quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Por que o PCB homenageia Carlos Marighella?

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imagemCrédito: PCB
Ivan Pinheiro (Secretário Geral do PCB)
Neste mês, comemora-se o centenário de Carlos Marighella. Juntamente com outras instituições, a Fundação Dinarco Reis, ligada organicamente ao PCB, convoca um ato público em sua homenagem, nesta quinta-feira, na Associação Brasileira de Imprensa, no Rio de Janeiro.
Na ocasião, sem qualquer pretensão de querer se apropriar da imagem de Marighella (que pertence a todos os brasileiros que lutam contra a opressão), o PCB quer marcar seu orgulho por ele ter militado por décadas em nosso Partido, tendo sido Deputado e Constituinte em 1946 e, principalmente, um dirigente partidário combativo, organizador e agitador, este adjetivo que soa como acusação para a direita e como elogio para os comunistas.
Por isso, no evento desta quinta-feira, entregaremos à sua família, em memória, a MEDALHA DINARCO REIS com que anualmente distinguimos personalidades que marcaram a história do PCB. Este gesto será apenas uma parte do Ato Público, cujo caráter é muito mais amplo, do ponto de vista das organizações e personalidades que o organizaram e daquelas que dele participarão. Marighella não é reivindicado apenas pelos comunistas, mas por todos aqueles que lutam por liberdade e justiça social.
É impossível falar de Marighella sem falar do PCB - a grande escola onde se formou e militou a maior parte de sua vida como revolucionário – e sem ao menos tangenciar alguns aspectos das divergências sobre a linha política pendular do partido da década de 50 à de 80 do século passado, que geraram uma verdadeira diáspora dos comunistas brasileiros.
É impossível também falar de Marighella, fundador da ALN (Ação Libertadora Nacional), sem lembrar de outros revolucionários que também divergiram da orientação política do PCB após o golpe de 1964, adotando formas de luta diferenciadas, como Luiz Carlos Prestes, Apolônio de Carvalho, Joaquim Câmara Ferreira, Mário Alves e tantos outros.
O PCB, em sua reconstrução revolucionária, olha com respeito para todos os que saíram do Partido àquela época e se mantiveram na esquerda. Os que tentaram liquidar o PCB e o abandonaram, pela direita, merecem o nosso desprezo.
Este respeito vem da compreensão de que as divergências com a linha política do Partido têm sua origem nos equívocos que levaram à derrota popular em 1964. Suas raízes estão na chamada Declaração de Março de 1958, que privilegiava alianças com setores da burguesia e a via institucional de transição ao socialismo. Com esta linha, o PCB desarmou a possibilidade de resistência popular diante do golpe.
No entanto, respeitar e compreender o surgimento destas dissidências do PCB após 1964 não significa concordar com a forma de luta adotada por algumas delas. Apesar de legítima e em geral inevitável para o trânsito ao socialismo, a luta armada não era adequada àquela correlação de forças e ao nível de organização e mobilização da resistência popular à ditadura.
Diante do erro cometido antes de 1964, consideramos correta, até 1979, a linha política adotada pelo VI Congresso do PCB, em 1967, de enfrentamento à ditadura pela via do movimento de massas e da frente democrática, até porque não restavam outras alternativas. Novos erros vieram depois, nos anos 80, com a manutenção da política de frente democrática que já havia perdido a atualidade. Foi a década perdida do PCB, do ponto de vista revolucionário, marcada pela conciliação de classe.
No entanto, não estamos entre aqueles que negam ou subestimam o papel da insurgência armada adotada por algumas organizações no período que, ao preço de muitas vidas que nos fazem falta, também contribuíram para a derrubada da ditadura.
Também é preciso ficar claro que a ditadura não escolhia suas vítimas apenas em função dos meios com que lutavam. Entre 1973 e 1975, foram assassinados dezenas de camaradas do PCB, cujos corpos jamais apareceram, dentre eles quase todos os membros do Comitê Central que aqui atuavam na clandestinidade.
Ao homenagearmos Marighella não queremos transformá-lo apenas em um personagem da história, mas principalmente fazer dele um exemplo de luta para as novas gerações.
(13 de dezembro de 2011)

domingo, 11 de dezembro de 2011

Intervenção do PCB no XIII Encontro Mundial dos Partidos Comunistas e Operários

                                                                
Esta é a intervenção do PCB, através do seu Secretário Geral, Ivan Pinheiro, no XIII Encontro Mundial de Partidos Comunistas, que reúne 82 partidos de todos os continentes, em Atenas (Grécia), sobre a conjuntura mundial e as perspectivas do socialismo.
  
