domingo, 17 de janeiro de 2016

DOI-Codi sequestra e mata Manoel Fiel e diz que ele cometeu suicídio


                                                                        

Era uma sexta-feira, 16 de janeiro de 1976, dois homens, sem qualquer ordem judicial, retiram o metalúrgico Manoel Fiel do trabalho, vão com ele até a sua residência, na Vila Guarani, em São Paulo, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontram. Mas mesmo assim, o trabalhador é levado para o DOI-Codi. “E ele nunca mais voltou”, conta sua mulher

15 de Janeiro de 2016 às 15:16

Camila Maciel – Repórter da Agência Brasil

Como fazia todos os dias, Manoel Fiel Filho acordou cedo, banhou-se, tomou café e foi para a Metal Arte, no bairro da Mooca, na cidade de São Paulo, onde trabalhava como prensista. Era uma sexta-feira, 16 de janeiro de 1976, e, por volta do meio-dia, dois homens, sem qualquer ordem judicial, o retiram do trabalho, vão com ele até a sua residência, na Vila Guarani, revistam a casa em busca de exemplares do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro (PCB), nada encontram e, sob os olhares apreensivos da mulher, Thereza Fiel, levam o metalúrgico para o Destacamento de Operações e Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi). “Ele me deu um beijo na testa e foi embora. Eu falava: ‘Não leva ele, não”, disse Thereza, ao lembrar que o marido chegou a dizer que voltaria logo. “E ele nunca mais voltou”.

Após o sequestro de Fiel, Thereza reuniu toda a família, incluindo as duas filhas, e peregrinou por várias delegacias de polícia em busca de informações do companheiro. “Um conhecido da Polícia Civil disse que ele estava na Operação Bandeirantes [grupo criado em 1969 pelo Exército, com apoio de empresários para coordenar todas as operações dos órgãos de repressão] e que só se entrava lá com ordem do presidente da República”.

Thereza soube da morte do marido no dia seguinte, sábado, 17 de janeiro de 1976. Por volta das 22h, um carro parou em frente à casa. “Desceu um fulano com um saco de lixo preto na mão”. Ele disse: ”Essa aqui é a roupa dele, e ele está morto’.”

Um bom marido

Um marido trabalhador e amoroso. É assim que Thereza, hoje com 83 anos, relembra Manoel. “Trabalhava na firma e ainda me ajudava em casa. Era bom demais. Atencioso, me ajudava bastante. Adorava as filhas. Marido igual àquele não se acha mais”, disse, emocionada, durante a entrevista concedida à Agência Brasil, em Bragança Paulista, a 90 quilômetros da capital. 

Thereza relatou, logo no início da conversa com a reportagem, uma coincidência. “Hoje [7 de janeiro] era aniversário dele. São lembranças, né? A gente fazia um bolo. Comemorava em casa mesmo”. As recordações sobre o marido pareciam estar mais vivas naquela manhã.

Manoel, natural de Quebrangulo, Alagoas, terra natal do escritor Graciliano Ramos, festejava os 49 anos. “Eu lembro que fiz um pavê. Ele adorou. Ele não gostava muito de comemorar, mas gostava de estar com família”, disse a filha Márcia. A outra filha, Aparecida Fiel, de 60 anos, também lembrou o zelo do pai em comprar frutas frescas para a filha mais velha, que estava grávida. “Ele não conheceu nenhum neto”.

Theresa ainda guarda muitas lembranças, como o retrato de casamento

Manoel saiu de Quebrangulo em 1950 em busca de uma vida melhor em São Paulo. Trabalhou como padeiro e cobrador de ônibus antes de se tornar metalúrgico, exercendo a atividade de prensista na mesma empresa por 19 anos. Embora a família não soubesse, ele era responsável pela difusão do jornal Voz Operária, do Partido Comunista Brasileiro, e pela organização do partido entre os operários das fábricas do bairro da Mooca, conforme relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).

