sexta-feira, 4 de outubro de 2013

Em Uberlândia, Sem Terra correm o risco de serem despejados da beira de estrada

                                                                 

Famílias Sem Terra do Acampamento 1º de Maio, no município de Uberlândia (MG), correm o risco de serem despejadas nesta sexta-feira (4). 

Acampadas na rodovia Airton Sena (km 329), as famílias receberam na última terça-feira (1) o ofício de reintegração de posse. 

Faz mais de dois anos que elas estão acampadas neste local, aguardando o desenrolar da Fazenda São Francisco Letreiros. De acordo com os Sem Terra, pelo tempo de tramitação da área, a fazenda já deveria ter sido decretada.

Há seis anos que as famílias do Acampamento 1º de Maio aguardam do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) e do governo federal o cumprimento das promessas e acordos firmado em audiências.            

“Solicitamos urgente a intervenção contra a reintegração de posse. Atualmente só nos resta a resistência, já  que não se pode ocupar áreas improdutivas e muito menos ficar às margens de uma rodovia”, observa a nota divulga pelas famílias. (Com o MST)

Novo filme de Costa-Gavras retrata executivo de banco e capitalismo

                                                                       

Crítica: Costa-Gavras faz obra vigorosa sobre armadilhas e escrachos do capitalismo

Eleonora de Luneca
Folha de S.Paulo

A regra é socializar os prejuízos privados, e a banca age como um Robin Hood moderno - só que rouba dos pobres para dar aos ricos. Para isso, é preciso trair, conspirar, espionar, demitir. Tudo com muita ostentação e luxo: jatinhos, carrões, jantares, desfiles e hotéis magníficos não faltam.

Esse retrato crítico da realidade é o âmago de "O Capital", novo filme do premiado Constantin Costa-Gavras. Aos 80 anos, o cineasta greco-francês faz uma obra vigorosa, com ritmo intenso. A trama se desenvolve em torno de um executivo de um grande banco europeu sediado em Paris. Guindado à presidência, ele fala em práticas éticas e diz pretender abandonar os negócios com lavagem de dinheiro.

Bobagem. Pressionado por acionistas e deslumbrado com o mundo de extravagâncias em que passa a viver, o executivo, interpretado por Gad Elmaleh, se vê enredado e vira presa em armadilhas. A principal delas está em Miami, onde opera um agressivo acionista (Gabriel Byrne).

Nesse embate entre a França e os EUA, fica evidente que não há diferenças essenciais entre o capitalismo europeu e o norte-americano. Como a crise desencadeada há cinco anos deixou claro, todos estavam inundados de papéis podres. No filme, o protagonista afirma com ironia a um parente de esquerda durante um jantar de família: a verdadeira internacional já foi construída - é a dos bancos.

Gavras é um craque do filme político e nos últimos anos tem se preocupado em expor as mazelas do capitalismo. Foi assim em "O Corte" (2005), que trata do desemprego, e "Éden a Oeste" (2009), sobre os migrantes pobres.

Em "O Capital", ele vai ao cerne da política e da economia. A questão do desemprego volta, com crueza. O presidente do banco planeja um grande corte de vagas - e quer ganhar bônus em razão do número de demitidos. Numa mirabolante estratégia, busca no líder comunista Mao Tse-tung ensinamentos para usar um sistema de avaliação para legitimar as dispensas.

Gavras não faz uma obra sobre a crise - esmiuçada em "Trabalho Interno" (2010), de Charles Ferguson. Faz sobre o estágio atual do capitalismo, que vive de crises. Sem ser doutrinário, o filme prende. Embora, às vezes, as contradições do protagonista sejam expostas de forma abrupta.

Alguns podem achar o resultado maniqueísta ou caricatural. Mas uma leitura atenta do noticiário mostra que a realidade, ainda que envolta em suposto glamour, é ainda mais escrachada que a ficção.
(Com a Contraf)

Ato sindical unitário homenageia líderes do CGT, Riani entre eles

                                                               
Riani foi presidente do CGT

As centrais sindicais que integram o coletivo de apoio ao grupo de trabalho Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical, da Comissão Nacional da Verdade, formado por integrantes das centrais sindicais brasileiras, realizaram o Ato Sindical Unitário "O Comando Geral dos Trabalhadores (CGT) e o enfrentamento ao golpe de 64 – Homenagem aos Lutadores", no Sindicato dos Engenheiros no Estado de São Paulo.

