sexta-feira, 10 de julho de 2020

Para download: "Manifesto do Partido Comunista" (tradução diretamente do alemão)

                                                                                
A Editora Expressão Popular indica e está disponibilizando em pdf gratuito a obra "Manifesto do Partido Comunista", de Karl Marx e Friedrich Engels, uma obra clássica do pensamento político.

Escrito entre dezembro de 1847 e janeiro de 1848, o Manifesto foi impresso e publicado pela primeira vez em Londres, entre fevereiro e março desse último ano. 

O pequeno livro é, a um só tempo, documento histórico e material de formação clássico dentro do pensamento marxista, indispensável na formação militante e também de pesquisadores e professores das ciências humanas em geral.

A tradução desta edição ficou a cargo do professor Victor Hugo Klagsbrunn, do Departamento de Economia da Universidade Federal Fluminente (UFF) e foi feita diretamente do alemão (Marx-Engels-Werke, v.4, Institut für Marxismus-Leninismus, Dietz-Verlag, Berlin, 1982) e se baseia no texto da última edição revisada por Friedrich Engels, em 1890.


Você pode baixar de forma gratuita diretamente CLICANDO AQUI ou seguir com a compra do livro digital e contribuir com o projeto editorial popular da Expressão Popular, clicando no link:
https://www.expressaopopular.com.br/loja/produto/manifesto-do-partido-comunista/

TUDO POR UMA NOVA BH


FORA BOLSONARO!


quarta-feira, 8 de julho de 2020

Exilados cubanos querem impedir exibição de filme


                                                                                                     Reprodução da internet

Hélio Doyle  (*)

Ao escancarar uma realidade muito pouco conhecida até mesmo pelo cidadão médio dos Estados Unidos, a Netflix incorreu na ira de um dos mais poderosos grupos de pressão daquele país: as organizações políticas, com base na Flórida, que desde 1959 lutam, com ações armadas e atos terroristas em Cuba e poderoso lobby político em Washington, pela derrubada do regime socialista cubano.

Os líderes dessas organizações não gostaram nem um pouco de se ver nas telas de todo o mundo como terroristas e traficantes de drogas e armas. Por isso, têm feito de tudo para obrigar a Netflix a retirar de sua programação o filme “Wasp Network”, ou “Rede Vespa”, dirigido pelo francês Olivier Assayas e baseado no livro “Os últimos soldados da Guerra Fria”, escrito pelo jornalista e escritor brasileiro Fernando Morais.

O livro, detalhadamente, e o filme, nos limites de uma adaptação cinematográfica, relatam a história de agentes da inteligência cubana que se infiltraram nas organizações de exilados na Flórida para tentar impedir que executassem atos terroristas em Cuba. 

A rede “Vespa” foi desbaratada pelo FBI e cinco de seus agentes, acusados injustamente de espionagem contra os Estados Unidos, cumpriram longas penas de prisão e voltaram a Cuba.

Censura

“A comunidade exilada de Cuba exige que a Netflix retire o filme da plataforma porque defende espiões assassinos de Castro condenados nos Estados Unidos”, diz o abaixo assinado que pede a censura. Nas redes sociais, os cubanos-americanos contrários ao regime protestam vigorosa e agressivamente contra o livro e o filme.

“Eles estão em polvorosa, estão falando de mim coisas que nem bolsonaristas falam”, conta Fernando Morais. Dizem que “de um livro de merda só se poderia esperar um filme de merda”.

Morais considera o filme equilibrado e fiel aos fatos que investigou durante três anos para escrever o livro, com pesquisas e entrevistas em Cuba e nos Estados Unidos, “incluindo arquivos do FBI e do serviço secreto cubano”. “Tem uma frase no começo, que fala em regime totalitário em Cuba, que é opinião do roteirista ou do diretor”, ressalva Morais. “O resto são fatos documentados”.

Para o escritor, o grande mérito do filme, e o que mais incomoda aos anticastristas, é que “pela primeira vez em 60 anos, milhões de pessoas nos Estados Unidos ouvem falar que a comunidade cubana na Flórida não é uma cruzada de honestos anticomunistas que lutam pelas liberdades”.

