quarta-feira, 5 de junho de 2013

A professora Anita Leocádia Prestes chega a BH no voo 1652 e dará coletiva às 15h na sede do Sindicato dos Jornalistas (av.Álvares Cabral,400)

                                                             

A defesa pelo socialismo cubano perpassa todos os setores progressistas da sociedade e adquire um caráter especial na América Latina,onde qualquer projeto de emancipação toma um caráter de traição a nossa eterna condição de colonia, comprovada pela perpetuação dos piores indicadores de desenvolvimento humano e econômico


O sucesso dos países comunistas em diversos países no pós-guerra é notório, no Brasil Luiz Carlos Prestes é eleito o grande político ao lado de Getúlio Vargas e nas eleições seguintes o PCB é hegemônico em várias cidades, entre elas o Rio de Janeiro então capital federal e com grande repercussão nacional.

Essa afronta aos EUA faz com que os partidos comunistas fossem cassados no Brasil, Argentina e Chile ainda em 1947 e a proposição de cassar todos esses partidos da América é levada para a reunião da OEA de abril de 1948 em Bogotá. Durante o encontro é assassinato o maior líder colombiano, Jorge Gaitán, que se reuniria com o jovem Fidel Castro,dando origem ao Bogotazo e ao período de violência que ainda não cedeu naquele país. Essa violência se repetiu contra Salvador Allende, Hugo Chavez...


A chegada ao poder dos jovens do Movimento 26 de julho e sua luta para a construção do socialismo na ilha de Cuba influencia toda a América e coincide com o período analisado pela historiadora Anita Leocádia Prestes em seu último livro “Luiz Carlos Prestes - O combate por um partido revolucionário (1958 - 1990)”.

Por isso, a presença em Belo Horizonte de Anita Prestes lançando o seu livro; do representante brasileiro na TeleSur, Beto Almeida, e de Fabio Simeon representantes do governo de Cuba na Convenção Mineira de Solidariedade a Cuba é uma oportunidade para debater a integração da América Latina e a conquista por uma sociedade mais justa e mais soberana. Participe!

                                                 

TEATRO DA CIDADE

DATA: 7 de junho de 2013, sexta-feira

HORÁRIO: a partir das 19h.

END.: Rua da Bahia, nº 1341, Centro.



SALAS DE TRABALHO PARA A SOLIDARIEDADE
- Inscrições prévias: Teatro da CUT, Rua Curitiba, nº 786, 2º andar.

- DATA: 8 de junho de 2013, sábado, às 8h30.


INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES

- FONE:(31) 9464-7026
- E-MAIL: acjmmg@gmail.com

Violência contra trabalhadores e o povo na Turquia

Solução socialista em cidade espanhola

TURQUIA: A escolha para a classe trabalhadora será certamente criada

                                                 

Declaração do Comitê Central do Partido Comunista da Turquia:

1. Há dias, a Turquia vem testemunhando um movimento popular genuíno. As ações e protestos que começaram em Istambul e se espalharam por toda a Turquia têm um caráter massivo, legítimo e histórico. O mais importante é a arrebatadora mudança no ânimo das pessoas. O medo e a apatia foram varridos do mapa, e o povo ganhou autoconfiança.

2. O Partido Comunista da Turquia (TKP) vem sendo parte do movimento popular desde o primeiro dia, e mobilizou todas as suas forças, buscando fortalecer o caráter revolucionário e proletário do movimento, se aplicando em espalhar uma atitude madura de disciplina, organizando numerosas ações e manifestações. Neste processo, as forças policiais consumaram um pesado ataque à sede de nosso partido em Ankara [N. do T.: a capital da Turquia]. Por toda a Turquia, muitos membros do partido foram feridos e presos. Houve tentativas de sequestro de quadros partidários. Mas as tentativas de provocação contra nosso partido foram derrotadas.

