sábado, 23 de julho de 2016

GLÓRIA À MEMÓRIA DA GREVE DE 1917, EM SÃO PAULO!

                                                                           

Antonio Carlos Mazzeo

Entre junho e julho de 1917, na cidade de São Paulo, eclode a greve que irá mudar o conceito da organização da luta operária e dará um salto qualitativo na luta de classes do Brasil.

Uma greve, iniciada no Cotonifício Crespi, no bairro da Mooca, no dia 12 de junho, e logo se alastra para a cervejaria Antártica e para a tecelagem Jafet.

As reivindicações eram as básicas e fundamentais acumuladas na luta operária, quer dizer, diminuição do tempo de trabalho de 12h para 8h, melhores condições de trabalho, garantia de trabalho para as mulheres que teriam filhos, fim da exploração do trabalho dos menores, férias etc. (tudo aquilo que o governo usurpador de Temer quer retirar dos trabalhadores).

Essa foi uma greve intensa, organizada e gerida por um comando de greve composto por experientes sindicalistas como Edgard Leuenroth, Monicelli e Candeias. Rapidamente o movimento, sob a coordenação do Comando de Defesa Proletária, ganha adeptos nos transportes públicos e nos serviços como de luz e gás. 

A Força Pública (que se transforma em PM após o golpe bonapartista de 1964) instala núcleos de repressão e de provocação aos grevistas, que tem a maioria dos trabalhadores da cidade em seu apoio.

13 cidades importantes do interior paulista, como Campinas, Itu e Sorocaba paralisam suas fábricas. No Rio de Janeiro, a COB (anarcossindicalista) apoia o movimento. A própria Força Pública exausta e sob muita pressão, tem uma sublevação em um de seus batalhões.

O governo se recusa a negociar. As massas se movem pelas ruas.

Diante do impasse, a burguesia apavorada se move. O jornal conservador das oligarquias paulistas, O Estado de São Paulo oferece suas dependências para que o Comando de Greve e o governo se reúnam para discutir os passos do movimento. 

Rapidamente, o patronato começa a emitir sinais de concordância com algumas das reivindicações, como aumento real de 20% e a promessa de não demitir trabalhadores grevistas. Mas o Movimento de fortalece mantendo suas reivindicações iniciais.

Após um mês, a greve s espalha pelo país. Manifestações ocorrem no Rio de Janeiro, em Curitiba, Porto Alegre e no interior do Rio de Janeiro.

Podemos dizer que esse glorioso Movimento Grevista foi um novo prenúncio. EM sua imediaticidade, saiu vitorioso, pois para que ele pudesse ser encerrado, a burguesia paulista aceitou todas as reivindicações dos trabalhadores.

Mas assim desmobilizados os núcleos dirigentes, o Estado passou por cima dos acordos e desencadeou uma brutal repressão, prendendo seus dirigentes, expulsando Monicelli do Brasil, e acusando Leuenroth de “psico-mentor” do movimento.

Mas dessa derrota, temos o declínio do espontaneísmo do movimento operário e o ascenso dos comunistas na luta de classes, o que culminaria com a organização do PCB, em 1922, sob liderança de ex-anarquistas e intelectuais orgânicos do movimento operário, como Astrojildo Pareira, Cristiano Cordeiro e Octávio Brandão.

Muito andamos, muito teremos que andar …luta que segue.

https://www.facebook.com/antoniocarlos.mazzeo/posts/1047749088612552

quinta-feira, 21 de julho de 2016

A Petrobras é a maior garantia para a soberania do Brasil

                       
                                                                                                     Latuff

Fernando Siqueira (*)

Novamente, estamos frente a mais uma tentativa de entrega do nosso petróleo do Pré-Sal para interesses internacionais e fragilização da Petrobrás, através do PL 4567/16, vindo do Senador José Serra, que exclui a estatal como operadora única do pré-sal e sua participação obrigatória em todos os consórcios de exploração.

O projeto de lei visa entregar o petróleo para empresas estrangeiras, que não possuem reservas e precisam delas para sobreviver e obter grandes lucros, ficando o povo brasileiro sem usufruir da maior riqueza da história do nosso país. Elas vão acelerar desnecessariamente a exploração, podendo exaurir o pré-sal em menos de 15 anos. Se for a Petrobrás a operadora, ele pode durar mais de 50 anos.