“A imagem que eles vendiam era de uns coitadinhos que foram perseguidos, vítimas das crueldades do regime cubano”, diz Morais, “mas de uma hora para outra veem um filme baseado em uma reportagem com depoimentos e documentos, nomes e sobrenomes, e descobrem que ali não há um santuário de bonzinhos, mas uma quadrilha de traficantes de armas e drogas e de terroristas”.

Segundo Morais, a atmosfera de terror criada contra o filme e o livro é comum na Flórida, “o velho normal da comunidade cubana em Miami”, que ameaça os que se opõem às suas práticas e que já teve como vítima o jornalista estadunidense Larry Rother, que foi correspondente do New York Times no Brasil. Quando era chefe do escritório do jornal na Flórida, Rother teve sua casa metralhada e os freios do carro cortados.

“Para a comunidade anticastrista da Flórida tudo que não for uma denúncia do regime castrista é considerado propaganda comunista”, observa Morais, que ironiza: “Quando viram o filme enlouqueceram, pois o tal do streaming cria uma dificuldade adicional, não dá pra ir para a porta do cinema protestar e jogar ovo e tomate podre”.

(*) Hélio Doyle é  Conselheiro e diretor da ABI em Brasília

DILEMA

Renato Aroeira/247/internet

terça-feira, 7 de julho de 2020

Bolsonaro é denunciado na ONU por ataques contra mulheres jornalistas

                                                                          
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O presidente Jair Bolsonaro é, uma vez mais, denunciado no Conselho de Direitos Humanos. Desta vez, o ato se refere a seus ataques contra mulheres jornalistas. No total, entidades vão relatar em Genebra 54 casos de ofensivas do governo contra as profissionais.

A denúncia ocorre depois que a violência contra mulheres jornalistas foi apresentada nesta semana na entidade como tema da relatora especial das Nações Unidas sobre a Violência contra a Mulher, suas Causas e Consequência, Dubravka Simonovic. Em um informe detalhado, ela revela como governos têm usado instrumentos para desonrar, desacreditar e humilhar as jornalistas.

Para apresentar o caso brasileiro, a jornalista Bianca Santana tomará a palavra nesta terça-feira. Em maio, ela foi acusada pelo presidente de escrever ‘fake news’, depois que publicou um artigo sobre a relação entre familiares e amigos de Bolsonaro com os acusados de assassinar a vereadora Marielle Franco.

Ela fala em nome de diversas entidades, entre elas Agência de Notícias Alma Preta, Artigo 19, Casa Neon Cunha, Coalizão Negra por Direitos, Cojira-SP – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial de São Paulo, Federação Nacional dos Jornalistas, Instituto Marielle Franco, Geledés – Instituto da Mulher Negra, Gênero e Número, Instituto de Desenvolvimento e Direitos Humanos, Instituto Vladimir Herzog, Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social e Marcha das Mulheres Negras de São Paulo.

Também apoiam a denúncia a Rede Nacional de Proteção a Comunicadores, Repórteres Sem Fronteiras, Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, Sempreviva Organização Feminista, Terra de Direitos e Uneafro Brasil.

Mensagem aos leitores de Hong Kong – Como vendemos a União Soviética e a Checoslováquia por sacos de plástico


                                                                                         
                                           

Andre Vltchek [*]

Esta foi uma história que, durante meses, quis partilhar com os jovens leitores de Hong Kong. Parece-me ser agora o momento realmente apropriado, quando a batalha ideológica entre o Ocidente e a China está ao rubro, e, em resultado, Hong Kong e o resto do mundo estão a sofrer.

Quero dizer que nada disto é novo, o Ocidente já desestabilizou muitos países e territórios através da lavagem ao cérebro de dezenas de milhões de jovens.

Eu sei, porque no passado fui um deles. Se não tivesse sido, seria impossível entender o que acontece em Hong Kong.