3. Nossa ênfase no papel do TKP não visa a subestimar a natureza espontânea do movimento ou a contribuição dos demais atores políticos. Ao contrário: o TKP sustenta que este movimento tem um aspecto que o põe além do impacto de qualquer ator político isolado, bem como de qualquer tipo de oportunismo político.

4. O clamor das massas pela renúncia do governo é uma verdade absoluta deste movimento. Apesar de ser evidente que uma alternativa à esquerda não pode ser construída “aqui e agora”, esta demanda deve se expressar em alto e bom som. Esta opção para a classe trabalhadora só pode ser gerada a partir do aproveitamento da energia que irrompeu neste momento histórico. O TKP se concentrará nisto, e em expor o significado real de alternativas como “formar um governo de salvação nacional”, que provavelmente será apresentado como solução para desviar a atenção da classe trabalhadora, para tentar fazer com que acredite que a crise pode ser superada desta maneira.

5. Sem nenhuma dúvida, os detentores do poder político tentarão esfriar os ânimos, instituir o controle e até mesmo reverter a situação em seu favor. Eles podem, sim, conseguir vitórias temporárias. Mas mesmo neste caso, o movimento popular não terá se perdido. O TKP está pronto para um período de luta tenaz e intensa.

6. De maneira a garantir uma ação concertada, diferentes vertentes do movimento socialista compartilhando objetivos e problemas comuns devem avaliar o ascenso do movimento popular imediatamente. O TKP, sem interromper suas tarefas e atividades diárias, agirá responsavelmente em relação a esta questão, batalhando pela criação de um terreno comum sintonizado com as demandas urgentes a seguir.

7. De modo a neutralizar os planos do governo de dividir e classificar o movimento em “legítimo” e “ilegítimo”, todas as forças devem evitar os passos que possam causar danos à legitimidade do movimento. É o poder político que ataca. As pessoas devem se defender como é seu direito, mas nunca cair nas armadilhas da provocação do governo.

8. Enquanto as massas entoam a palavra de ordem “Renuncia, governo!”, as negociações limitadas ao futuro do parque Taksim-Gezi perdem o sentido. O governo finge não entender que a velha correlação foi abalada em seus fundamentos e não pode ser restaurada. Todos sabem que o movimento popular não é produto da sensibilidade quanto às árvores do parque Gezi. A ira das pessoas vem dos projetos de transformação urbana, do terror do mercado, das intervenções abertas e diretas em estilos de vida diferentes, do americanismo e da subordinação aos EUA, das políticas reacionárias, da inimizade dirigida contra o povo sírio. O AKP [ N. do T.: partido do governo] não pode iludir o povo com um discurso do tipo “plantaremos mais árvores do que aquelas que derrubaremos”.

9. Enquanto arregaçamos as mangas para criar uma alternativa do povo trabalhador, o movimento precisa se apoiar sobre demandas concretas. Estas demandas são válidas no caso da renúncia do governo ou de Erdogan:

a) O governo deve anunciar que os projetos que envolvem a demolição do Parque Gezi e do Centro Cultural Ataturk estão cancelados.

b) Aqueles que foram levados sob custódia do Estado durante a resistência devem ser soltos e todas as acusações contra eles retiradas imediatamente.

c) Todos os oficiais cujos crimes contra o povo sejam provados pelos relatórios das comissões formadas pela União das Associações de Bar [N. do T.: este é o nome das associações profissionais de advogados na Turquia, que têm estatuto de organizações públicas e zelam pelos direitos humanos e pelo respeito aos direitos das pessoas] e pelas associações de bar locais devem ser exonerados.

d) As tentativas de limitar o direito das pessoas a obterem notícias verdadeiras devem ser interrompidas.

e) Todas as proibições no tocante a encontros, manifestações e marchas devem ser repelidas.

f) Todos os obstáculos de facto ou de jure que se imponham à participação política do povo, incluindo o gatilho eleitoral de 10% e os artigos antidemocráticos da “lei dos partidos políticos”, devem ser abolidos.

g) Todas as iniciativas que objetivem impor um estilo de vida homogêneo a todas as pessoas devem ser imediatamente interrompidas.

