quarta-feira, 5 de novembro de 2014
Documento sobre violações de Direitos Humanos será lançado na ABI
Daniel Mazola (*)
” Nossa Copa foi nas ruas! A Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas (ANCOP) com apoio da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da ABI, promove ato de lançamento nacional do Dossiê Megaeventos e Violações dos Direitos Humanos no Brasil, versão 2014, no dia 7 de novembro, às 18h, na sede da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), na Rua Araújo Porto Alegre, 71, no Centro do Rio de Janeiro.
Representantes dos 12 Comitês Populares da Copa e Olimpíadas estarão presentes ao lançamento do dossiê, que apresenta e atualiza as denúncias de violações de direitos nas cidades-sede dos megaeventos esportivos e as conquistas dos movimentos organizados. O conselheiro Daniel Mazola representará a ABI no lançamento.
Conforme destaca a apresentação do documento, um Dossiê sobre a Copa do Mundo 2014, sediada por 12 cidades brasileiras, e sobre as Olimpíadas 2016, que se realizarão na cidade do Rio de Janeiro, deveria ter como tema central a prática do esporte, das relações pacíficas, culturais e esportivas entre todos os povos do planeta. Deveria falar da alegria de termos sido escolhidos para sediar estes dois grandes eventos. Mas não é disso que trata este Dossiê.
Preparado pela Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa e das Olimpíadas, ele fala de outro lado destes megaeventos. Ele fala de cerca de 250 mil pessoas que, segundo estimativas conservadoras, tiveram seu direito à moradia violado ou ameaçado nessas doze cidades.
Ele fala de cidades que se tornaram mais desiguais, tirando das pessoas mais vulneráveis suas condições de trabalho e perpetuando relações de extrema exploração em obras milionárias.
Ele fala de investimentos públicos, tão esperados, mas que chegaram para acentuar distâncias sociais, levando os pobres para mais longe das possibilidades de renda e acesso à educação, da fruição da cultura, de espaços públicos e lazer, do meio ambiente e mesmo do acesso ao tão celebrado esporte.
No entanto, a Copa de 2014 mostrou que a paixão do brasileiro pelo futebol não diminui. Na Copa, o povo torceu e acreditou no seu time. Mas alguma coisa certamente mudou. Milhares nas ruas gritando “Não Vai Ter Copa”, mais do que dizer que a Copa não iria acontecer, denunciou a construção de uma cidade para poucos e mostrou a maioria cobrando seus direitos. Essa mudança não se encerrou nas manifestações de junho de 2013.
Esse dossiê mais uma vez reivindica a legitimidade incontestável dos cidadãos de lutarem por seus direitos sem serem criminalizados. O direito de responsabilizarem as autoridades que abusarem de seu poder e de substituírem o arbítrio e a violência pelo princípio da democracia participativa, responsabilização dos servidores públicos e garantia dos direitos humanos, inscritos em nossa Constituição e nos tratados internacionais assinados pelo Brasil.
Apesar das dramáticas realidades que descreve e das violências que denuncia, este Dossiê não é uma lamentação, mas um convite, uma conclamação à luta, à resistência. Copa e Olimpíadas não justificam a violação de direitos humanos.
Nenhum direito pode ser violado a pretexto dos interesses e emergências que pretendem impor ao povo brasileiro. A Articulação Nacional dos Comitês da Copa e das Olimpíadas convida todos os cidadãos a participarem da luta para que tenhamos uma CIDADE JUSTA COM RESPEITO À CIDADANIA E AOS DIREITOS HUMANOS!