Protótipo de central sindical, o Comando Geral dos Trabalhadores foi criado em 1962 durante IV Congresso Sindical Nacional dos Trabalhadores em São Paulo. Além da organização dos trabalhadores, o comando participou ativamente da política naquele tempo e apoiou a campanha da legalidade e as reformas propostas por João Goulart. Por isso, integrantes do grupo foram duramente perseguidos após o golpe.

Hoje, dois deles, Raphael Martinelli, 89 anos, e Clodsmith Riani, prestes a completar 93 anos, foram homenageados e contaram suas histórias. Outros dois sindicalistas, que viveram aquela época, também deram seus depoimentos: Oswaldo Lourenço, líder portuário em Santos, e Alcídio Boano, líder dos condutores de São Paulo.

O evento contou com a participação da coordenadora do GT Sindical da CNV, Rosa Cardoso. Segundo a advogada, a Comissão da Verdade, além de investigar casos tem também que atuar em eventos para reviver a memória daqueles que lutaram, como hoje, uma vez que suas histórias servem de exemplo e inspiram.

"Nós não só contamos uma história, fazemos investigação também. Por isso o nosso trabalho é complexo, pois teremos que realizar diligências, examinar autópsias e refazer perícias. Não é, portanto, uma pesquisa somente sobre a vida das pessoas, é preciso pesquisar também o que aconteceu com os sindicatos: intervenções, cassações e apurar o confronto da classe empresarial com os trabalhadores: a vigilância, as listas negras, os conluios e a sua integração com os órgãos de segurança", afirmou.

"Esse grupo de trabalho quer conhecer bem esse passado e quando a gente revê as lutas e as comemora, a gente reflete também sobre as lutas que estão hoje nas ruas, pois os jovens podem olhar para essas lutas e se identificar com elas", disse a integrante da CNV.

DEPOIMENTOS – O primeiro depoimento foi de Alcídio Boano, três vezes presidente do Sindicato dos Condutores, preso e torturado pela ditadura em virtude de suas atividades sindicais. Sua história foi exibida em vídeo produzido pela Nova Central Sindical dos Trabalhadores, que transmitiu o ato ao vivo.

Boano, entretanto, surpreendeu e compareceu ao ato e acrescentou que precisou de dez cirurgias nos olhos, a última há três meses, para voltar a enxergar plenamente. Ele adquiriu o problema de visão por ler no escuro enquanto esteve preso nas dependências do DOPS.

O santista Oswaldo Lourenço, ex-líder portuário, hoje defende direitos de aposentados e representou a Central Geral dos Trabalhadores do Brasil. Ele foi preso e torturado duas vezes por conta de sua militância sindical, comunista e na Ação Libertadora Nacional (ALN). "Tudo que passei foi devido a minha consciência de operário. Hoje é a minha experiência e não me arrependo de nada", afirmou.

Numa de suas prisões, ele foi algemado e, escoltado por militares armados com metralhadoras, obrigado a caminhar da antiga cadeia pública até o fórum da cidade, sob execração pública.

O depoimento de Martinelli foi exibido em vídeo, produzido pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no qual contou a história do CGT. Em discurso logo em seguida, o ex-líder sindical, que integra o Fórum dos Presos Políticos de São Paulo, ressaltou a importância das comissões da verdade.

"Todos os sindicatos deveriam fazer a comissão da verdade. Isso é importante. Esse conjunto nacional é que vai fazer a Justiça acontecer. Quantos companheiros nossos morreram na tortura. É por eles que estamos aqui exercendo nosso papel de patriotas", afirmou. Martinelli considera o programa do CGT até hoje. "Se nós pegarmos o programa do CGT, o programa continua o de 64: reforma agrária, reforma do sistema educacional", afirmou.

