domingo, 21 de julho de 2013

CNV e sindicatos promovem ato pelos 30 anos da greve de 1983

                                                       

A Comissão Nacional da Verdade e o Coletivo Sindical vão realizar um ato público, no próximo dia 22, às 9h, no Sindicato dos Aposentados de São Paulo, para marcar os 30 anos da greve geral de 21 de julho de 1983, que levou, em plena ditadura, três milhões de trabalhadores às ruas, e contou com a adesão de 35 entidades sindicais, Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), associações de funcionários públicos, estudantes, partidos de esquerda, entre outros setores da sociedade.

O ato público vai marcar ainda o início das atividades do Grupo de Trabalho “Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical” da Comissão Nacional da Verdade. A criação do GT foi anunciada nesta terça-feira, 16, em reunião na sede da Presidência da República em São Paulo, por Rosa Cardoso, coordenadora da CNV, e por representantes de dez entidades sindicais.

O ato público do dia 22 contará com a participação de dois dirigentes da greve geral de 83, Jair Meneguelli e Arnaldo Gonçalves, que à época eram Presidente da CUT e Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santos, respectivamente. A coordenadora da CNV, Rosa Cardoso também participará da mesa de abertura, juntamente com Paulo Vannuchi, membro da Comissão Interamericana de Direitos Humanos, e José Luis Del Roio, presidente do Instituto Astrogildo Pereira, além de representantes das dez centrais sindicais que compõem o Coletivo de Apoio ao GT.

Durante o evento serão exibidos vídeos de sobre trabalhadores que participaram da luta contra a ditadura, como Carlúcio Castanha Júnior (in memoriam , à época, integrante da Oposição Sindical Metalúrgica de São Paulo (OSM-SP); Derly José de Carvalho, um dos fundadores do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo do Campo; José Ibrahin (in memoriam), presidente (cassado) do Sindicato dos Metalúrgicos de Osasco na época da greve de 1968; José Maria de Almeida, então metalúrgico na cidade de Santo André; Nair Goulart, que foi diretora do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo; Raphael Martinelli, à época liderança nacional dos ferroviários e do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT); e Vital Nolasco, que foi diretor do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo.

— A greve de 83 foi um golpe fatal na ditadura, foi um acontecimento fundamental para enfraquecer de vez o regime, afirmou Expedito Solaney, representante da CUT.

Resistência

Os representantes de centrais sindicais reivindicaram que o governo brasileiro reconheça o valor político dos operários, sindicalistas e demais trabalhadores no processo de resistência ao regime ditatorial brasileiro.

Cerca de 350 sindicatos foram invadidos às vésperas do golpe militar, em 31 de março de 1964. Líderes sindicais foram presos, torturados e alguns deles seguem desaparecidos, como é o caso de Silvestre Bozzo, integrante do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Papel e Papelão. Estima-se que ao longo de todo o período de repressão, mais de 800 sindicatos tenham sofrido intervenção, monitoramente ou invasão por parte do regime. A previsão é de que o GT possa visitar diversas cidades brasileiras colhendo depoimentos de trabalhadores e sindicalistas que tenham sido vítimas da repressão do regime.

O GT e a CNV vão investigar as invasões aos sindicatos, a destruição do patrimônio documental e físico dos sindicatos e a vinculação das empresas com a repressão.

Também serão investigadas a relação do serviço de segurança das empresas estatais e privadas com a repressão e a atuação das Forças Armadas.

— Temos documentos que mostram que empresas como Monark, Petrobras, CSN, Volkswagen, Ford, Correios e Embraer colaboravam com os organismos de repressão. Elas entregavam fichas de empregados ao Dops (Departamento de Ordem Política e Social). Vamos apresentar tudo isso ato no dia 22, disse Luiz Carlos Prates, o Mancha, secretário nacional da Conlutas.

Reparação

Segundo Rosa Cardoso, a CNV está estudando o caso de outros países que seguiram esse caminho.

— Vamos fazer um levantamento das empresas a que se pode pedir reparação. O colegiado vai estudar comissões de anistia da Argentina e Alemanha, onde empresas foram responsabilizadas por perseguir trabalhadores durante a ditadura e o regime nazista.

O GT Ditadura e Repressão aos Trabalhadores e ao Movimento Sindical também pretende sugerir ao governo a alteração dos critérios de pagamento de indenizações. Os sindicalistas alegam que os trabalhadores de fábricas recebem valores bem menores do que outras categorias, como jornalistas e políticos.

Com informações da CNV, Agência Brasil e Agência Estado. (Com a ABI)

A LUTA DOS BANCÁRIOS ESTE ANO

                                        
Participaram da Conferência, aberta na sexta-feira 19 no hotel Holiday Inn, em São Paulo,629 delegados de todo o país, dos quais 422 homens e 207 mulheres.

