sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

MEMÓRIA



                                                                  Reprodução

Uruguai indeniza 413 vítimas da ditadura
militar que ocorreu de 1968 a 1985

País irá pagar compensações econômicas e cobertura de saúde a perseguidos e familiares

O Uruguai irá indenizar pessoas vítimas da ação estatal durante a ditadura militar no país. A Comissão Especial da Lei de Reparação as Vitimas da Atuação Ilegítima do Estado durante o período de 1968 a 1985 concedeu a 413 pessoas reparações de caráter econômico, além de ter emitido 890 certificados de responsabilidade do Estado.

O órgão também aprovou, ao final de 2016, que 412 tenham despesas de saúde cobertas de forma gratuita e vitalícia, abarcando assistência psicológica, psiquiátrica, odontológica e farmacêutica. As informações são da agência Prensa Latina.

Segundo o presidente da Comissão, Nicolas Pons, as 413 reparações econômicas, diferentemente da cobertura de saúde, serão pagas uma única vez - como estabelece a Lei que regula o tema.

Ele explicou as hipóteses para concessão de reparações: parentes de desaparecidos ou mortos; pessoas que sofreram ferimentos graves por parte de agentes públicos, crianças nascidas em prisões, desaparecidas por mais de 30 dias ou presas junto aos pais por mais de 180 dias.

Pons afirmou ainda que até o final do ano passado foram avaliados 88% dos pedidos, prometendo terminar a análise de todas as reivindicações em 2017.

A comissão, segundo ele, vai continuar com a criação de mais espaços em memória aos mortos no período. No país, 29 placas já foram instaladas em homenagens a vítimas da ditadura militar uruguaia.

Os ministérios da Educação e Cultura, Saúde Pública e da Economia e Finanças, juntamente com a organização de Mães e Familiares de Presos Desaparecidos e da associação de ex-presos políticos do Uruguai (Crysol), compõem a Comissão Especial da Lei de Reparação.

(Com o Brasil de Fato)

2017, 100 snos da Revolução Socialista de Outubro


quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

O futuro é seu, Comandante Fidel

                                                                   
                                                                        

"No decurso dos séculos, raros, muito raros, foram os homens de Estado que conseguiram penetrar nos corações deste modo, perceberam que os pobres são os únicos preparados para transformar a história, que formaram as consciências, apresentaram as ideias, influenciaram o fio dos acontecimentos. Robespierre, Lenine ou Mao. É essa a sua medida. A sua grandeza. Fidel é desta estatura."
  
Remy Herrera   

Em longos cortejos silenciosos, na dor e no recolhimento, o povo cubano em luto prestou uma última homenagem, feita de dignidade e afeição, ao seu Comandante em chefe. Neste belo texto, a homenagem tem a dimensão dos povos de todo o mundo.

Fidel Alejandro Castro Ruz. Figura de lenda moderna. Nenhum como ele. Com ele, toda a humanidade, ou quase toda. Desde a noite de 25 de Novembro de 2016, dezenas de milhares, sem dúvida centenas de milhares, homens e mulheres deram testemunho do seu respeito, da sua admiração pelo líder histórico da Revolução cubana. Na ilha, claro e mais longe. Pelo mundo inteiro.

Na China, onde sabem dos esforços que Cuba fez para preservar a efémera unidade de uma frente comum dos países socialistas antes do sismo sino-soviético, e que ela foi a primeira das nações da América, a reconhecer a República Popular, com mais dez anos, colossal. 

Na Índia onde, após um abraço, a ligação a Nehru se tornou imensa. E que dizer de Java, dessangrada para conseguir o vermelho, logo depois de Bandung, depois de ele ter recebido o kriss da amizade das mãos de Sukarno? 

O Vietname lembra-se dos milhares de cubanos voluntários para combater com Ho-Chi-Minh, que escolheu a fim de se libertar e fortificar a sua própria revolução, não aceitar que os civis viessem defender o Vietminh. 

No Laos, que também ajudou Cuba, enquanto um Bob McNamara civilizava a margem esquerda do Mekong, lançando napalm, e desfolhante laranja, imperialismo e direitos humanos simultaneamente, bela proeza. Grandes estes «Ricains», a arma à anca, fazem acreditar o que querem, rebentam com um país e querem que os aceitem!