Nasci em Leninegrado, uma bela cidade da União Soviética. Agora chama-se São Petersburgo e o país é a Rússia. Minha mãe é meio russa, meio chinesa, artista e arquiteta. A minha infância foi dividida entre Leninegrado e Pilsen, uma cidade industrial conhecida pela sua cerveja, no extremo ocidental do que costumava ser a Checoslováquia. O meu pai era cientista nuclear.

As duas cidades eram diferentes. Ambos representavam algo essencial no planeamento Comunista, um sistema que os propagandistas ocidentais ensinaram vocês a odiar.

Leninegrado é uma das cidades mais impressionantes do mundo, com alguns dos maiores museus, teatros de ópera e ballet, espaços públicos. No passado, foi a capital da Rússia.

Pilsen é pequena, com apenas 180 mil habitantes. Mas quando eu era criança, contava com várias excelentes bibliotecas, cinemas de arte, um teatro de ópera, teatros de vanguarda, galerias de arte, um parque zoológico de pesquisa, e coisas que não se podiam encontrar, como percebi mais tarde (quando era tarde demais) mesmo em cidades dos EUA com um milhão de habitantes.

Ambas as cidades, uma grande e uma pequena, tinham excelentes transportes públicos, vastos parques e florestas que chegavam até aos arredores, além de cafés elegantes. Pilsen tinha inúmeras instalações gratuitas de ténis, estádios de futebol e até quadras de badmington.

A vida era boa e significativa. Era rica. Não rica em termos de dinheiro, mas rica culturalmente, intelectualmente e em termos de saúde. Ser jovem era divertido, com ensino gratuito e facilmente acessível, com cultura por todo o lado e desportos para todos. O ritmo era lento: com tempo de sobra para pensar, aprender, analisar.

Mas, também estávamos no auge da Guerra Fria.

Éramos jovens, rebeldes e fáceis de manipular. Nunca estávamos satisfeitos com o que nos era dado. Tomávamos tudo como garantido. À noite, ficávamos colados aos nossos receptores de rádio, ouvindo a BBC, a Voice of America, a Radio Free Europe e outros programas transmitidos com o objectivo de desacreditar o socialismo e todos os países que lutavam contra o imperialismo ocidental.

As grandes empresas industriais socialistas checas construíam, em solidariedade, fábricas inteiras, de siderurgias a refinarias de açúcar, na Ásia, Médio Oriente e África. Mas não víamos glória nisso porque os meios de propaganda ocidentais simplesmente ridicularizavam esses empreendimentos.

Os nossos cinemas exibiam obras-primas do cinema italiano, francês, soviético e japonês. Mas diziam-nos para exigirmos o lixo dos EUA.

A oferta musical era óptima, das exibições ao vivo aos discos. Quase toda a música estava, na verdade, disponível, embora com algum atraso, em lojas locais ou mesmo nas salas de espectáculo. O que não era vendido nas nossas lojas era o lixo niilista. Mas era exactamente isso que nos diziam para desejar. 

E nós passámos a desejar e a copiar essa música com reverência religiosa, para os nossos gravadores. Se algo não estivesse disponível, os meios de comunicação ocidentais gritavam que era uma grave violação da liberdade de expressão.

Eles sabiam, e sabem, como manipular cérebros jovens.

Em dado momento, fomos convertidos em jovens pessimistas, criticando tudo nos nossos países, sem comparar, sem o mínimo de objectividade. Parece-vos habitual?

Diziam-nos e repetíamos: tudo na União Soviética ou na Checoslováquia é mau. Tudo no Ocidente é óptimo. Sim, era como uma religião fundamentalista ou loucura em massa. Quase ninguém estava imune. Na verdade, estávamos infectados, doentes, transformados em idiotas.

Estávamos a usar instalações públicas socialistas, de bibliotecas a teatros e cafés subsidiados, para glorificar o Ocidente e manchar as nossas próprias nações. Foi assim que fomos doutrinados pelas estações de rádio e televisão ocidentais e pelas publicações contrabandeadas para os nossos países.

Naqueles dias, os sacos de plástico do Ocidente tornaram-se símbolos de status social! Sim, aquelas sacolas que se obtêm em alguns supermercados ou lojas baratas.