A 15ª Conferência Nacional dos Bancários aprovou na plenária final, realizada neste domingo 21 em São Paulo, a estratégia, o calendário e a pauta de reivindicações da Campanha 2013, que terá como eixos centrais reajuste de 11,93% (inflação projetada do período mais aumento real de 5%), valorização do piso salarial no valor do salário mínimo calculado pelo Diesse (R$ 2.860,21), defesa do emprego, fim da terceirização e combate às metas abusivas e ao assédio moral. A pauta de reivindicações será entregue à Fenaban no dia 30 de julho.

Principais reivindicações

Reajuste salarial de 11,93%: 5% de aumento real, além da inflação projetada de 6,6%;

PLR: três salários mais R$ 5.553,15;

Piso: R$ 2.860,21 (salário mínimo do Dieese);

Vales alimentação, refeição, 13ª cesta e auxílio-creche/babá: R$ 678 ao mês para cada (salário mínimo nacional);

Melhores condições de trabalho com o fim das metas abusivas e do assédio moral que adoece os bancários;

Emprego: fim das demissões, mais contratações, aumento da inclusão bancária, combate às terceirizações, especialmente ao PL 4330 que libera geral e precariza as condições de trabalho, além da aprovação da Convenção 158 da OIT, que proíbe as dispensas imotivadas;

Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS): para todos os bancários;

Auxílio-educação: pagamento para graduação e pós;

Prevenção contra assaltos e sequestros, com fim da guarda das chaves de cofres e agências por bancários;

Igualdade de oportunidades para bancários e bancárias, com a contratação de pelo menos 20% de trabalhadores afro-descendentes;

Agenda política 

Os 629 delegados que participaram da conferência também aprovaram uma agenda política, com temas importantes da conjuntura nacional que precisam ser discutidos com os bancários e com a população. São eles:

* Combate sem tréguas ao PL 4330, que precariza as relações de trabalho.
* Reforma política, para democratizar o Estado.
* Reforma tributária, para corrigir injustiças.
* Marco regulatório da mídia visando democratizar as comunicações.
* Conferência Nacional do Sistema Financeiro.
* Investir 10% do PIB na educação.
* Investir 10% do orçamento em saúde.
* Transporte público de qualidade.

Calendário de luta

A 15ª Conferência aprovou ainda um calendário de luta que mescla o engajamento da categoria tanto na Campanha Nacional dos Bancários quanto na pauta de reivindicações da CUT e demais centrais sindicais. Confira:

Até 29/7 - Realização de assembleias para aprovar a pauta definida na 15ª Conferência.

30/7 - Entrega da pauta de reivindicações à Fenaban.

6/8 - Dia Nacional de Luta contra o PL 4330.

12 e 13/8 - Mobilizações em Brasília para convencer os parlamentares a rejeitarem o PL 4330.

22/8 - Dia Nacional de Luta dos Bancários, com passeatas no final do dia.

28/8 - Dia do Bancário, com atos de comemoração e de mobilização.

30/8 - Greve de 24 horas, em defesa da pauta geral dos trabalhadores apresentada ao governo e ao Congresso Nacional apresentada pela CUT e demais centrais sindicais. (Com a Contraf)

O racismo na visão de Chico Buarque

Aula sobre "O Capital", de Karl Marx, com legendas em português

sábado, 20 de julho de 2013

Pelo passe livre (Com o "Diário Liberdade")


Bancários paralisam HSBC em Itaúna por melhores condições de trabalho

 Protesto contra falta de funcionários e condições precárias de trabalho
                                                                        

Os bancários paralisaram na terça-feira, dia 16, as atividades da agência do HSBC localizada na rua Capitão Vicente, na cidade de Itaúna, em Minas Gerais, para protestar contra a falta de funcionários e as péssimas condições de trabalho na unidade de trabalho. Os diretores do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Rgião, Giovanni Alexandrino, Geraldo Rodrigues e Jerry Adriane, estiveram no local.

A paralisação da agência chamou a atenção da população e da mídia do município, que demonstrou apoio à mobilização dos bancários.

Alexandrino afirmou que é absurda a falta de funcionários nas agências do HSBC em todos os locais onde o banco atua, o que está levando os trabalhadores ao adoecimento.

"Mobilizaremos os bancários e denunciaremos o descaso do HSBC junto aos órgãos competentes. Além disso, não aceitaremos a postura autoritária do coordenador de Processos Operacionais, em Itaúna, Ismar Maximo, que obrigou os bancários a irem até o cartório para registrar ata notarial, cerceando o direito de livre manifestação", afirmou.

Geraldo ressaltou que é fundamental pressionar o banco neste momento para exigir mais contratações e melhorias das condições de trabalho. "Ao alegar que 'vive no futuro', o HSBC quer colocar em prática um absurdo projeto de agência virtual que desconsidera completamente as mínimas condições de trabalho. Não aceitaremos esta situação e continuaremos denunciando as precárias condições a que estão submetidos os funcionários do banco", concluiu. (Com o SEEB BH)


América Latina está bastante furiosa e a Europa, um pouquinho

                                             

Diante da espionagem dos EUA e do constrangimento causado a Evo Morales, nações latino-americanas elevaram o tom contra os norte-americanos e ofereceram asilo a Snowden. Mas depois se descobriu que também europeus haviam sido espionados. Eles tiveram de reclamar, ainda que num tom mais baixo. 

