segunda-feira, 11 de setembro de 2017

Dia 13 começa a Mostra de Cinema Russo no Cine Santa Tereza

                                                                              

Tadeu Martins <tadeumartinsbh@gmail.com>


Começa nesta quarta, às 19:30 h, no Cine Santa Tereza, a Mostra de Cinema Russo, que vai até o dia 8 de outubro.

Esta Mostra de Cinema Russo é uma parceria da empresa TM Eventos, CPC UMES Filmes, Prefeitura de Belo Horizonte, Fundação Municipal de Cultura, com apoio da Associação Cultural Jose Marti, fazendo chegar ao público, gratuitamente, importantes filmes russos. Em outubro se comemora os 100 anos da Revolução Russa.

Serão exibidos 23 filmes russos legendados em português, a maioria inéditos no Brasil. 

Dia 13 - Lenin em Outubro

Dia 14 - O Velho e o Novo

Dia 15 - O Caminho para a vida

 • Dia 13 de setembro - 19h30

LENIN EM OUTUBRO

Direção - Mikhail Romm (1937), 108 min.
com Boris Shchukin, Nikolai Okholopov, Yelena Stratova.

Sinopse

Neste clássico de Mikhail Romm, estamos em 1917. A Frota do Báltico e unidades do Exército estão sublevadas contra o governo Kerenski, unindo as vozes às dos operários e camponeses que exigem paz: a saída da Rússia da guerra mundial. 

Lenin chega a Petrogrado num trem vindo da Finlândia e na reunião do Comitê Central, de 10 de outubro, derrota as resistências de Zinoviev, Kamenev e Trotsky para deflagrar a insurreição. 

Paralelamente, as forças contrarrevolucionárias organizam uma caçada para matar o líder dos bolcheviques. Os acontecimentos se precipitam em ritmo veloz até o momento final: sob as bandeiras de “Pão, Paz e Terra!” e “Todo Poder aos Sovietes!”, a Revolução de Outubro triunfa.

Dez anos depois do "Outubro", de Eisenstein, onde o protagonista são as massas trabalhadoras, Romm aceita o desafio de individualizar e dar vida à figura de Lenin. 

Em 1927, às voltas com a sua teoria sobre o “herói coletivo” e com as limitações do cinema mudo, Eisenstein mostra Lenin no filme, mas não consegue encaixá-lo no processo revolucionário que liderou. 

Realizado para as comemorações do 20º aniversário da Revolução, em 1937, o filme de Romm é o primeiro onde Lenin fala, pensa e interage como ser de carne e osso.

O filme “Lenin em Outubro” termina com a vitória da Revolução, mas sua estabilização ainda demoraria três anos. 

Só em março de 1918, após isolar a oposição de Bukharin e Trotsky, Lenin pôde cumprir o compromisso de retirar a Rússia da guerra imperialista, mesmo tendo que ceder territórios à Alemanha. 

O ato selou a confiança dos trabalhadores, soldados e marinheiros nos bolcheviques, e garantiu apoio ao poder soviético quando as tropas da intervenção anglo-franco-nipo-polaca reforçaram os exércitos brancos que visavam restaurar a velha ordem. A guerra civil durou mais de 30 meses e terminou em novembro de 1920.

• Dia 14 de setembro – 19:30h

O VELHO E O NOVO

Direção - Serguey Eisenstein (1929), 90 min

com Marfa Lapkina, Konstantin Vasilyev, Vassily Buzenkov, M.Ivanin e Ivan Yudin.

Sinopse

Produzindo individualmente, com técnicas arcaicas, os camponeses pobres que compunham na época a ampla maioria da população da URSS mal conseguiam sobreviver e eram impiedosamente explorados pelos kulaks (camponeses ricos). 

Cansada de comer o pão que o diabo amassou, a camponesa Marfa Lapkina decide reforçar o movimento pela coletivização da agricultura organizando um kolkoz (cooperativa) com seus vizinhos.

De início, a adesão é pequena, mas em meio a uma intensa luta ideológica entre as velhas e as novas concepções as vantagens da produção coletiva vão se afirmando. Ponto alto do cinema silencioso, “O Velho e o Novo” explora ao máximo os recursos da montagem dialética.