O Comitê Central do Partido Comunista Brasileiro (PCB) saúda os partidos comunistas presentes, homenageando o anfitrião, o Partido Comunista Grego, referência para todos os revolucionários e trabalhadores do mundo, com seu exemplo de luta sem tréguas contra o capital.

O aprofundamento da crise sistêmica do capitalismo coloca para o movimento comunista internacional um conjunto de complexos desafios.

Estamos diante de umestado de guerra permanente contra os trabalhadores,  uma espécie de “guerra mundial”, na qual o grande capital busca sair da crise colocando o ônus na conta dos trabalhadores. Esta é uma guerra diferente das anteriores, que tinham como centro disputas interimperialistas.

Apesar de persistirem contradições interburguesas e interimperialistas na atual conjuntura, as grandes potências (sobretudo os Estados Unidos e os países hegemônicos da União Europeia) promovem hoje uma guerra de rapina contra todos os países periféricos, sobretudo aqueles que dispõem de riquezas naturais não renováveis e contra todos os trabalhadores domundo.

A guerra é o principal recurso do capitalismo para tentar sair da crise: ativa a indústria bélica e ramos conexos, permite o saque das riquezas nacionais e a queima de capitais; os capitalistas ganham também com a indústria da reconstrução dos países destruídos.

Em meio à simultânea ocupação e destruição de diversos países nos últimos anos (Iraque, Afeganistão, Líbia), já começam a preparar as próximas agressões: a Síria e o Irã se destacam na atual fila. Todos os países vítimas são criteriosamente escolhidos segundo objetivos estratégicos hegemonistas.

Os métodos são sempre os mesmos: satanização, manipulação,estímulo ao sectarismo e a divisões entre nacionalidades, cooptações, criação ou supervalorização midiática de manifestações e rebeldias, atentados de falsabandeira. 

Daqui a algum tempo, poderemos estar diante de uma invasão deum país que, no dia de hoje, pareça-nos improvável.

Na guerra permanente, pelo menos nesta fase, têm sidopoupados os chamados países emergentes, sócios minoritários do imperialismo,que legitimam a política das grandes potências, compondo, como atores coadjuvantes, o chamado Grupo dos 20. Seus mandatários aparecem na fotografia que simboliza o consenso entre os parceiros, mas as grandes decisões são tomadas em fóruns reservados, de que nunca se tem notícia. .

Estes países emergentes (os chamados BRICS) se têm beneficiado da crise, na medida em que ajudam a superá-la; em seguida, poderão ser as próximas vítimas tanto da crise como de agressões militares. Fazem o jogo de linha auxiliar do imperialismo, como na omissão vergonhosa em relação à invasão da Líbia. Só levantam a voz quando algum interesse nacional é ameaçado.Caso contrário, lavam as mãos. 

Em nosso país, nunca os banqueiros, as empreiteiras, o agronegócio e os monopólios tiveram tanto lucro. A política econômica e a política externa do estado brasileiro estão a serviço do projeto de fazer do Brasil uma grande potência capitalista internacional, nos marcos do imperialismo. As empresas multinacionais de origem brasileira, alavancadas por financiamentos públicos, já dominam alguns mercados em outros países,notadamente na América Latina.

Já a guerra contra os trabalhadores independe da classificação do país. É levada a efeito nas grandes potências, nos países emergentes e nos periféricos. 

Em meio a esta grave crise e sem a consolidação ainda de um importante pólo de resistência proletária, o capital  realiza uma violenta ofensiva para retirar dos trabalhadores os poucos direitos que lhes restam.

Para fazê-lo, tentam cada vez mais fascistizar as sociedades, criminalizar os movimentos políticos e sociais antagônicos à ordem. A correlação de forças ainda nos é desfavorável. Ainda sofremos o impacto da contra-revolução na União Soviética e da degeneração de muitos partidos ditos de esquerda e de setores do movimento sindical.
Analisando este quadro, o PCB tem feito algumas reflexões. 