A morte do metalúrgico ocorreu menos de três meses após o assassinato do jornalista Vladimir Herzog, no mesmo local e em circunstâncias parecidas, sob a versão oficial de suicídio. Embora não tenha provocado a mesma comoção social que marcou a despedida do jornalista, a morte de Manoel Fiel Filho causou o afastamento do comandante do 2º Exército, general Ednardo D’Ávila Mello, quatro dias depois do assassinato do metalúrgico. “Meu marido morreu e salvou a turma que estava lá [no DOI-Codi]”, disse Thereza, ressaltando que o episódio provocou mudanças no tratamento dado aos presos políticos da época.

http://www.brasil247.com/pt/247/brasil/213453/DOI-Codi-sequestra-e-mata-Manoel-Fiel-e-diz-que-ele-cometeu-suic%C3%ADdio.htm

sábado, 16 de janeiro de 2016

Trabalhadores dos Diários Associados realizam greve após atraso salarial

                                                                          
                                                                 Gil Sotero
Os funcionários do jornal Estado de Minas, dos Diários Associados, decidiram interromper suas atividades na última quinta-feira (14/1), pelo segundo dia consecutivo, por conta do atraso do pagamento do 13º salário e descumprimento de outros direitos trabalhistas.

Segundo o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Minas Gerais, representantes dos Diários Associados e dos quatro sindicatos de trabalhadores – jornalistas, radialistas, empregados na administração e gráficos -, devem realizar uma nova reunião na próxima terça-feira (19/1).

Na TV Alterosa, que também pertence ao grupo, os empregados decidiram promover interrupções diárias de duas horas, nos dois turnos de trabalho. Uma nova paralisação ocorrerá na segunda (18/1) e terça-feira (19/1). 

Os funcionários devem realizar novas assembleias na próxima quarta-feira (20/1). “Temos que valorizar a nossa luta, porque só assim a empresa ouve os trabalhadores”, destacou o presidente do Sindicato, Kerison Lopes.

De acordo com a entidade, devido à paralisação da última quinta-feira (14/1), o jornal circulou com um número menor de páginas, matérias frias e de agências de notícias. Lopes reforçou que a negociação com os Diários Associados não apresentou resultados.

 “A empresa mente e não cumpre o que promete. Ela só entende quando paramos o trabalho”, disse, ao reiterar que foi após as paralisações que a empresa pagou 25% do 13º.

O presidente do Sindicato denunciou o assédio moral praticado pela empresa, o que fez com que alguns dos empregados não aderissem à greve. Ponderou ainda que o grupo de comunicação é dono de um grande patrimônio e que não falta dinheiro para cumprir suas obrigações. 

"Isso é roubo. É o dinheiro dos trabalhadores que está sendo desviado”, acrescentou, referindo-se ao recolhimento do FGTS e da Previdência, que não estão sendo feitos, além de outros benefícios.


Casus belli


                                                               
KKE


 "Sustentabilidade", "razoabilidade", "reforma necessária" são algumas das palavras proferidas por responsáveis do governo [grego] no esforço para defenderem seus planos contra o sistema de segurança social e para ocultar a verdade. 

Elas não originais de todo. A "sustentabilidade" e "razoabilidade" do sistema foram mencionadas por todos os governos anteriores a fim de justificar as suas próprias intervenções anti-povo no sistema de segurança social. Eles estão agora a fazer o mesmo. A ND e o PASOK utilizaram toneladas de mentiras e dados selectivos na sua argumentação. Hoje, a coligação governamental do partido "de esquerda" SYRIZA e o partido alegadamente "patriótico" ANEL estão a fazer o mesmo. 

Governos burgueses anteriores "de direita", "sociais-democratas" e "tecnocráticos" também implementaram aumentos na idade de reforma, aumentos das contribuições de segurança social e reduções nas pensões. As novas medidas do governo SYRIZA-ANEL são uma continuação de todas as leis anti-povo anteriores. 

Esta é a razão porque o governo SYRIZA-ANEL está a tentar por um lado diferenciar-se dos outros partidos burgueses utilizando slogans falsos e por outro a atentar reduzir ou assimilar protestos populares com mentiras e manobras. 

Esta semelhança com governos anteriores não é de modo algum acidental. O governo está a marchar sem desvios ao longo da linha estabelecida pelas directivas específicas e orientações da UE, as quais objectivam libertar o capital e o seu estado das suas contribuições para o sistema de segurança social, para transformar cuidados de saúde, previdência e pensões num assunto privado para os trabalhadores. 

No final das contas, eles pretendem criar novas avenidas de lucratividade para os abutres das companhias de seguros privadas, seja através da sua gestão dos activos dos fundos profissionais ou através de contratos de seguro nos sectores da saúde e das pensões. 