No continente africano, muita sabedoria e reconhecimento, que Fidel tanto amava, como se ama um antepassado, num momento encontrado no sorriso das suas crianças. Em Banjul, onde as paredes do sistema de saúde só se mantêm graças a ele.

No mais profundo de Burkina Faso, terra de honra maior, onde o espírito do Cubano se uniu ao que invocam de novo, Thom Sank. Virá de novo. Em Asmara, onde os seus retratos barbudos ornamentam muitas casas desde que Cuba, trazendo o apoio à Etiópia, reconheceu à vermelha Eritreia o direito à autodeterminação, já que um e outro eram socialistas. 

Roda dentada e machete cruzados de Angola, sol de doze ramos da Namíbia, subiu alto, brilha, um mundo vos contempla! Em todas as memórias, Fidel vive. Em Bissau, Bafatá de Cabral, Kasai lumumbista, florestas obscuras do Kivu, Tanzânia de Mwalinu. Gana de Osagyefo, Africa Austral, «linha da frente», do anti-apartheid, cada cabeça está ao lado do seu amigo, seu irmão, seu camarada, Nelson Mandela, Fidel faz levantar a cabeça, erguer o torso, levantar o punho.

Duas sílabas e mais duas, um Viva! dois pontos de exclamação, que se tornam mais fortes, ou menos solitários, os garotos errantes dos slums lamacentos de Monróvia ou de Freetown. Pois são os seus, de uma ilha minúscula, que cuidam das feridas dos esquecidos. 

Na primeira linha, sem medo, de lágrimas nos olhos. Cuba tão longe, São os seus filhos e filhas, que ensinam à escória do capitalismo que apesar de obrigados a sobreviver como animais em montes de imundície, ou sob túmulos de cemitério, todos têm direitos, direitos iguais, que lhes ensinam que continuam humanos até nos casebres miseráveis. Fidel. Na sua voz vibrava a cólera, soava a revolta indomável contra este mundo.

E o universo árabe-muçulmano, mulheres kashmin conheciam esse nome, como o da jovem doutora que vem trazer socorro aos pés da morada das neves. Himalaia, quando tremeu Muzaffarabad. Na Argélia, ontem Meca dos revolucionários, enlutada oito longos dias, apenas menos um que o seu país natal. O tempo de uma guerra, até à liberdade, mujaedine, órfãos foram acolhidos lá em baixo. Fidel velava por eles. Entraram todos bem pelo braço de Ben Bella. 

E eis que há quase cem anos, em fato de treino, também ele canta, Um, dois, três! No Cairo, por onde passou a ver o senhor do Suez, Gamal Abdel Nasser. A Palestina, Cuba tem-na no coração. Os dois sabem o que dar quer dizer quando há pouco, tão pouco para si. A ilha lembra-se: a mão estendida de Yasser Arafat, ajuda-a quando os tempos ficam duros, quando o normal falta após a queda, a leste de um dos socialismos.

Na Síria, igualmente, onde os montes Golan foram durante um tempo defendidos pelos cubanos em armas, que pararam a marcha sobre o Tsahal para Damasco. Israel também não esquece, mas para melhor seguir como um só homem, o tirano que impôs um crime a toda a humanidade, Bloqueio. Vergonha, Estados-malditos da América!

No Sul, a América a que chamam latina, com o seu arco caribenho. Ela que se rebelou para que Cuba não seja excepção. Ela que se debateu e que se levantou. Ela que queriam de joelhos. Ela mais politizada e lúcida, graças às lições de Fidel, ao exemplo do Che e heróis caídos. Aí, onde por assim dizer, a crueldade dos ricos, a sua violência sem piedade, o seu ódio espumante se vê a olho nu, como a luta das massas. 

A emoção, o fervor, a determinação estão aqui. À flor da pele. A adesão a Fidel, proclama-se muito alto. A Guatemala esmagada e o Paraguai mártir, a Bolívia insubmissa, a Colômbia guerrilheira. A Venezuela, mais do que nunca bolivariana, o primeiro a ter reconhecido a ele e ao seu exército rebelde, onde nascera uma irmãzinha, hermanita Chavista, nova caravana da liberdade, México que não corta as pontes, Haiti de Toussaint. Se Fidel nascesse brasileiro, o hemisfério teria mudado.

