- Nesta segunda, 9, organizações ambientalistas e de apoio aos movimentos sociais e indígenas brasileiros farão uma grande manifestação contra as políticas sociais e ambientais do governo brasileiro em Washington, onde a presidente Dilma Roussef se reúne com o mandatario americano Barack Obama.
- Com o slogan “Reforma agrária já! Nenhum mega-barragens na Amazônia! Veto ao Código Florestal! Parem de matar ativistas!”, os manifestantes se encontrarão na American University as 8h30h e no Sheridan Circle as 9h, de onde marcharão para a Embaixada Brasileira. Na embaixada, ocorrerá um ato em memória dos mártires da Amazônia – Irmã Dorothy Stang, Chico Mendes, os 19 militantes do MST assassinados em Eldorado dos Carajás, e os lideres extrativistas do Pará, José Claudio Ribeiro da Silva e Maria do Espirito Santo.
- O ato contará com a participação do jornalista brasileiro Felipe Milanez, que documentou o caso do assassinato de José Cláudio e Maria do Espírito Santo, mortos por defender a floresta contra madeireiros no Pará, e Miguel Carter, professor da Escola Americana da Universidade de Serviços Internacionais, editor do livro Desafiando a Desigualdade Social: O MST e reforma agrária no Brasil.
- Denúncias
- De acordo com os organizadores do protesto, o ato pretende alertar para os problemas sociais e ambientais que ocorrem no país que, em junho, deverá sediar a Rio +20, cúpula da ONU para o meio ambiente. “Dilma Rousseff está sob crescente escrutínio por suas politicas ambientais, de direitos humanos e de reforma agrária. Os principais movimentos sociais e sindicais do campo, entidades ambientalistas e de direitos humanos, publicaram recentemente duas cartas manifestando sua preocupação sobre o retrocesso em questões sócio-ambientais [no país]. As principais denúncias incluem o apoio tácito do governo a alterações regressivas no Código Florestal Brasileiro, o atropelamento de direitos humanos para construir a mega-barragem de Belo Monte na Amazônia, a falta de políticas eficazes para promover a reforma agrária e a agricultura sustentável, e a impunidade para atos de violência contra ativistas, camponeses e povos indígenas. A marcha em Washington, DC vai expressar a solidariedade com os movimentos sociais e ativistas de direitos humanos e ambientais no Brasil. Essas organizações da sociedade civil pedem que a administração Rousseff honre compromissos assumidos em sua campanha eleitoral, e evite o embaraço potencial para o Brasil como anfitrião da conferência Rio +20 de não ter uma prática coerente com seu discurso”.
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Indígenas e movimentos sociais protestam nos EUA contra a construção de Belo Monte
quarta-feira, 4 de abril de 2012
PCB Ipatinga e Intersindical repudiam demissões no Sistema Usiminas.
Esse deputado Boca Roxa do SINDIPA é muito cara de pau, tem coragem de falar que ainda não houve nenhuma demissão? Na sexta-feira, 30/03/12, foram demitidos quase 400 funcionários da Usiminas Mecânica e muito mais demissões virão. Ainda, conversa pra boi dormir, que grande parte dos demitidos da Usiminas Mecânica serão admitidos pela Usiminas. Ipatinga vai sentir e muito, mais esse grande golpe, claro, com o SINDIPA mais uma vez fazendo vista grossa.
Um fato que demonstra claramente a posição da atual diretoria, que na mesma sexta-feira, 30/03, enquanto os companheiros da INTERSINDICAL panfletavam nas portarias da Usiminas sobre as denúncias contra a mesma, o SINDIPA panfletava no mesmo dia propagandeando banco que faz empréstimos "generosos"aos necessitados, inclusive tendo uma sala dentro do próprio sindicato, "tudo para facilitar a vida do trabalhador". Também fazendo propaganda da "grande festa do trabalhador" que acontecerá no dia 1º de Maio, como se o trabalhador tivesse algo a ser comemorado.
O PCB Ipatinga juntamente com a Intersindical, vem a público repudiar contra esse "fascista", e vamos chamar a população de Ipatinga a fazer um boicote a essa "festa do trabalhador" no dia 1º de maio, em solidariedade aos companheiros demitidos do Sistema Usiminas!