• Dia 15 de setembro - 17h

O CAMINHO PARA A VIDA

Direção - Nikolay Ekk (1932), 95 min.

com Nikolai Batalov, Mikhail Zharov, Yvan Kyrlya.

Sinopse

Primeiro filme sonoro soviético, “O Caminho Para a Vida” se inspira no trabalho teórico e prático do pedagogo, nascido na Ucrânia, Anton Makarenko (1888-1939), que à frente das colônias Gorki e Dzerzhinsky, nos anos 20 e 30, desenvolveu um método de ensino e socialização de jovens que haviam vivido na marginalidade, cuja base era a vida em comunidade, trabalho, disciplina e a participação dos internos na organização da escola. 

Para a recém-fundada República Soviética, essa recuperação tinha, além do sentido humanitário e social, um caráter político. Tratava-se, como afirmava Felix Dzerzhinsky, de impedir que os jovens delinquentes continuassem a servir como massa de manobra da contrarrevolução.

O tema do filme é a reabilitação de gangues de meninos que vagavam pelas ruas, em 1923, pouco após o término da guerra civil. As lealdades dos jovens estão divididas entre Zhigan, que os exorta a continuarem ladrões, e Sergeev, o chefe de uma escola-comuna. 

“Estrada Para a Vida” ganhou o prêmio de Melhor Direção, no Festival Internacional de Veneza (1932). As dedicatórias poéticas apresentadas na introdução e no final do filme são interpretadas por Basil Katchalov. 


Maiores informações:     98474.2050 (Tadeu Martins)
3277.4699 (MIS Cine Santa Tereza)

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Anita faz palestra na Associação Cultural José Martí do Rio de Janeiro


NOTA DE ESCLARECIMENTO DO PCB SOBRE A PRISÃO DE MILITANTES COMUNISTAS DURANTE AUDIÊNCIA PÚBLICA DA COMISSÃO DA VERDADE DOS TRABALHADORES E DO MOVIMENTO SINDICAL DE MINAS GERAIS

                                         
O Partido Comunista Brasileiro (PCB) vem a público comunicar que no dia 31 de agosto de 2017, durante Audiência Pública da Comissão da Verdade dos Trabalhadores e Movimento Sindical, que ocorria na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, um grupo de defensores da ditadura militar posicionou-se na portaria da Assembleia, afixando faixas e cartazes em árvores, postes, placas de trânsito e outros equipamentos públicos, o que é proibido pelas leis ambientais e código de posturas do município. 

A Polícia Militar, que encontrava-se no local, ao invés de coibir a prática proibida pelo código de posturas, ao longo de todo o dia fez vista grossa àquelas irregularidades, acobertando os provocadores. 

Enquanto saíam do evento, militantes de partidos de esquerda e movimentos sociais, alguns ex-perseguidos políticos e parentes de mortos e desaparecidos políticos, eram insultados e ofendidos pelos fascistas. 

Após serem xingados, três militantes do PCB não se intimidaram e retiraram algumas faixas e cartazes dos fascistas.

É importante esclarecer a todos e todas que não houve nenhuma agressão física por parte dos militantes do PCB aos fascistas defensores da ditadura. Esse grupo acionou a PM que conduziu os camaradas Pablo Lima, Jetro Taveiro, Ítalo Augusto, bem como três fascistas, para a delegacia. 

Porém, enquanto aguardavam despacho da Polícia Civil, apenas os militantes comunistas ficaram presos atrás das grades por 4 horas, em uma cela de 2 m quadrados, com mais 5 presos. Todos foram liberados às 23 horas do mesmo dia e uma audiência com a Justiça foi marcada para 27 de setembro.

Durante a Audiência da Comissão da Verdade, o camarada José Francisco Neres, representou os presos políticos de Minas Gerais, e, destacou a luta dos comunistas contra as atrocidades cometidas pelo Estado Brasileiro durante o período da ditadura militar. 