De resto, para além dos mais longínquos horizontes inimagináveis, a sua aura. Até aos pontos perdidos da Oceânia, Fidji, Salomão, Toga, pedaços de terra soltos pelos limites dispersos do planisfério, Kiribati, Vanuatu, Nauru, até às Highlands da Papuásia, silhuetas inquietantes, mais negras de pele do que a Guiné, de osso no nariz, ainda canibais asseguram o desdobramento em busca de arrepios, de subdesenvolvimento garantido resíduo de uma outra era. 
                                                                     
Até aí chegam os cuidados que Fidel sonhou. Ainda que os vejamos serem prodigalizados aos mais necessitados do «modelo do mundo» outro embargo dos ianques, guerra insidiosa contra os seus pobres. Cuba propôs, mas em vão, pôr à sua disposição as brigadas de médicos para actuar e cuidar nos quadriláteros decrépitos do Harlem, mais decrépitos que as fachadas pastel e coloridas de Havana velha.

Mesmo na Ucrânia, as famílias, próximas dos filhos de Chernobyl dispõem de provas materiais. Cuba acolheu perto de 20 000. Gratuitamente, por assim dizer, mas é melhor dizê-lo. Mesmo quando o regime ucraniano votou a continuação do bloqueio, pelo anticomunismo, parecia a cópia exacta do antigamente que na época de Barba Roxa se alegrou de ver Kiev cercada. 

Cuba prolongou a sua hospitalidade às crianças que sofreram radiação. Cuidou deles, curou-os. Assim faz a Cuba de Fidel. Não encantava? Mesmo a leste? Mesmo o Norte? O Norte que tratou de esquecer um Sven Olof Palme e a honra salva. Esse Norte «injusto e cheio de inveja, que se fecha e se enche de ódios» como escrevia já um herói, Marti, ilustre predecessor que inspirou Fidel.

Hoje, são as forças mais honestas, mais progressivas, mais numerosas que rejubilam e agradecem a Fidel pelo que ele deixou: a defesa da humanidade. Os revolucionários do planeta cerram fileiras à volta dele e reafirmam que manterão a luta, continuarão a lutar ombro a ombro.

No decurso dos séculos, raros, muito raros, foram os homens de Estado que conseguiram penetrar nos corações deste modo, perceberam que os pobres são os únicos preparados para transformar a história, que formaram as consciências, apresentaram as ideias, influenciaram o fio dos acontecimentos. Robespierre, Lenine ou Mao. É essa a sua medida. A sua grandeza. Fidel é desta estatura.

E Cuba tão pequena, com o seu farol colocado alto, luz que se eleva acima dos mares. Graças a ele, partilham-se as refeições, as casas e os livros. Quando o Leste deixar, a partilha vai continuar. Quando o Ocidente saltou à garganta, para estrangular, para matar, partilhou-se o resto. Quase nada. Todos conheceram a fome, mas ninguém morreu. 

Partilhou-se a dignidade, a serenidade do justo, o sofrimento das faltas. Orgulho de resistir. Para provar a todos que se pode resistir. A quase tudo. Fidel «é preciso forjar a convicção e manter a promessa de resistir, de lutar e de vencer, quando tudo falha e ficamos sós. Não podemos render-nos. 

Não seria digno da história deste país, dos nossos antepassados, trata-se de uma luta, e na luta, o essencial, é o povo, que surpreende todos pelas suas virtudes. Estamos abertos a todas as possibilidades, excepto renunciar ao socialismo, à unidade, ao poder do povo, às conquistas da Revolução, à excepção deste de aceitar que outros sejam senhores do nosso destino. Já fizemos a nossa escolha há muito tempo: socialismo ou morte!»

A Cuba de Fidel manteve a chama acesa. Durante dez anos, sozinha, como um grande, quando o bloqueio lhe caiu em cima. Iluminou a noite, a noite da reacção, como um Outubro vermelho. Antes que outros viessem levantar a bandeira, indiecitos, mulatitos, todos Bolivarianos. Fidel esteve à altura do seu povo. 

Da sua lealdade, da sua frontalidade, da sua generosidade. A combatividade desse povo cubano, que durante mais tempo do que qualquer outro, levou um apoio, incansável, inquebrantável à sua revolução, a esta geração de excepção, nascida da guerrilha, inflexível e integra, acompanhando durante decénios o seu comandante em chefe. 

Líder máximo que teve tanto poder. Até ele se inquietava com tanto poder. Mas ele não o procurava, mas não o arrancou. Todos vieram ter com ele, de Holguin, de Santiago, Santa Clara, Camaguey, Praça da Revolução, para lhe entregar, consentir, confiar nele e principalmente deixa-lo mandar. Porque era ele. Incomparável, incontestável. 