Clodsmith Riani foi o fundador do CGT em Minas Gerais e também deputado estadual pelo PTB entre 1954 e 1964, quando foi cassado, preso e torturado. Após a Anistia voltou à política e se elegeu deputado estadual de novo, pelo PMDB, em 1982.

Muito ligado ao presidente João Goulart, Riani representou trabalhadores brasileiros em diversas viagens oficiais. Em seu depoimento de hoje contou a tensão dos dias que antecederam e logo após o golpe.

Riani foi preso em abril de 1964. Inocente apresentou-se ao batalhão de Juiz de Fora, cidade onde vive até hoje e o coronel pediu que ele assinasse uma falsa confissão: "Você vai colaborar conosco? Basta assinar um documento simples, dizendo que Brizola e Jango são comunistas", disse o militar. "Não assinei, pois eles não eram. Saí da sala e passei por um corredor polonês de militares chutando meus tornozelos", contou Riani. De Juiz de Fora, ele foi transferido para Belo Horizonte, mas a cadeia estava lotada. "Era um por cima do outro, pois não tinha lugar", afirmou.

MOBILIZAÇÃO – Os atos unitários ocorrerão em várias cidades do país. O objetivo das centrais participantes é divulgar as atividades do GT Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical entre os sindicalistas de hoje e ampliar ao máximo a colheita de depoimentos entre militantes do passado prejudicados pela repressão política.
IPATINGA
Durante o evento foi distribuído questionário para mapear crimes da ditadura contra os trabalhadores. O próximo ato da CNV para apurar a repressão aos trabalhadores ocorre no próximo dia 7, em Ipatinga, Minas Gerais, para relembrar os 50 anos do Massacre de Ipatinga, no qual oito trabalhadores foram metralhados por PMs na porta da Usiminas. O número de vítimas pode ser bem maior. (Com a CNV)

Testemunho pessoal sobre Álvaro Cunhal

                                                  
                                                            
Recordar Álvaro Cunhal no seu centenário significa confirmarmo-nos nas nossas convicções revolucionárias de luta e por um marxismo vivo e criador


Isabel Monal (*)

Álvaro Cunhal, na sua dimensão de figura destacada do movimento revolucionário mundial, surgiu-me com a eclosão da Revolução dos Cravos. Foi um daqueles acontecimentos, para os quais ele tanto contribuiu para desencadear, que evidenciou a sua excepcional dimensão de lutador, de analista incisivo e de preclaro definidor de tácticas e estratégias; um conjunto de mérito que o catapultou para o primeiro plano a nível internacional.

Homem de ideias e político lúcido ancorado em princípios, Cunhal iniciou o seu empenhamento revolucionário desde muito jovem. Através da sua longa trajectória mostrou a inseparável unidade – nas condições da sua terra naqueles anos – entre a oposição ao fascismo e a luta por uma mudança radical mais profunda, ambas essenciais à procura de uma sociedade democrática e socialista. Tratava-se da necessidade da revolução antifascista imbricada com uma revolução democrática libertadora no caminho do socialismo.

Ele e o Partido Comunista sob a sua direcção trabalharam para a união de diversas forças e converteram-se num dos maiores impulsionadores tanto da eclosão da Revolução de Abril como da sua radicalização possível e necessária, particularmente com os oficiais mais avançados daquele movimento.

A sua visão daquela experiência onze anos depois evidenciou, uma vez mais, a sua perspicácia política e lealdade aos princípios. Soube ao longo dos anos que se seguiram a Abril elaborar profundos e equilibrados pensamentos sobre o porvir e os resultados daquele intenso processo revolucionário. 

Não deixou de ver sempre as suas conquistas e êxitos, mas também desvendou – como correspondia e a realidade mostrava – as suas insuficiências e indecisões, os erros de cálculo e as debilidades do processo enquanto tal. Os seus juízos e valorações não deixam de se mover dentro da lógica da análise marxista de classes e das profundas motivações das diferentes tendências, actores e motivações. 

O seu exercício crítico constitui uma prática essencial de revolucionário, aquela que Marx reclamava como própria das revoluções e dos revolucionários, os quais se debruçam sobre as suas acções e sobre os processos para os analisar criticamente e detectar e identificar os seus desacertos e insuficiências.

