do imperialismo dos EUA que, desde o golpe de Estado com o selo CIA contra o governo democraticamente eleito de Jean-Bertrand Aristide, em 2011, se sucedem num caótico turbilhão de violência, miséria e privatizações. 

Moïse tomou o poder através de uma farsa democrática de um só acto eleitoral que, embora anémico (menos de 30 por cento dos haitianos votaram), exigiu o brutal esmagamento do movimento de massas. Depois de decapitar as duas agências anti-corrupção, Moïse deu o braço ao presidente do Banco de Desenvolvimento Interamericano, o guru neoliberal Luis Alberto Moreno e pôs em marcha a Caravana da Mudança, um bizarro circo que melhor pode ser descrito como um cruzamento entre um programa de austeridade, uma máquina de lavagem de dinheiro e um comício de demagogia itinerante.

O preço da revolta

As manifestações de massas sucedem-se, em Porto Príncipe, várias vezes por semana, apesar do Estado recorrer com crescente brutalidade à repressão. Na passada terça-feira, a título de exemplo, homens armados dispararam 24 tiros contra uma manifestação pacífica.

As matrículas revelaram que os veículos dos atiradores pertenciam ao Estado. Mas nem as dezenas de detenções, nem os disparos, nem as provocações orquestradas pelo Estado estão a conseguir deter a luta das massas. 

Quando, no passado dia 21 de Setembro, Moïse tentou fazer uma demonstração de força, encabeçando uma parada militar na principal avenida da capital, uma chuva de pedras e garrafas obrigou comitiva do presidente a fugir. 

No dia 2 de Outubro, uma greve geral marcou a nova fase da luta, contra o neoliberalismo e pela demissão do governo, consciente da sua própria história.

Mais de duzentos anos depois da primeira revolta colonial e anti-esclavagista das Américas, o Haiti continua a pagar o preço do atrevimento. 60 por cento dos haitianos vivem na pobreza e 25 por cento passam fome; 40 por cento são analfabetos e os um por cento mais ricos detêm tanta riqueza como os 45 por cento mais pobres; segundo a ONU, é um dos países do mundo onde mais crianças são abusadas sexualmente.

(*) Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2292, 2.11.2017

(Com odiario.info)

O governo burguês e a monarquia procuram superar a crise económica e de estado com um auto-golpe

                                                                             

PCPE (Partido Comunista dos Povos de Espanha)


A assunção sem mais delongas e imediata pelo governo espanhol das imprevisíveis consequências da anulação do auto-governo da Catalunha mediante a intervenção da Generalitat e a dissolução do Parlament no dia em que este declarou a República Catalã demonstra claramente que é uma decisão absolutamente consciente e premeditada de resolver pela força a profunda crise estrutural que padece o estado burguês. 

Equivocar-se-á quem atribuir esta posição unicamente ao seu carácter franquista ou à incapacidade de Mariano Rajoy, ou outro qualquer presidente do governo da burguesia, para resolver conflitos. Em absoluto estamos perante uma reacção motivada exclusivamente por tiques do passado ou condicionada pela personalidade de tal ou qual político. Simplesmente estamos frente a uma demonstração de como a grande burguesia espanhola, na sua incapacidade histórica de resolver a questão nacional, resolver as dificuldades gerando imensos problema através da aplicação de medidas do mais alto carácter repressivo. 

Sempre foi assim, como ficou demonstrado a sangue e fogo durante o ano de 1936 com o golpe de estado fascista contra o governo legítimo da Frente Popular. E ainda muito mais o será agora que o sistema capitalista, na sua fase superior de desenvolvimento, está imerso numa profunda crise geral que converte a burguesia numa classe decadente cuja única saída, para manter a hegemonia que recuperou com Franco e manteve intacta na chamada Transição, é aumentar a exploração da classe operária e o saqueio em exclusividade do que considera o seu mercado "nacional". 

A aliança entre a oligarquia centralista e as burguesias periféricas que forjaram no pacto constitucional de 1978 hoje está quebrada definitivamente. A disputa inter-burguesa pela gestão em exclusivo dos seus mercados e o diálogo com a UE e a NATO entrou numa espiral de confrontação na qual, à partida, a única coisa que fica claro é que: 

O direito democrático dos povos a escolher o seu futuro mediante o exercício prático do direito à Auto-determinação não é possível na forma actual da ditadura de classe burguesa "de formalidade democrática". 

Entramos num processo no qual, em nome das leis repressivas que foram preparando ao longo destes anos de crise, entram numa fase de liquidação acelerada todas e cada uma das conquistas sociais, laborais e política alcançadas ao longo de década de árdua luta operária e popular.
Só há uma saída: A UNIDADE E A LUTA da classe operária e dos sectores populares contra o auto-golpe. Não é possível dar nem um passo atrás sem organizar nossas forças para que a crise estrutural do sistema se converta numa oportunidade para avançar na criação das condições para convertê-la em crise revolucionária. 

