domingo, 17 de fevereiro de 2013

QUEM É YOANY SÁNCHEZ? A resposta está neste texto publicado por "Pátria Latina"


                             

Iroel Sánchez

Com o título “Yoani Sánchez: Bloguera ou mercenária? “, o jornalista brasileiro Altamiro Borges publicou uma caracterização da multipremiada blogger que se soma à  informação que nos últimos dias vários espaços alternativos do Brasil têm difundindo sobre este mediático personagem.

Complementando o trabalho de Altamiro, quem preside o Centro de Estudos de Meios Alternativos Barão de Itararé na cidade de São Paulo e é autor, entre outros títulos, do livro A ditadura da mídia, e de outros jornalistas brasileiros, La pupila insomne elaborou  este dossiê.



1. Empregada da SINA:

-Yoani Sánchez (YS) se reúne frequentemente e recebe instruções da Repartição de Interesses dos EUA (SINA) em Havana.

Além das fotografias e vídeos que documentou a imprensa cubana, Wikileaks publicou vários cabogramas que registram, desde 2008, reuniões de YS com funcionários da SINA em Havana.

Em pelo menos 11 cabogramas não censurados e emitidos desde o Escritório de Washington em Cuba, há referências a reuniões com a blogger e intercâmbio de informação dela com diplomatas dessa embaixada. [1]



-A SINA conspirou com YS e executou a fraude da falsa entrevista a Barack Obama.

Segundo cabograma emitido desde a SINA no dia 28 de agosto de 2009, as respostas da publicitária “entrevista” foram redigidas por funcionários da Repartição de Interesses dos Estados Unidos.  Quatro meses depois, o  texto retornou para a sede diplomática enviado pela Casa Branca, com um alto por cento de coincidência entre a resposta e a versão original, incluindo quase exatamente a mesma introdução na qual Obama felicitaria a Sánchez pelo prêmio María Moors Cabot, da Universidade de Columbia.

O cabograma de 28 de agosto também incluía as perguntas que a “jornalista” enviaria ao presidente cubano Raúl Castro – coisa que nessa data ainda não tinha feito. [2]

-A diplomacia estadunidense promove e dirige a blogger Yoani Sánchez como uma alternativa crível para dissidência tradicional.

O Chefe da SINA em Havana, Jonathan Farrar, escreveu ao Departamento de Estado  em 9 de abril de 2009 e revelou Wikileaks: ”Pensamos que a jovem geração de dissidentes não tradicionais, como Yoani Sánchez, pode desempenhar um papel em longo prazo em uma Cuba pós-Castro”. Nesse cabograma, Farrar aconselha ao Departamento de Estado que concentre seus esforços nesta dissidente e lhe ofereça mais apoio. [3]



-O discurso de YS está ligado à política de Washington para Cuba, e ela tem admitido abertamente esta subordinação:

“Os Estados Unidos deseja uma mudança de governo em Cuba, mas é também o que eu desejo.” (Declarações a Salim Lamrani, publicadas em Rebelión a partir de 15 de abril de 2010, em duas partes http://www.rebelion.org/noticia.php?id=104205. (Se pode aceder também a fragmentos do áudio da entrevista)

-Sua figura é sobredimensionada continuamente pelo Departamento de Estado, instituição que destina 20 milhões de dólares anuais à subversão em Cuba e privilegia neste fundo o uso das novas tecnologias e a criação de líderes nas redes sociais.

A Secretária de Estado tem feito referência diretamente a YS ao menos em um discurso todos os anos, desde 2009 até 2011. Em 9 de novembro de 2009, seu escritório fez uma declaração por ocasião de um falso “assalto” contra bloggers cubanos; em 3 de maio de 2010, Clinton a elogiou durante a homenagem pelo Dia da Liberdade de Imprensa,  e em março de 2011, lhe fez homenagem no 2011 International Women of Courage Awards.