O presidente do Sindicato conversou com a reportagem do DIÁRIO POPULAR e explicou quais foram os motivos alegados pela empresa para justificar a situação
Luiz Carlos Miranda disse que o Sindipa vai fazer todo o esforço para reduzir as injustiças (Crédito: Arquivo DP)
IPATINGA – De acordo com informações do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga (Sindipa), cerca de 1.600 funcionários serão desligados da Usiminas Mecânica nos próximos dias. O presidente do Sindicato conversou com a reportagem do DIÁRIO POPULAR e explicou quais foram os motivos alegados pela empresa para justificar a situação. “Os gestores da Usiminas haviam mudado a forma de trabalho da empresa. Mudaram o processo de manutenção e operação que antes eram feitos juntos. As mudanças foram feitas com o intuito de poupar gastos e gerar uma economia, mas agora eles perceberam que os objetivos não foram alcançados e por isso alegam que as demissões serão necessárias”, contou Luiz Carlos.
Tanto o processo de manutenção quanto o de operação da Usiminas Mecânica eram realizados na Usiminas. Durante a gestão do antigo presidente Marco Antônio Castello Branco, o trabalho de manutenção foi direcionado à empresa Usiminas Mecânica. E segundo Luiz Carlos Miranda, a maioria dos funcionários que serão desligados serão readmitidos pela Usiminas. “Após quatro anos de mudança na forma de trabalho, os gestores perceberam que as mudanças não foram boas e decidiram voltar a fazer o trabalho da mesma forma que era feito antes. E para que isso seja feito, a empresa Usiminas vai recontratar alguns funcionários para continuarem realizando o trabalho de manutenção”, explicou o presidente do Sindipa.
DEMISSÕES
Aproximadamente 200 funcionários serão desligados da Usiminas Mecânica e não serão recontratados pela Usiminas. De acordo com Luiz Carlos Miranda, esses funcionários não serão reaproveitados porque os setores onde eles trabalhavam foram extintos. “Desse total de funcionários (1.600), cerca de 180 a 200 vão para a rua mesmo. Porque o setor de caldeiraria, por exemplo, não existe mais. Então não tem como a empresa recontratar todos os funcionários e essa parcela infelizmente vai ser demitida pela Usiminas Mecânica”, lamentou Luiz Carlos. De acordo com o Sindicato, ainda não aconteceu nenhuma demissão, mas as ações estão previstas para acontecerem no tempo máximo de quinze dias.
INCOMPETÊNCIA
O presidente do Sindipa culpou a antiga gestão da Usiminas pelas demissões. “Tudo isso que está acontecendo é um reflexo da irresponsabilidade e da incompetência dos gestores da Usiminas. Eles fizeram um teste e não surtiu efeito, agora os pais de família que não têm nada com isso serão prejudicados”, considerou o presidente do Sindipa.
Os funcionários que serão readmitidos vão ser recontratados pela Usiminas e por isso não é necessário que a empresa dê baixa na carteira de trabalho. Pois, segundo o Sindicato, as duas empresas têm o mesmo capital financeiro e por isso as recontratações são regulares.
AJUDA
Luiz Carlos Miranda informou que o Sindicato está trabalhando para tentar resolver as demissões junto à empresa. “A todo o momento que surgem problemas novos os funcionários nos acionam e vamos até a empresa tentar resolver. Estamos tentando ajudar da melhor forma possível para que os trabalhadores sofram a menor injustiça possível”, concluiu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos de Ipatinga.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Aspectos da experiência da luta de classes na Grécia e na Europa
Contribuição de Giorgos Marinos, membro do Buró Político do CC do KKE e deputado nacional, ao seminário internacional do Partido Comunista Brasileiro com tema “Capitalismo: a ofensiva imperialista e a luta pelo socialismo”
O Partido Comunista da Grécia expressa seu agradecimento ao Partido Comunista Brasileiro e felicita para os eventos importantes que organizou. Nosso partido saúda calorosamente as lutas dos comunistas brasileiros que oferecem importantes exemplos de sacrifício, de heroísmo, de resistência e encabeçam a organização da luta da classe operária e do campesinato pobre, o desenvolvimento da luta de classe na confrontação com a burguesia, o Estado burguês e os mecanismos de repressão.