Precisamos atuar, colaborar, estar ao lado, dialogar e contribuir com a luta do Comitê Popular RIO da Copa e das Olimpíadas, é tarefa de todos nós. As reuniões acontecem todas as terças, às 19h, no 7o andar da ABI. Confirme sua participação no evento no endereço: https://www.facebook.com/events/794190633976885/”
(*) Daniel Mazola é jornalista, Conselheiro da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), e Secretário da Comissão de Defesa da Liberdade de Imprensa e Direitos Humanos da entidade. (Com a ABI)
Revolucionários sem rosto: Uma história da Ação Popular
Edmilson Costa (*)
O golpe militar no Brasil, em 1964, implantou uma longa ditadura que durou 21 anos, sufocou as liberdades democráticas, criou um modelo econômico concentrador de renda, prendeu milhares de pessoas, implantou a tortura como método de investigação e assassinou centenas de militantes nos porões de repressão, existindo hoje mais de 350 desaparecidos políticos. Também ao longo da ditadura o povo brasileiro resistiu de diversas formas, desde o voto nos partidos de oposição, às manifestações de ruas, às greves operárias e estudantis até a luta armada.
A luta mais efetiva contra o regime militar envolveu dezenas de organizações revolucionárias, todas clandestinas e com os mais variados métodos de luta. Algumas organizações, como o PCB, optaram pelo trabalho de massas e a constituição de uma ampla frente democrática contra a ditadura; outras foram para o campo organizar as guerrilhas rurais e a grande maioria, optou pela guerrilha urbana como primeiro passo para construir as condições para a organização da guerrilha no campo. A maioria dessas organizações era constituída por jovens estudantes, a grande maioria saídos de dissidências do PCB. Todas essas organizações foram massacradas pelo regime militar, tanto do ponto de vista militar quanto na tortura e tiveram breve existência.
Entre as organizações que lutaram contra a ditadura, uma delas tem uma historia singular, tanto pela origem dos seus militantes, quanto pelo trabalho de massas que realizou, além do fato de ter se constituído numa organização que chegou a ter cerca de 25 mil membros, entre militantes orgânicos e simpatizantes, com atuação em todos os Estados do País, sendo que pelos menos mil de seus militantes foram deslocados para o trabalho nas fábricas e no campo, processo que denominavam de proletarização. Trata-se da Ação Popular (AP), uma organização inicialmente vinculada à igreja católica e que depois foi evoluindo ideologicamente até absorver o marxismo.
A Ação Popular foi constituída a partir de organizações da igreja católica, com o a Juventude Estudantil Católica (secundaristas), Juventude Universitária Católica, Juventude Operária Católica e Juventude Agrária Católica e do trabalho junto ao Movimento de Educação de Base. Sua evolução política teve a influência dos teóricos católicos Emanuel Mounier, Jacques Maritain, Teilhard de Chardin e do padre brasileiro Henrique Vaz, além de pensadores progressistas da igreja presbiteriana.
Nasceu como movimento, depois se transformou em organização política e, influenciada pela visita de seus militantes à China, optou pelo maoísmo. No início da década de 70, grande parte dos seus militantes ingressaram no PC do B e hoje compõe a sua direção, enquanto outra parte continuou na resistência à ditadura até se dissolver posteriormente nos anos 80.
Essa história da Ação Popular agora está publicada num trabalho de excelente qualidade e resgate histórico, de autoria do jornalista Otto Filgueiras. O trabalho foi produzido em dois volumes, com 85 capítulos, cujo primeiro volume agora está sendo publicado pelas Edições ICP. Trata-se de uma pesquisa de mais de duas décadas, no qual o autor realizou entrevistas com mais de 200 ex-dirigentes e ex-militantes da AP, pesquisou nos arquivos da polícia política brasileira, nos arquivos pessoais de ex-dirigentes, nos processos a que os militantes responderam na justiça militar e nos acervos documentais da Universidade de Campinas, que reúne a mais ampla documentação sobre o movimento operário brasileiro e sobre o período da ditadura.
Portanto, trata-se de um trabalho de fôlego e uma enorme contribuição para a história da resistência à ditadura, especialmente porque este é um período muito pouco conhecido pela geração atual, uma vez que o povo brasileiro ainda não conseguiu fazer o ajuste de contas com seu passado ditatorial, como já ocorreu nos outros países da América Latina que também viveram períodos de repressão e ditadura.