No entanto, nenhum dos jornalistas e bloggers registrados no Barômetro 2012 de Repórteres sem Fronteiras é cubano:

O Barômetro de Repórteres Sem Fronteiras resenha “os ataques físicos, assassinatos e encarceramentos de jornalistas, como atentados contra escritórios de meios de comunicação, mecanismos de censura e confiscação de jornais”, segundo a organização internacional com sede central em Paris e que historicamente não tem sido benévola com Cuba.

O Barômetro de 2012 de RSF, que é atualizado cada ano, identifica 306 jornalistas e ciberdissidentes mortos e presos, para os que o Departamento de Estado não tem prestado a mais mínima atenção.  De fato não ha referência a nenhuma dessas pessoas na página oficial http://www.state.gov, mas quem fizer ali uma busca do nome “Yoani Sanchez” encontrará listados 11 relatórios e declarações, desde 2008 até a data, emitidas por essa instituição[4].



2. Falsa líder:

-Segundo uma enquete realizada pela SINA e revelada por Wikileaks, YS é conhecida só por um 2% dos que responderam a enquete. O “opositor” mais conhecido na Ilha é Luis Posada Carriles, segundo a sondagem. [5]



-O blog Generación Y, principal meio de expressão da blogger, não tem nenhum impacto na audiência cubana.

O blog não está bloqueado em Cuba e, no entanto, o tráfico desde a Ilha é insignificante, segundo medidores especializados na web como Alexa.com. Veja desde onde se acede ao blog (o rank é o lugar que ocupa em cada país, de acordo com o tráfico dos usuários locais):

-Seu blog não é um referente internacional para consultar os temas de Cuba, apesar dos enormes recursos técnicos, a maquinaria publicitária que tem a sua disposição e as versões em 21 idiomas deste blog.

Veja uma comparação do tráfego, segundo Alexa.com, entre o blog Generacion Y, Cubadebate e Juventud Rebelde, os jornais mais visitados na Ilha. Em azul, Generación Y:

Outra comparação: segundo Alexa, o blog ocupa o lugar 99, 444 a nível mundial. Alexa é o sistema mais profissional na Internet para conhecer o ranking da web e registra o comportamento do tráfego de mais de 5 milhões de sítios indexados por Google. Valora o domínio primário, neste caso desdecuba.com.

Para ter uma ideia do que significa o número 99 444: o site web do jornal O Povo, de Fortaleza, situa-se no lugar 14 043. A distância entre um e outro é abismal, não só em posição na web, senão nos recursos que recebe. [6]



3.-Falsa experta e falsa libertária

-Sua ignorância sobre a história e a realidade cubana é proverbial.

É extenso seu ciberbestiário. Reproduzimos algumas frases da entrevista  concedida a Salim Lamrani:

§ (a Lei de Ajuste Cubano dos EUA contra Cuba não é ingerência porque) há relações fortes. Joga-se beisebol em Cuba como nos Estados Unidos.

§Privatizar, não gosto do término porque possui uma conotação pejorativa, mas de colocar em mãos privadas, simNão diria que (o lobby fundamentalista de Miami, sic) são inimigos da pátria.

§ Pensei que com o que tinha aprendido na Suíça, poderia mudar as coisas voltando a Cuba.

§ Estas pessoas que estão a favor das sanções econômicas (a população de seu país) não são anti-cubanas. Penso que defendem Cuba segundo seus próprios critérios.

(Os Cinco presos nos Estados Unidos) não é um tema que interesse à população. É propaganda política.

§ (O caso Posada Carriles) é um tema político que não interessa as pessoas. É uma cortina de fumo.

§ (Os Cinco) O governo cubano diz que não desempenhavam atividades de espionagem senão que haviam infiltrado grupos cubanos para evitar atos terroristas. Mas o governo cubano sempre disse que esses grupos estavam vinculados a Washington.

(Já houve uma invasão dos EUA a Cuba, diz Lamrani) Quando?