Todas as leis redigidas ao longo dos últimos 25 anos, dentre elas aquelas votadas favoravelmente ou que estão a ser preparadas pelo governo actual, estão completamente alinhadas com o objectivo de mais uma vez reduzir o preço da força de trabalho a fim de aumentar a lucratividade do capital. A diferença é que o governo de hoje está mais uma vez a exibir a pose de que alegadamente é um "negociador duro" com as organizações imperialistas (UE, Banco Central Europeu, FMI). 

Assim, G. Katrougalos, o ministro do Trabalho, declarou: "O povo deveria tomar as ruas. O povo nas ruas apoia as mesmas coisas que eu. Redistribuição, pensões mais altas... E estou a tentar negociar as instituições em favor destas coisas. Contudo, ao mesmo tempo estou também a tentar equilibrar entre a necessidade de o sistema de pensão ter estas características e a necessidade de colmatar os défices que existem. E nossa diferença básica com os governos anteriores é que a minha reforma tem um carácter redistributivo e é socialmente favorável àqueles 'na base' ". 

O descaramento destes chamados "esquerdistas radicais" não tem limites. E se os objectivos do governo estão alinhados com aqueles do povo, como é possível que a Federação Helénica de Empresas (SEB) e as "instituições", isto é, a UE e o FMI, aplaudam o plano do governo contra a segurança social e Katrougalos fique satisfeito com isto?

Se o governo quer que o povo vá às ruas, então porque é que ele enviou a polícia de choque para atacar a manifestação do PAME na sexta-feira passada, em 08/Janeiro/2016? 

Se esta reforma é "socialmente favorável aos de baixo" então por que ela esmaga os pequenos e médios agricultores, abole a EKAS (pensão adicional) para pensionistas pobres, condena velhos e novos pensionistas a pensões de fome? 

O ministro é um mentiroso e um trapaceiro e quer o movimento para a manifestar-se a favor do governo para esconder que está do mesmo lado do patronato e das "instituições". 

O secretário-geral do Comité Central do KKE, Dimitris Koutsoumpas, durante sua visita à 4ª maior cidade da Grécia, declarou que "A nova lei da segurança social é um casus belli para a classe trabalhadora e os estratos populares". Como enfatizou o secretário-geral à sede da municipalidade e após reunião com o alcaide comunista, K. Peletidis, "É preciso que haja um levantamento geral de modo a que este projecto de lei não seja posto sobre a mesa ou proposto, nem na forma que ele finalmente tomará após as negociações do governo com seus 'parceiros'. 

Ele não deve ser apresentado no Parlamento. Se for apresentado deve-se votar contra ele. E naturalmente isto pode acontecer só se a classe trabalhadora, os agricultores pobres, os auto-empregados, a juventude e as mulheres dos estratos populares do nosso país tomarem as ruas. Se forem às ruas e manifestarem seu poder real, então este projecto de lei pode realmente ser atirado para o lado". 

12/Janeiro/2016
O original encontra-se em inter.kke.gr/en/articles/Casus-Belli/ 

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

Os EUA são uma democracia?

                            
António Santos

Abraham Lincoln definiu a democracia como: «o governo do povo, pelo povo e para o povo». Mas uma análise séria do exercício do poder nos EUA indica que se trata de um governo «dos ricos, pelos ricos e para os ricos». E isso não se chama democracia, mas «plutocracia».


Responda rápido. Sim ou não? O que é que não entende? Ou é uma democracia não é! Não compreende? Então deixe-me explicar-lhe a origem etimológica do termo: democracia é o «poder do povo». Simples não é? Ou todo o povo pode escolher os seus líderes em condições de igualdade e liberdade, ou não pode. Sim, é verdade que nos EUA mais de 12 milhões de pessoas estão privados desse direito por serem imigrantes ilegais, mas os cidadãos podem votar. 

Claro que o resultado dessas eleições depende de campanhas de centenas de milhões de dólares doados directamente pelos homens mais ricos do país… mas no fim ganha quem tiver mais votos. Não necessariamente, é certo, porque, como já aconteceu na corrida entre Bush e Gore, o Supremo Tribunal pode dar a presidência ao candidato menos votado, mesmo que meio milhão de votos o separem do vencedor. Mas pelo menos os cidadãos não são violentamente reprimidos pelo Estado, excepto, evidentemente, se esses cidadãos forem afro-americanos.