Até os santos o protegeram no sincretismo mestiço, santeria Ocha religião Ypruba. Palo Monte reino do Congo, a sociedade Abakua, e Arara. Obbatala Santíssimo, Mbumba da Caridade, Chango Santa Barbara Yoasi e Yemayá, fizeram também a travessia dos deportados, quase um milhão, choram-nos tão pouco, desde os pontões da costa dos Dentes, do golfo do Benim, do Biafra, de Loango, Cabinda, Mayumba, de Moçambique, Elugo, Fanti, Ganga, Yolof do Mani, vieram de lá.

Esquecerão os de Cantão e do delta das Pérolas, levados em cadeias nos mesmos barcos? Reis, papas assistiram a isso. Um povo exigiu Marti e Marx reunidos. Era de Fidel que precisavam. Sem os seus voluntarismos, os dois ligados por laços tão íntimos, devoções recíprocas onde teria sido esta bela Revolução? Os que chamam a Fidel, quando conhecem a ilha de «ditador brutal, cruel», sanguinário, sabem que mentem, que se enganam a si próprios, que são hipócritas. Que querem enganar-nos.

O insulto não atinge, o escarro falha o alvo. Fidel escolheu o campo dos oprimidos, de actos consequentes, coerentes, corajosos, sempre do lado dos humildes, da canalha, para esperar e acreditar ainda no ser humano. Chegamos sempre a alguma coisa. 

Ouçamos Neruda: «As suas palavras em acção, os seus feitos que cantam». Nacionalizou a terra e distribuiu-a. Esta Reforma Agrária Benny celebrou-a. Guarijos deixemos falar o poeta Guillen: «Ele levantou a gleba, até ao mirto, ao loureiro». Depois socializou os meios de produção, industrias, refinarias de petróleo, colocando-os finalmente nas mãos do trabalho.

Pôs mesmo a banca sob controlo do Estado. E o Estado sob o do Partido. E o próprio Partido ao serviço dos ideais: para o povo a saúde, educação, luz e a segurança, tudo gratuito. Pôs fim à segregação, ao sexismo, ao crime organizado num país desde sempre ossificado, maltratado, quatro séculos de escravatura, prostituído há mais de sessenta anos por gringos ávidos nos tinham apodrecido. Chicago dos trópicos. 

Fidel ensinou aos ricos boas maneiras, a eles que não tinham cura. Às suas visitas tão más, ensinou-as também a comportar-se, a viver em sociedade. Ou então a partir. Eles fugiram, desembaraçaram o solo de todos os exploradores. Foi para isso que nasceu Fidel. Para a nossa Cuba, Cuba socialista, pátria universal.
                                                                       
Os seus críticos, os senhores da Bolsa, tiveram de entender, aritmética elementar, que somos o numero fantástico, maciço, a verdadeira maioria, a dos povos. Cuba ama Fidel e muito profundamente. E o mundo também, agrade isso ou não. 

De que temos medo? É tão difícil dizer a verdade? De que teríamos vergonha, de amar os nosso heróis? A humanidade chega em socorro. Toda a humanidade. Ou quase, dizemos nós. Os outros mesmo no fundo não ignoram que o mundo pode mudar, se marcharmos para o melhor e não para o caos. Temos então a certeza de que futuro lhe pertence, Comandante, Fidel, o futuro é seu!

Tradução: Manuela Antunes

(Com odiario.info)

Mais que pelo direito à moradia, lutemos pelo Direito à Cidade

                                   

                      Luta por Moradia

Nós, trabalhadores, sabemos o quanto custa manter uma casa. Começo de ano e parece que tudo é mais caro: aluguel, impostos e taxas, contas de luz e de água, compra do mês, passagens de ônibus ou combustível, os remédios que faltam no posto de saúde, gás, água de beber (já que ao invés de água potável na torneira distribuída por um saneamento básico de qualidade, a água foi transformada em mais uma lucrativa mercadoria), enfim… 

Quase todas as nossas necessidades foram transformadas em coisas que podem ser pagas, sendo o salário quase sempre insuficiente. O que passa despercebido nisso é que muitas vezes temos onde morar, mas não temos o direito de morar. E qual a diferença? O direito de morar vai além da moradia, engloba as condições de vida das pessoas nas cidades.