§O regime (de Batista que assassinou 20 000 cubanos) era uma ditadura, mas havia uma liberdade de imprensa plural e aberta.

§Cuba é uma ilha sui generis. Podemos criar um capitalismo sui generis.

A propósito destas confissões de YS a Lamrani,  escreveu no jornal Público Ignácio Echeverría, que é um dos principais críticos literários da Espanha e testamenteiro do escritor chileno Roberto Bolaño: (uma jornalista) escandalosamente inconsistente, incapaz de resistir o brutal aluvião de rigorosas perguntas e de acusações mais ou menos veladas que Lamrani lhe faz. O documento, em sua totalidade, é surpreendente e incomodamente instrutivo; pois resulta em definitiva desoladora a mistura de ingenuidade e indigência intelectual que Yoani Sánchez manifesta, sua fraqueza ideológica, sua própria vulnerabilidade.

-Sua escassa liderança também tem que ver com seu desprezo pelo povo de Cuba.

Em uma entrevista prestada para o El Nuevo Día, de Porto Rico, expressou: “Um 80% (do povo cubano) vai para uma direção ou para outra segunda sopre o vento porque o oportunismo calou bem fundo no país”. [7]



4.-Mentirosa compulsiva



-Mentiu quando denunciou perante a imprensa internacional que tinha sido golpeada pela polícia em Havana.

Meios de todo o mundo resenharam que 6 de novembro de 2009 havia sido presa, junto com três amigos por “três fortes desconhecidos” durante uma “tarde carregada de golpes, gritos e insultos”. Em 8 de novembro recebeu jornalistas em sua casa para mostrar as evidências de supostas pancadas, das que não tinha falado até 48 horas depois.

De acordo com os que reportaram este encontro na casa da blogger, YS disse que recebeu “pancadas e empurrões, “golpes nas articulações”, nova “onda de golpes”, o “joelho sobre [seu] peito”, os golpes nos “rins e [...] a cabeça”, “o cabelo” puxado, o “rosto envermelhado pela pressão e muita dor no corpo”, “os golpes [que] seguiam caindo” e “todos estes morados”. Porém, o correspondente da BBC em Havana Fernando Ravsberg disse que Sánchez “não tem hematomas, marcas ou cicatrizes”. [8]

O jornal La República, da Espanha, publicou um vídeo com depoimentos dos médicos que a atenderam um dia depois das supostas pancadas, quando ela se apresentou para reclamar um documento que provasse que tinha sido vítima da violência. Os três especialistas que a assistiram referiram que YS não tinha o menor indício de violência, apesar de ter passado 24 horas do suposto ataque e de ela ter tez muito branca, uma pele que dificilmente esconderia marcas e arroxeados causados por um ataque violento.

-Mente quando afirma que tinha feito uma entrevista a Barack Obama e, por suposto, escondeu a via através da qual enviou lhe o questionário.



-Mente continuamente quando afirma não ter acesso a Internet.

Escreveu um livro sobre o uso da ferramenta WordPress para a geração de blogs, que é impossível conceber off line, salvo que outra pessoa com navegação fluida à rede de redes tenha escrito para ela. O livro, WordPress: Um blog para falar ao mundo, se apresenta como “um guia de uso desta potente ferramenta de comunicação” na Internet.

Provavelmente seja a tuiteira e a blogger mais ativa em Cuba, de acordo com os pós e as mensagens que envia diariamente.  Ela abriu seu blog em fevereiro de 2007 e sua conta em Twitter a fins de 2008, e ambos os espaços mantém plena atividade. Na rede de microblogging seus envios se incrementaram quase o dobro em 2011, com respeito a 2010, como é provado nas estatísticas do comportamento histórico de sua conta @yoanisanchez.