Quiçá um estudo, publicado em 2014 pela Universidade de Princeton, nos EUA, possa contribuir para o debate: durante vinte anos, os prestigiados professores Martin Gilens e Benjamin Page procuraram saber se o regime dos EUA respeita o conceito de democracia. No âmbito deste estudo, os académicos levaram a cabo uma curiosa experiência social: perguntaram a duas mil pessoas de diferentes extractos sociais se concordavam com um conjunto de propostas políticas em debate na sociedade estado-unidense. 

E eis a conclusão: só as propostas políticas que agradaram aos entrevistados mais ricos é que foram executadas pelo governo. Pelo contrário, apenas 18 por cento das propostas preferidas dos entrevistados de classe trabalhadora é que se transformaram em políticas públicas. Segundo os dois estudiosos, «as políticas públicas estão dominadas por poderosas organizações empresariais e por um pequeno número de magnatas americanos, pelo que a ideia de a América ser uma sociedade democrática está seriamente comprometida».

As conclusões dos investigadores permitem, pelo menos, demonstrar que os EUA não se enquadram na definição democrática de Abraham Lincoln: «o governo do povo, pelo povo e para o povo». Não só mais de metade dos congressistas são milionários como estes representantes dependem dos 0,4 por cento mais ricos da população, que financiam o grosso das campanhas eleitorais no âmbito de actividades legais de lobby. 

Democracias e plutocracias 

Como Lincoln, Jean-Jacques Rousseau, outro fundador do conceito moderno de democracia, tampouco definiu exclusivamente democracia como o cumprimento de formalidades eleitorais. Inversamente, Rousseau defendia que o regime democrático não é compatível com sociedades em que uma minoria seja muito rica e uma ampla maioria viva na pobreza. 

Escrevendo sobre o parlamentarismo inglês do séc. XVIII, Rousseau acusa: «Os ingleses acham-se livres porque votam de xis em xis anos para eleger os seus representantes, mas esquecem-se de que no dia seguinte a terem votado, são tão escravos como no dia anterior à votação». Para Rousseau, não é possível delegar a soberania e a representatividade numa sociedade de classes antagónicas. Ou seja, um patrão não pode representar os interesses de um trabalhador como o opressor não pode representar o oprimido. Para o filósofo francês, a democracia seria irrealizável até à construção de uma sociedade sem classes sociais.

Neste sentido todas as sociedades modernas representam ditaduras de uma classe social sobre outra classe social, pelo que a democraticidade não é nunca absoluta e só pode ser apreciada na medida relativa das suas limitações. 

Regressando aos EUA, devemo-nos portanto questionar quão democrático é o acesso à cultura, à habitação, à saúde e à educação naquele país? E, mais ainda, quão democrática é a economia ou o funcionamento das empresas?

Mas não fujamos à questão: saber se os EUA é ou não uma democracia. Lénine faz uma pergunta bem mais premente: democracia para quem? Isto porque um governo «dos ricos, pelos ricos e para os ricos» não se chama democracia, mas «plutocracia».

Então? Democracia ou ditadura? Ainda não sabe? Recuemos a Péricles, porventura o autor da mais antiga das definições de democracia: para o filósofo grego, para uma democracia ser verdadeira deve cumprir três critérios: em primeiro lugar, o regime democrático deve ser autóctone, não podendo ser importado ou copiado; em segundo lugar, a democracia deve servir sempre os interesses económicos da maioria da população; finalmente, a democracia deve obedecer a leis justas e iguais para todos. 

E contudo, na Grécia Antiga os escravos, os escravos libertados e as mulheres não tinham quaisquer direitos políticos, confinando a democracia a 20 por cento da população. Agora diga-me: a Grécia Antiga era uma democracia? Sim ou não? Responda rápido.
Acabou o tempo.

Este artigo foi publicado no “Avante!” nº 2198, 14.01.2016.  (Com o diario.info)


sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Discurso pronunciado pelo General de Exército Raúl Castro Ruz no VI Período Ordinário da Assembleia Nacional

                                    

Discurso pronunciado pelo General de Exército Raúl Castro Ruz, Primeiro Secretário do Comité Central do Partido Comunista de Cuba e Presidente dos Conselhos de Estado e de Ministros, no VI Período Ordinário de Sessões da  VIII Legislatura da Assembleia Nacional do Poder Popular, no Palácio das Convenções, a 29 de dezembro de 2015, “Ano 57 da Revolução”.