Sabemos que nossas cidades são fragmentadas e que a lógica capitalista segrega, afasta a classe trabalhadora da centralidade da vida urbana. Essa lógica transforma as cidades em negócio lucrativo, onde a riqueza produzida pelo trabalho se converte em fonte de lucro, renda e juros a serem apropriados por poucos. 

A terra urbana geralmente é mais cara que a rural, justificando o acúmulo de imóveis e terrenos urbanos para a chamada especulação imobiliária, que contribui para elevação do custo de vida em certos bairros, gerando uma “expulsão indireta”, que consiste na mudança de trabalhadores para bairros menos urbanizados e periféricos, mais baratos. 

O que os proprietários de terra não dizem é que a especulação imobiliária é determinada pela valorização da terra pelo trabalho social, como nos ensinou Marx em O Capital. Ou seja, o preço da terra e da moradia tem como principal determinante o trabalho realizado por nós, classe trabalhadora, que muitas vezes não temos a segurança de onde morar.

No Brasil, estima-se que o déficit habitacional seja de cerca de 5,8 milhões de famílias, que vivem em habitações precárias ou improvisadas, em coabitação, pagam um aluguel abusivo ou vivem sob adensamento excessivo, segundo dados da Fundação João Pinheiro, divulgados em 2014. 

Contraditoriamente, se todos os imóveis vazios estivessem ocupados, no Brasil só precisariam ser construídas pouco mais de 280 mil casas no estado do Maranhão. Isso mostra a lógica da contradição central entre o capital e o trabalho na cidade. Portanto, a contradição fundamental à produção capitalista da cidade é a mesma ao modo de produção capitalista como um todo: a produção é socializada e a apropriação dos meios de produção e da riqueza por nós produzida é privada, restrita a poucos.

Sabemos que a luta da classe trabalhadora organizada, em torno da pauta da moradia e no Movimento pela Reforma Urbana, alcançou a previsão legal do direito à moradia digna, apenas de modo formal, na chamada Constituição Cidadã, além de dispositivos legais acessórios, como o Estatuto das Cidades (Lei 10.257/2001), a Política Nacional de Habitação, o Plano Diretor, o Parcelamento, Edificação ou Utilização Compulsórios, o IPTU Progressivo e a Desapropriação-Sanção, dentre outros, submetendo, ainda que apenas legalmente, a propriedade fundiária da terra aos interesses coletivos. 

Porém, tais instrumentos têm sua execução concreta, na vida real, travada por interesses de proprietários de terras, que veem na renda da terra uma poderosa fonte de enriquecimento. Enquanto frações da burguesia se utilizam do Estado para garantir seus interesses, nós, trabalhadores, somos privados dos direitos sociais conquistados pela luta, sendo não só explorados cotidianamente, mas expropriados ao máximo, como objetivam estas mesmas frações na conjuntura atual. Por isso, é imprescindível nos organizar enquanto classe trabalhadora, transformar essa realidade.

No Brasil e em todas as cidades burguesas do mundo, o que se necessita é de uma revolução, que supere as relações sociais de produção capitalistas, as quais determinam a produção do espaço urbano. Por isso, entendemos o Direito à Cidade como consigna revolucionária, somente assim a luta da classe trabalhadora se torna consequente.

Não deve ser reduzido a uma pauta legalista, ao acesso a bens de consumo coletivo, como apregoado por reformistas. O Direito à Cidade diz respeito à apropriação pela humanidade de tudo que até hoje foi por ela produzido. Ao desenvolvimento da vida em coletividade sem os limites e amarras impostos pelo capitalismo. À humanidade vivendo coletivamente sua emancipação. Para além da luta por moradia, lutemos, pois, pelo Direito à Cidade.

(Com a Unidade Classista)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Israel primeiro...

Jostxo Ezcurra/Rebelión

O “presente de Natal” de Temer

                                                                          

A sanha do Governo Federal em acabar com as leis que impõem limites à exploração da força de trabalho foi aguçada com seu estranho conceito de “espírito natalino”. Temer chama de “belíssimo presente de Natal” o anúncio da contrarreforma trabalhista que será enviada em regime de urgência ao Congresso Nacional no início de 2017.

Após ter congelado os gastos públicos por vinte anos e entregue à Câmara dos Deputados propostas que na prática poderão inviabilizar a aposentadoria para grande parte dos trabalhadores, Temer sequer esperou pela virada de ano para jogar mais essa bomba que visa explodir nossos direitos básicos.