- A nosso juízo, não há mais espaço para ilusões reformistas.Aliás, os reformistas, mais do que nunca, são grandes inimigos da revolução socialista, pois iludem os trabalhadores e os desmobilizam, facilitando o trabalho do capital. Em cada país, as classes dominantes forjam um bipartidarismo– em verdade um monopartidarismo bicéfalo – em que as divergências, cada vez menores, se dão no campo da administração do capital. Como não conseguem gerenciar a crise, aqueles que fazem o papel de oposição de turno invariavelmente vencem as eleições seguintes. É o que chamam de “alternância de poder”.

- Perdem sentido projetos nacional-desenvolvimentistas, não só porque é impossível desligar as economias capitalistas locais da esfera do imperialismo como também porque há cada vez menos contradições entre este e o núcleo hegemônico das chamadas burguesias nacionais.

- Cada vez também faz menos sentido a “escolha” de aliados no campo imperialista e mesmo entre seus coadjuvantes emergentes, como se houvesse imperialismo do “bem” e do “mal”. A diferença é apenas na forma, não noconteúdo. Isto não significa subestimar as contradições que vicejam entre eles. 

- Não podemos conciliar com ilusões de transição ao socialismo por vias fundamentalmente institucionais, através de maiorias parlamentares e de ocupação de espaços governamentais e estatais. O jogo da democracia burguesa é de cartas marcadas. A luta de massas, em todas as suas formas, adaptada às diferentes realidades locais, é e continuará sendo a única arma de que dispõe o proletariado.

- Por mais bem intencionados que sejam, correm risco de esgotamento político os processos de mudanças progressistas baseados em líderes populares carismáticos, se esses processos não avançarem na construção do duplopoder, na destruição gradual do estado burguês e na autodefesa popular e demassas.

Temos avaliado também que o atual modelo de encontros de partidos comunistas e operários, que vêm cumprindo importante papel de resistência, precisa se adaptar às complexas necessidades da conjuntura mundial, com suas perspectivas sombrias no curto prazo e suas possibilidades de acirramento da luta de classes, com a emergência das lutas operárias.

Pensamos que é preciso romper com o “encontrismo” em que, aofinal dos eventos, nossos partidos decidem a sede do próximo encontro e sedespedem até o ano seguinte, inclusive aqueles dos países da mesma região.

Para potencializar o protagonismo dos partidos comunistas e do proletariado no âmbito mundial, é necessária e urgente a constituição de uma coordenação política que, sem funcionar como uma nova internacional, tenha a tarefa de organizar campanhas mundiais e regionais de solidariedade, contribuir para o debate de ideias, socializar informações sobre as lutas dos povos.

Mas, para além da indispensável articulação dos comunistas,parece-nos importante a formação de uma frente mundial mais ampla, de caráter antiimperialista, onde cabem forças políticas e individualidades progressistas,que se identifiquem com as lutas em defesa da autodeterminação dos povos, da paz entre eles, da preservação do meio ambiente, das riquezas nacionais, dos direitos trabalhistas, sociais e políticos; contra as guerras imperialistas e afascistização das sociedades. Em resumo, as lutas em defesa da humanidade.

Deixamos claro que o nosso Partido valoriza qualquer forma de luta. Não podemos cair no oportunismo de fazer vistas grossas ao direito dos povos à rebelião e à resistência armada. Em muitos casos, esta é a única forma de fazer frente à violência do capital e de superá-lo. Os povos só podem contar com sua própria força.

Neste marco, concluímos nossa intervenção saudando os povos que hoje enfrentam as mais duras batalhas. Saudamos os trabalhadores gregos e portugueses que já se levantam em greves nacionais e grandes jornadas e os demais trabalhadores da Europa, que enfrentam terríveis planos do capital para tentar superar a crise, hoje mais acentuada no continente europeu e que poderáagravar-se e espalhar-se para outros países e regiões.

Saudamos o povo palestino, em sua saga duradoura e dolorosano enfrentamento ao sionismo que o sufoca e reprime, ocupa seu território,derruba suas casas, prende seus melhores filhos e impede seu direito a um Estado soberano.