10. Estas demandas urgentes não afetarão, em hipótese alguma, nosso direito e obrigação de continuar a oposição contra o poder político vigente. A reação do Povo ao governo deve ser reforçada, e os esforços devem ser concentrados para trazer à baila uma alternativa política real.

11. A bandeira turca da estrela e do crescente, que vinha sendo usada como escudo para ataques reacionários e chauvinistas contra trabalhadores, pessoas de esquerda, curdos, depois do golpe militar fascista de 12 de setembro de 1980, foi agora arrancada pelo Povo das mãos do fascismo, e passada às mãos honoráveis de Deniz Gezmis e de seus camaradas, como uma bandeira nas mãos de gente patriota.

12. O movimento popular, desde o começo, vem persistentemente desbancando a estratégia sinistra de jogar uma comunidade contra a outra na Turquia. Esta atitude deve ser cuidadosamente mantida, não deixando nenhuma espaço para o chauvinismo ou o nacionalismo vulgar.

13. Dirigindo-nos aos curdos nossos irmãos e irmãs, já declaramos que “Não pode haver acordo de paz com o AKP”. Não pode haver trato com um poder político ao qual seu próprio povo virou as costas, e cuja verdadeira face já foi revelada. A política curda deve desistir de “acalentar esperanças de seguir com o AKP”, e se tornar uma forte componente de um movimento popular unido, patriótico e esclarecido.

14. Nossos cidadãos que perderam suas vidas pelas mãos da força policial do poder político, as sacrificaram em nome de uma luta justa e histórica. O Povo nunca se esquecerá de seus nomes, e os responsáveis por suas mortes pagarão o preço diante da lei.

Comitê Central – Partido Comunista da Turquia

4 de Junho de 2013

Tradução: Partido Comunista Brasileiro (PCB)

terça-feira, 4 de junho de 2013

A professora Anita Leocádia Prestes estará em BH na abertura da VI Convenção de Solidariedade a Cuba, sexta-feira, às 19h, no Teatro da Cidade. Este filme, "Olga" , bem como o livro do mesmo nome, conta um pouco da história dela, filha de Luiz Carlos Prestes e de Olga Benário. Ele é dirigido por Jayme Monjardim e filmado todo no Rio de Janeiro, numa fábrica desativada de Bangu. Mesmo que já tenha visto no cinema e na TV, é sempre oportuno assisti-lo.

“Não estamos indo a Brasília negociar”, afirmam indígenas que ocuparam canteiro de obras da usina Belo Monte por 17 dias



"Viemos aqui falar para vocês da outra tragédia que iremos lutar para evitar: a perda do nosso território e da nossa vida. Nós não viemos negociar com vocês, porque não se negocia nem território nem vida"
                                            


Nilton Tubino (dir.), Representante do governo, acordou termos da reunião – Foto: Leticia Leite/ISA

Depois de ocupar por 9 dias a Usina Hidrelétrica Belo Monte, um grupo de cerca de 150 indígenas chega a Brasília nesta terça-feira, 4, para reunião com representantes do governo federal. O diálogo acontecerá no Palácio do Planalto, com os ministros José Eduardo Cardozo, da Justiça, Gilberto Carvalho, da Secretaria Geral da Presidência, e Edison Lobão, de Minas e Energia e representantes de outras pastas do governo federal. A vice-procuradora-geral da República, Deborah Duprat, também deve participar da conversa.

O principal canteiro de obras da barragem esteve ocupado duas vezes, por 17 dias, durante o mês de maio. Os indígenas reivindicam a suspensão de obras e estudos de barragens em terras indígenas e a garantia do direito da consulta prévia com poder de veto.
“Nós não estamos indo a Brasília para negociar nada com o governo”, explica o porta-voz do cacique geral, Jairo Saw. “Nós não fizemos nenhum acordo e também não vamos fazer nenhum acordo. Nós vamos apresentar nossa posição sobre construir hidrelétricas em nossos territórios, e exigir que o governo respeite a Constituição e os tratados internacionais que ele assinou, que garante nosso direito de ser consultado. Nós queremos poder dizer não”.