Juan Gelman – Página 12/Carta Maior

Propaga-se a indignação nos países da América Latina pelo constrangimento aplicado ao mandatário boliviano Evo Morales ao permitir e depois proibir o avião presidencial no espaço aéreo da Espanha, França, Itália e Portugal durante seu regresso à La Paz. O pretexto, manifestado com todas as palavras pelo embaixador dos EUA em Viena, foi de que transportava Edward Snowden, o ex-técnico da Agência Nacional de Segurança (NSA, por sua sigla em inglês) que denunciou a existência de um mundo onde todos são espionados. Washington também afirmou naquele momento que o Iraque estava repleto de armas de destruição massiva. Não se encontrou sequer uma, nem por equívoco.

Essa atitude dos quatro países europeus não só dá o ar de um patrão maltratando um subalterno, como também denota um cariz de desdenhoso racismo. Porque, para esta gente, o que é a Bolívia? Um país pequeno, de pouco peso internacional e ainda governado por um indígena. Cabe duvidar muito, mas muitíssimo, de que se tente alguma vez aplicar semelhante violação às convenções internacionais de Chicago e de Viena à aeronave do México, da Argentina ou do Brasil enquanto transportasse seus presidentes. As desculpas por este escândalo – Portugal alegou “razões técnicas”, o galo socialista Hollande lamentou “o contratempo” – são tão magras que deixam ver os ossos da mentira. Com a soberba ibérica que o caracteriza, Rajoy manifestou que a Espanha não tinha por que pedir desculpa alguma.

A irritação latino-americana atinge níveis mais altos quando Snowden dá a conhecer, por exemplo, documentos que mostram o Brasil convertido em base de operações da NSA. Por solicitação da Bolívia, Nicarágua, Venezuela e Equador, se levou a cabo uma sessão extraordinária da Organização de Estados Americanos, que condenou os quatro países europeus e exigiu explicações do acontecido.

Enquanto os EUA ameaçam considerar inimigo qualquer país que oferte asilo a Snowden e exigem sua imediata captura à Rússia e também à Venezuela, Bolívia e Nicarágua, que lhe ofereceram asilo. A irritação também se expressa em alguns países europeus, em especial a Alemanha, que agora sabem, graças ao ex-NSA, que também são espionados. Merkel se queixou a Obama: uma ação desta natureza, lhe disse, é inaceitável entre “sócios e amigos”. O tema é que fica inaceitável para a chanceler, que seu país seja espionado ou que os serviços alemães, que trabalham em conjunto com a CIA, conheçam o programa de espionagem, mas não recebam nenhuma informação.

O importante semanário germânico Der Spiegel afirmou que este tipo de espionagem não tem nada que ver com a segurança nacional e que não só é uma mera intrusão na privacidade das pessoas, como também na correspondência diplomática e nas estratégias negociadoras em relação à questões comerciais (www.spiegel.de, 7-7-13). Não apenas isso: a espionagem das grandes empresas permite aos EUA aproveitar avanços tecnológicos que ainda não possui. A Alemanha é o alvo número um nesse quesito. A ministra de Justiça Sabine Leutheusser-Schnarrenbeger afirmou que esses métodos são próprios da Guerra Fria. Só que agora entre “sócios e amigos, não!” completou.

O gesto alemão parece haver dado a Hollande mais energia condenatória que o caso Snowden: “Pedimos que isto acabe de imediato... Temos evidências suficientes para pedir uma explicação”, se animou (www.alterney.org, 6-7-13). É que, como afirma o The New York Times: “Uma leitura atenta dos documentos de Snowden mostra até que ponto a agência furtiva (a NSA) desempenha agora dois novos papéis: é uma mastigadora de dados, com um apetite (capaz) de colher e armazenar, durante anos, uma assustadora variedade de informações e é uma força armada de inteligência com ciber-armas destinadas não só a monitorar computadores estrangeiros, mas também, se fosse necessário, de atacá-los” (www.nytimes.com, 7-7-13).

Enquanto a Casa Branca exige a cabeça de Snowden a todo custo, a San Adams Associated for Integrity in Intelligence acaba de conceder a ele seu prêmio anual por “sua decisão de revelar a vastidão da vigilância eletrônica que o governo dos EUA exerce sobre os habitantes do país e de todo o mundo” (www.middle-est-online.com, 9-7-13). Trata-se de uma organização curiosa: a maioria de seus integrantes são ex-agentes de alto escalão dos serviços de inteligência estadunidense que conhecem e acatam a necessidade legítima de manter em segredo determinados documentos. Pensam, por sua vez, que quando existem segredos para ocultar atividades inconstitucionais é seu dever apoiar aqueles que têm o valor de filtrar a verdade. Assim, proclamaram Snowden ganhador do Prêmio San Adams 2013. Lutam por uma espionagem com ética.


Tradução: Liborio Júnior

Foto: Página 12   (Com Pátria Latina)