Além disso, exportar petróleo bruto significa exportar empregos, pois receberemos dólares que comprarão derivados produzidos com nosso óleo, mas com geração de empregos no exterior. Quando terminar nosso petróleo, ficaremos sem ele, sem os dólares recebidos e sem um parque de produção de novas riquezas, a darem sustentabilidade a qualquer qualidade de vida que tenhamos alcançado, nos restando o passivo ambiental e a miséria decorrente disso.

Importância do petróleo

A energia é a força que move a humanidade. Sem energia não há sobrevivência. Não há vida. Imagine um habitante de um país cuja temperatura atinge 30 graus negativos. Sem aquecimento as pessoas morrem. Sem alimentos também é impossível sobreviver.

Por esta razão o petróleo é um bem altamente estratégico, porque ele é o fornecedor de energia mais eficiente, fácil de produzir e transportar. É responsável por 92% do transporte mundial de pessoas, alimentos e equipamentos. É também matéria-prima para mais de 3.000 produtos que usamos no dia a dia. E, mais importante: ele não tem substituto em curto e médio prazos.

Especialistas têm mostrado que não existe perspectiva de novas descobertas significativas de petróleo. Assim, os países desenvolvidos, altamente dependentes dele, não tendo reservas, estão numa dramática insegurança energética, essencial para a qualidade de vida de sua população. Também as petroleiras multinacionais do setor, que já dominaram 90% das reservas mundiais, hoje têm menos de 5% e correm risco de sobrevivência.

Descoberta do Pré-Sal

Eis que a Petrobrás descobriu a jazida do pré-sal, que poderá ser nosso passaporte para elevada e sustentável qualidade de vida para toda a população brasileira. Estudos bem fundamentados realizados por um instituto vinculado à UERJ sinalizam que essas reservas podem alcançar de 176 a 273 bilhões de barris, situando-nos entre a segunda e a quarta reservas mundiais.

Esta descoberta fantástica aguçou a cobiça internacional sobre o Brasil e a Petrobrás. Despertou também a cobiça de grandes empreiteiras pelo volume de obras envolvido.

O primeiro sintoma: anunciada tal descoberta, o presidente norte-mericano George Bush reativou a quarta frota naval e posicionou-a no Atlântico Sul, onde estão Brasil e Argentina, sendo que esta já havia desnacionalizado o seu petróleo. Assim, a quarta frota veio “proteger” o pré-sal... Para eles.

Estas são as principais razões pelas quais esses atores e a grande mídia (a seu favor) tentam enganar os brasileiros, a dizer que a Petrobrás está quebrada, que com um rombo de R$ 34 bilhões ela não tem como produzir o pré-sal; que é melhor trazer uma empresa de fora para viabilizá-lo.

Argumentação mentirosa

Os argumentos usados são completamente falaciosos. A Petrobrás não está quebrada. Tem uma dívida líquida de US$ 90 bilhões para exploração de pelo menos 100 bilhões de barris, que chega a um montante de US$ 5 trilhões, tornando, portanto, essa dívida irrisória. E o valor do petróleo já vem se recuperando.

O anunciado “rombo” de R$ 34 bilhões, em 2015, é um valor que não se sustenta, pois é fruto de uma desnecessária e perniciosa desvalorização contábil dos ativos da ordem de R$ 49 bilhões - não efetuados pelas outras petroleiras.

Os fatos: em 2015, a Petrobrás teve um lucro bruto de R$ 98,5 bilhões e um lucro líquido de R$ 15 bilhões. Esta desvalorização contábil visou enfraquecer a imagem da Companhia para entregar o pré-sal para petroleiras estrangeiras, além de esconder as perdas com a venda de ativos, que é uma forma de privatizar a Companhia por partes. Neste momento em que os ativos estão desvalorizados pela queda, temporária, do preço do petróleo, quem ganha com sua venda? Que vantagens serão dadas ao comprador?