Os comunistas tiram sua força dos valores revolucionários e é por isso que não se ajoelharam perante as diversas perseguições, o encarceramento, os assassinatos que foram levados a cabo pelo adversário, com o intuito de impedir a luta pela libertação dos grilhões da exploração capitalista. Esta experiência oferece ensinamentos para responder às novas condições, tendo claro que a democracia burguesa foi e continua sendo a ditadura dos monopólios e que a solução virá do desenvolvimento da luta de classes até o final.
Objetivamente, a luta de classes é a força motriz do progresso social no conflito permanente do novo com o velho. Isto ocorre historicamente e marca o curso das formações socioeconômicas, marca a luta nas condições de capitalismo que vive sua última etapa, a imperialista.
A luta de classes é um princípio inviolável para os partidos comunistas. É um princípio que não se limita na luta diária contra os problemas dos trabalhadores, para determinar as condições de venda da força de trabalho, mas sim que se determina pelo elemento qualitativo da luta pela derrocada do poder dos monopólios, pela derrocada do sistema capitalista, pelo socialismo.
Esta posição de princípio, que surge da realidade objetiva, dá forças ao KKE, que protagoniza nas lutas de classes na Grécia, nas difíceis condições, uma confrontação dura com a burguesia, com seus representantes políticos e sindicais, com a União Europeia e as forças do oportunismo que apoiam o sistema de exploração e trabalham para incorporar a classe operária aos objetivos do capital com gestores do capitalismo.
O que ocorre na Grécia, que se encontra na vanguarda da atualidade?
É preciso responder esta pergunta com base em dados reais, porque ao contrário, serão registradas posições que distorcem a realidade.
Na Grécia, durante uns vinte anos, até 2008, quando se manifestou a crise, o desenvolvimento capitalista registrou altas taxas; o PIB tinha um crescimento acima dos 3% ao ano.
A riqueza produzida pelos trabalhadores foi multiplicada. No entanto, quem ganhou com este processo foi a plutocracia, que aumentou seus lucros em 28 vezes e acumulou muitos capitais, mediante a intensificação do grau de exploração da classe trabalhadora, o aumento da mais-valia e do trabalho não remunerado.
Desde princípios da década de 1990, se implantaram duras medidas antipopulares. A situação em que se encontrava a classe trabalhadora e os setores populares se deteriorou, o desemprego se manteve em altos níveis nas condições de crescimento da economia capitalista.
No marco da União Europeia e a nível nacional, tanto na Grécia como nos demais Estados membros, os governos burgueses foram responsáveis pela promoção de significativas mudanças reacionárias. Direitos trabalhistas e de seguridade social foram eliminados, se comercializaram os serviços sociais e através deste curso, se levou a cabo a superacumulação de capitais, se manifestou a crise capitalista.
Portanto, em todas as fases do ciclo econômico, o capitalismo é um sistema explorador, antipopular, bárbaro e esta característica é ainda mais clara em condições de crise, quando se destroem rapidamente as forças de produção, se aprofundam os problemas do povo e se piora a situação da classe trabalhadora e dos setores populares.
Insistimos no caráter da crise como crise de superacumulação de capital, que manifesta o aprofundamento da contradição entre o caráter social da produção e a apropriação capitalista de seus resultados, porque este é o elemento objetivo que surge do estudo das leis do sistema.
Isto é de grande importância, pois demonstra na prática os limites do capitalismo, sua decadência e a necessidade de sua derrocada, em oposição às forças burguesas e oportunistas que suprimem ou distorcem a realidade, utilizando numerosas construções ideológicas.
Estas forças possuem posições muito perigosas que, desgraçadamente, são adotadas inclusive por alguns Partidos Comunistas.
- Interpretam a crise como uma crise do Neoliberalismo, dizendo que o mercado ficou sem controle sobre as normas de regulação e sobre os bancos.
Este enfoque é anticientífico e, politicamente, serve a muitos propósitos. Absolve o capitalismo e cria confusões acerca da busca de um melhor modo de gestão do sistema.
A atividade econômica dos monopólios que derivaram da concentração-centralização do capital, é o coração do sistema e determina o caráter do mercado.
Os elementos básicos de sua operação são o critério dos lucros, a livre circulação de capitais, as relações de exploração do trabalho pelo capital, já que os meios de produção são propriedade capitalista.