Numa significativa entrevista em 1987 fez uma escalpelização analítica para observar, com perspicaz visão retrospectiva, o porvir do processo dos Cravos. Tratava-se de não permitir nem as tergiversações interpretativas ou valorativas mas tampouco a equivocada complacência ou o conformismo.

Compreendia que não se podia admitir as deformações dos acontecimentos como aquelas que menosprezaram na sua justa medida as conquistas democráticas alcançadas ou as bases que se conseguiram estabelecer, apesar de essas conquistas ficarem afastadas de muitas aspirações essenciais do processo ou quando este, por fim, se dirigia por caminhos reformistas sob a traição social-democrata; um descaminho que as forças revolucionárias não puderam evitar, dentro das quais ele e o seu Partido actuavam. 

Naquela entrevista, a sua interessante análise era que a Revolução, como tal, na realidade não tinha terminado, isto é, ainda que muitos dos seus objectivos já tivessem sido em grande medida realizados, outros estavam ainda pendentes na agenda transformadora. 

Defendia a ideia que a revolução estava viva porque as conquistas alcançadas estavam também vivas, como era o caso da reforma agrária ou da legislação laboral, que considerava uma das mais progressistas da Europa Ocidental; deste modo destacava nesta lista que se contava com um poder local e democrático e com um movimento operário solidamente organizado. 

Mas, claro, a sua penetrante visão não podia também esquecer aquilo que se perdia; onze anos de política contra-revolucionária estava presente na sua análise, numa chamada de atenção, num alerta aos seus compatriotas para continuarem a lutar. Por isso prevenia que as forças reaccionárias e contra-revolucionárias estavam activas e existia o perigo de a sua acção conduzir à restauração; uma restauração que desembocaria no crescimento do poder económico e político dos monopólios e dos latifundiários, ligados como estavam, além disso, ao imperialismo estrangeiro. 

Este conjunto analítico apresentava, a seu ver, elementos para se convencer da necessidade de manter as bases revolucionárias da organização política, e obrigava também à observação realista da condição do país naquele contexto. Juntamente com muitos outros elementos, esse tipo de reflexões permitia manter os fundamentos revolucionários dos militantes e das massas mais conscientes. Esses exercícios incisivos e multifacetados e a rica utilização dos matizes e contradições dialécticas convertiam-se, assim, em factores chave para o desenvolvimento e aprofundamento da consciência política das massas naquelas circunstâncias e dotavam a organização política de fundamentos mais sólidos e adequados à condução da luta.

Aquela clarividência para entender o mundo em que se vivia – e de que o próprio Portugal fazia parte –juntamente com outros factores interpretativos, contribuíram para que tanto ele como o seu Partido não se deixassem arrastar pela onda do reformismo e do oportunismo que submergiu uma boa parte das esquerdas europeias; permitia-lhes, igualmente, não sucumbir aos falsos cantos de sereia do eurocomunismo. 

E lustros depois e até ao final da sua vida também se não deixou encantar pelas «novas» fórmulas dos recentes reformismos, algumas das quais chegaram até ao abandono puro e simples do marxismo e de toda a ideia de transformação da sociedade capitalista; uma tendência que cresceu e se aprofundou, particularmente, com a queda do socialismo do leste europeu e a desintegração da URSS. 

Cunhal não abandonou o marxismo nem o leninismo, não claudicou nem como tantos outros caiu no oportunismo sob o pernicioso argumento de, supostamente, modernizar a esquerda, isto é, não enfrentar o imperialismo e não se opor ao capitalismo. Pelo contrário, perante a queda daquela experiência socialista compreendeu que a questão era tirar as lições oportunas e redefinir o fosse preciso, mas sempre dentro dos princípios e da lealdade revolucionários.

Num outro sentido, essa lealdade aos princípios também não foi inibidora da necessidade de análise crítica da experiência soviética e das causas profundas da sua debacle. A isto estava ligada a tese de que o socialismo soviético não era o único possível para o exercício de dominação do proletariado, nem tampouco constituiu a única e obrigatória forma para um Estado socialista.

