sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ONG alerta sobre o perigo de ser jornalista no Brasil

                                                               
Jornalistas fazem um minuto de silêncio pela morte do cinegrafista Santiago Andrade, da Band, que morreu após ser atingido por um rojão na cobertura de um protesto no Rio

A ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF) lançou quarta-feira (3), véspera do início dos Jogos Olímpicos do Rio, uma campanha que tem tudo para assustar ainda mais turistas e atletas olímpicos preocupados com a segurança durante as Olimpíadas. Segundo a organização, o Brasil é segundo país da América Latina mais mortal para os jornalistas.

A agência de notícias EFE publicou que, desde os Jogos Olímpicos de Londres em 2012, 22 jornalistas foram assassinados no Brasil em crimes relacionados com a profissão, aos quais pode acrescentar o aumento das agressões e ameaças recebidas nos últimos anos, indicou a organização defensora da liberdade de imprensa.

Para sensibilizar o mundo sobre esta situação, a campanha da RSF será levada às diferentes sedes olímpicas sob o lema “Algumas vitórias não merecem medalha”.

Segundo a pesquisa, nos últimos quatro anos, o Brasil se situou como segundo país com mais assassinatos de jornalistas da América Latina, só superado pelo México.

“Na maioria dos casos (…) cobriam ou investigavam temas relacionados com corrupção, políticas públicas e crime organizado em cidades pequenas e médias do país”, indicou a ONG Repórteres Sem Fronteiras.

A EFE destaca que a isso se somam as grandes manifestações de 2013 e 2014, marcadas por um clima de violência generalizada, que estiveram acompanhadas de agressões aos jornalistas que cobriam os eventos e de detenções arbitrárias.

A maioria das 190 agressões registradas pela Associação Brasileira de Jornalismo de Investigação foram obra da polícia, segundo a organização.

Finalmente, “a forte polarização política do país contribuiu para criar um clima de desconfiança com os jornalistas (…) insultados e agredidos pelos manifestantes que os associam com as linhas editoriais de seus meios de comunicação”, acrescentou.

“Este problema não é novo. No entanto, o Estado brasileiro não tomou nenhuma medida para resolver esta questão”, disse a organização.

(Com a ABI)

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