De acordo com TweetStats, escreve um promédio de 9,3 Tweets por dia. Em 2011 manteve um promédio de 400 Tweets, por mês:

Utiliza diversas plataformas e aplicações para enviar Twitter, e frequentemente sobe vídeos e fotografias às redes sociais e a seu próprio blog. Para isto necessita navegação na Internet ou um telefone com serviço de roaming internacional, que inclua navegação web. A prova de que usa diversas plataformas, e não só a línea telefônica, é esta gráfica que mostra as aplicações que utiliza YS para aceder a Twitter:

A interface mais usada por YS para enviar mensagens a Twitter é ping.fm. Esta aplicação publica de forma simultânea um comentário em várias redes sociais, se o usuário previamente o configura para isso. Pode-se aceder desde um telefone celular, mas este, necessariamente, tem que ter serviço de navegação. [9]



-Mente quando se apresenta como vítima.

Seu estado natural é a lamentação. Além dos exemplos anteriores, se poderiam acrescentar seus contínuos pedidos de recarga de seu celular ou suas descrições sobre os problemas da vida cotidiana em Cuba, que segundo ela, também sofre. Mas suas fontes de ingressos públicas dizem outra coisa. Os prêmios e publicações de livros geraram para ela ingressos por cima dos 200 000 dólares nos últimos três anos; o que dá a possibilidade para ela de pagar sem nenhum problema luxos aos que não tem acesso o 99 por cento da população cubana e latino-americana, e, também, seus altíssimos gastos em mensagens, chamadas telefônicas e serviços de Internet.

Só em envios de SMS (mensagens curtas desde o celular) a Twitter desde Cuba, YS gasta um promédio de  400 CUC (moeda equivalente ao dólar) cada mês, que é o que custam os tweets que envia nesse período de tempo através das mensagens por celular. O custo de cada envio é de 1 CUC.



-Mente acerca das estatísticas de seu blog.

Na entrevista com Salim Lanrani que citamos antes, disse: “Meu blog tem 10 milhões de entradas por mês. É um furacão.”

Ela repetiu isso em outras entrevistas. O dado é falso. Nielsen, a firma mais prestigiosa de registro estatístico de audiência nos Estados Unidos, registrava o tráfico dos principais meios estadunidense na Internet em março de 2009. Só USAToday, CBS News, Washington Post e BBC tinham um tráfego próximo dos dez milhões de usuários por mês[10], e todos ocupam posições por baixo do lugar 400 a nível mundial, segundo Alexa. Portanto, é impossível que Generación Y possua um tráfego de 10 milhões de usuários por mês, com o lugar 99 444.

E um dado adicional. Quando ela falou com Salim Lamrani em abril de 2010, o jornal digital cubano Cubadebate publicou uma gráfica onde se desmentia o dado oferecido pela blogger  respeito ao tráfico em Generación Y.  Nesse momento, seu blog estava no lugar 73 236 e agora está no lugar 99 444. O tráfego decaiu rapidamente. Ou seja, agora a mentira é mais evidente ainda:

Porém, não é isso o que afirma um site reconhecido internacionalmente para medições de tráfego, como Alexa.com, de Armazon e para nada suspeito de parcialidade a favor de meios alternativos de Cuba, a Venezuela e a Espanha. Uma simples comparação do blog de YS (linha azul) com outros meios confirma que Generación Y tem muito menos tráfego que as web com as que se compara, que fizeram público seu tráfego, inferior aos 10 milhões de acessos mensais. Generación Y altera suas estatísticas? Pareceria que sim. Outro exemplo, o site web de maior tráfego nos Estados Unidos é um dos que possui maior tráfego no mundo, The New York Times, reporta 17 milhões de entradas mensais.