Até hoje os militares resistem em abrir os arquivos do período ditatorial. O primeiro volume, com 561 páginas e uma galeria de fotos com momentos importantes da resistência ao golpe, está dividido em 41 capítulos e envolve o período pré-1964 até os anos 1968. Com prefácio do historiador Mario Maestri, o livro reconstrói de maneira rigorosa a trajetória de uma das mais importantes organizações revolucionárias brasileiras na resistência à ditadura.
O livro começa relatando os primórdios da organização, quando os jovens ainda estavam envolvidos pela doutrina da igreja e, aos poucos, foram despertando para o entendimento da realidade brasileira e para a luta contra as injustiças sociais. Essa nova visão da realidade levou esses jovens militantes a ir rompendo aos poucos com o conservadorismo da igreja, participando das lutas estudantis junto com os marxistas, realizando o trabalho de alfabetização no interior do País e posteriormente se constituindo em movimento político com atuação independente da igreja, mas sem nunca perder os contatos com os membros dessa instituição que estavam participando dos trabalhos junto à população.
Inicialmente constituída como sociedade civil Ação Popular , a primeira reunião de pré-fundação foi realizada em 1962, no Convento dos dominicanos, em Belo Horizonte, sob forte influência do padre Henrique Vaz, onde foi eleita uma coordenação nacional e elaborado o Estatuto Ideológico da organização. No entanto, a fundação oficial da AP como organização política só veio a ocorrer em 1963, em Salvador, na Bahia, ocasião em que foi aprovado o Documento Base da organização, ainda com base filosófica idealista, como constata o autor, e onde se elegeu um Comitê Nacional, coordenado por Herbert de Souza, O Betinho, figura carismática imortalizada em uma bela música de João Bosco e Aldir Blanc.
Vale destacar que a Ação Popular, a partir de sua organização, passou a ter uma grande influência no movimento estudantil brasileiro e, em aliança com o PCB, dirigiu a União Nacional dos Estudantes (UNE) no período anterior ao golpe e manteve essa influência, chegando a eleger vários presidentes da UNE no período após o golpe militar. Influenciada pelas teses maoístas, a AP decidiu proletarizar seus militantes e cerca de um milhar deles foram deslocados para trabalhos de base nas fábricas e entre os camponeses brasileiros.
Nas mais duras condições de clandestinidade, a AP contribuiu de forma militante para um conjunto de lutas contra a ditadura, como a reorganização da UNE, as comemorações do primeiro de maio, no qual expulsou do palanque em São Paulo os pelegos e o governador Abreu Sodré, o atentado no aeroporto de Guararapes, as lutas camponesas pelo interior do País e nas lutas do ABC paulista, muito embora o forte da organização fosse mesmo o trabalho entre a juventude estudantil.
A partir de meados da década de 60, a AP começou a enviar delegações para a China com o objetivo de realizar treinamento militar e cada vez mais começou a ser influenciada pelas ideias do Partido Comunista Chinês e sua estratégia de guerra popular prolongada, o que levou a organização a um impasse, uma vez que nem todos concordavam com essa orientação, o que levaria ao primeiro dos muitos rachas que a organização enfrentaria ao longo de sua história. O primeiro racha ocorreu no segundo semestre de 1968 quando a organização fez sua opção pela luta armada.
A origem desta grande cisão ocorreu a partir do debate no interior da organização sobre as duas teses que disputavam os rumos da AP: a Tese 1, foi elaborada pela corrente majoritária e fortemente influenciada pelas teses maoístas, avaliava que "a sociedade brasileira é semifeudal e semicolonial, que as forças produtivas são entravadas pelo monopólio da terra, pelas formas de exploração do trabalho, resultando numa ditadura do conjunto do poder latifundiário burguês". Por isso, "a guerra revolucionária é total e prolongada, cercando as cidades a partir do campo, para toma-las em conjugação com as forças da cidade".