Rapidamente desgastado pela impopularidade de suas medidas e por sucessivos escândalos de corrupção, o Governo partiu para o “tudo ou nada”, apressado em mostrar à burguesia que é capaz de atender com rapidez a sua agenda reacionária.

Consciente da inviabilidade política de uma reeleição neste quadro e preocupado com a possibilidade de cassação da chapa pelo TSE, Temer dá sinais de se mover em vista de outro objetivo: ao menos concluir seu mandato, provando que pode ser uma espécie de Hobin Hood às avessas: tirando direitos dos trabalhadores para dar mais vantagens ao empresariado.

O governo alega que é necessário “modernizar” as leis trabalhistas. Mas como chamar de modernização projetos que na verdade colocam a legislação trabalhista brasileira em condições pré 1943 (ano de aprovação da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho)?!

Temer alega que é necessário dar mais “liberdade” para que as negociações entre patrões e empregados em cada empresa prevaleçam sobre o legislado. Mas alguém tem dúvidas que estas medidas visam estabelecer acordos para reduzir direitos trabalhistas, nunca para aumentá-los?

A razão é muito simples. Trata-se dos termos destas “negociações”, sobretudo em tempos de grande desemprego: os trabalhadores poderão optar “livremente” entre aceitar as perdas ou serem demitidos e substituídos por outros que aceitem.

Principais ataques da contrarreforma trabalhista de Temer:

As férias poderão ser parceladas em três vezes;
A jornada de trabalho poderá aumentar de 8 para 12 horas diárias. Em termos semanais, isso representa a elevação das atuais 44 para 55 horas;
Fim dos planos de cargos e salários;
Redução de salários;
Ampliação do banco de horas;
Vinculação da remuneração à produtividade;
Enfraquecimento das entidades sindicais classistas.


Por isso,a Unidade Classista faz um chamado a todos os trabalhadores, entidades sindicais classistas e movimentos populares para cerrarmos fileiras contra as medidas do governo e construirmos uma greve geral em 2017. Mais do que nunca, urge a realização de um Encontro Nacional da Classe Trabalhadora para definir os rumos da resistência unificada e a contraofensiva daqueles que produzem as riquezas do país.

Unir as lutas para emancipar a classe!

(Com a Unidade Classista)

Diários Associados sofrem com demissão em massa em Minas

                                                                
             Fachada do prédio da sede do jornal Estado de Minas. Foto: Divulgação

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais publicou em seu site que, junto com o Sindicato dos Gráficos e o Sindicato dos Trabalhadores da Administração em Jornais e Revistas, repudia as demissões em massa de mais uma leva de trabalhadores nos Diários Associados ocorridas essa semana e na semana passada. Ao menos 148 foram demitidos, a maioria deles da administração.

Segundo o sindicato, as dispensas coincidem com o momento dos sindicatos assinarem a convenção coletiva que garante três meses de estabilidade para a redação e administração e 60 dias para os gráficos, após a assinatura do acordo. O número de demissões chegou a causar fila no setor de Recursos Humanos do grupo.

A reportagem acrescenta que na redação do Estado de Minas e TV Alterosa foram demitidos cerca de 20 jornalistas, muitos deles com quase 30 anos de casa. Apesar do elevado número de dispensas, não houve nenhum comunicado prévio ou acordo com os sindicatos que representam os trabalhadores, conforme posicionamento adotado pela Justiça do Trabalho.

Os sindicatos já denunciaram a demissão coletiva ao Ministério Público do Trabalho (MPT) e também à Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE). Também já foi solicitada uma mediação na SRTE para tratar das demissões e garantir o acerto de todos os trabalhadores. 

Segundo o Sindicato de Jornalistas de Minas Gerais, o grande temor é que não haja pagamento das verbas rescisórias, já que o grupo não tem honrado acordos na Justiça, está em débito com o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), reduziu os salários ilegalmente, não tem pago férias dentro do prazo legal e suspendeu o plano de saúde, além de não quitar integralmente o décimo terceiro salário de 2015 de parte dos jornalistas e administradores.

O clima nas redações é de tristeza e pesar pela saída dos colegas e pelas dispensas terem ocorrido às vésperas das festividades de fim de ano. A data da reunião com a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego será comunicada por meio de nota a todos os trabalhadores, desde já convocados para participar.

(Com a ABI)