-Mente para suas fontes e as manipula:

Em fevereiro de 2009, utilizou a igreja Santa Teresinha do Menino Jesús, de Santiago de Cuba, para o proselitismo político. Ao final da missa, reuniu-se num escritório dentro da casa do pároco, com os paroquianos jovens e uns “turistas” polacos, para “conversar” sobre as possibilidades da Internet em ações contra o governo cubano.   Neste vídeo, os jovens participantes da tertúlia, expressam seu estupor perante esse inusitado debate político dentro da Igreja:

Em outubro de 2009, entrevistou um grupo de meninos no povoado de Taguayabón, em Camajuaní, na província de Villa Clara, e publicou um pós em seu blog onde os apresentou como exemplo da expressão crítica para o governo cubano, inclusive em crianças e adolescentes. Os pais se apresentaram perante as autoridades para denunciar a manipulação. Os próprios jovens ofereceram seu depoimento sobre o realmente acontecido. O vídeo se pode ver em Daily Motion: xawnfc_escolares-cubanos-desenmascaran-a-b_news

-Falseia deliberadamente a realidade cubana, apresentando uma visão apocalíptica que a imprensa internacional jamais contrasta com outras fontes.

Esta é também outra das razões pelas quais não é crível para a audiência cubana, que vive cercada de problemas, mas não se reconhece neste discurso:

Cuba é “uma imensa prisão com muros ideológicos”, um “barco que faz águas ao ponto do naufrágio”. Um lugar onde “seres das sombras, que como vampiros se alimentam de nossa alegria humana, nos inoculam o temor através do golpe, a ameaça, a chantagem”. (No blog Generación Y, de 18, 2 e 12 de novembro de 2009, respectivamente)

Uma Ilha, com “gente esperando, com o pau ou a navalha embaixo da cama para um dia poder usá-los. Ódios enquistados contra aquele que os delatou, e impediu que tivessem um melhor emprego ou fez com que o filho mais novo não pudesse estudar na universidade. Há tantos aguardando por um possível caos que lhes dê o tempo necessário para a vingança, que desejaria não ter nascido nesta época, onde só se pode ser vítima ou vitimário, onde tantos evocam a noite das facas compridas.” (No blog Generación Y, em 25 de abril de 2009.)



Notas

[1] Ver em http://cablesearch.org/

1.MEDIA REACTION: U.S., INDIA-PAKISTAN, SYRIA-IRAN, CUBA, EU, 26th Feb 2010 from Embassy Berlin • #10BERLIN223

2.CUBAN OPPOSITION SHOCKED AND ENERGIZED BY DEATH OF 26th Feb 2010 from US Interests Section Havana • #10HAVANA110

3.CUBA BUTTONED DOWN FOLLOWING DEATH OF 24th Feb 2010 from US Interests Section Havana • #10HAVANA107

4.STRIDENT GOC PROTEST OF USINT AND OTHER MISSIONS, OBSERVATION OF HUMAN RIGHTS DAY EVENTS 14th Dec 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA739 • CONFIDENTIAL//NOFORN OO

5.CUBA UNLEASHES MOB ON BLOGGERS 23rd Nov 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA704 • CONFIDENTIAL PP

6.HUNGARY: COUNTRY REVIEW ON RELATIONS WITH CUBA 20th Nov 2009 from Embassy Budapest • #09BUDAPEST837 • CONFIDENTIAL RR •

7.BLOGGER THRILLED WITH POTUS RESPONSE TO HER Q&AS 18th Nov 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA695 • CONFIDENTIAL PP

8.CUBA DENOUNCES U.S. INTERFERNCE IN BLOGGER CASE 12th Nov 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA689

9.BLOGGERS BEATEN BUT NOT DETERRED 10th Nov 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA684 •

10.A SPLENDID LITTLE VISIT, FOR CUBA 21st Oct 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA639

11.QUESTIONS FROM YOANI SANCHEZ TO POTUS 28th Aug 2009 from US Interests Section Havana • #09HAVANA527 •

[2] Ver:

09HAVANA527: Perguntas (e respostas redigidas pela SINA) de Yoani Sánchez a Obama (PDF,  98Kb)

09HAVANA695: Blogger emocionada por respostas de Obama (redigidas pela SINA) (PDF, 90Kb)

As “respostas de Obama”, em inglês (PDF, 582 Kb )