(Versões Taquigráficas – Conselho de Estado)

Companheiras e companheiros:


Esta concluindo um ano de intenso trabalho e resultados positivos para o país.  Nos últimos dias temos tido bastante atividade: no passado dia 18 foi feita uma reunião do Conselho de Ministros dedicada, entre outros assuntos largamente informados nos meios de imprensa, a avaliar o desempenho da economia no presente ano e as propostas do plano e do orçamento para 2016 aprovados hoje nesta Assembleia.

No sábado último, o duodécimo Pleno do Comitê Central do Partido analisou a situação econômica e, como parte da preparação do Sétimo Congresso do Partido, foi analisada a proposta de Conceituação do Modelo Econômico e Social Cubano de Desenvolvimento Socialista e o relatório sobre o cumprimento dos Objetivos aprovados na Primeira Conferência Nacional do Partido, celebrada em janeiro de 2012.

Como é hábito, nossos deputados durante o trabalho em comissões têm debatido largamente sobre esses temas da economia, o que me permite salientar apenas alguns aspectos.

Apesar dos impactos da crise econômica internacional, agravados em nosso caso pelos efeitos do bloqueio estadunidense que se mantém sem alterações, assim como as restrições financeiras externas que se têm agudizado no segundo semestre, o Produto Interno Bruto (PIB) este ano cresceu 4%, o que indubitavelmente é um bom resultado no meio dessas circunstâncias.

Crescem todos os setores produtivos, embora alguns não consigam atingir o planificado.  Os serviços sociais mantêm níveis similares ao ano anterior.

Elevou-se a cifra de visitantes até três milhões e meio, o que constitui o mais alto crescimento registrado desde que o país decidiu apostar pelo desenvolvimento do turismo.  Não deve esquecer que este resultado é obtido apesar de que Cuba ainda continua sendo o único país do mundo que os cidadãos dos Estados Unidos da América têm proibido visitar como turistas.

Apesar das limitações financeiras que prosseguimos encarando se continuaram cumprindo os compromissos assumidos nos diferentes processos de reordenamento das dívidas com credores estrangeiros e se tem reforçado a tendência para a progressiva recuperação da credibilidade internacional de nossa economia.

A última evidência concreta nessa direção foi o importante acordo multilateral alcançado no dia 12 de dezembro na capital francesa com os 14 países credores de Cuba que integram o Grupo ad hoc do Clube de Paris, o que permitiu solucionar um velho problema, levando em conta a realidade e as possibilidades da economia cubana.

Este acordo abre uma nova etapa nas relações econômicas, comerciais e financeiras com os países participantes, visto que facilita o acesso a financiamentos a médio e longo prazos muito necessários para a execução de investimentos previstos em nossos planos de desenvolvimento.

Ratifico a vontade do governo cubano de honrar os compromissos resultantes deste e doutros acordos alcançados na renegociação da dívida com outros Estados e seu setor privado.

Devo recordar também o alcance estratégico do convênio assinado com o governo da Federação da Rússia para o financiamento em condições vantajosas de quatro blocos de 200 megawatts de geração elétrica cada e a modernização de nossa indústria siderúrgica.

No próximo ano continuará crescendo o Produto Interno Bruto, porém o fará a um ritmo menor, 2%, como consequência de que se projetam limitações financeiras ligadas à queda de receitas nas mercadorias exportáveis tradicionais pela diminuição dos seus preços no mercado mundial, como por exemplo, o níquel.

Por outra parte, se bem que a tendência à baixa dos preços do petróleo nos beneficia ao ficar reduzida a fatura de importação de alimentos, matérias-primas e produtos manufaturados, por outro lado se têm gerado desde este próprio ano 2015 afetações nas relações de cooperação mutuamente vantajosas existentes com vários países, nomeadamente, com a República Bolivariana da Venezuela, submetida a uma guerra econômica para reverter o apoio popular a sua Revolução.

Perante este cenário não cabe, como sempre nos ensinou Fidel, o mais mínimo derrotismo, antes pelo contrário. A história de nossa Revolução é plena de páginas gloriosas diante das dificuldades, riscos e ameaças.