Os indígenas afirmam que não irão assinar nenhum tipo de lista de presença ou documento na reunião. “Aqui no Xingu, eles usam até lista de presença de maquete da usina para dizer que fomos consultados”, relata Socorro Arara. “Sabemos que em Belo Monte eles manipularam muitas reuniões nas aldeias e na cidade para fingir que fizeram consulta prévia”.

Para o presidente da Associação Pusuru, Cândido Waro, a reunião representa mais uma vez a vontade dos povos indígenas em dialogar com o governo federal. Mas ele expressa preocupação:  “Sabemos que essa reunião pode ser uma armadilha, como das outras vezes em que eles tentaram nos obrigar a assinar documentos a favor de hidrelétricas”, disse.
Se o governo não concordar com as demandas apresentadas na reunião, sustentam os indígenas, é provável que novas movimentações aconteçam. “Nós não vamos deixar acontecer [nos rios Teles Pires e Tapajós] o que está acontecendo em Belo Monte. Dependendo do que ele responder, vamos atrapalhar mais a vida do governo”, conclui Cândido.


 Carta número 9: tragédias e barragens (a luta não acaba nem lá nem aqui)

"Nós saímos da ocupação da usina Belo Monte e viemos dialogar com o governo.

Nós não fizemos um acordo com vocês. Nós aceitamos a reunião em Brasília porque, quanto mais nós dizíamos que não sairíamos de lá, mais policiais vocês mandavam para o canteiro de obras. E no mesmo dia em que seríamos tirados à força pela sua polícia, vocês mataram um parente Terena no Mato Grosso do Sul. Então nós decidimos que não queríamos outro morto. Nós evitamos uma tragédia, vocês não. Vocês não evitam tragédias, vocês executam.

Viemos aqui falar para vocês da outra tragédia que iremos lutar para evitar: a perda do nosso território e da nossa vida. Nós não viemos negociar com vocês, porque não se negocia nem território nem vida. Nós somos contra a construção de barragens que matam a terra indígena, porque elas matam a cultura quando matam o peixe e afogam a terra. E isso mata a gente sem precisar de arma. Vocês continuam matando muito. Vocês simplesmente matam muito. Vocês já mataram demais, faz 513 anos.

Não viemos conversar só sobre uma barragem no Tapajós, como vocês estão falando na imprensa. Nós viemos a Brasília exigir a suspensão dos estudos e das obras de barragem nos rios Xingu, rio Tapajós e rio Teles Pires. Vocês não estão falando apenas com o povo Munduruku. Vocês estão falando com os Xipaya, Kayapó, Arara, Tupinambá e com todos os povos que estão juntos nessa luta, porque essa é uma luta grande e de todos.

Nós não trouxemos listas de pedidos. Nós somos contra as barragens. Exigimos o compromisso do governo federal em consultar e garantir o direito a veto a projetos que destroem a gente.
Mas não. Vocês atropelam tudo e fazem o que querem. E para isso, vocês fazem de tudo para dividir os povos indígenas. Nós viemos aqui dizer para vocês pararem, porque nós vamos resistir juntos e unidos. Estamos reunidos há 35 dias em Altamira, e por 17 dias nós ocupamos a principal hidrelétrica que vocês estão construindo. Junto dessa carta nós estamos mandando todas as cartas das duas ocupações que realizamos. Leiam tudo com atenção para entender nosso movimento. E assim respeitá-lo, o que vocês não fizeram até hoje.
O desrespeito não vem só nas palavras. Vem na ação de vocês.