[3] Jonathan D. Farrar, «The U.S. and the Role of the Opposition in Cuba», United States Interests Section, 9 de abril de 2009, cable

09HAVANA221.http://213.251.145.96/cable/2009/04/09HAVANA221.html

[4] http://search.state.gov/search (escreva na caixa de busca as palavras “yoani sánchez”

[5] Cabograma emitido em 9 de junho de 2008 pela SINA ao Departamento e divulgado por Wikileaks. Pode ser descarregado em

http://wikileaks.org/cable/2008/07/08HAVANA542.html

[6] Estas estadísticas podem ser vistas em:

http://www.alexa.com/siteinfo/desdecuba.com#

[7] Ver entrevista original em:

http://www.elnuevodia.com/cubalasultimasimagenesdelnaufragio…-1069420.html

[8] Ver artigo em

http://www.bbc.co.uk/mundo/america_latina/2009/11/091109_2218_cuba_yoani_rb.shtml

[9] Estes dados são públicos e estão disponíveis em

http://tweetstats.com/status/yoanisanchez

[10] http://blog.nielsen.com/nielsenwire/online_mobile/msnbc-and-cnn-top-global-news-sites-in-march/

(Tradução La pupila insomne) Original en español

http://lapupilainsomne.wordpress.com/2012/01/29/quien-es-yoani-sanchez/ (Com Pátria Latina)

Feira Internacional do Livro em Cuba


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Parque da Cidade em Brasília dos dias 18 a 21 de fevereiro o 1° Encontro Nacional do Movimento de Mulheres Camponesas do Brasil


As fotos do presidente Hugo Rafael Chávez Frías em Havana, com suas filhas Rosa Virginia e Maria Gabriela. Chávez estava vendo matérias no "Granma" de quinta-feira, dia 14 de fevereiro





Mais de 2 milhões de camponeses estão em situação de indigência total em Honduras


                                                                      
Durante uma coletiva de imprensa realizada na Via Campesina, representantes de diversas organizações que demandam o acesso à terra e o fim da violência na região de Bajo Aguán, em Honduras, afirmaram que o campesinato hondurenho está submetido a uma "crise agrária e alimentar sem precedentes”. Também denunciaram os diversos casos de repressão, perseguição, assassinatos e criminalização da luta pela terra.

Estima-se que de 4 milhões de campesinos e campesinas, mais de 2 milhões estão em situação de indigência total na região, e mais de 300 mil famílias não têm acesso à terra. Além disso, somente no decorrer deste ano, já foram assassinados quatro campesinos em Bajo Aguán, segundo enfatizam as organizações, que também lembram que durante o ano de 2012 aconteceram centenas de despejos a grupos campesinos em distintas regiões do país e de várias organizações campesinas.

As organizações explicaram através de um comunicado distribuído para a imprensa, que há mais de 20 anos vem se acumulando uma problemática no campo, no país, e que a Lei de Modernização para o Desenvolvimento do Setor Agrícola, aprovada em 1992, desarticulou o processo de reforma agrária, além de ter afetado o movimento campesino.

A partir da aprovação da referida lei "as grandes empresas, entre elas as de cana-de-açúcar e bananeiras, cujos produtos são orientados para a exportação, se apoderaram das melhores terras do país, pois é política de Estado a reconcentração da terra em mãos do grande capital nacional e transnacional, isso trouxe consigo o despejo de campesinos e campesinas a quem tanto custou a aquisição de suas terras”, assinala o documento.

Apesar da situação, as organizações afirmaram que o campesinato seguirá lutando e chamaram todos os campesinos e campesinas a permanecerem em estado de ‘alerta permanente’ diante da crise política e social, e da situação de insegurança. Também pediram o ‘respeito irrestrito’ aos direitos humanos dos campesinos/as e o fim da perseguição e o derramamento de sangue.