Já a Tese 2, Duas Posições, tinha visão completamente diferente do Brasil. Para a corrente minoritária, o Brasil era um país com a dominância do modo de produção capitalista, onde há " a subordinação da agricultura pela indústria e ao mercado capitalista, pela dominação do campo pela cidade, pela predominância da grande produção sobre a pequena, tanto na indústria quanto na agricultura ... pela predominância do capital financeiro sobre as outras formas de capital e pelo grau de transformação da propriedade fundiária em uma forma de propriedade correspondente ao modo capitalista de produção ... Opera-se um poderoso movimento de concentração e centralização do capital que aumenta a dependência da agricultura ao capital financeiro". Com essas características diz a Tese 2, a revolução seria de cunho marcadamente antimperialista e democrática e a força principal da revolução brasileira era o proletariado urbano e rural e seus aliados, os camponeses, trabalhadores explorados e a pequena burguesia em processo de proletarização.
Eram duas interpretações do Brasil radicalmente diferentes e é natural que não poderiam conviver na mesma organização, tanto que a corrente minoritária foi expulsa. Lendo com os olhos de hoje pode-se dizer que, mesmo derrotados, aquela corrente estava mais próxima da realidade brasileira que os jovens apaixonados pelas teses maoístas. Com essa cisão, a AP perdeu importantes dirigentes históricos da organização, além de militantes em várias regiões do País.
Para se ter ideia da importância que a Ação Popular teve no Brasil, vale ressaltar que uma parcela expressiva dos personagens que militam na política brasileira, independente de suas posições da juventude, são até hoje figuras de expressão nacional. Muito embora estejam do outro lado das barricadas, foram ou são ministros, grandes empresários, executivos de grandes empresas, governadores, senadores e deputados.
Por isso, o primeiro volume de Revolucionários sem rosto: uma história da Ação Popular deve ser lido por todos aqueles que querem compreender a história da resistência à ditadura no Brasil. Escrito de maneira envolvente, com um rigor documental extraordinário, recupera para a história as lutas e a trajetória de uma geração de brasileiros que doou generosamente o melhor de suas vidas, inclusive sacrificando a própria vida, para a conquista da democracia e de uma sociedade próspera e justa. Aguardem o segundo volume. Nota: Dentro em breve resistir.info disporá deste livro para venda em Portugal. Os interessados podem desde já reservar o seu exemplar através do email resistir[arroba]resistir.info.
[*] Diretor do Instituto Caio Prado Junior
Esta resenha encontra-se em http://resistir.info/ .
segunda-feira, 3 de novembro de 2014
Meu recado
José Carlos Alexandre
Estou de volta depois de intensa participação no processo eleitoral brasileiro, no primeiro turno, em defesa das candidaturas do PCB.
(Quem viu meus blogs e o vídeo que neles foi inserido poderá constatar.)
Contrariando e muito meus médicos...
Comecei minha vida política na cidade-operária de Nova Lima, que junto com sua vizinha, Raposos, era também conhecida por "Moscouzinha", devido a intensa participação dos comunistas do Partido Comunista Brasileiro em todos os seus setores.
Inclusive na Igreja Católica que, antes do papa João XXIII era reacionária ao extremo.
Mas os comunistas eram a voz dos trabalhadores, dos oprimidos, ainda que acusados até mesmo de terroristas (quando esta palavra ainda não tinha a conotação que tem nos dias de hoje).
Veja-se a história dos 51 heróis da classe operária mundial, ex-trabalhadores da Companhia do Morro Velho, demitidos sem direito a nada , a nadinha mesmo, sob a acusação de "terroristas".
Os comunistas iniciaram sua atuação em 1934. E, logo logo, criaram o histórico Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas do Ouro e Metais Preciosos de Nova Lima e Raposos, começaram a participar de times de futebol, clubes e outras-lançantes.
Tornaram-se, em alguns casos, Congregados Marianos, organização ligada à Igreja Católica , disputaram a ganharam mandados de vereador (utilizando outras legendas já que o PCB foi colegado na ilegalidade em 1946 e seus parlamentares foram cassados em 1948).
Estas movimentações já descrevi em parte no artigo Menino do Municipal (publicado em jornais de Nova Lima e transcrito neste blog).