Na região da Volta Grande do Xingu, tudo está sendo destruído e virado de cabeça para baixo, desde que vocês liberaram a construção da barragem Belo Monte. Todos estão muito tristes e apenas os ricos ficaram bem. Os parentes brigaram muito. Até os trabalhadores da obra sofrem.
No Tapajós e Teles Pires, vocês estão começando agora, mas já nos desrespeitaram muito.
Em agosto de 2012, os seus pesquisadores começaram a invadir nossas terras e pegar nossos animais e plantas e contar hectares e medir a água e furar nossa terra.
Em outubro, a Funai e a Eletrobrás disseram em reunião que as barragens iriam sair de qualquer jeito, com nós querendo ou não querendo. E que colocariam força policial na nossa terra se fosse necessário.
Em novembro, a polícia federal atacou e destruiu a aldeia Teles Pires, onde somos todos contra as barragens. Adenilson Munduruku foi assassinado com três tiros e outros 19 indígenas foram feridos. No final do mês nós fomos a Brasília denunciar a operação da polícia ao Ministério da Justiça, Funai e Secretaria Geral da Presidência da República. Também fomos ao Ministério Público Federal.
Em janeiro de 2013, fizemos uma grande assembleia Munduruku na aldeia Sai Cinza, onde foi entregue ao funcionário da Secretaria Geral da Presidência da República um documento com 33 pontos de reivindicação.

No mês seguinte, nós fomos novamente à Brasília exigir alguma resposta da Secretaria Geral da Presidência sobre os 33 pontos. Conseguimos encontrar o ministro, mas ele ignorou nossas reivindicações e tentou fazer com que nós assinássemos um documento aceitando as hidrelétricas do rio Tapajós.
Para garantir à força os estudos das barragens, em março de 2013 o governo baixa um decreto que autoriza a entrada das tropas policiais em nossas terras. Um dia depois nossas aldeias foram invadidas por pelotões de policiais.
No Teles Pires, foram encontrados ossos de parentes, muito antigos. Vocês estão destruindo um lugar sagrado.

Nós não pudemos aceitar mais isso. Por isso, ocupamos seu canteiro trazendo nossa reivindicação, exigindo do governo o compromisso em respeitar os povos originários desse país, em respeitar nosso direito à terra e à vida. Ou, pelo menos, respeitar a sua própria lei – a Constituição e os tratados internacionais que vocês assinam. Mas vocês querem destruir as leis que protegem nós, povos indígenas, com outras leis e decretos novos. Vocês querem legalizar destruição.
E agora chegamos aqui com vocês. Esperando que afinal vocês nos ouçam, ao invés de ouvir aqueles que pagam suas campanhas. Ainda que vocês não estejam dispostos a aprender a ouvir, nós estamos dispostos a ensinar.

Canteiro de obras de Belo Monte, Vitória do Xingu, 4 de junho de 2013"

Sobre a situação econômica e sócio-política da Grécia e a atividade do KKE

                                               


– Relatório do Partido Comunista Grego (KKE) apresentado no encontro do Grupo de Trabalho dos Partidos Comunistas e de Trabalhadores, realizado em Lisboa a 11 de maio de 2013.

 Caros camaradas, 

Por ocasião de nosso encontro hoje em Lisboa, para a preparação do 15º Encontro Internacional dos Partidos Comunistas e de Trabalhadores, temos a oportunidade de trocar informações sobre os acontecimentos em nossos países. Gostaríamos de notar o seguinte no tocante ao KKE: 

Como sabem, a Grécia está há cinco anos consecutivos no centro da crise capitalista, e os trabalhadores vêm experimentando os impasses do caminho capitalista do desenvolvimento. O desemprego, de acordo com fontes oficiais, é agora de 27%, sendo de 60% para os jovens. 

O governo tripartidário [do partido de direita Nova Democracia (ND), do partido socialdemocrata PASOK (Movimento Socialista de Todos os Gregos) e do "esquerdista" DIMAR (Esquerda Democrática)], em nome de evitar a bancarrota e da manutenção do país na Zona do Euro e na União Europeia, continua a tomar medidas antipopulares, com o objetivo de transferir o fardo da crise capitalista aos trabalhadores e de reduzir o preço da força de trabalho. 