No comunicado as organizações exigiram ao Congresso Nacional a imediata aprovação da Lei de Transformação Agrária Integral apresentada em outubro de 2011 pelo movimento campesino, e fizeram um chamado aos 3 poderes do Estado para que intervenham em favor da causa camponesa.(Com a Adital/Pátria Latina)

Chávez se recupera, mostram fotos e informes

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

OLGA BENARIO PRESTES: um exemplo para os jovens de hoje


                                                                  
"A revolucionária, até o último dia de sua trágica existência, manteve-se firme perante o inimigo e solidária com as companheiras"

Escrito por sua filha Anita Leocádia Prestes, professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

Olga Benario Prestes nasceu em Munique (Alemanha) a 12 de fevereiro de 1908. Aos quinze anos de idade, sensibilizada pelos graves problemas sociais presentes na Alemanha dos anos de 1920, Olga viria a aproximar-se da Juventude Comunista, organização política em que passaria a militar ativamente. Aos 16 anos, apaixonada pelo jovem dirigente comunista Otto Braum, Olga sai da casa paterna e junto com o companheiro viaja para Berlim, onde ambos irão desenvolver intensa atividade política no bairro operário de Neukölln.

Embora vivendo com nomes falsos, na clandestinidade, Olga e Otto acabam sendo presos em outubro de 1926. Ainda que Olga tenha ficado detida apenas dois meses, Otto permaneceu preso, acusado de “alta traição à pátria”. Em abril de 1928, Olga, à frente de um grupo de jovens comunistas, lidera assalto à prisão de Moabit para libertar Otto. A ação foi coroada de êxito total, pois além de o prisioneiro ter escapado da prisão de “segurança máxima”, Olga e seus camaradas conseguiram fugir incólumes. A cabeça de Olga é posta a prêmio pelas autoridades alemãs.

Tarefa internacional

Por decisão do Partido Comunista, Olga e Otto viajaram clandestinamente para Moscou, onde a jovem comunista de apenas 20 anos se torna dirigente destacada da Internacional Comunista da Juventude. No final de 1934, já separada de Otto, Olga recebe a tarefa da Internacional Comunista de acompanhar Luiz Carlos Prestes em sua viagem de volta ao Brasil, zelando pela sua segurança, uma vez que o governo Vargas decretara sua prisão. 

Prestes e Olga partiram de Moscou no final de dezembro de 1934, viajando com passaportes falsos, como marido e mulher, apesar de estarem se conhecendo naqueles dias. Durante a longa e acidentada viagem rumo ao Brasil, os dois se apaixonam, tornando-se efetivamente marido e mulher.

Em março de 1935, Prestes é aclamado, no Rio de Janeiro, presidente de honra da Aliança Nacional Libertadora (ANL), uma ampla frente única, cujo programa visava a luta contra o imperialismo, o latifúndio e a ameaça fascista, que pairava sobre o mundo e também sobre o Brasil. Prestes e Olga chegam ao Brasil em abril desse ano, passando a viver clandestinamente na cidade do Rio de Janeiro. 

O “Cavaleiro da Esperança” torna-se a principal liderança do movimento antifascista no Brasil e, assessorado o tempo todo por Olga, participa da preparação da insurreição armada contra o governo Vargas, a qual deveria estabelecer no país um governo Popular Nacional Revolucionário, representativo das forças sociais e políticas agrupadas na ANL.

Repressão e prisão

Com o insucesso dos levantes de novembro de 1935, desencadeia-se violenta repressão policial contra os comunistas e seus aliados. Em 5 de março de 1936, Prestes e Olga são presos no subúrbio carioca do Méier por ordem do famigerado capitão Filinto Muller, então chefe de polícia do governo Vargas. 

A ordem expedida aos agentes policiais era clara – a liquidação física de Luiz Carlos Prestes. No momento da prisão, Olga salvou-lhe a vida, interpondo-se entre ele e os policiais, impedindo o assassinato do líder revolucionário. 