O camarada Túlio Lopes, Secretário Político do PCB em Minas Gerais, fez a intervenção em nome da Unidade Classista e do PCB denunciando e repudiando a detenção dos camaradas do Partido na porta da Assembleia Legislativa e reforçando a necessidade de justiça e punição para os torturadores e agentes da repressão. 

O Partido participa da Comissão da Verdade dos Trabalhadores e do movimento sindical que continuará com seus trabalhos após a referida audiência.

O PCB agradece a disposição e o empenhos dos advogados Roberto Auad e Willian Santos e as diversas manifestações de apoio e solidariedade ao Partido e aos camaradas detidos.

Fascistas não passarão!

Abertas as inscrições para o Curso de Língua Russa



terça-feira, 5 de setembro de 2017

FARC, um novo partido para uma nova Colômbia

                                                                           

Edmilson Costa (*)

Com a presença de mais de 1.200 delegados das mais diversas regiões do País, incluindo os guerrilheiros das montanhas, os milicianos e os militantes das cidades, além de delegações de organizações políticas e movimentos revolucionários de mais de 20 países, foi criado, durante o histórico primeiro Congresso das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia-Exército do Povo, em Bogotá, o novo partido político das FARC-EP, chamado de Fuerza Alternativa Revolucionária del Comum – FARC. A partir de agora a organização guerrilheira, que lutou nos últimos 53 anos nas montanhas, se transforma em partido político e se incorpora à vida civil.

O Congresso durou cinco dias e foi aberto oficialmente por Timoleón Jimenez, dirigente máximo das FARC, mais conhecido como comandante Timochenko (foto), que saldou os delegados e os conclamou a deixar o passado para trás. “Estamos dando um passo transcendental. Nos transformaremos a partir deste evento em uma nova organização exclusivamente política, que exercerá suas atividades por meios legais. Mas isso não significa que renunciamos aos nossos fundamentos ideológicos e o projeto de sociedade. Seguiremos sendo revolucionários como os marquetalianos. Nossa missão fundamental será ganhar as massas, sem as quais o adversário fará o que quiser conosco. Sem elas não conseguiremos lograr nada”, disse Timochenko.

Ainda na abertura do congresso ocorreu uma saudação em vídeo, desde Quito, do comandante do Exército de Libertação Nacional (ELN), Pablo Beltrán, que saudou a formação do partido político das FARC e destacou a necessidade da unidade do povo, das forças revolucionárias e a unidade das forças alternativas. “Contem conosco nesta tarefa de construir a paz, pois a paz é de todos e para todos. Esperamos que avancem muito como força política”, enfatizou o comandante do ELN. Também falou, como representante da nação que sediou as negociações entre o governo e as FARC, o representante do Partido Comunista Cubano.

O informe político ao Congresso ficou a cargo do comandante Ivan Marquez, que ressaltou que as armas nunca foram um fetiche para a guerrilha. “Nos impuseram a guerra. No entanto, nunca consideramos a resistência armada uma finalidade em si mesma. Sempre buscamos uma solução política, o diálogo e a negociação, como desde a primeira vez nos acordos da La Uribe, nas posteriores iniciativas fracassados de Caracas, Tlaxcala e San Vicente de Caugán, sem deixar de lado os permanentes contatos com diferentes governos. Todas essas experiências finalmente renderam frutos: primeiro nos diálogos e negociações de Havana e depois no acordo final consumado em 24 de novembro de 2016”, disse o comandante Marquez. O comandante também afirmou que, apesar de as FARC estarem cumprindo tudo que foi acordado, o governo não está respeitando vários itens dos acordos de paz. Por isso, é necessário que o governo cumpra tudo que foi definido no acordo.