Da mesma forma, saudamos os também sofridos povos do Iraque,do Afeganistão, da Líbia. Saudamos os povos do Egito,
do Iêmen e de vários países árabes, em sua luta contra a tirania e a opressão.

Saudamos os sírios e iranianos, contra os quais já batem os tambores de guerra do imperialismo. Sua resistência pode barrar os planos do sinistro consórcio EUA/OTAN/Israel para o Oriente Médio, a África, a Ásia e o mundo em geral.

Chegando até nossa América Latina, saudamos nossa querida Cuba Socialista em sua luta contra o cruel bloqueio ianque. Saudamos nossos Cinco Heróis. Saudamos os processos de mudanças concretas na América do Sul (Venezuela, Bolívia e Equador), neste momento decisivo, uma encruzilhada entre o avanço dos processos ou sua derrota.
Saudamos o povo colombiano que, nas cidades e nas montanhas,resiste, através de variadas formas de luta, contra o estado terrorista de seu país, a grande base militar norte-americana na América Latina, um dos regimes mais sanguinários do mundo.

Concluímos nos associando à proposta de realização de nosso próximo encontro anual no Líbano, em pleno Oriente Médio,palco principal das guerras imperialistas neste período. 

Desde já, reiteramos nossa proposta de criação decoordenações políticas internacionais e regionais dos Partidos Comunistas,tendo como princípio fundamental o internacionalismo proletário.

Atenas, 10 de dezembro de 2011

PCB – Partido Comunista Brasileiro

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011


































Ato de abertura da Conferência Política Nacional do PCB, no Rio de Janeiro (Imagem: José Carlos Alexandre)

Avançar na luta contra o capitalismo e construir a Revolução 


Socialista no Brasil!



    
                 Declaração Política  do PCB

(Conferência Política Nacional – Rio de Janeiro, 12 e 13 de novembro 2011)