A partir da absoluta independência de classe, os e as comunistas do PCPE estão comprometidos com a necessidade de situar uma proposta que, rompendo como os interesses finais de qualquer das burguesias em disputa, trace uma táctica e uma estratégia que, com uma correcta política de alianças baseada na organização e mobilização das mais amplas massas, tanto na Catalunha como no resto de Estado, não só ponha nosso inimigo de classe e contra as cordas como também que faça amadurecer entre os sectores mais avançados da classe operária e do povo que a única saída verdadeiramente favorável para seus interesses é a REPÚBLICA SOCIALISTA, base do poder operário e popular fora do âmbito do pólo imperialista que é a UE e a NATO. 

Pelo direito à auto-determinação dos povos 
Pela República Socialista de carácter Confederal 

Secretariado Político do Comité Central do PCPE, 27/Outubro/2017 

O original encontra-se em www.pcpe.es/... 

Esta declaração encontra-se em http://resistir.info/ .

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

‘Revolução Russa foi muito importante para a História do Brasil’, diz especialista

                                                                          
                                                                                   © AP Photo/ Ivan Sekretarev

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A Revolução Russa de 1917 teve uma importância muito grande para o Brasil. Quem faz esta afirmação é o professor João Cláudio Pitillo à Sputnik Brasil. Ele prepara o lançamento do livro A Grande Revolução, narrando fatos que marcaram a radical transformação política da Rússia.

A Rússia e o mundo estarão celebrando em 7 de novembro o centenário da Revolução Russa, que teve fortíssimas consequências não só para a Rússia mas também para seus vizinhos e outros países de todos os continentes, inclusive o Brasil.

Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil, Pitillo explica como o Império Russo com um histórico de séculos deu lugar a uma república socialista soviética, criada logo após a Revolução de 1917, além de comentar a influência do movimento no Brasil e na América Latina.

“O Brasil, como o mundo todo, sofreu as consequências da Revolução Russa. Apesar de estarmos falando de uma época em que não havia internet e o telégrafo funcionava muito mal, a Revolução chegou aqui como uma onda. Não foi à toa que o Governo brasileiro, adiante, rompeu relações com a União Soviética”, afirmou o especialista.

Segundo o historiador João Cláudio Pitillo, “o Brasil de 1917 não queria nem ouvir falar de Revolução Comunista na Rússia. Era uma Revolução que estava fazendo reforma agrária, empoderando os camponeses, e o Brasil agrário não queria ouvir falar nesses temas”.
                                                                                               © SPUTNIK
Desfile militar em Moscou em comemoração à Revolução de Fevereiro (Arquivo)
© SPUTNIK/

Fevereiro de 1917: Revolução Russa inspirou mudanças na América Latina

Contudo, o Brasil de 1917 já tinha uma forte influência do pensamento anarquista. O movimento, explica Pitillo, era muito forte e chegou ao país junto com os imigrantes europeus. Até que, em 1922, foi fundado em Niterói, então capital do Estado do Rio de Janeiro, o Partido Comunista do Brasil, depois, a partir dos anos 1960, chamado de Partido Comunista Brasileiro.“O movimento comunista nasceu no Brasil, como partido político, na mão de intelectuais e de um grupo que tinha acesso à leitura. Num primeiro momento, o PCB não foi um partido de operários, mas, sim, um partido de quadros intelectuais que tentavam entender as circunstâncias políticas do país”, destaca Pitillo.

“Mas é mesmo a partir de 1922, com a criação do PCB, que o Brasil vai ter uma participação no movimento comunista mundial, justamente com a sua figura de proa, Luís Carlos Prestes, e que vai convergir para o Levante de 1935, quando os comunistas tentaram tomar o poder no Brasil”, afirma.

Segundo ele, “há semelhanças entre o que aconteceu na Rússia em 1917 e o que aconteceu no Brasil em 1935”. “E, depois, isso se espalhou por vários países da América Latina. Portanto, não há como negar, a Revolução Comunista Russa foi muito importante para o Brasil”, completa.

Um marco na História da Rússia

A Revolução Comunista Russa de 1917 marcou o fim da monarquia que vigorou durante séculos no país e deu lugar a uma república em que pontificaram operários e camponeses sob a liderança de Vladimir Ilyich Ulyanov, mais conhecido como Lenin. Ao decretar o fim da aristocracia e da autocracia reinantes na Rússia, Lenin dizia que a partir daquele movimento, que vinha sendo articulado desde a transição do século XIX para o século XX sob a influência dos pensadores Karl Marx e Friedrich Engels, autores do Manifesto Comunista de 1848, operários e camponeses estavam no poder.