Eu, filho de trabalhadores mineiros ( mesmo minha mãe chegou a trabalhar num setor da Morro Velho, sendo, portanto, uma das pioneiras nesta atividade), desde criancinha, acompanho as greves, os deslocamentos muitas vezes difíceis de trabalhadores já com pulmões estourados pela silicose.
Subindo e descendo morros a caminho ou da mina ou de casa....
Considero o período épico já que trabalhadores, principalmente os mais atuantes, eram perseguidos, presos, torturados (estávamos distantes, muito distantes do horror da ditadura burguesa-militar de 1964...) excomungados pela Igreja reacionária cujo símbolo maior era um tal de padre Oswaldo...
Torturados pela poeira mortífera da extração do ouro que ia fortalecer a riqueza do reinado da Inglaterra, depois de potentados canadenses e norte-americanos...
Deixando em Nova Lima e Raposos os buracos, a revolta operária, a morte de trabalhadores alguns ainda na flor da idade, consumidos pela tuberculose, pelos pulmões estourados...
Um dia ainda haverá de se contar com precisão, competência e autenticidade a história dos comunistas que se tornaram mártires em Nova Lima e Raposos, como William Dias Gomes, Anélio Marques Guimarães etc. (Neste espaço cheguei a homenagear os 51, nome por nome, num dos textos de referência ao Primeiro de Maio.)
Muito novo, confundia greve com guerra, pois a polícia à serviço da companhia poderosa, transformava Nova Lima em verdadeiro "front"...
As assembleias dos trabalhadores me chamavam à solidariedade desde muito cedo.
Eu tinha de cortar toda a cidade já que estudava numa rua atrás do Sindicato dos mineiros e , portanto, atrás do Teatro Municipal, palco de assembleias lotadas, que se esparramava pela Praça Bernardino de Lima...
Pouco fui me aproximando dos líderes dos movimentos até que um dia dei acordo de mim com microfone em punho, malhando a burguesia, o imperialismo, defendendo a ação cada vez maior dos trabalhadores e do povo até a conquista do poder.
Até o socialismo, até um dia chegarmos a uma sociedade sem classe social, onde vigore a solidariedade a paz entre os povos.
Vindo morar em BH, não deixava de deslocar-me até a "Moscouzinha",para participar das assembleias.
E não foram só duas ou três vezes que caminhando com os operários e suas esposas e filhos, fiz o trajeto em passeatas até a capital...
Hoje minhas pernas não me permitem muitos arroubos mas desde a imprensa operária e sindical, passando pela imprensa do PCB, continuo mandando meus recados aos trabalhadores e ao povo.
Cumpro a minha sina com muita disposição. Na certeza de que isto, no fundo, é que meus país queriam.
Principalmente meu pai, Manassés Alexandre, hoje nome de rua no bairro Vila Operária...Rua Maestro Manassés Alexandre...
Estou sempre com a classe operária, com os trabalhadores, com o povo.
Ainda que com erros e acertos...
Mesmo que me achem a com razão, mero cinquentão de carteirinha, do Partidão.
Não sei até quando vou conseguir dar este recado...
Mas enquanto puder...este espaço será ocupado.
Mesmo que uma vez ou outra tire uns dias de folga como os que acaba de deixar...
Mudanças na direção do PCB Ipatinga que não para de crescer
O PCB Ipatinga realizou sábado 1º de Novembro de 2014 uma reunião ordinária, no Bairro Ferroviário, onde uma das pautas foi a composição da Nova Comissão Provisória dos Comunistas. A composição do Secretário Político que irá conduzir o PCB nos próximos movimentos populares, nas lutas de classe e no planejamento do partido 2014-2016.
O camarada Daniel Cristiano que conduziu o PCB de 2009 a 2014, indicou para assumir a tarefa o Administrador de Empresas e Pós Graduado em Engenharia da Qualidade Rair Anício Júnior que será o novo Secretário Político, para a Secretaria de Organização o Metalúrgico Frederico Fialho Siqueira, pra Secretaria de Agitação e Propaganda o Metalúrgico Elias, na Secretaria de Formação a Assistente Social Lívia Cristina Godoy foi a indicada e Daniel Cristiano passa a assumir a tarefa de Secretário de Finanças PCB Ipatinga.