Um fato: o presidente Pedro Parente veio da Bunge, empresa que queria comprar a distribuidora ALE, para entrar no segmento de distribuição, mas o seu proprietário não a quis vender. Seria esta a razão para vender a BR distribuidora... Para a Bunge? Se fosse, seria um alto conflito de interesses.

E a Transpetro? Por que privatizar? A empresa é a responsável pelo transporte de todo óleo produzido offshore e por sua medição online, inclusive das petroleiras estrangeiras. Isto garante a lisura das medições. Pode ser a grande razão do interesse em comprar a Transpetro. Medição fraudulenta e praxe mundial.

E a malha de gasodutos? Por que querem comprá-la? A nosso ver, o motivo é que a malha de gasodutos da Petrobrás está saturada, inclusive dificultando a produção do pré-sal. Logo, as empresas estrangeiras não tem como usar os gasodutos da Petrobrás e não querem investir na construção de novos gasodutos. Portanto, é mais fácil fazer lobby para a Petrobrás vender os dela barato do que construir novos.

A corrupção que atingiu todos os segmentos públicos do país também atingiu a estatal através de uma dezena de altos dirigentes corruptos, que foram designados por políticos para isso. Mas os restantes, os 80 mil empregados sérios, éticos e competentes, fizeram-na ganhar pela terceira vez o Oscar internacional do ramo do petróleo. 

No entanto, a imprensa só destaca a corrupção nela, tentando enfraquecer sua imagem, para que o povo aceite a sua privatização e a entrega do pré-sal para as petroleiras estrangeiras, as mais corruptas e corruptoras do mundo. Esta é a intenção do PL 4567/16, vindo do Senador José Serra a partir de um compromisso assumido por ele, segundo o Wikileaks, com a Chevron ainda em 2010.

Alternativas para o nosso futuro

A Noruega era o segundo país mais pobre da Europa até a década de 1970. Descobriu o seu petróleo, administrou bem sua produção e a aplicação dos resultados, e se tornou o país mais rico e mais desenvolvido do mundo. Em contrapartida, os países que entregaram o seu petróleo para o cartel das multinacionais estão todos na miséria: Angola, Gabão, Nigéria e muitos outros.

Portanto, cabe a nós, povo brasileiro, decidir se queremos ser um país soberano, rico, com pleno emprego, desenvolvido, como uma grande Noruega, ou nos conformamos em sermos um eterno país colonizado, onde seu povo permaneça na miséria. Ou seja, um país onde a educação, a saúde e a segurança são pífios.

Vamos mostrar aos políticos o país que nós queremos, manifestando-nos contrários à aprovação na Câmara de Deputados desse absurdo Projeto de Lei que poderá impedir um futuro da mais elevada e sustentada qualidade de vida para todos os brasileiros por muitas gerações. E também contra a venda de ativos, que é a privatização aos pedaços. Como a queda do petróleo desvalorizou esses ativos, o senhor Pedro Parente, presidente da Petrobrás, deve gerar grandes vantagens para os compradores.

Afinal, na sua gestão como conselheiro de administração da estatal, entre 1999 e 2003, foram feitas grandes negociatas com ativos da Petrobrás. Exemplos: a venda de 36% de suas ações na Bolsa de Nova York por US$ 5 bilhões. Valiam mais de US$ 100 bilhões; compraram 49% das ações do grupo Perez Compamc por US$ 1,2 bilhão, sendo que o grupo tinha um rombo declarado de US$ 1,5 bilhão (segundo Cerveró, a propina foi de US$ 100 milhões); além de terem feito uma troca de ativos com a Repsol em que a Petrobrás perdeu mais de US$ 2 bilhões. A ação está em curso no STJ. Isso sem contar uma negociata com Eike Batista...

Não vamos aceitar essa entrega do patrimônio do povo brasileiro.


(*) Fernando Siqueira é vice presidente da Aepet – Associação dos Engenheiros da Petrobrás.

(Com o Correio da Cidadania)

https://www.blogger.com/blogger.g?blogID=90290098395548085#editor/target=post;postID=8693219149368918879

Reforma agrária, ontem e hoje

                                                 


José Carlos Alexandre

Nós da Grande BH estamos tendo o privilégio de participar da Feira Nacional de Reforma Agrária, com inúmeras atrações na Serraria Souza Pinto e imediações (Show na Praça da Estação).