À frente do movimento bolchevique, que pregava a tomada do poder pela via revolucionária e pela força das armas (no sentido oposto ao do movimento menchevique, que pretendia tomar o poder sem gestos extremos de violência), Lenin fundou o POSDR, Partido Operário Social Democrata Russo, embrião do futuro PCUS, Partido Comunista da União Soviética.

Manifestação de soldados em Petrogrado durante a revolução de fevereiro na Rússia
Manifestação de soldados em Petrogrado durante a revolução de fevereiro na Rússia
Apoiadores do comunismo carregam bandeiras da União Soviética declarando no aniversário de 88 anos da Revolução de Outubro


Historiadores costumam registrar a sucessão de fatos que culminou com a Revolução Comunista de 1917 a partir da gestão modernizadora do Imperador Alexandre II (1855-1881). Entre outras medidas, o imperador decretou o fim da servidão agrária, beneficiando 40 milhões de camponeses, incentivou o ensino elementar, concedeu autonomia às universidades e deu maiores poderes às províncias administrativas. 

Com o assassinato de Alexandre II em 1881, seu sucessor Alexandre III (1881-1894) como que anulou os avanços do antecessor, e as forças conservadoras reafirmaram seu poder perante a monarquia. Simultaneamente, ganhava força o movimento republicano, e as forças revolucionárias começavam a se organizar, o que se consolidou no reinado de Nicolau II (1894-1917), à medida que o conservadorismo se fortalecia e capitais externos, procedentes da Alemanha, Inglaterra, França e Bélgica, entravam no país.

Em 1905, aconteceu a primeira insurreição. Os revolucionários tentaram tomar o poder, porém Nicolau II levou a melhor sobre eles. Comprometeu-se a estabelecer um governo constitucional e a convocar eleições para o Parlamento (a Duma). O Partido Constitucional Democrata, também conhecido como Partido dos Cadetes, deu-se por satisfeito com as promessas supostamente liberalizantes do imperador e deixou o Partido Operário praticamente só na oposição à monarquia. Mais uma vez, o imperador se fortalecia. Na frente externa, a Rússia estava em guerra com o Japão, que tentava assumir o controle da Manchúria.

Os revolucionários de 1905 não conseguiram levar seu movimento até o final. Concluíram que, para ser vitorioso, o movimento precisava aprender com os erros e estabelecer bases concretas para o triunfo da pretendida revolução.

Voltaram então à cena somente em fevereiro de 1917, desencadeando a chamada Revolução Branca. Explodiram protestos do movimento operário em várias cidades russas, principalmente Petrogrado (hoje, São Petersburgo), e Nicolau II ordenou violenta repressão contra os manifestantes. Para sua surpresa, partes significativas dos militares apoiaram as reivindicações populares, e em uma questão de dias, mais precisamente em 15 de março de 1917, Nicolau II, toda a sua família e a aristocracia foram obrigados a deixar o poder. Liberais, burgueses e movimentos de esquerda haviam se unido para depor o imperador.

Com a derrubada do czar, foi instalado um governo provisório sob o comando do Príncipe Georgy Lvov, tendo como ministro da Guerra Aleksandr Kerensky. Ambos haviam assumido o compromisso de manter a Rússia dentro da Primeira Guerra Mundial, decisão que irritou Lenin e as demais lideranças esquerdistas. Lenin, que havia voltado à Rússia com ajuda da Alemanha, dividiu os militares e conseguiu que parte significativa da tropa se juntasse aos operários. Ganhou força sua pregação pela abolição da propriedade privada, socialização da terra e de todos os bens, estatização da indústria e dos bancos, e o país se viu em meio a uma enorme divisão.

Àquela altura, Lenin, já contando com financiamento alemão (tem-se como certo ter ele obtido 40 mil goldmarks para implantar a Revolução na Rússia), manteve controle total sobre as forças revolucionárias. Unido aos companheiros Grigory Zinoviev e Karl Radek, e tendo conquistado a adesão dos anarquistas e dos socialistas revolucionários, Lenin depôs o governo então nas mãos de Kerensky e decretou uma nova forma de gerir o país. 

A Rússia deixou, definitivamente, de ser uma monarquia para se transformar numa república socialista.Enquanto Kerensky fugia da Rússia, muitos que com ele governavam foram presos. Ao mesmo tempo, Lenin instalou o Conselho dos Comissários do Povo (Sovietes), e teve início concreto o que mais adiante se transformou na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

( Com Sputnik/Pátria Latina)