A estes elementos não concernem somente a gestão neoliberal do sistema, porém também a gestão socialdemocrata, digamos neokeynesiana, toda gestão no marco do sistema explorador, independentemente do tamanho do Estado burguês que continua sendo o capitalista coletivo.
- Fala-se de uma crise financeira de dívida. Neste ponto também se faz uma abstração anticientífica, numa tentativa de separar a esfera da circulação da coluna vertebral do sistema, a produção, onde se cria a mais-valia através da exploração da força de trabalho. Os capitais superacumulados que se geram na produção, encontram uma saída no setor financeiro, que também possui suas próprias contradições.
A crise que se manifestou em 2008 é profunda e sua continuação demonstra que não se destruiu o capital superacumulado, o que se faz necessário para alcançar um equilíbrio. Na Grécia, no período de 2009-2011, o PIB caiu mais de 12%. A queda do PIB em 2011 foi superior a 7%. Em 2012, a previsão é de queda de mais de 3%.
As leis do capitalismo são implacáveis e o KKE considera que uma possível recuperação será débil e marcada pelo alto desemprego, com a permanência da deterioração da situação da classe trabalhadora.
É conhecido o fato de que se tenta impedir o debate sobre a Grécia acerca da versão dominante do governo quanto à dívida e, por isso, gostaríamos de levantar algumas questões. É verdade que a dívida é muito alta. Estima-se que esteja na casa dos 260.000 milhões de euros, ou seja, superior a 160% do PIB.
A pergunta que devemos responder é sobre os fatores, as causas que levaram a esta dívida.
O KKE responde de modo documentado e apresenta, com elementos, que a dívida foi criada pela política dos governos burgueses que utilizam os empréstimos para financiar o grande capital, a política que promove a isenção de impostos às empresas, mantém os impostos sobre os lucros a níveis muito baixos e permite uma grande evasão fiscal. A dívida se deve à incorporação da Grécia à União Europeia, o que levou à diminuição da produção agrícola e de importantes setores da indústria manufatureira, assim como aos grandes fundos alocados conforme as necessidades da OTAN.
Os governos do partido liberal da ND e do PASOK socialdemocrata, assim como o governo de coalizão formado por estes dois partidos juntamente com o partido nacionalista de LAOS, em novembro de 2011, tomaram medidas antipopulares muito duras.
Normalmente, tais medidas foram pré-decididas anteriormente na União Europeia, sob a responsabilidade dos governos gregos, no marco da estratégia das reestruturações capitalistas que tinham como objetivo a redução do preço da força de trabalho com a finalidade de aumentar a competitividade e a rentabilidade do capital.
Trata-se, pois, de medidas que promovem o trabalho de meio-período, os trabalhos temporários, a contratação de trabalhadores, o ataque contra a jornada laboral de oito horas, o aumento da idade de aposentadoria, a comercialização da Saúde, do Bem-Estar social, da Educação, a liberalização e a privatização da energia, das comunicações, do transporte, etc.
Desde maio de 2010, quando o governo do PASOK firmou o contrato de empréstimo e o primeiro memorando com a União Europeia, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu, assim como a continuação desde fevereiro de 2012, quando o governo de coalizão firmou o segundo contrato de empréstimo e o segundo memorando, foram implantadas medidas antipopulares ainda mais cruéis. Estas medidas promovem cortes nos salários e nas pensões, a abolição dos convênios coletivos setoriais e a redução do salário mínimo que prevê o Convênio Coletivo Nacional de Trabalho, a abolição da bonificação de Natal e Páscoa, o pagamento das férias, a demissão de 30.000 funcionários em 2012 e 150.000 até 2015, etc.
O salário mínimo na Grécia, dos 751 euros brutos caiu para 586 euros brutos, o seguro-desemprego foi diminuído de 411 euros para 320, e os salários para jovens menores de 25 anos foram reduzidos a 510 euros brutos.
Atualmente, a Grécia conta com mais de 1.200.000 desempregados, o preço da força de trabalho diminuiu dramaticamente, o grau de exploração aumentou e a pobreza se estendeu a mais de 40% da população.
É preciso levar em conta que com os novos empréstimos de 120.000 milhões de euros em 2010, de 130.000 milhões de euros em 2012 e apesar do corte da dívida de 100.000 milhões de euros, a dívida está crescendo e se estima que alcançará, em 2015, a marca de 400.000 milhões de euros.