Nessa direção, o salário mínimo foi reduzido a 490 euros e a 420 euros após a contribuição para a segurança social para os jovens com menos de 25 anos. 

Ao mesmo tempo, o governo busca aprovar um novo imposto sobre a moradia, enquanto providencia a demissão imediata de 15 mil funcionários públicos e tenta vender empresas estatais, edifícios e outras propriedades públicas. 

Hospitais e escolas já operam com cortes consideráveis de pessoal e de material de trabalho. 

As medidas reacionárias e contra os trabalhadores tomadas pelo governo tripartidário são apoiadas pelos memorandos que o governo grego assinou com a Troika dos credores (União Europeia, Fundo Monetário Internacional, Banco Central Europeu). 

Sua implementação é precondição para o pagamento das parcelas pelos credores. A grande maioria deste dinheiro financiará a dívida. Devemos notar que a dívida pública em 31 de dezembro de 2009 era de 298,5 mil mil milhões de euros. Em 01 de março de 2012 (após a "tosa" [N. do T.: em inglês, "haircut", literalmente "corte de cabelo", é como se têm chamado os acordos que a Grécia fez com os bancos credores de modo a reduzir o volume dos juros de sua dívida]), ela foi calculada em 280,3 mil milhões, enquanto em 31 de dezembro de 2012 subiu para 305 mil milhões de euros. 

Ou seja: depois de três memorandos, depois das "tosas" da dívida, depois de todas as medidas contra os trabalhadores, a dívida pública está ainda maior do que antes. Por outro lado, a burguesia atingiu seu objetivo fundamental. Foi significativamente reduzido o preço da força de trabalho, através do "massacre" dos salários, das pensões e dos serviços sociais. E mais: criou-se um "exército" de destituídos, relacionado ao aumento do desemprego, que pode ser mobilizado. 

Se os três partidos no governo operam utilizando o medo da bancarrota como instrumento básico para a manutenção de sua posição, ao mesmo tempo uma série de outras forças políticas alimentam a ilusão de uma melhor administração da crise nos marcos do capitalismo e da União Europeia. Dentre elas, forças como o SYRIZA (Coligação da Esquerda Radical), partido que agrupa ex-comunistas, ex-ultra-esquerdistas e socialdemocratas, o ANEL (Gregos Independentes), que vem do partido de direita Nova Democracia e o fascista Aurora Dourada. 

Apesar de suas diferenças, estas forças políticas semeiam a confusão quanto às causas da crise capitalista, argumentando que outro tipo de administração capitalista abriria o caminho para a saída da crise, sempre nos marcos do sistema da exploração e da União Europeia. 

Uma nova organização política (Pano B), dirigida por ex-dirigente do SYRIZA, também vem semeando a confusão, focando na moeda (o Euro) e propondo a saída da Grécia da Zona do Euro. Isto evidencia o esforço da burguesia no sentido de reformar a cena política grega. 

A recomposição da cena política e o KKE 

Características básicas disso são a recomposição tanto da social-democracia, onde o papel principal vem sendo desempenhado pelo SYRIZA que se intitula "esquerda radical", como também no terreno da direita onde novos partidos vêm sendo criados, entre eles o fascista Aurora Dourada. 

Um componente desta recomposição é o ataque contra o KKE, através do qual buscam exercer pressões oportunistas sobre nosso partido, de modo a que ele abandone sua estratégia revolucionária, ou a reduzir a força eleitoral do partido de modo a enfraquecer sua intervenção política. 

A proposta de participação em um governo de "esquerda" foi usada como "ferramenta" rumo a este objetivo nas últimas eleições. O KKE, por sua vez, manteve uma posição firme. Rejeitou a proposta e reafirmou sua posição de um caminho pró-trabalhadores, com a retirada da União Europeia, a socialização dos monopólios e o cancelamento unilateral da dívida combinado com um governo da classe trabalhadora e do poder popular. Esta posição orienta a luta do KKE também após as eleições. 