Os comunistas do PCB, reunidos na Conferência Política Nacional, realizada no Rio de Janeiro, nos dias 11 e 12 de novembro de 2011, avaliam que a crise sistêmica do capitalismo é profunda e devastadora. Esta crise revela não apenas os efeitos nefastos das políticas econômicas neoliberais vigentes nas últimas décadas em todo o mundo – deixando um rastro de desemprego, perda de direitos sociais e desesperança para a imensa maioria dos trabalhadores – mas a própria natureza do sistema – excludente, concentradora de renda e riqueza, destruidora do planeta, geradora de guerras e promotora do incentivo à exploração do Homem pelo Homem. Mais uma vez, abre-se o horizonte para a única alternativa capaz de garantir a sobrevivência da humanidade e do planeta: o socialismo, na perspectiva do comunismo.
A crise sistêmica do capitalismo confirma as tendências de centralização do capital no plano mundial. Com um número cada vez menor de grandes grupos conglomerados dominando a maior parte da economia internacional, a burguesia busca sair da crise com o recrudescimento da exploração dos trabalhadores. A fim de manter seus lucros, os capitalistas aprofundam a precarização das condições de trabalho e reduzem os salários, ao mesmo tempo em que se verifica um processo crescente de proletarização dos trabalhadores assalariados das camadas médias e do campesinato, pois a ação do capital dirige-se para a formação de novos e amplos contingentes de trabalhadores “livres” para vender barato e de forma precária a sua força de trabalho.
No plano político, governos seguem dando suporte ao grande aparato empresarial e suas demandas, com a transferência de gigantescos recursos financeiros do setor público para “salvar” bancos e indústrias ameaçadas e a promoção de cortes orçamentários nas áreas sociais, demissões de funcionários públicos e a retirada de direitos dos trabalhadores em geral, demonstrando enorme desprezo às crescentes manifestações de oposição e de contestação que vêm ocorrendo por toda parte.
A crise econômica e as diversas manifestações e mobilizações dos trabalhadores levam os governos burgueses de vários países ao limite de sua viabilidade de sustentação, como nos casos da Grécia, da Itália, Portugal, Espanha e outros, cujas políticas de arrocho e cortes orçamentários encontram cada vez maior resistência da parte das populações espoliadas, como no caso dos Estados Unidos.
A própria União Européia vem perdendo substância política e econômica, com o enfraquecimento da zona do Euro. A União Européia vem enfrentando disputas políticas internas e há uma perspectiva real de fragmentação da zona do Euro, o que, somado ao processo de pauperização da periferia européia, enfraquece e ameaça o projeto original burguês da Unificação Européia, cuja legitimidade de representação está em crise.
O imperialismo segue ameaçando a continuidade da existência da humanidade. Depois de ocuparem o Iraque e o Afeganistão, os Estados Unidos e a OTAN invadiram covardemente a Líbia e agora ameaçam a Síria, o Líbano e o Irã, ao passo que Israel segue matando, prendendo e expulsando palestinos de suas terras.
A instalação de mais bases militares na Colômbia e o apoio aberto ao governo terrorista de Santos, a presença ostensiva da CIA no Paraguai e em outros países da América Latina, a reativação da IV Frota, o golpe em Honduras e outras ações evidenciam a investida dos EUA na América Latina, visando garantir a perpetuação de seus interesses, no contraponto às experiências de caráter democrático-popular e anti-imperialista dos movimentos e governos na Venezuela, Bolívia, Equador, assim como à continuidade da revolução socialista em Cuba.
Entre as muitas formas de contraposição e manifestação popular contra os efeitos nefastos da crise econômica e do próprio sistema capitalista, espalham-se pelo mundo os protestos dos chamados movimentos dos indignados, que se apresentam com diferentes conformações e bases sociais nos diversos países onde vêm surgindo. Este é, sem dúvida, um bom sinal do potencial de resistência dos trabalhadores à exploração, mas é preocupante a ausência, na maioria dos casos, de uma direção consequente e de representações sindicais e partidárias no sentido da organização dos trabalhadores e da luta radical pela ruptura com o capitalismo e o poder burguês.
O capitalismo brasileiro, vivendo a fase monopolista e plenamente associado aos capitais mundiais e ao imperialismo, mesmo que de forma subordinada, consolida seu processo de integração internacional, com a expansão de grandes empresas multinacionais de matriz brasileira, principalmente na América Latina. Por isso mesmo e em virtude das políticas governamentais de proteção ao capital e ao mercado nacionais, os efeitos da crise mundial até agora não foram sentidos de forma impactante. Mas é fato que o Brasil não está imune a ela, nem mesmo no curto prazo, conforme indica o aumento da carestia e do arrocho salarial para os trabalhadores de muitos setores da economia, o crescimento recente do desemprego nos setores metalúrgico e têxtil, havendo ainda previsão de freio na produção industrial e de novas demissões futuras.