Cabe-nos potenciar ao máximo as reservas de eficiência, concentrar os recursos para as atividades que geram receitas por exportações e substituem importações, tornas mais eficiente o processo de investimentos e crescer nos investimentos do setor produtivo e de infra-estrutura, priorizando a sustentabilidade da geração elétrica e o crescimento da eficiência no uso dos portadores energéticos.

Ao mesmo tempo devemos reduzir qualquer despesa que não seja imprescindível e aproveitar os recursos de que dispomos com mais racionalidade e com vocação de desenvolver o país.

Apesar das limitações são garantidos os serviços sociais que se oferecem gratuitamente a todos os cubanos em patamares similares aos dois últimos anos.

Trataremos agora alguns assuntos de política externa.

Em minhas palavras do passado 15 de julho, no encerramento do V Período Ordinário de Sessões da Assembleia Nacional, expressei, e abro citação: “Constatamos que está em andamento uma ofensiva imperialista e oligárquica contra os processos revolucionários e progressistas latino-americanos, que será encarada com determinação por nossos povos” (fim da citação).

Temos a certeza de que virão novas vitórias da Revolução bolivariana e chavista sob a direção do companheiro Nicolás Maduro Moros, presidente da República Bolivariana da Venezuela, face à permanente investida desestabilizadora da direita, encorajada e apoiada desde o exterior.

Confiamos no compromisso dos revolucionários venezuelanos e de seu povo, maioritariamente bolivariano e chavista, com o legado do saudoso presidente Hugo Chávez Frias.

Estamos convencidos de que, tal como o fez em 2002 ao impedir que se consumasse o golpe de Estado contra o presidente Chávez, o povo venezuelano e a união cívico-militar não permitirão que se desmantelem os avanços da Revolução e saberão converter este revés em vitória.

Ao reiterar a solidariedade de Cuba, que estará sempre junto da Pátria de Bolívar, fazemos um apelo à mobilização internacional em defesa da soberania e independência da Venezuela e para que cessem os atos de ingerência em seus assuntos internos.

No Brasil, a oligarquia também não poupa esforços para tentar derrocar a presidente Dilma Rousseff mediante um golpe parlamentar.  Chegue a ela e ao irmão povo brasileiro nossa solidariedade e apoio na batalha que se leva a cabo em defesa dos avanços sociais e políticos alcançados durante estes 13 anos de liderança do Partido dos Trabalhadores.

A história demonstra que quando a direita chega ao governo não hesita em desmontar as políticas sociais, beneficiar os ricos, restabelecer o neoliberalismo e aplicar cruéis terapias de choque contra os trabalhadores, as mulheres e os jovens.  Décadas de ditaduras militares na América Latina e novos métodos de desestabilização contra governos progressistas nos ensinaram que o imperialismo e a direita também não renunciam à violência para impor seus interesses.

No meio deste contexto regional perigoso e complexo, resulta essencial defender a unidade da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (CELAC) como mecanismo indispensável, legítimo, unitário e diverso de concertação política e integração, que tem feito possível reunir por primeira vez, sob um propósito comum, aos 33 Estados da Nossa América.

A Proclama da América Latina e o Caribe como Zona de Paz, assinada por todos os chefes de Estado e de Governo na II Cúpula da CELAC celebrada em Havana em janeiro de 2014, é uma sólida base para desenvolver as relações entre nossos países e a nível internacional.

Sentimo-nos otimistas pelos avanços alcançados nas conversações de paz entre o Governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia Exército do Povo, processo que está mais perto do que nunca de conseguir um acordo que ponha término ao conflito armado que tem dessangrado essa nação durante mais de meio século.  Continuaremos nosso trabalho imparcial como garantes e sede do processo.

No próximo mês Cuba assumirá a Presidência da Associação de Estados do Caribe, sob o compromisso firme e invariável com a causa da unidade e da integração latino-americana e caribenha.

Como se vem informando por parte da imprensa nacional e estrangeira, atualmente se encontram em Costa Rica vários milhares de cidadãos cubanos que chegaram a essa nação procedentes de outros países da região com o propósito de viajar rumo aos Estados Unidos da América.  Essas pessoas, que saíram de Cuba de maneira legal, em sua travessia se convertem em vítimas de traficantes inescrupulosos e bandos de delinquentes que não hesitam em pôr em perigo a vida dos migrantes cubanos.