Um debate intenso

Ao longo de cinco dias os delegados debateram sete temas fundamentais: política, organização, finanças, eleições, estatuto e programa, política internacional. Aprovaram um programa político e a nova direção do novo partido político, composta por 111 membros, incluindo todos os antigos componentes do Estado Maior das FARC-EP, além dos nomes dos cinco senadores e cinco deputados a que o novo partido terá direito pelos Acordos de Havana. O Congresso foi realizado num clima de grande alegria, animação e entusiasmo, pois era a primeira vez que aqueles guerrilheiros se apresentavam num evento legal; muitos deles nunca sequer tinham visitado Bogotá, uma vez que se incorporaram à guerrilha muito jovens e passaram o tempo todo nas montanhas lutando. Por isso, a cada discurso, vinham as palavras de ordem típicas das montanhas: “Por Bolívar, pelo povo, nenhum minuto de silêncio, toda uma vida de combate”.

Entre os pontos programáticos aprovados está a resolução de que os antigos guerrilheiros trabalharão por um processo social e político que permita construir uma sociedade alternativa, em que impere a justiça social, a democracia real e avançada, a superação de toda exclusão, discriminação ou segregação por razões econômicas, sociais, étnicas, religiosas ou de gênero; que se garanta uma vida e uma existência digna, o bem estar dos indivíduos e da comunidade; que se construa uma nova economia política que garanta a realização material dos direitos humanos, permita a relação harmoniosa com a natureza e assente as bases para uma nova ética de relações sociais, de cooperação e solidariedade.

O ato de lançamento do novo partido foi realizado na Praça Bolívar, a principal do País, com a presença de cerca de 15 mil pessoas, delegados internacionais e representantes dos países garantidores do acordo e de outras organizações que defendem a paz, além de shows de artistas do país simpáticos à causa da paz e da guerrilha. O ponto alto do evento foi o discurso do comandante em chefe das FARC, camarada Timochenko, que afirmou: “Estou seguro que os colombianos querem a paz e estão dispostos a defendê-la como o mais precioso direito. Por isso, o novo partido trabalhará por meios pacíficos e seu compromisso é com a paz, a democracia e a justiça social”. Um dos momentos mais emocionantes do ato público foi quando um grupo de povos originários, entre anciãos, xamãs e pajés, em ritual com trajes típicos. entregaram o cachimbo da paz à direção do novo partido, sendo aplaudidos efusivamente pela multidão.

Principais pontos do acordo do Havana

Esse processo de formação do novo partido e reincorporação das FARC-EP à vida civil é resultado dos Acordos de Havana, entre as FARC-EP e o governo colombiano. Esses acordos envolvem seis pontos, aqui muito resumidos (em breve farei um artigo mais amplo sobre o assunto):

Ponto 1) Reforma agrária integral, pelo qual as partes se comprometem a contribuir para a transformação estrutural do campo, de forma a contribuir para erradicar a pobreza, promover a igualdade e assegurar os direitos de cidadania.

Ponto 2) Participação política e abertura democrática para a paz: ampliação democrática que permita que surjam novas forças no cenário político para enriquecer o debate em relação aos grandes problemas nacionais, de forma a fortalecer o pluralismo e a representação de diferentes visões e interesses da sociedade, o que implica no desarmamento e fim da violência como método de ação política para todos e todas colombianas, de forma a transitar para um novo cenário em que impere a democracia, com garantias plenas para quem queira participar da política.

Ponto 3) Cessação de fogo e hostilidade bilateral e definitiva e abandono das armas. Tem o objetivo de terminar definitivamente as ações ofensivas entre a Força Pública e os guerrilheiros, incluindo as populações, de forma a preparar a institucionalidade e o país para reincorporação das FARC-EP à vida civil, do ponto de vista político, econômico e social, de acordo com seus interesses. Esse ponto também estabelece garantias contra organizações criminosas que cometeram crimes e massacres, sucessoras do paramilitarismo e suas redes de apoio.

Ponto 4) Solução dos problemas das drogas ilícitas: solução definitiva desses problemas, incluindo o cultivo de uso ilícito e sua produção e comercialização. As partes se comprometem a dar um tratamento distinto e diferenciado ao problema do consumo, ao problema do cultivo, à criminalidade organizada associada ao narcotráfico, assegurando um enfoque baseado nos direitos humanos e na saúde pública.