Ainda que tenha ocorrido, na última década, certo crescimento da economia – inferior aos padrões das décadas de 1950 e 70 –, apresenta-se no Brasil um quadro de alarmante desigualdade social, grande concentração de renda e de propriedade, de exclusão da maioria da população dos direitos sociais. Na área econômica, a presidente Dilma mantém o favorecimento aos bancos e às grandes empresas, não tendo sido operada, desde o início do governo Lula, qualquer reversão das privatizações e das práticas de flexibilização dos direitos trabalhistas e sociais realizadas nos governos FHC.
Muito pelo contrário, verifica-se o aprofundamento da mercantilização da saúde, com a terceirização dos serviços, em vários estados, em favor das Organizações Sociais (OS) e outras formas de privatização, transformando o direito à saúde pública, historicamente conquistado, em mera mercadoria. De igual forma, ocorre progressivamente o desmonte da previdência pública e de inúmeros direitos sociais, como o acesso à Educação, cada vez mais restrito em função do sucateamento da escola pública.
Todo este quadro demonstra a opção feita pelo governo Dilma, de prosseguir na tentativa de transformar o Brasil numa potência capitalista e mesmo imperialista, para o que as ações governistas voltam-se a facilitar a expansão do capital financeiro e industrial monopolista interna e externamente, ao passo que, para os trabalhadores e camadas populares, além das políticas compensatórias para os mais pobres, reserva-se apenas a perspectiva de maior acesso ao mercado de bens de consumo com o prometido crescimento econômico do país, sem que seja minimamente alterada a estrutura desigual e concentradora da sociedade brasileira.
Vivemos sob a hegemonia acachapante dos valores burgueses, uma hegemonia que se sustenta – para além da enorme pressão da grande mídia capitalista – pela base material criada com a relativa expansão na oferta de empregos extremamente precarizados e pelo incentivo ao consumo via facilitação do crédito, mesmo para as camadas de baixa renda, uma hegemonia que induz à acomodação, desestimulando a luta e dificultando a organização dos trabalhadores.
Entre muitos outros mecanismos, como a ação da grande mídia, esta hegemonia conservadora é respaldada por forças políticas reformistas que dão sustentação ao governo, inclusive através de organizações sindicais e sociais cooptadas e degeneradas. Muitas Ongs e movimentos que se apresentam como “apartidários”, dedicados a lutas parciais e específicas, são também reprodutores desta hegemonia, contribuindo para a elevação do grau de alienação das massas e dificultando a eclosão de movimentos populares claramente anticapitalistas e com disposição para caminhar no rumo da alternativa socialista.
Em que pese o quadro político desfavorável, os trabalhadores brasileiros resistem à exploração de diversas formas. Neste ano eclodiram em todo o país greves e manifestações populares, com destaque para a paralisação dos operários nos canteiros das obras do PAC, a luta dos bombeiros no Rio, dos professores em oito estados, metalúrgicos, bancários, trabalhadores dos correios, profissionais da saúde e outras áreas.
Além disso, ressurgem com força vários movimentos de caráter comunitário e de lutas gerais em defesa da terra, moradia, do meio ambiente e outras. Tais ações evidenciam certa retomada do sindicalismo e dos movimentos populares, que reassumem gradativamente papel de destaque no cenário político nacional.
Reunido em sua Conferência Política Nacional, o Partido Comunista Brasileiro, em seu processo de reconstrução revolucionária e à luz do entendimento do caráter socialista da Revolução brasileira, defende que somente a unidade das forças revolucionárias, a organização e o aprofundamento da consciência de classe dos trabalhadores farão avançar a luta anticapitalista e a construção da alternativa socialista no Brasil. Uma frente de esquerda não pode ser apenas uma coligação eleitoral. Tem que ser uma frente política permanente, forjada na unidade de ação, no movimento sindical, nas lutas populares e na solidariedade internacional, voltada ao combate ativo às ações da burguesia e do imperialismo.
É preciso avançar na organização da luta sindical – com a recomposição do campo original da Intersindical e sua ampliação –, dos trabalhadores da cidade e do campo, das lutas da juventude, das mulheres, das camadas populares, da solidariedade internacionalista. Reafirmamos a proposta de formação de uma Frente Anticapitalista e Anti-imperialista e a constituição, nas experiências cotidianas das lutas dos trabalhadores e das forças populares, do Poder Popular, buscando forjar, desde agora, o caminho da Revolução Socialista no Brasil.
Conferência Política Nacional do PCB
Novembro de 2011