E atrações o dia inteiro e parte da noite.

Nesta quinta, por exemplo, este colunista ficou grande parte da tarde na Feira, convivendo com os sem-terra, aproveitando as inúmeras ofertas (preços muito favoráveis) em termos de artesanato e alimentação.

Em minha mesa, não faltaram as melhores culinárias brasileiras como bode, pato, arroz carreteiro, sem se falar em salgadinhos como empadas, pães de queijo inimagináveis e compotas das melhores...

Paralelamente, a circulação de jovens da União da Juventude Comunista oferecendo de mesa em mesa o último exemplar de "O Poder Popular", a um real.

Outros participantes igualmente novinhos, de ponto em ponto abrindo cartolinas com slogans político-sociais-ambientais.

E de um extremo, membros do Comitê Central do PCB como o professor universitário Pablo Lima.

De outro, o coordenação nacional do MST João Pedro Stédile e o secretário de Direitos Humanos Nilmário Miranda.

Em meio a todos, trabalhadoras rurais renovando mercadorias das barracas ou circulando com pratos típicos  a culinária nacional como moquecas, tropeiro, pato com tucupi, arroz com pequi,os apreciadíssimos doces de leite, de figo ou de goiaba e queijos incrivelmente  bem curados.

Ah! E que dizer das editoras?

Eu próprio fui ao setor da Boitempo pegar o último livro da Anita, justamente sobre seu pai, o Cavaleiro da Esperança,"Luiz Carlos Prestes, um Comunista Brasileiro!.

Lá mesmo tive vontade de começar a me deliciar com as suas mais de 540 páginas...

Só não o fazendo para não perder as atrações que se revesavam no setor artístico-cultural Cora Coralina...

Para quem aprecia, tinha  também comida de graça, com hiper-valorização de verduras e legumes, com o detalhe: sem agrotóxicos...

Viro-me, vencendo a cãibra: ao meu lado uma militante da União da Juventude Comunista, Ana Laura, me oferendo o "Poder Popular".

Lembro-me do início de minha militância, aí pelos 17 anos, distribuindo panfletos em portas de fábrica, na Cachoeirinha, na Renascença, em BH ou em Sabará e em Nova Lima...

Tempo de muita dedicação...

Vamos novamente à luta.

Agora pela reforma agrária...

Não estas anunciadas por aí.

Mas a radical, mais ou menos igual à que queria promover o ex-presidente João Goulart.

"Na lei ou na marra", como pediam outros jovens, desfilando suas bandeiras por ocasião do I Congresso Nacional dos Camponeses, em 1961, na então Assembleia Legislativa, na rua dos Tamoios, 

Entre Amazonas e Rio de Janeiro.

Que coisa: o tempo passa e as reivindicações são as mesmas...

Como estas da Feira Nacional  de Reforma Agrária.

Todo mundo deve prestigiar.

Um ato político por excelência...

E um meio de adquirir, por exemplo, arroz , feijão e café a preços nem mais em conta...

Além de poder conviver com membros de assentamentos, poetas, escritores, políticos, estudantes de praticamente todos os partidos...



De esquerda, naturalmente.

segunda-feira, 18 de julho de 2016

O analfabeto Político


Claudino José da Silva: negro, operário e comunista

                                                                       
Claudino José da Silva nasceu numa fazenda em Natividade (RJ), a 23 de julho de 1902. Sua mãe, Maximiana Maria da Glória, morreu em 1915. Enlouquecido pelo luto, seu pai, Querino José Alfredo, morreu três anos depois. Órfão, Claudino se viu na obrigação de abandonar os estudos primários, tornando-se trabalhador rural nas fazendas de sua região natal.

Transferiu-se para Niterói, então capital do estado do Rio de Janeiro, onde trabalhou como aprendiz de carpinteiro e integrou a diretoria do Centro dos Carpinas e Classes Anexas de Mar e Terra e participou da Liga Operária da Construção Civil de Niterói. Na sede da Liga, assistiu a palestras de Octávio Brandão, Laura Brandão e Astrojildo Pereira, tornando-se um grande admirador de Lênin e da Revolução Russa.