Nosso governo tem estado em contato desde o mesmo início desta situação com os governos da área, na busca de uma solução adequada e rápida, como também tem pedido ao Papa Francisco, levando em conta as difíceis circunstâncias nas quais eles se encontram. Cuba tem reiterado seu compromisso a favor de uma emigração legal, ordenada e segura, assim como do direito a viajar e a emigrar dos cidadãos cubanos e de retornar ao país, em cumprimento de sua legislação migratória.

Tal como assinala a Declaração do Governo Revolucionário publicada a 1º de dezembro, a política de “pés secos-pés molhados”, o programa de Parole para médicos cubanos e a Lei de Ajuste Cubano continuam sendo o principal estímulo para a emigração irregular desde Cuba rumo aos Estados Unidos da América.

Os migrantes latino-americanos e caribenhos merecem também um trato humano e justo. Devem cessar as práticas abusivas e discriminatórias, a violação de seus direitos humanos, a separação de famílias e a cruel detenção e deportação de crianças não acompanhadas.

Passando para outro tema, como advertimos de maneira precoce, a política de sanções unilaterais contra Rússia e o estreitamento do cerco da NATO em suas fronteiras, apenas tem favorecido um clima de maior instabilidade e insegurança na região.

Tem-se continuado agravando a crise humanitária criada pelas ondas de refugiados rumo ao continente europeu, devido às condições de conflito e pobreza derivadas da injusta ordem econômica internacional, e pelas guerras não convencionais e ações desestabilizadoras da NATO na África do Norte e no Oriente Médio. A Europa deveria assumir sua responsabilidade e garantir o respeito dos direitos humanos dessas pessoas, assim como contribuir à solução das causas do fenômeno.

Reiteramos o direito do povo sírio a encontrar uma saída digna a seus problemas com a participação das legítimas autoridades daquela nação, sem ingerências externas, preservando sua soberania e integridade territorial.

No passado mês de setembro recebemos com admiração, respeito e afeto o Papa Francisco, justo no ano em que comemoramos o
80º aniversário de nexos ininterrompidos entre a Santa Sede e Cuba.  Apreciamos sua prédica a favor da paz e da equidade, a erradicação da pobreza, a defesa do meio ambiente e as reflexões sobre as causas dos principais problemas que hoje afetam a humanidade.

No ano que conclui se fortaleceu o diálogo político bilateral com numerosos países, evidenciado nas visitas a Cuba de 184 delegações estrangeiras, delas 25 encabeçadas por chefes de Estado ou de Governo procedentes de todas as regiões do mundo.

No mês de setembro passado participamos junto da maioria dos chefes de Estado e de Governo do planeta na Cúpula da ONU para a adopção da Agenda 2030, que aprovou um novo marco para o desenvolvimento sustentável, no intuito de reduzir a pobreza extrema, a fome, as doenças, a desigualdade entre gêneros, a falta de aceso à educação, a infra-estruturas básicas e a degradação do meio ambiente.

Os compromissos e ações do mundo industrializado continuam sendo insuficientes. Só com a construção de uma nova ordem econômica internacional e outra arquitetura financeira global será possível que os países do Sul possam cumprir com as metas e objetivos aprovados.

A comunidade internacional tem mantido sua rejeição ao bloqueio norte-americano em diferentes foros, nomeadamente na Cúpula da ONU e no segmento de alto nível da Assembleia-Geral onde tive a oportunidade de participar e durante os quais dezenas de Chefes de Estado e de Governo reclamaram o fim do bloqueio.

No passado 27 de outubro, 191 Estados membros da ONU apoiaram a resolução cubana, gesto que nosso povo agradece profundamente e demonstra que o mundo não esquece que o bloqueio persiste.

Temos reiterado ao governo dos Estados Unidos da América que para normalizar a relação bilateral o bloqueio deve ser levantado e o território que usurpa a Base Naval de Guantánamo há de ser devolvido, tal como expliquei em minha declaração no Conselho de Ministros do dia 18, em que reafirmei, aliás, que não deve pretender-se que Cuba abandone a causa da independência ou renuncie aos princípios e ideais pelos quais várias gerações de cubanos têm lutado durante um século e meio.

Para avançar nesse processo deve respeitar-se o direito de todo Estado a eleger o sistema econômico, político e social que desejar, sem ingerência de forma alguma.  Jamais aceitaremos condicionamentos que lacerem a soberania e dignidade da Pátria.