O impacto do raciocínio do "mal menor" levou a uma redução de nossa força eleitoral. Um ano atrás, nas eleições parlamentares de maio de 2012, o partido recebeu 8,5% dos votos. Nas eleições repetidas em junho de 2012, testemunhamos uma redução de nosso peso eleitoral a 4,5%, sob intensa pressão da pequena burguesia por uma "solução governamental imediata" nos marcos do capitalismo e da UE. A despeito desta redução de força eleitoral, consideramos que a posição mantida por nosso partido foi correta e nos evitou de cometer um grave erro histórico, ou seja, de apoiar a gestão do capitalismo e da sua crise. 

A intervenção do KKE 

Após as duas eleições parlamentares, nosso partido, com sua atividade política e através da sua atividade nos sindicatos e nas organizações populares e dos trabalhadores, está na linha de frente da luta da classe trabalhadora por acordos coletivos que garantam direitos, contra a comercialização da Educação e da Saúde, contra novos impostos, contra a retirada de direitos sociais, por medidas que aliviem os desempregados, contra as demissões nos setores público e privado, nas lutas dos agricultores pobres etc. 

Ao mesmo tempo, por ocasião de nossa discussão antecedendo o 19º Congresso do partido, levamos a cabo um conjunto de atividades destinadas a alcançar a população trabalhadora e explicar a proposta política do KKE, sumariada no slogan: "Aliança do Povo – o povo no poder. O socialismo é necessário e é agora". 

É claro que as reservas do sistema burguês continuam fortes, assim como as ilusões sobre a crise e o caminho para sair dela que são alimentadas pelos partidos burgueses e pelos oportunistas. Entretanto, há também exemplos positivos e encorajadores de participação de trabalhadores em mobilizações populares, em atividades de massa de organizações partidárias como o KKE e a KNE [N. do T.: Juventude Comunista Grega], nas eleições nacionais de comitês sindicais.

No Congresso da Confederação dos Sindicatos do Setor Privado (GSEE), cerca de dois meses atrás, as listas dos comunistas foram fortalecidas com o recebimento de 22,2% dos votos. Ademais, há cerca de em mês, as listas da KNE nas eleições estudantis também tiveram importante incremento recebendo 16% nas universidades e 18,4% nos Institutos de Educação Técnica. 

O 19º Congresso do KKE 

O 19º Congresso do KKE ocorreu entre 11 e 14 de abril em Atenas, após uma frutífera discussão interna e pública das Teses do Comitê Central, do esboço de um novo Programa e dos Estatutos partidários, que durou cerca de quatro meses. 

O 19º Congresso aprovou por unanimidade os documentos do Congresso: a Resolução Política, o Programa e os Estatutos, confirmando a unidade político-ideológica do partido. 

Estes documentos partidários básicos já foram traduzidos e estão passando agora pela revisão. Em breve estarão disponíveis em nossas páginas na internet e serão enviados a vocês nos idiomas de praxe. 

A ideia central que informa nossos documentos programáticos é o fato de que a revolução na Grécia tem de ser socialista. Nosso partido afirma, e isso está em nosso programa, que não há estágios intermediários entre o capitalismo e o socialismo, assim como não há tipos intermediários de poder. 

Nós propomos à classe trabalhadora, aos estratos empobrecidos do povo, à juventude, às mulheres do povo, a formação da Aliança Popular que consistirá de forças sociais cujos interesses são lutar em uma direção antimonopólios e anticapitalista, tendo como palavras de ordem básicas a socialização dos monopólios e das cooperativas de produtores agrícolas, o cancelamento unilateral da dívida, a não-participação em intervenções militares-políticas e em guerras, a saída da União Europeia e da OTAN, o poder popular para a classe trabalhadora. 

O Congresso elegeu um novo Comitê Central (63 membros), e este por sua vez elegeu uma nova Comissão Política (11 membros), e o camarada Dimitris Koutsoumpas como secretário-geral.

Setor de Relações Internacionais do KKE 
Tradução do Partido Comunista Brasileiro (PCB) 

Este relatório encontra-se em http://resistir.info/ .