Filiou-se ao PCB em 1928. Foi dirigente do comitê zonal do partido em Niterói e, em 1929, ingressou na Estrada de Ferro Leopoldina, envolvendo-se nas lutas da categoria. Em 1931, foi preso em decorrência de sua atividade política. 

Posto em liberdade, voltou a atuar no PCB e no movimento operário. Neste mesmo ano, deixou a Leopoldina e seguiu para Recife, a fim de participar do Congresso da União dos Trabalhadores de Pernambuco na condição de delegado eleito pela Conferência Geral dos Trabalhadores do Brasil. 

Preso em Recife por sua atuação em reuniões sindicais, mudou-se para João Pessoa ao sair da prisão e continuou sua militância no PCB. Diversas vezes preso e torturado, ficou seriamente doente. Restabelecido, foi para Minas Gerais, onde atuou na reorganização do Partido durante os anos 1935 e 1936.

Preso pela repressão em 1936, sua ativa militância na denúncia do racismo interno e do expansionismo colonialista e imperialista contra os povos africanos não lhe garantiu o apoio de todas as lideranças negras do Brasil de então. Presidente da Frente Negra de Minas Gerais, foi atacado pelos dirigentes da Frente Negra Brasileira (FNB), vinculados ao integralismo, que consideravam o comunismo uma “doutrina exótica e inadaptável ao Brasil”.

Claudino permaneceu preso até 1938. Voltou para Minas Gerais e retomou sua militância no PCB, pelo que foi novamente preso. Solto mais uma vez, atuou clandestinamente no PCB durante o Estado Novo, voltando à prisão em 1940.

Em 1943, integrou o comitê de organização da 2ª Conferência Nacional do PCB, a Conferência da Mantiqueira, realizada clandestinamente em 1943, na qual foi eleito membro do diretório nacional do PCB, responsável pelos trabalhos da agremiação no Norte e Nordeste do país. 

Com a desagregação do Estado Novo (1937-1945) e a legalização do Partido, tornou-se Secretário Político do Comitê Estadual do Rio de Janeiro e foi reconduzido ao Comitê Central.

Em dezembro de 1945, foi o único representante negro, eleito pelo antigo Estado do Rio de Janeiro, na Assembleia Nacional Constituinte. Diferenciando-se das demais em função, principalmente, da origem social de seus integrantes, a bancada comunista incomodou os parlamentares burgueses e foi responsável por apresentar propostas avançadas em favor direitos dos trabalhadores e da população pobre.
                                                                                
Bancada do PCB em 1945
Após a promulgação da nova Constituição, em setembro de 1946, Claudino exerceu seu mandato ordinário na Câmara Federal até a cassação, em 1948, decorrente da suspensão do registro do PCB em 1947. Na clandestinidade, foi preso pichando a frase “Salve Luiz Carlos Prestes!” em um muro da cidade de Niterói, em 1950. Foi condenado a um ano de prisão pela auditoria da 5ª região militar, em 27 de junho de 1968, por distribuir material subversivo em Joinville.

Pouco se sabe sobre a sua vida ou militância política nos anos subsequentes. Faleceu em 12 de fevereiro de 1985, aos 82 anos de idade, e foi velado no saguão da Assembleia Legislativa do estado do Rio de Janeiro, por solicitação de Luiz Carlos Prestes.

http://pcb.org.br/portal2/11417

sexta-feira, 15 de julho de 2016

80 anos da Guerra Civil Espanhola


Sim à Paz! Não à OTAN

                                                                
Protesto contra a cimeira da NATO de Varsóvia


A Campanha “Sim à Paz! Não à NATO!”, promovida por 26 organizações portuguesas, levou às ruas de muitas cidades do nosso país a defesa da Paz e a denúncia dos propósito agressivos da NATO e da sua cimeira, realizada em Varsóvia nos passados dias 8 e 9 de Julho.

Ao longo do último mês e meio as organizações promotoras da campanha realizaram dezenas de iniciativas de sensibilização e debate, produziram e distribuíram materiais numa defesa comprometida e combativa da Paz como condição essencial ao desenvolvimento, ao progresso e à justiça.