Agora o essencial é que o presidente Barack Obama utilize com determinação suas amplas faculdades executivas para modificar a aplicação do bloqueio, o qual dará sentido ao alcançado e permitirá que se produzam sólidos progressos.

Há apenas um mês e meio celebramos os atos pelo 40º Aniversário da independência de Angola e o início da Operação Carlota, que permitiram rememorar a contribuição internacionalista de nosso povo a essa heroica epopeia protagonizada por angolanos, namíbios e cubanos, que modificou de maneira definitiva o mapa político da África Austral e acelerou o fim do oprobrioso regime do apartheid.

Apreciamos de maneira especial a solidariedade da União Africana com Cuba, reiteramos o apoio a seu programa de desenvolvimento Agenda 2063 e continuaremos honrando nossos compromissos de cooperação.

Neste semestre se registraram avanços na negociação do Acordo de Diálogo Político e Cooperação entre Cuba e a União Europeia, assim como em nossas relações bilaterais com seus Estados membros. Em fevereiro do próximo ano cumprirei uma visita oficial a França em reciprocidade à realizada pelo presidente François Hollande.

Finalmente, companheiras e companheiros:

A poucas horas de chegar ao ano 58 da Revolução, desejo transmitir a todos os cubanos uma merecida  felicitação e a profunda convicção de que saberemos vencer qualquer desafio em nosso empenho de construir um socialismo próspero e sustentável.

Muito obrigado.

(Ovação).

Reunião Plenária do Comitê Central do PCC examina documentos que serão debatidos no 7º Congresso do Partido

                                                                   
                                                                              Photo: Estudio Revolución


A reunião foi presidida pelo primeiro secretário do CC-PCC, general-de-exército Raúl Castro Ruz tendo também a participação dos membros do Conselho de Ministros

A 13ª Reunião Plenária do Comitê Central do Partido Comunista de Cuba examinou durante duas frutíferas jornadas vários documentos que serão apresentados ao 7º Congresso, que se celebrará em abril deste ano.

Foi debatido o tema da Conceituação do Modelo Econômico Social Cubano de Desenvolvimento Socialista, acerca do qual os membros do Comitê Central emitiram previamente em torno de 600 considerações.

O chefe da Comissão Permanente para a Implementação e Desenvolvimento e membro do Bureau Político, Marino Murillo Jorge, informou que todas as opiniões estão sendo processadas para apresentar ao 7º Congresso um documento de mais qualidade. 

“De maneira geral, disse, existe consenso sobre a importância de definir as bases teóricas e as características essenciais de nosso modelo econômico e social”.

Explicou que o documento que finalmente seja aprovado “não é estático, mas sim dinâmico”, e continuará sendo examinado no período que transcorra entre um e outro congresso.

Na reunião também foi apresentado o relatório do “Programa de Desenvolvimento Econômico e Social até o ano 2030. Proposta de Visão da Nação, Eixos Estratégicos, Objetivos e Setores Estratégicos”, questão na qual se está trabalhando desde o ano 2012 e que será submetido igualmente à consideração dos delegados ao congresso partidário.

Este Programa de Desenvolvimento é encaminhado a resolver os problemas estruturais de nossa economia, a partir de políticas de governo com abordagens integrais e sustentáveis, que respondam a uma visão estratégica e consensual de médio e longo prazos.

Igualmente, realizou-se uma avaliação dos resultados da implementação das Diretrizes da Política Econômica e Social do Partido e a Revolução, bem como sua atualização para o próximo período. 

Acerca deste assunto, os participantes destacaram o quanto se tem avançado no quinquênio, ainda que algumas das medidas não tenham um impacto real na economia familiar, e tudo o que falta por fazer para cumprir o aprovado no 6º Congresso.

Soube-se que nestes cinco anos das 313 Diretrizes tem sido implementado 21% delas e os 77% restantes estão em meio desse processo.

Os membros do Comitê Central receberam, ainda, uma informação sobre os resultados do processo de reorganização da dívida externa do país, por parte do vice-presidente do Conselho de Ministros, Ricardo Cabrisas Ruiz. De maneira particular conheceram detalhes do acordo conseguido com o Clube de Paris.

Nas próximas edições o jornal Granma dará mais informações sobre os temas avaliados pela 13ª Reunião Plenária. (Com o Granma)

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