Em essência, neste processo as forças do capital levaram o povo conscientemente à ruína, enquanto continua em aberto a possibilidade de uma quebra incontrolada.
A experiência adquirida pelos povos da União Europeia reafirma a posição do KKE de que a UE é uma união imperialista interestatal, cujo critério está relacionado aos interesses do capital e que se faz cada vez mais perigosa para a classe trabalhadora e para os setores populares. Além disso, participa das guerras imperialistas contra a Iugoslávia, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia, das ameaças contra o Irã e a Síria, e está se preparando para as novas guerras que serão geradas pela competição interimperialista.
A competição entre as potências imperialistas se baseia no desenvolvimento desigual. Ela está relacionada com quem se prevalecerá na guerra para a conquista de novos mercados e quais monopólios serão reforçados na crise.
A experiência da UE afirma que qualquer unificação de Estados capitalistas cria um mercado maior, que funciona com base nos interesses e nos lucros do capital. Este é o objetivo e não se impede, inclusive, o caso de numa unificação, num ambiente capitalista em geral, participe um país socialista. Porque este também estaria obrigado a atuar no marco estabelecido por critérios econômicos privados. Não se trata de uma questão de vontade ou de estado de espírito, mas da operação objetiva das leis que regem as economias, onde os meios de produção estão nas mãos dos monopólios, ou do capitalista coletivo, o Estado, cujo critério é concentrar mais-valias e lucros.
Os bancos, as empresas petroleiras e outros monopólios se reforçam e competem entre si para predominar e obter maior quota do mercado.
A experiência da UE mostra quão valiosa é a revelação precoce do caráter da unificação capitalista, para que se possa fazer frente às ilusões e que o movimento operário se prepare a tempo. O KKE tem nessa revelação uma contribuição importante. Contudo, devemos assinalar que existe um problema grave quanto à postura dos partidos comunistas que não organizaram rapidamente uma frente contra a UE e que aceitaram, na Europa, a lógica do Estado de bem-estar, na realidade, do Estado burguês que, devido à confrontação com o socialismo antes de sua derrocada e à luta de classes, assim como para incorporar as forças populares, teve que fazer concessões e satisfazer algumas demandas sobre o nível de salários e os serviços sociais.
A classe operária, os setores populares na Europa lutariam por melhores posições se a situação do movimento comunista e dos trabalhadores em geral fosse diferente. Porque o efeito do oportunismo, do reformismo é um fator chave na recessão da luta de classes. A Grécia não é um caso especial. O fator determinante que contribuiu para o desenvolvimento da luta de classes é a linha revolucionária do KKE, porque, apesar das debilidades e das dificuldades que enfrenta, tem clara a direção da luta, a necessidade, a vigência e a atualidade do socialismo.
Estimados camaradas:
Na zona do euro e na União Europeia, onde em 2010 apareceram sinais de recuperação, foram muito preocupantes as estimativas de que, em 2011 e em princípios de 2012, haveria uma diminuição no PIB ou um estancamento marginal. Isto concerne também aos países imperialistas poderosos, como a Itália e a Espanha.
Hoje em dia, na UE, o número de desempregados supera os 42 milhões e a população que vive sob a linha de pobreza supera o número de 115 milhões de pessoas.
Forças burguesas e oportunistas se utilizam da situação na Grécia e falam de ocupação do país pela UE ou pela Alemanha, de abolição da independência nacional.
Esta posição não possui nenhuma relação com a realidade.
A Grécia, igual a qualquer Estado capitalista, participa das organizações imperialistas com o aval consciente da classe burguesa e cede, conscientemente, direitos soberanos para garantir seus interesses a longo prazo.
Em condições de desigualdade, lei absoluta do capitalismo, a presença de todo Estado capitalista no sistema imperialista e nas organizações imperialistas, está determinada por sua força econômica, política e militar.
Estes assuntos requerem grande atenção e devem ser tratados no marco da relação verdadeira de dependência e interdependência dos Estados capitalistas, levando em conta que a desigualdade e o predomínio das posições dos Estados mais potentes no sistema imperialista é um elemento característico do capitalismo, assim como a desigualdade nas relações desaparecerá na medida em que o povo grego e os demais povos decidirem romper as cadeias de exploração, destruir o sistema, construir o socialismo e desenvolver um sistema de relações internacionais com base no benefício mútuo.