A campanha culminou nos dias 8 e 9 de Julho com iniciativas em Lisboa, Porto, Coimbra e Faro.

Em Lisboa, no dia 8, activistas pela Paz percorreram as ruas, distribuindo documentos e gritando palavras de ordem como “Paz Sim, NATO não!”, “Mais saúde e educação! NATO não!” ou “NATO é agressão, dissolução é solução”, entre outras, num percurso que terminou no Largo Camões com a actuação do grupo Marfa e intervenções de João Barreiros pela Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional, Regina Marques pelo Movimento Democrático de Mulheres, José Oliveira pelo Movimento pelos Direritos do Povo Palestino e a Paz no Médio Oriente, David Frazier pela Associação de Estudantes da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa e Ilda Figueiredo pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação.

No Porto, na manhã do dia 9, na rua de Santa Catarina, a Campanha “Sim à Paz! Não à NATO!” realizou um Acto Público, com distribuição de documentos, que contou com a participação de muitos activistas da Paz, contou com intervenções, de Tiago Oliveira, coordenador da USP/CGTP e de Ilda Figueiredo, presidente da direcção do Conselho Português para a Paz e Cooperação.

Em Coimbra e em Faro realizaram-se, no dia 8, acções de contacto com a população com distribuição dos materiais produzidos pela Campanha.

Um pouco por todo o país a campanha “Sim à Paz! Não à NATO!” reafirmou a Paz como necessária ao desenvolvimento e ao progresso humanos e denunciou a NATO com os seus objectivos belicistas e o seu historial de agressão como contrária à segurança e aos interesses dos povos, denunciando que o aumento da tensão e de conflitos, de que a NATO e as potências que a compõem são as principais responsáveis, aumentam o risco de um conflito de grandes proporções que ameaçaria a própria humanidade.

Viva a Paz!


A Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) é a maior organização militar no mundo, instrumento de intervenção dos Estados Unidos, definiu a União Europeia como seu pilar europeu.

A partir da última década do século passado, com o seu alargamento ao Leste da Europa e a ampliação das suas múltiplas «parcerias», os EUA e a NATO reforçaram a sua presença militar na Europa e projectaram a acção ofensiva deste bloco político-militar, apontando todo o planeta como a sua área de intervenção.

Na Europa, a NATO não cessa de aumentar as suas actividades militares e a expansão das suas bases, aproximando-se cada vez mais das fronteiras da Federação Russa.

A vasta rede de bases militares estrangeiras, as esquadras navais, os sistemas anti-míssil e de vigilância global que os EUA e os seus aliados da NATO têm por todo o mundo são instrumentos da sua estratégia de dominação mundial.

Como é reconhecido, a NATO e os seus membros intervieram directamente ou apoiaram intervenções militares em países da Europa, do Médio Oriente, de África e da Ásia Central. A NATO bombardeou a Jugoslávia e é igualmente responsável pela desestabilização, violência e guerra que marcam hoje a realidade do Iraque, da Líbia, da Síria, do Afeganistão ou da Ucrânia. Ao contrário do que foi anunciado em amplas campanhas de falsificação, em nenhuma destas intervenções o objectivo ou o resultado foi a democracia ou a Paz para os seus povos, mas a morte, a destruição, o drama de milhões de deslocados e refugiados, assim como o aumento do domínio sobre os seus recursos por parte de grandes empresas de países membros da NATO.

Os países membro da NATO, com destaque para os EUA, são responsáveis pela maior parte das despesas militares no mundo e pela corrida a cada vez mais sofisticados armamentos, incluindo armas nucleares. A NATO pressiona os seus membros a aumentar os orçamentos militares. Para a NATO não falta dinheiro para a guerra, enquanto, simultaneamente, são promovidas políticas contra os direitos e condições de vida dos trabalhadores e dos povos em muitos dos seus países membro.

Como tem sido alertado, esta acção belicista alimenta uma escalada de tensões e encerra a ameaça real de uma guerra generalizada, com o perigo de um confronto nuclear que significaria a destruição da civilização por todo o planeta.