domingo, 4 de dezembro de 2011

53a. Caravana da Anistia homenageia Carlos Matighella

                                        
O militante e ex-perseguido político Carlos Marighella será o homenageado na 53ª Caravana da Anistia, a ser realizada em 5 e 6 de dezembro, em Salvador. O primeiro dia, no Teatro Vila Velha, será dedicado ao exame do seu processo de Anistia e ao centenário de Marighella. Na ocasião, lança-se também do Pró Memorial Marighella Vive, que reúne acervo sobre o ex-perseguido político.
Participam como convidados dessa solenidade, os vice-presidentes da Comissão de Anistia e Egmar de Oliveira, Sueli Bellato; o governador da Bahia, Jacques Wagner, o secretário-executivo da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ramaís de Castro; o secretario da Cultura da Bahia, Albino Rubim e o presidente do Grupo Tortura Nunca Mais – Bahia, Joviniano Soares de Carvalho Neto; além de Clara Charf e Carlos Augusto Marighella, viúva e filho de Marighella.
No dia 6 de dezembro, no Conselho Estadual de Cultura da Bahia, serão julgados 16 processos. São 15 baianos e o ex-perseguido político paulista Mario Barbate, que doará documentos sobre Carlos Marighella ao Pró Memorial. (Confira programação).
História
Filho de imigrantes italianos, Marighella lutou pela inclusão dos direitos econômicos das classes populares. Ele sonhava com um Brasil livre da submissão ao capital estrangeiro. Sua primeira prisão foi em 1932, após escrever um poema contendo críticas ao interventor Juracy Magalhães. Libertado, continuou na militância política no Rio de Janeiro. Em 1° de maio de 1936, Marighella foi novamente preso e enfrentou, durante 23 dias, torturas. Permaneceu encarcerado por um ano.
Já em São Paulo, Marighella trabalhou na reorganização dos revolucionários comunistas e combateu a ditadura de Getúlio Vargas. Em 1939, foi preso novamente, sendo mais uma vez torturado na Delegacia de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo.
Nos presídios de Fernando de Noronha e Ilha Grande pelo seis anos seguintes, dirigiu sua energia revolucionária ao trabalho de educação cultural e política dos companheiros de cadeia.
Participou do processo de redemocratização do país e da reorganização do Partido Comunista depois que foi anistiado em abril de 1945. Foi eleito deputado federal constituinte pelo estado da Bahia. Em 1948, foi obrigado a retornar à clandestinidade condição em que permaneceria por mais de duas décadas, até seu assassinato.
Nos anos 1950, voltou a exercer novamente a militância em São Paulo e tomou parte nas lutas populares do período. Após o golpe militar de 1964, Marighella foi localizado por agentes do DOPS carioca em 9 de maio num cinema do bairro da Tijuca. Enfrentou os policiais que o cercavam com socos e gritos de “Abaixo a ditadura militar fascista” e “Viva a democracia”, recebendo um tiro a queima-roupa no peito. O episódio está descrito no livro “Por que resisti à prisão”.
Desse momento em diante, intensificou o combate à ditadura. Em dezembro de 1966, em carta à Comissão Executiva do PCB, solicitou o desligamento da mesma. Fundou a Ação Libertadora Nacional para enfrentar a ditadura.
Marighella passou a ser apontado como inimigo público do Estado, transformando-se em alvo da polícia política. Na noite de 4 de novembro de 1969, foi surpreendido por uma emboscada na alameda Casa Branca, na capital paulista, quando foi assassinado por agentes do DOPS.
Pauta dos processos a serem julgados
Nilton Jorge Kosminsky: acusado de pertencer ao MR-8 e exilou-se do México para não ser preso.
Aristiliano Soeiro Braga: estudante preso em 1964 e 1970.
Juvenal Silva Souza: ao participar de passeata contra prisão dos estudantes em Ibiúna (SP) foi alvejado por tiros da polícia. Exilado na Itália.
Manoel Barreto da Rocha Neto: foi preso duas vezes em 1971 quando era estudante. Respondeu a Inquérito Policial Militar e foi absolvido em 1973. Era professor da UFBA e teve o contrato cancelado em 1976.
Evan Felipe de Souza: preso em 1972 na fábrica em que trabalhava. Respondeu ao IPM 22/72 que foi instaurado para apurar as atividades da POLOP no Estado da Bahia.
Lourival Soares Gusmão: preso em 1982 por participar do lançamento da revista Cartilha do Araguaia. Foi posto em liberdade 19 dias depois.
Josafá Costa Miranda: preso em 1972 por ser acusado de ser militante da Organização de Combate Marxista Leninista – Política Operária CML – PO.
Delmiro Martinez Baqueiro: ex-funcionário da Petrobras. Foi preso em 1972 por ser um dos membros da OCML-PO e em 1973 foi condenado a três anos de reclusão.
Luiz Carlos Café da Silva: ex-funcionário do INSS, sofreu perseguição por ter respondido IPM em 1964. Foi compelido a pedir exoneração.
Tânia Aarão Reis: filha de ex-preso político banido do país em 1971. Nasceu no Chile em 1973 e somente conseguiu passaporte brasileiro em 1980.
Jairo Cedraz de Oliveira: participou do Movimento Estudantil Secundarista em 1966 e foi membro da POLOP em 1967.
Mário Barbate: foi encarregado da tipografia do PCB em São Paulo, em 1940. Alega que foi preso em 1941 por ser responsável pela tipografia de vários manifestos contra o governo da época.
Sinval Araújo De Andrade e Lucia Maria Pereira De Andrade: ex-funcionário da Petrobras. Demitido em 1965.
Edmundo Dias De Fariase: ex-funcionário da Caraíba Metais S/A. Metalúrgico do Pólo Petroquímico de Camaçari. Demitido por participar do movimento grevista.
Wesly Macedo de Almeida: foi preso em 1970 e respondeu a IMP instaurado para apurar atividades subversivas do PC do B e do PCBR, pelo qual foi condenado a três anos de reclusão.