É necessário prestar ainda mais atenção na posição que, em nome da independência e da soberania nacional, leva partidos comunistas a alianças com forças burguesas e limita sua ação aos objetivos de perpetuação do sistema capitalista.
Estimados camaradas:
Na Grécia se levam a cabo lutas de classe maciças e duras há muito tempo. Numerosas greves gerais e setoriais, greves em empresas, dezenas de manifestações, paralisações em edifícios estatais e outros.
O ponto chave é que nestas lutas protagonizam o KKE e o PAME, o movimento de orientação de classe que agrupa em suas fileiras centenas de sindicatos, federações, centrais de trabalhadores, comitês de lutas em empresas, sindicalistas que lutam na linha da luta de classes.
Estas lutas se desenvolvem num ambiente de anticomunismo intenso por parte dos partidos burgueses e dos meios de comunicação, num clima de intimidação patronal, de organização de ataques de provocação pelo mecanismo estatal e paraestatal, mediante vários grupos de mascarados anticomunistas que se apresentam como antiautoritários. Até o momento, estas provocações causaram quatro mortes e muitos feridos, porém não venceram o espírito combativo da classe trabalhadora. O KKE, o PAME e os demais agrupamentos militantes dão passos adiante, continuam com determinação, com a organização da luta, insistindo no trabalho nas fábricas, nas empresas, nos bairros populares, dando prioridade ao reagrupamento do movimento operário, à mudança da correlação de forças.
Ultimamente, foram promovidos passos importantes na ação comum do PAME com os agrupamentos militantes dos camponeses, dos pequenos empresários, da juventude e das mulheres, no esforço de consolidar a aliança social que é a base da política de alianças do KKE. O fruto deste esforço é a criação de centenas de comitês populares que possuem uma ação significativa em bairros populares, em cidades e comunidades sobre os problemas das famílias populares.
Um elemento importante destes acontecimentos é a confrontação intensa do KKE e do movimento de classe com o SYN/SYRIZA, com o Partido da Esquerda Europeia e outras forças do oportunismo, que utilizam uma fraseologia enganosa, enquanto suas posições apoiam a preservação do capitalismo, apoiam a União Europeia e louvam o Banco Central, cria confusões separando a dívida em moral e imoral, legal e ilegal, facilitando o ataque das forças burguesas.
Intensificou-se a confrontação com as forças do sindicalismo colaboracionista, com a Confederação Geral dos Trabalhadores da Grécia e a Confederação dos Empregados do Setor Público, controladas pelo PASOK, pela ND e pelas poucas forças do oportunismo.
Trata-se de forças que apoiam a colaboração de classes e o diálogo social com os empregadores; são cúmplices na eliminação dos direitos trabalhistas e seguem a linha das organizações subjugadas das CSI e as CES, que estão em confrontação com a FSM.
O KKE é a luta motriz da resistência do povo. Está na vanguarda da luta acerca de qualquer problema popular e põe xeque, na prática, as afirmações absurdas dos oportunistas, que não oferecem nenhuma contribuição séria na luta dos trabalhadores. O KKE espera que os problemas do povo sejam resolvidos com o socialismo.
É preciso deixar claro que a orientação da luta tem grande importância. Hoje em dia, já não é suficiente a resistência necessária, nem tampouco é suficiente reivindicar inclusive demandas mais avançadas.
O principal é que a luta se baseie numa linha antimonopolista, em objetivos de luta que reforcem a unidade classista da classe trabalhadora e sua aliança com as camadas populares.
A questão principal hoje é que, através das lutas trabalhistas e populares, se consiga a maior agrupação, concentração e preparação das forças possível com o fim de derrotar o sistema de exploração. A luta de classes não se limita na confrontação com os governos antipopulares, nem na reivindicação por melhores condições de venda da força de trabalho.
A questão crucial é a orientação que cria as condições para o poder operário e popular, o socialismo que é o requisito para a abolição da exploração do homem pelo homem. Todo o resto se esvai pelos ares, igual ao ocorrido com o “movimento dos indignados”.