Consequentemente, na sua orientação para Portugal, não se tratava em momento algum de copiar nem os soviéticos nem as chamadas democracias populares. Estas reflexões encadeiam-se com a temática do Estado e a tomada do poder político, questão central para o marxismo; uma temática a que Cunhal dedicou estudos, reflexões e esforços de análise, entrelaçando a indagação teórica com o estudo das condições históricas e concretas do seu país e do contexto europeu onde esta se desenrolava. 

E era lógico este interesse que, como sabemos, foi uma temática central de Marx e Engels, e mais tarde de Lenine; na verdade, o proletariado não podia simplesmente agir e exercer o seu domínio através de formas e tipos políticos próprios da burguesia e do capitalismo; mas a grande questão que se desenhava perante os acontecimentos históricos que vivia era precisamente chegar a conceber esse novo tipo de Estado e de dominação política. 

Portugal teria, sem dúvida, que ser também criador a partir da sua própria história e condições, sem deixar de ter em conta os ensinamentos pertinentes de outras experiências, particularmente europeias. Neste caso, era um cacho de problemáticas que se entrelaçava. Pensar e esquadrinhar a natureza do Estado e da democracia, chegar à compreensão profunda do carácter do Estado burguês, tanto pela sua natureza como pela política que aplica, eis uma das grandes tarefas que se impôs.

Indubitavelmente, a questão do Estado e a conquista do poder eram centrais para a revolução, e a teoria e a praxis estavam obrigadas a enfrentá-las como tal. O marxismo tinha de manter-se como uma teoria viva, não como um conjunto de teorias estáticas e fixadas no tempo. 

Só vista dessa maneira é que a concepção de Marx podia manter-se como o instrumento de análise e de acção transformadora da realidade social e, por sua vez, enriquecer constantemente a teoria e adaptá-la às novas situações e circunstâncias. Na teoria, como sabemos, não são apenas importantes as respostas mas são-no também as perguntas, as questões que se colocam.

Por isso, estas temáticas, com o seu conjunto de problemáticas, são um indício significativo do trabalho e da elaboração teórica de Cunhal, porque significam um índice da compreensão do histórico-social, de como funcionam e entretecem os factores, de como se expressam e se mobilizam as classes sociais, etc..

Mas quando Álvaro Cunhal me surgiu naquela nova dimensão com a Revolução dos Cravos, fê-lo também na sua projecção de internacionalista, de homem profundamente irmanado com todas as causas justas da humanidade e dos oprimidos. E naquele momento brilhou, juntamente com outras figuras revolucionárias de Abril, como anticolonialista e consequentemente anti-imperialista. 

Então pôde desenvolver na praxis, com força maior, o modo de conjugar numa só frente unitária a luta do seu povo contra o fascismo e o capitalismo com os afãs anticoloniais e de libertação nacional dos países africanos que ficavam ainda como possessões do colonialismo português. 

Conhecia muito bem, e tinha-o incorporado até ao tutano, aquele ensinamento de Engels – que Marx rectificou e Lenine levou a um grau mais completo de desenvolvimento – de que um povo que oprime outro povo não pode ele mesmo ser livre. Foi assim que mostrou a sua profunda e lúcida compreensão da dialéctica entre a luta e a mudança social e libertação nacional. No seu caso, precisamente, desde as mesmas entranhas da Metrópole. 

A história recente das antigas colónias e, em particular a de Angola, não podia compreender-se sem a acção dos oficiais revolucionários e das forças e dirigentes políticos que contribuíram para que, pelo menos naqueles primeiros momentos, as antigas colónias passassem para as mãos das forças mais radicais, que vinham desde há anos a lutar, e impediram que fossem as forças pró-imperialistas e neocolonialistas as que se assenhorearam do poder naquelas circunstâncias.

Recordar hoje Álvaro Cunhal no seu centenário, por tudo isto, significa confirmarmo-nos nas nossas convicções revolucionárias de luta e por um marxismo vivo e criador.

(*) Isabel Monal é filósofa e professora universitária cubana, amiga de odiario.info, é directora da revista “Marxismo Agora”.