Quando penso nisso a uma distância de várias décadas, mal consigo acreditar: jovens educados, andando pelas ruas com orgulho, exibindo sacos de plástico baratos, pelos quais pagávamos uma elevada quantia. Porque vinham do Ocidente. Porque simbolizavam consumismo! E porque nos diziam que o consumismo era bom.

Disseram-nos que deveríamos desejar a liberdade. Liberdade ao estilo ocidental. Fomos assim comandados para "lutar pela liberdade".

De várias maneiras, éramos muito mais livres que no Ocidente. Verifiquei isso quando cheguei a Nova York e vi como os jovens da minha idade eram tão pouco instruídos e quão pouco conheciam do mundo. Quão pouca cultura havia, em cidades norte-americanas de média dimensão.

Nós queríamos, nós exigíamos jeans. Estávamos ansiosos por música com etiquetas ocidentais exibidas nos seus LPs. Não era sobre a essência ou a mensagem. Era a forma sobre o conteúdo.

A nossa comida era mais saborosa, produzida ecologicamente. Mas queríamos embalagens ocidentais coloridas. Exigíamos produtos químicos. Estávamos constantemente furiosos, agitados, provocadores. Antagonizávamos as nossas famílias. Nós éramos jovens, mas sentíamo-nos velhos.

Publiquei o meu primeiro livro de poesia, depois saí, bati com a porta atrás de mim e fui para Nova York. Logo depois, apercebi-me de como estava enganado!

Esta é uma versão muito simplificada da minha história. O espaço é limitado.

Mas estou feliz por poder partilhá-lo com meus leitores de Hong Kong e, é claro, com meus jovens leitores de toda a China.

Dois países maravilhosos que costumavam ser a minha casa foram traídos, literalmente vendidos por nada, por pares de jeans e sacos de plástico.

O Ocidente festejou! Meses após o colapso do sistema socialista, ambos os países foram literalmente roubados de tudo pelas empresas ocidentais. As pessoas perderam suas casas e empregos e o internacionalismo foi dissuadido. Magníficas empresas socialistas foram privatizadas e, em muitos casos, liquidadas. Teatros e cinemas de arte foram convertidos em lojas de roupa usada barata.

Na Rússia, a expectativa de vida caiu para os níveis da África subsariana. A Checoslováquia foi dividida em duas partes.

Agora, décadas depois, a Rússia e a República Checa estão novamente prósperas. A Rússia possui muitos elementos de um sistema socialista com planeamento central.

Mas sinto falta dos meus dois países, tal como costumavam ser e todas as sondagens mostram que a maioria das pessoas também sente a sua falta. Também me sinto culpado, dia e noite, por me permitir ter sido doutrinado, usado e levado a trair.

Depois de ver o mundo, entendo que o que aconteceu com a União Soviética e na Checoslováquia também aconteceu em muitas outras partes do mundo. E agora, o Ocidente está a pretender fazer o mesmo à China, usando Hong Kong.

Quer na China, quer em Hong Kong, continuo sempre a repetir:   por favor, não sigam o nosso terrível exemplo. Defendam o vosso país! Não o vendam, em termos metafóricos, por alguns sacos de plástico sujos. Não façam algo que lamentariam pelo resto das vossas vidas!
21/Junho/2020


(*) Andre Vltchek é Filósofo, romancista, cineasta e jornalista de investigação. Fez a cobertura de guerras e conflitos em dezenas de países. Três dos seus últimos livros são Revolutionary Optimism, Western Nihilism , a novela revolucionária "Aurora" e a o best-seller político: "Exposing Lies Of The Empire" . 

Atualmente, Vltchek reside no Leste asiático e no Médio Oriente e continua a trabalhar em todo o mundo. Pode ser contactado através do seu site e do Twitter. Escreve especialmente para a revista online "New Eastern Outlook "

O original encontra-se em www.chinadailyhk.com/... e em orinocotribune.com/...

Este artigo encontra-se em https://resistir.info/ .