Ponto 5) Em relação às vítimas do conflito: o ressarcimento das vítimas deve estar no centro do acordo. Por isso, será criado um sistema integral de verdade, justiça, reparação e não repetição que contribua para a luta contra a impunidade, combinando mecanismos judiciais que permitam a investigação e sanção de graves violações dos direitos humanos e graves infrações ao direito internacional humanitário, com mecanismos que contribuam para esclarecimento e buscas dos desaparecidos e reparação dos danos causados a pessoas, a coletivos e territórios inteiros. Cria também uma Comissão de Esclarecimento da Verdade, unidade especial de busca dos desaparecidos em função do conflito armado.

Ponto 6) Mecanismo de implementação e verificação dos acordos: criação de uma comissão se seguimento, implementação e verificação dos acordos, integrada por representantes do governo e das FARC-EP com o objetivo de avaliar a implementação dos acordos e servir de instância para resolução de controvérsias e diferenças. Também cria um mecanismo de acompanhamento para que a comunidade internacional possa contribuir também para a implementação dos acordos.

Outras informações

Os delegados internacionais participaram apenas da abertura e do encerramento do Congresso, mas tiveram uma intensa programação política e cultural. Uma das coisas que chamou a atenção foi o grande aparato de segurança montado em torno do hotel onde estavam os delegados, bem como no Congresso. Do lado de fora a segurança era da Polícia. Do lado de dentro a responsabilidade era dos guerrilheiros. Pelas informações que colhemos, cerca de 1.200 guerrilheiros participaram da segurança do evento, ressaltando-se que em cada andar do hotel em que estávamos tinha segurança das FARC. Todo esse aparato teve como objetivo evitar provocações por parte tanto da extrema-direita quanto dos paramilitares.

Os delegados internacionais visitaram um acampamento guerrilheiro, chamado de Zonas de Transição, onde ficam os guerrilheiros que desceram das montanhas, entregaram as armas e que agora preparam sua incorporação à vida civil. Vale ressaltar que as armas não foram entregues para o Exército, mas ficaram sob custódia da Organização das Nações Unidas e do ferro fundido dessas armas serão feitos três monumentos: um nas Nações Unidas, outro em Havana, capital dos acordos, e outro na Colômbia.

Nesses acampamentos podemos sentir de perto a vida dos guerrilheiros nessa nova fase, tanto o que aprenderam na guerrilha quanto as dificuldades da vida sem armas.

Uma das comandantes do acampamento nos contou que nas FARC-EP havia uma formação política permanente, fato que se pode observar nas conversas com os guerrilheiros e guerrilheiras. Também havia uma estratégia cultural, de forma a criar uma cultura comunista e farciana entre os guerrilheiros e guerrilheiras. Todos tinham aulas de canto, coral e eram estimulados a desenvolver algum tipo de atividade cultural. Uma das comandantes do acampamento, a guerrilheira Luzero, era também cantora e nos foi brindado um espetáculo folclórico com temas típicos da cultura nacional.

Mas também as dificuldades são muito grandes. Como o governo não está cumprindo plenamente os acordos, pois deveria entregar material para que os guerrilheiros pudessem fazer suas casas e construir barracões, e sementes para as plantações de grãos árvores frutíferas, os acampamentos ainda têm funcionamento precário. Não têm luz elétrica, nem água encanada, nem banheiros: as pessoas fazem suas necessidades fisiológicas no meio do mato. No acampamento que visitamos já havia alguns projetos embrionários produtivos, como criação de porcos, coelhos, alguns grãos e verduras.

Como me disse uma guerrilheira, esses acampamentos, quando estiverem concluídos, deverão se transformar em estabelecimentos agropecuários, tanto para sustentar a vida dos guerrilheiros e sua incorporação à vida civil, mas também para se transformarem em estabelecimentos de sustentabilidade econômica social e política. Muitos militantes especializados estão contribuindo tecnicamente para o desenvolvimento de vários projetos nas diversas áreas. Os guerrilheiros acreditam que a solidariedade internacional tem um papel importante para forçar o governo a cumprir plenamente os acordos e por isso é dever de todos nós incrementar a solidariedade para que Acordos de Havana sejam plenamente cumpridos.

(*) Secretário geral do Partido Comunista Brasileiro