Tradução de José Paulo Gascão (com odiario.info)

A REALIDADE

                                            

"Quem ganhar o leilão de Libra terá direito de explorar o campo por 40 anos. Em quatro décadas, a  petrolífera estrangeira vai secar  a reserva. Petróleo não tem duas safras. São reservas que não se renovam e levam milhões de anos para se formar". 

Emanuel Cancella (*)

Mentira nº 1 – O leilão vai desenvolver todas as regiões do país e vai trazer emprego e renda aos brasileiros.

O fato: a Agência Nacional de Petróleo, Gás e Bicombustíveis  - ANP já realizou 11 leilões e até hoje nenhuma empresa vencedora desses leilões, à exceção da Petrobrás, construiu refinaria, plataforma, navio ou sonda no Brasil.

Mentira nº 2 - O Brasil não possui tecnologia nem recursos financeiros para produzir no pré-sal.

O  fato: a) quem desenvolveu a tecnologia inédita no mundo que permitiu a descoberta do pré-sal foi a Petrobrás; b) A Petrobrás possui  reservas de, no mínimo,  60 bilhões de barris de petróleo. O equivalente a pelo menos 6 trilhões de dólares, cotando o barril à média de 100 dólares. Com uma garantia dessas, que banco deixará de financiar a Petrobrás?

Mentira nº 3 - A presidenta Dilma afirma  que “ o dinheiro dos royalties vai permitir grandes investimentos em educação (...) mais creches, alfabetização na idade certa, escolas em tempo integral, ensino médio profissionalizante, mais vagas em universidades, mais pesquisa e inovação, professores mais preparados e bem remunerados.” 

O fato: o dinheiro dos royalties até hoje só serviu para colocar chafarizes em praça pública, porcelanato nas calçadas,  financiar shows e campanhas políticas. Campos dos Goytacazes, o município que mais recebe royalties no Brasil, tem um dos piores IDH, além de ser o recordista no estado do Rio em trabalho escravo.   O Estado do Rio, que fica com mais de 80% dos royalties, tem os professores mais mal pagos e uma das piores escolas públicas do Brasil. Além disso, os royalties representam 15% do petróleo. Mas só 5% , a parcela reservada à União, estarão garantidos à  educação e à saúde.

Os 15% dos royalies representam o rabo do elefante. A sociedade quer discutir o elefante inteiro, ou seja, o que fazer com os outros  85% do petróleo que estão sendo entregues a petrolíferas estrangeiras, através dos leilões.

Mentira nº 4 – O Brasil já assimilou a ideia de realizar leilões.

O fato -  Embora a imprensa hegemônica, que está a serviço das grandes empresas, boicote as verdades sobre o campo de Libra para enganar o povo e beneficiar as empresas, o povo não apoia a entrega das riquezas do país a multinacionais estrangeiras.

Nas décadas de 1940-50, os brasileiros criaram a campanha “O Petróleo é Nosso!”,  a maior campanha cívica do país. Isso quando o petróleo ainda era um sonho. Agora que é realidade, temos o desafio de barrar os leilões.

Mentira nº 5 –Leilão não é privatização.  

Fato: no caso de Libra, quem ganhar o leilão terá direito de explorar o campo por 40 anos. Em quatro décadas, a  petrolífera estrangeira vai secar  a reserva. Petróleo não tem duas safras. São reservas que não se renovam e levam milhões de anos para se formar.

Mentira nº 6 – Temos que aproveitar a oportunidade e vender todo o nosso petróleo, porque a tendência é a queda do preço desse comodity.

Fato: os especialistas de petróleo são categóricos. À medida que ficar mais escasso a tendência é o preço do petróleo ultrapassar a marca de 100 dólares o barril. Aliás, o petróleo tem sido o motivo das guerras contemporâneas. Alguém tem dúvidas sobre porque é tão disputado?

Porém, a maior de todas as verdades foi pronunciada pela atual presidente da República. Durante a campanha, em 2010, Dilma Rousseff disse e está gravado que: “Privatizar o pré-sal é um crime e que ele é o nosso passaporte para o futuro”.