É importante salientar que o PCB é o único partido no Brasil que não usa a nomenclatura de presidente e sim a de Secretário Político, que tem juridicamente as mesma atribuições, porém com a definição da posição com menos formalidades e bem próximo da militância.
Considerando que o PCB está inserido nos movimentos do dia a dia, outras pautas foram debatidas como: * Os resultados das eleições 2014, sendo no primeiro e no segundo turnos... Quais os impactos dos referidos resultados na cidade, na região, no estado, nacional e internacional; * Curso de formação Marxista que poderá acontecer em dezembro deste ano; * A formação do Coletivo Minervino de Oliveira em Ipatinga; * O fortalecimento da UJC União da Juventude Comunista em Ipatinga; * Os desafios dos metalúrgicos e dos trabalhadores de Ipatinga e região neste novo cenário; * A consolidação do Coletivo Feminista Classista Ana Montenegro em Ipatinga; * A organização e o crescimento PCB de Ipatinga.
Rair Anício declara que o PCB traçou um plano de ação e tem conseguido executá-lo com êxito e que aceita e cumprirá a tarefa de organizar o partido em Ipatinga com muita responsabilidade, pois os desafios que nos apontam são enormes e quero ajudar o camarada Daniel Cristiano a preparar os militantes e apoiadores neste projeto e nesta tarefa!!!
Daniel Cristiano, salienta que o PCB cresce em Ipatinga e no estado, que assumiu as tarefas a nível do Comitê Regional (PCB Minas), que precisa consolidar o crescimento estadual do partido, que os desafios são a cada período maiores e que está pronto pra assumir qualquer tarefa a ele confiada. Disse ainda que acredita em um grande salto qualitativo da militância e que a mesma se sente motivada com as indicações da nova composição da comissão provisória PCB Ipatinga.
Daniel fala sobre os resultados das eleições de 2014, afirmando que está muito feliz com a aceitação e o reconhecimento da população do estado de Minas Gerais, pois foi votado em 180 cidades, feliz com a aprovação da região metropolitana do vale do aço e principalmente com os moradores e eleitores de Ipatinga que dos 23.910 votos que obteve, mais de 20 mil votos foram da referida cidade. Disse ainda, que ama Ipatinga e que tem muito respeito e gratidão pelo reconhecimento e que se sente no dever e responsável em acompanhar e fiscalizar a nova legislatura e o governo estadual que virão a partir de janeiro de 2015... (Com Magela Medeiros)
domingo, 2 de novembro de 2014
Sobrinho de padre revela fotos 'esquecidas' de Che Guevara
Che Guevara / Crédito: Arquivo Arteaga
Antía Castedo
BBC Mundo
Fotos 'esquecidas' de Che Guevara são encontradas na Espanha
Oito fotos originais tiradas de Ernesto "Che" Guevara logo após a sua morte foram reveladas recentemente, quando se completa quase meio século (47 anos) da morte do revolucionário sul-americano.
Elas foram mantidas em uma casa de família na aldeia Castilistar, na província espanhola de Zaragoza.
Foi Luis Cuartero, missionário espanhol na Bolívia naquela época, que levou as fotos para a Espanha, poucos dias após a morte do guerrilheiro.
Depois de ter sido fuzilado no vilarejo boliviano de La Higuera, na Bolívia, o corpo de Che foi levado em um helicóptero para o hospital em Vallegrande.
Lá, Che foi exposto na lavanderia do hospital, para que os jornalistas e correspondentes estrangeiros pudessem se certificar de que o revolucionário latino-americano estava efetivamente morto.
"Tinha uma barba negra e rala, cabelos longos e crespos e a sombra de uma cicatriz em seu rosto" descreveu o jornalista britânico Richard Gott, que conhecera Che na vida e conseguiu identificar o corpo.