A luta pelo socialismo determina o trabalho ideológico, político e de massas que faz o KKE e acreditamos que isto pode dar força a todos os partidos comunistas, defendendo as conquistas do socialismo que conseguiu eliminar o desemprego e a pobreza, estabeleceu sistemas historicamente avançados nos setores da saúde, do bem-estar, da educação, da cultura, dos esportes, satisfazendo as necessidades do povo.
O KKE luta desta maneira, tratando de modo crítico os erros, as omissões e os desvios oportunistas que levaram à queda do socialismo na União Soviética e nos demais países socialistas.
Somos obrigados a entrar corajosamente num conflito com o anticomunismo e com as calúnias sem fundamento histórico das forças do capital, que se enfurecem porque seu interesse requer que a classe trabalhadora trabalhe duro, produza mais-valia, produza riqueza para que sejam aproveitadas pelos capitalistas.
É preciso acabar com isso. Esta postura é contemporânea, necessária e representa os interesses dos povos.
O chamado socialismo do século XXI é enganoso. É alheio ao poder trabalhador e popular, à socialização dos meios de produção e à planificação central. É uma opção concebida para a manutenção do capitalismo com a roupagem da humanização da barbárie imperialista.
O KKE trabalha na base a sua proposta política:
Um poder dos trabalhadores, popular que se baseará nas unidades de produção, assegurando a participação da classe operária na construção da nova sociedade.
A socialização dos meios concentrados de produção, da riqueza mineral, da energia, dos transportes, das telecomunicações, do comercio e outros setores estratégicos. Incentivo às cooperativas de produção dos pequenos camponeses e dos pequenos empresários, onde as condições não estejam maduras para a propriedade social. Criação de uma planificação central que se expandirá a nível regional e nacional.
A retirada da OTAN, da União Europeia e de todas as organizações imperialistas e o esforço na criação de relações de benefício com outros Estados e povos.
O cancelamento unilateral da dívida, já que não foi contraída pelo nosso povo.
As dificuldades são bem conhecidas. São requeridos grandes sacrifícios, porém este é o caminho que responde aos interesses da classe operária, dos setores populares.
Tradução: Maria Fernanda M. Scelza (PCB)
CONVOCAÇÃO À REDE DE APOIO A DANDARA E ZILAH
SPOSITO-HELENA GRECO
Belo Horizonte, 02 de abril de 2012.
Amanhã, dia 03 de abril, terça-feira, a
OCUPAÇÃO-COMUNIDADE DANDARA estará mais uma vez mobilizada e em luta pela
desapropriação do terreno ocupado por 1.000 famílias de Dandara.
De madrugada, em vários ônibus, o povo de
Dandara irá para o centro de Belo Horizonte manifestar na parte da manhã e a
partir das 14 horas acompanhará mais uma Audiência Judicial na 6ª Vara de
Fazenda Pública Estadual, sob a presidência do juiz Dr. Manoel dos Reis Moraes.
Contaremos também com a participação da
Ocupação-comunidade Zilah Sposito-Helena Greco. Esperamos contar com o apoio de
integrantes da Rede de Apoio às Ocupações: sindicatos, movimentos sociais,
professores, padres, freiras, estudantes, pessoas de boa vontade,
amigos/as...
Em 9 de abril de 2009, na madrugada de uma
quinta-feira da Semana Santa, a Comunidade Dandara foi formada a partir da
ocupação de um terreno particular que não cumpria sua função social – 315 mil
metros2.
Exigimos que o prefeito de Belo Horizonte, sr.
Márcio Lacerda, ou o governador de Minas, sr. Antonio Anastasia, desaproprie o
território de Dandara para fins de habitação popular do povo que lá ocupa o
terreno há quase 3 anos. Desapropriação é compra forçada.
Essa é a forma jurídica e política mais justa
para se resolver de forma justa o grave conflito social que envolve as mil
famílias de Dandara – cerca de 5 mil pessoas. A Presidenta Dilma já nos disse
que se o prefeito de BH ou o governador desapropriar Dandara, o Governo Federal
coloca dinheiro para urbanizar Dandara, terminar de construir as casas e fazer o
que precisa ser feito para que Dandara seja de fato reconhecida como um
bairro.
Na Audiência Judicial de amanhã, às 14 horas,
dia 03 de abril de 2012, a Comunidade Dandara, mobilizada e em luta, espera
sensibilizar o poder judiciário para que este possa reconhecer a importância de
Dandara como um bom exemplo de reforma urbana popular para a construção de uma
sociedade justa e igualitária.