A NATO é a principal ameaça à Paz na Europa e no mundo. Mas a guerra não é inevitável! As forças da Paz, os trabalhadores e os povos têm uma palavra a dizer!

O povo português, em importantes momentos, expressou a sua inequívoca opção pela Paz e contra a participação de forças portuguesas na agressão a outros povos – vontade que não foi respeitada por sucessivos governos que deram o seu apoio às acções da NATO, incluindo às suas guerras de agressões, e gastaram milhões de euros com a adaptação das forças armadas portuguesas às exigências da NATO e ao serviço das suas aventuras militares.
Portugal não deve ser envolvido nos propósitos belicistas da NATO que constituem uma ameaça à paz e à segurança internacional.

Há que respeitar as aspirações à paz do povo português! Há que cumprir os princípios consagrados na Constituição portuguesa de: desarmamento, dissolução dos blocos político-militares; abolição do imperialismo, do colonialismo e de quaisquer outras formas de agressão, domínio e exploração; soberania, independência, não ingerência, não agressão, resolução pacífica dos conflitos, igualdade entre Estados, cooperação.

Assim, as organizações subscritoras defensoras da causa da Paz e dos princípios orientadores das relações entre Estados inscritos na Constituição portuguesa e na Carta das Nações Unidas, apelam à realização de acções de oposição à NATO, pela dissolução deste bloco político-militar – nomeadamente, nos dias 8 e 9 de Julho de 2016, aquando da realização da Cimeira da NATO em Varsóvia.

Deste modo, e juntando a sua voz ao movimento da Paz na Europa, ao Conselho Mundial da Paz e a todos quantos denunciam a natureza agressiva da NATO e os objectivos belicistas da sua Cimeira em Varsóvia, as organizações subscritoras apelam à afirmação da exigência:
• da retirada de todas as forças da NATO envolvidas em agressões militares;
• do fim da chantagem, desestabilização e guerras de agressão contra Estados soberanos;
• do apoio aos refugiados, vitimas das guerras que a NATO promove e apoia
• do encerramento das bases militares em território estrangeiro e do desmantelamento do sistema anti-míssil dos EUA/NATO;
• do desarmamento geral e da abolição das armas nucleares e de destruição massiva;
• da dissolução da NATO;
• às autoridades portuguesas do cumprimento dos princípios da Constituição portuguesa e da Carta das Nações Unidas, no respeito pela soberania e igualdade de povos e Estados.

Em 8 e 9 de Julho

Dizemos Sim à Paz! Não à NATO!

Organizações subscritora:
• CPPC – Conselho Português para a Paz e Cooperação
• CGTP-IN - Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional
• CPCCRD – Confederação Portuguesa das Colectividades de Cultura Recreio e Desporto
• STAL- Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Publicas, Concessionárias e Afins
• MDM - Movimento Democrático de Mulheres
• ID – Associação Intervenção Democrática
• Mó de Vida – Cooperativa
• Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin
• USL - União dos Sindicatos de Lisboa
• JCP – Juventude Comunista Portuguesa
• Ecolojovem - «Os Verdes»
• MPPM - Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente
• FENPROF – Federação Nacional dos Professores
• MURPI - Confederação Nacional de Reformados, Pensionistas e Idosos
• FIEQUIMETAL - Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas
• ACR – Associação Conquistas da Revolução
• FESAHT – Federação dos Sindicatos de Agricultura, Alimentação, Bebidas, Hotelaria e Turismo de Portugal
• ARE – Associação de Reencontro dos Emigrantes
• SPRC - Sindicato dos Professores da Região Centro
• STEFFAS – Sindicato dos Trabalhadores Civis das Forças Armadas, Estabelecimentos Fabris e Empresas de Defesa
• STFPSSRA – Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas
• FNSTFPS - Federação Nacional de Sindicatos de Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais
• AAPC - Associação de Amizade Portugal-Cuba
• ABIC - Associação de Bolseiros de Investigação Científica
• APJD – Associação Portuguesa de Juristas Democratas
• STIHTRSN – Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Hotelaria, Turismo, Restaurantes e Similares do Norte

(Com odiario.info)