As fotos guardadas por Luis Cuartero são desses dois dias em que o corpo de Che ficou exposto no local.
"Meu tio chegou a Espanha de barco para casar meus pais entre o fim de outubro e o começo de novembro de 1967", lembra Imanol Arteaga, sobrinho de Cuartero, à BBC Mundo.
Che Guevara havia sido morto pelo Exército Boliviano alguns dias antes, em 9 de outubro de 1967. Ao chegar, o sacerdote contou à sua irmã que tinha dado as fotos a um jornalista francês.
Investigação
Arteaga disse que a sua família tinha nenhuma simpatia especial por Che ou suas causas, e por isso as imagens acabaram esquecidas por décadas.
"Não demos muita importância", disse Arteaga.
Che Guevara / Crédito: Arquivo Arteaga
Corpo de Che Guevara foi exposto na Bolívia após Exército ter executado o revolucionário
Anos se passaram até que a morte padre abalou emocionalmente o sobrinho que, pensando em seu tio, lembrou das fotos de Che que ele algumas vezes tinha ouvido falar em discussões familiares.
"Perguntei para minha tia se ela lembrava onde estavam", relata Arteaga, que é vereador em sua cidade natal.
Arteaga começou a fazer uma pesquisa para descobrir o paradeiro das fotos como uma homenagem ao seu tio.
Ele procurou na Internet e, com um fotógrafo do jornal local "El Heraldo de Aragón", consultou um especialista em fotografia.
Entre as fotografias, várias são do corpo de Che. Elas parecem ter sido tiradas em momentos diferentes.
Em algumas, ele aparece a jaqueta ainda no corpo sujo e em outras o corpo aparece limpo e parece posicionado para ser exposto.
Há também uma foto de Tamara Bunker, conhecida como Tânia, a companheira de Che na Bolívia.
Arteaga acredita que as fotos que conseguiu sejam de autoria de Marc Hutten, jornalista francês da Agence France Presse (AFP), que morreu em março de 2012.
Ele diz que as fotos têm diferentes texturas e que parece que umas foram feitas com filme colorido, mas foram reveladas em preto e branco.
O espanhol acredita que Hutten pediu a seu tio para tirar essas fotos caso algo acontecesse, já que sabia que ele retornaria a Espanha em breve.
Marc Hutten
Correspondente da AFP, Marc Hutten estava presente quando as autoridades bolivianas mostraram o cadáver de Che em Vallegrande.
Apesar de ser repórter, Hüttel repórter também tirou fotos de Che nesse dia histórico.
Corpo de Che Guevara / Crédito: AFP
Agência francesa acabou deixando guardadas as fotos do corpo de Che por décadas
Depois de negociar cinco das fotos que estavam com Arteaga, Eric Baradat, editor–chefe de fotografia da AFP contatado pela BBC, disse que essas não são as que a agência têm em arquivo.
Mas Baradat também explica que muitas das fotos que Hutten fez naquele dia foram perdidas.
No total, Hutten teria usado "quatro ou cinco filmes naquele dia", Baradat explica. Mas a agência de fotografia só mantém um deles.
O repórter enviou todas as fotos para a agência, mas por razões inexplicáveis, a AFP não publicou as fotos de Hutten por décadas.
"Elas estiveram aqui por muitos anos antes de serem distribuídas", explica Baradat.
"Distribuímos só em 2002", diz o editor-chefe da AFP. "Hutten tinha suas fotos em cores, enquanto na época fotógrafos profissionais quase sempre usavam o preto e branco."
Foram fotos coloridas de Che Guevara em que ele aparece com um ar de "mártir" que influenciaram o presidente dos Estados Unidos Barack Obama a decidir não mostrar o corpo de Bin Laden, segundo o que diz o jornal Financial Times no obituário de Hutten.
Arteaga, que diz que falava diariamente por telefone com seu tio, nunca perguntou sobre a origem e autoria de imagens de Che.
"Foi uma das conversas que ficaram faltando", diz ele, com tristeza. (Com a BBCBrasil)
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