A situação do movimento comunista internacional




Nesta“Coleção de artigos e contribuições”pode ficar a conhecer as posições e análises do KKE sobre questões atuais do movimento comunista internacional.

No primeiro capítulo, sob o título “A situação do movimento comunista internacional”, encontra dois artigos sobre a situação do movimento comunista internacional e os problemas políticos e ideológicos que está a enfrentar. Os artigos incluem também as avaliações do KKE sobre o curso deste movimento e dos Encontros Internacionais dos Partidos Comunistas e Operários, assim como a perspectiva do KKE sobre a formação de um pólo comunista pelos partidos comunistas que defendem o marxismoleninismo, a necessidade do derrube revolucionário do capitalismo e a actualidade do socialismo.
No segundo capítulo, intitulado “Sobre assuntos internacionais atuais”, podem ler as posições do KKE sobre questões atuais, como, por exemplo, o 20.º aniversário da queda do Muro de Berlim; assim como as posições do KKE sobre a crise capitalista, tal como foram formuladas no 11.º Encontro de Partidos Comunistas e Operários, na Índia, ou sobre a avaliação das relações entre os estados, a nível internacional, sob as condições do imperialismo, e a atitude dos comunistas perante as organizações interestatais como a ONU.
No terceiro capítulo podem ler artigos de quadros do KKE sobre a situação do movimento comunista europeu, as iniciativas do KKE, bem como as suas atitudes perante a UE.
O quarto capítulo inclui apreciações do KKE sobre a mudança da correlação de forças na América Latina e sobre a teoria oportunista do socialismo do século XXI.
O quinto e sexto capítulos incluem contribuições do KKE nos encontros de partidos comunistas no Médio Oriente e nos Balcãs, que destacam diversas questões sobre o desenvolvimento e a atividade dos comunistas naquela região.
Por último, o sétimo capítulo inclui dois artigos informativos da Secção Internacional do CC acerca do XVIII Congresso do KKE e dos resultados das últimas eleições nacionais.
A edição também inclui fotos da ação dos comunistas no ano que passou [não incluídas nesta publicação NT].




Coleção de artigos e contribuições
sobre questões atuais do movimento comunista internacional.


[Sistematização]

Capítulo I – A situação no movimento comunista internacional

  1. G. MARINOS: “O movimento comunista internacional atual e a posição do KKE”
  2. N. SERETAKIS: “Encontros Internacionais de Partidos Comunistas e Operários”

Capítulo III –Questões regionais – EUROPA

  1. K. PAPADAKIS: “A dimensão europeia do oportunismo contemporâneo e a luta do movimento comunista”
  2. E. VAGENAS: “A União Europeia da guerra e do capital é perigosa para os povos”

Capítulo IV – Questões regionais – AMÉRICA LATINA

  1. K. PAPASTAVROU: “O movimento comunista e a mudança da correlação de forças na América Latina”
  2. D. KARAGIANNIS: “Sobre a teoria oportunista do‘socialismo do século XXI’”

Capítulo V – Questões regionais – MÉDIO ORIENTE

1. G. MARINOS:“Contribuição no Encontro Internacional extraordinário de Partidos Comunistas e Operários, na Síria, sobre a situação no Médio Oriente e a solidariedade com o povo da Palestina (2829/9/2009) ”

Capítulo VI – Questões regionais – BALCÃS

1. G. MARINOS:“Contribuição no Encontro de Partidos Comunistas e Operários dos balcãs, em Tessalónica (19/12/2009) ”

Capítulo VII –Questões regionais – GRÉCIA

  1. Artigo informativo da Secção de Relações Internacionais do CC do KKE, sobre o XVIII Congresso
  2. Artigo informativo da Secção de Relações Internacionais do CC do KKE, sobre os resultados das eleições nacionais de 2009