Uma vez localizados e presos, Prestes e Olga foram violentamente separados. Ele, conduzido para o antigo quartel da Polícia Especial, no morro de Santo Antônio, no centro do Rio. Olga, após uma breve passagem pela Polícia Central, foi levada para a Casa de Detenção, situada então à rua Frei Caneca, onde ficou detida junto às demais companheiras que haviam participado do movimento da ANL.

Extradição

Prestes e Olga nunca mais se veriam. Em setembro de 1936, Olga, grávida de sete meses, era extraditada para a Alemanha hitlerista pelo governo de Getúlio Vargas. Junto com Elise Ewert, outra comunista e internacionalista alemã que participara da luta antifascista no Brasil, foi embarcada à força, na calada da noite, no navio cargueiro alemão “La Coruña”, viajando ilegalmente, sem culpa formada, sem julgamento nem defesa. 

O comandante do navio recebeu ordens expressas de cônsul alemão no Brasil para dirigir-se direto a Hamburgo, sem parar em nenhum outro porto estrangeiro, pois havia precedentes de os portuários franceses e espanhóis resgatarem prisioneiros deportados para a Alemanha, quando tais navios aportavam à Espanha ou à França. Após longa e pesada travessia, as duas prisioneiras foram conduzidas incomunicáveis para a prisão de mulheres de Barnimstrasse, em Berlim, onde Olga deu à luz sua fi lha Anita Leocadia, em novembro de 1936.

Numa exígua cela dessa prisão, submetida a regime de rigoroso isolamento, Olga conseguiu criar a fi lha até a idade de 14 meses, graças à ajuda, em alimentos, roupas e dinheiro, que recebeu da mãe e da irmã de Prestes. Ambas se encontravam em Paris dirigindo a campanha internacional de solidariedade aos presos políticos no Brasil. 

Com a deportação de Olga, a campanha se ampliara em defesa da esposa de Prestes e de sua filha. Várias delegações estrangeiras foram à Alemanha pressionar a Gestapo, obtendo afinal a entrega da criança à avó paterna – Leocádia Prestes, mulher valente e decidida, a quem o grande poeta chileno Pablo Neruda dedicou o poema Dura Elegia, que se inicia com o verso : “Señora, hiciste grande, más grande, a nuestra América...”

Assassinada numa câmara de gás

A campanha internacional, que atingiu vários continentes, não conseguiu, contudo, a libertação de Olga. Logo depois ela seria transferida para a prisão de Lichtenburg, situada a cem quilômetros ao sul de Berlim. Um ano mais tarde, Olga era confinada no campo de concentração de Ravensbruck, onde juntamente com milhares de outras prisioneiras seria submetida a trabalhos forçados para a indústria de guerra da Alemanha nazista. 

A situação de Olga seria particularmente penosa, pois carregava consigo duas pechas consideradas fatais – a de comunista e a de judia. Em abril de 1942, Olga era transferida, numa leva de prisioneiras marcadas para morrer, para o campo de concentração de Bernburg, onde seria assassinada numa câmara de gás.

O exemplo

Olga, segundo os depoimentos de todos que a conheceram e conviveram com ela, nunca vacilou diante das grandes provações que teve que enfrentar. Até o último dia de sua trágica existência, manteve-se firme perante o inimigo e solidária com as companheiras. Ao despedir-se do marido e da fi lha, antes de ser levada para a morte, escreveu: ”Lutei pelo justo, pelo bom e pelo melhor do mundo”; “até o último momento manter-me-ei firme e com vontade de viver”.

A vida e a luta de uma revolucionária como Olga, comunista e internacionalista, não foi em vão; seu heroísmo serve de exemplo e de inspiração para os jovens de hoje.

07/02/2011

Anita Leocádia Prestes é professora do Programa de Pós-graduação em História Comparada da UFRJ e Presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes.

Artigo publicado originalmente na edição 414 do Brasil de Fato. (Com o Site do PCB)