(*) Emanuel Cancella é diretor do Sindipetro-RJ

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

ÀS RUAS CONTRA OS GOVERNOS FASCISTAS DE CABRAL E PAES! TODO APOIO AOS EDUCADORES EM GREVE

                                                               

A Educação no Brasil está de luto. Numa ação traiçoeira, na calada da noite do último sábado, dia 28, professores que ocupavam de forma pacífica a Câmara de Vereadores foram barbaramente atacados  pelas hordas fascistas de Sérgio Cabral e Eduardo Paes.  Professores presos e muitos feridos fazem parte dessa contabilidade de terror que está tomando conta do Estado. Durante toda a semana que se seguiu à ação dos vândalos incrustados no poder, as cenas de violência promovidas pelo aparato policial estatal se repetiram, tornando-se ainda mais dramáticas no dia 1º de outubro, quando a maioria da Câmara de

Vereadores, subserviente à Prefeitura e aos interesses do capital, aprovaram o Plano de Carreira dos profissionais de Educação do Município, imposto goela abaixo da categoria, que o rejeitou nas assembleias da greve. Os manifestantes foram proibidos de acompanhar a votação, e vereadores da oposição tiveram a postura digna de se retirar do plenário. Do lado de fora da Gaiola de Ouro, como a população denomina aquele espaço decadente da representação política burguesa, a repressão se abatia de forma indiscriminada sobre professores e demais trabalhadores.

A população do Estado do Rio de Janeiro vem assistindo há anos a formação do ovo da serpente fascista que criminaliza os movimentos sociais. A política “pacificadora” do governo do PMDB pretende transformar comunidades pobres inteiras em guetos, para favorecer interesses dos grandes grupos monopolistas ligados aos megaeventos e à especulação imobiliária na cidade do Rio.

A máscara "democrática" da ditadura da burguesia, que conta com o apoio submisso de suas classes  auxiliares, está sendo arrancada da face hipócrita do regime que não tolera obstáculos à insaciável sede de  mercantilizar todas as necessidades humanas.  Sua superestrutura jurídico-política não passa de um simulacro apodrecido, que, para garantir sua sobrevida, usa como último recurso a repressão.

Fica cada vez mais evidente para amplos setores da população que os modelos governamentais, parlamentares e jurídicos da sociedade burguesa  estão falidos. Os aparelhos ideológicos de dominação - partidos da ordem,  organizações patronais,  igrejas, meios de comunicação -  estão se desdobrando no limite  para garantir o  apassivamento das camadas populares.  Mas as grandes manifestações de massa deste ano demonstraram a insatisfação generalizada do povo e a disposição de ir à luta contra esse quadro político degenerado.

Assistimos em todos os estados da União a rapinagem do dinheiro público promovida por gerentes e serviçais  da ordem capitalista, eleitos  pelos caixas-dois  das empreiteiras, prestadoras de serviços e fornecedoras. A Justiça prova sua parcialidade em favor das classes dominantes, interpretando à sua maneira as leis e abusando das farsas da tecnicalidade por onde as ratazanas invariavelmente conseguem escapar. Por sua vez, os serviços públicos e as redes de proteção social são precarizados intencionalmente para  serem servidos em bandejas de prata à agiotagem oficial do capital financeiro.

É hora de unir todas as forças combativas no rumo da formação de uma frente anticapitalista, que se consolide num bloco sem hegemonismo e autoproclamação e que seja capaz de dialogar diretamente com a classe trabalhadora em seus locais de trabalho e moradia. É preciso avançar na construção do Poder Popular, para que os trabalhadores assumam de forma coletiva a luta por seus direitos, interesses e necessidades, o que somente poderá ser plenamente concretizado na sociedade socialista.

Neste  momento em que as instituições burguesas expõem suas vísceras apodrecidas e governos como os de Cabral e Paes expõem claramente sua face fascistoide, cabe aos partidos da esquerda socialista, às organizações dos trabalhadores e movimentos populares que não se renderam à ordem dominante construir um grande movimento de oposição radical ao terrorismo de Estado em andamento.

TODOS ÀS RUAS NUMA GRANDE MOBILIZAÇÃO POPULAR CONTRA A VIOLÊNCIA DO ESTADO REPRESSOR E A CRIMINALIZAÇÃO DOS MOVIMENTOS SOCIAIS!

UNIDADE CLASSISTA-RJ