Não podemos esquecer que a Construtora Modelo
reivindica a reintegração de posse no terreno ocupado por Dandara, mas deve ao
município de BH mais de R$2.200.000,00 em IPTU, nunca pagou nem um centavo pelo
terreno. É público e notório que o terreno estava abandonado há várias décadas.
Era uma propriedade que não cumpria sua função social. Logo, segundo a
Constituição de 1988 a Construtora Modelo nunca exerceu posse sobre o terreno e
por isso não deve ser reintegrada.
Se em BH há um déficit habitacional acima de 70
mil casas é óbvio que o prefeito tem o dever de desapropriar Dandara e assim
regularizar a situação das mil famílias que lá vivem há quase 3 anos. Dandara
não pode se transformar em um Pinheirinho 2. Dandara é de luta e jamais aceitará
ser despejada. O povo tem necessidade, sabe dos seus direitos e lutará até a
vitória.
Obs. 1: Participação com presença, ajuda com
alimentação e subsídio para pagar ônibus são bem-vindos.
Obs. 2: A Audiência Judicial será na 6ª Vara
Pública de Fazenda Estadual, na Rua Gonçalves Dias, 1260, Funcionários, lado da
Praça da Liberdade.
Assina essa Convocação:
Brigadas Populares, Coordenação Geral de
Dandara e Rede de Apoio a Dandara.
Contatos:
Rosário, cel. 31 9241 9092 - Joviano, cel. 31
8815 4120
Rosa, cel. 31 9287 1531 - Frei Gilvander, cel.
31 9296 3040.
domingo, 1 de abril de 2012
Declaração do Instituto Luiz Carlos Prestes O Instituto Luiz Carlos Prestes, entidade de perfil cultural, cujo objetivo é preservar e difundir a memória desse grande brasileiro - patriota, revolucionário e comunista, contando com o apoio de companheiros e amigos do Cavaleiro da Esperança, declara de público sua indignação e repulsa à atitude oportunista do PCdoB (Partido Comunista do Brasil), que vem lançando mão da manipulação grosseira da memória histórica dos comunistas brasileiros e, em particular, da trajetória revolucionária de Prestes com vistas a prestigiar-se perante a opinião pública nacional. Assim, em seus programas eleitorais difundidos em rede nacional pela TV, o PCdoB vem utilizando de maneira indevida e inaceitável imagens de Luiz Carlos Prestes na tentativa de associar sua atuação à frente do PCB com suposta participação na história do PCdoB. Na realidade, o PCdoB foi criado em 1962, resultando de cisão com o PCB e com Luiz Carlos Prestes, então secretário-geral deste partido. Prestes jamais ingressou no PCdoB ou lhe concedeu qualquer apoio, sendo que o PCdoB durante anos o combateu com extrema virulência. Um partido como o PCdoB, que apoia o novo código florestal, que é absolutamente acrítico às medidas neoliberais dos governos Lula/Dilma, imergido em denúncias de corrupção, e que ousa apresentar Prestes em seu Programa de TV é algo totalmente inaceitável. A direção do PCdoB manipula também, entre outras, a memória do fundador do PCB, o conhecido intelectual comunista Astrojildo Pereira, que, ao falecer em 1965, continuava militando nas fileiras do PCB. Nós, signatários desta declaração, conclamamos companheiros e amigos, bem como todos os brasileiros sinceramente interessados na defesa da preservação da história de nosso país, a denunciar e repudiar as manobras de falsificação da trajetória histórica de Luiz Carlos Prestes, das lutas dos comunistas brasileiros e da própria história do Brasil, realizada pela direção do Partido Comunista do Brasil. Com esta atitude, desejamos expressar nossa posição intransigente de defesa de uma história objetiva de Luiz Carlos Prestes, dos comunistas, e do Brasil, baseada em fatos, e não em falsificações convenientes a esse ou àquele grupo político. Com esta atitude, queremos contribuir para o esclarecimento de amplos setores da opinião pública e evitar que outros se aventurem nos caminhos da falsificação de nossa história, conforme vem sendo feito pela direção do PCdoB. Assina Anita Leocadia Prestes, presidente do Instituto Luiz Carlos Prestes, historiadora e professora da UFRJ
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