quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Ato Político antecede a Conferência Estadual do PCB na Câmara Municipal

                                                                      
                 

O Comitê Estadual do PCB/MG, convida todos os militantes, amigos e aliados
para o ato político de abertura da etapa estadual Conferência Político e de Organização nacional do PCB.

Na ocasião teremos como palestrante o camarada Eduardo Serra, membro do Comitê Central, que falará sobre o projeto do Partido de construção do Poder Popular rumo ao Socialismo.

A etapa estadual da Conferência Política e de Organização do Partido Comunista Brasileiro será realizada na Câmara Municipal de BH nos dias 23 e 24 de janeiro.

Já a Conferência Nacional do PCB será realizada  no Rio de Janeiro, de 25 a 27 de março, com o seguinte temário:
1 - Inserção do PCB no movimento de massas e na classe trabalhadora; O Papel das Frentes de Massa e sua Relação com o PCB.
2 - O Poder Popular;
3 - Organização para um partido revolucionário.


Metalúrgicos de São José dos Campos em greve por participação nos lucros

                                                                   
                                                               
Os metalúrgicos da General Motors (GM) de São José dos Campos rejeitaram  a proposta da segunda parcela de Participação nos Lucros e Resultados (PLR) apresentada pela montadora e decidiram manter a greve iniciada dia 18 por tempo indeterminado. Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos, a montadora ofereceu R$ 5.000, enquanto os trabalhadores reivindicam R$ 6.405. A proposta inicial da empresa era de R$ 4.250,00.

De acordo com o sindicato, a greve parou 100% das atividades e pressionou a empresa a avançar nas negociações, mas o avanço foi insuficiente e rejeitado por ampla maioria dos trabalhadores. “O valor mínimo aceitável é R$ 6.405, que equivale a 86% da tabela que temos há dois anos", disse o presidente do sindicato, Antônio Ferreira de Barros.

O sindicato busca uma nova negociação com a empresa ainda hoje. A GM também não pagou a segunda parcela da PLR para as fábricas de São Caetano do Sul e Gravataí. Em São Caetano, os trabalhadores já protocolaram aviso de greve.

A fábrica de São José dos Campos produz os modelos S10 e Trailblazer, além de motores e transmissão. A GM tem 4.800 trabalhadores, sendo que cerca de 600 estão em lay-off (com o contrato de trabalho suspenso) até o dia 31 de janeiro. (Com a Agência Brasil)

Unidade Classista promove lançamento de biografia de Luiz Carlos Prestes em Santos


                                                           

Em 14 de janeiro houve, em Santos-SP, pela primeira vez em todo o estado, o lançamento do livro “Luiz Carlos Prestes: um comunista brasileiro” com a presença de sua autora, a professora emérita do Departamento de História da UFRJ Anita Leocádia Prestes, filha dos comunistas históricos Olga Benário e o próprio Luiz Carlos Prestes.

A realização do evento, organizada pela corrente sindical Unidade Classista e pelos militantes do Partido Comunista Brasileiro, teve o inestimável apoio do Sindicato dos Servidores Públicos Municipais de Santos (SINDSERV) e do Sindicato dos Siderúrgicos e Metalúrgicos da Baixada Santista (STISMMMEC), ambos importantes instrumentos de luta e resistência da classe trabalhadora.

Apesar dos contratempos – entre eles um preocupante vazamento de gás no Porto de Santos, que liberou uma fumaça tóxica um pouco antes do início do evento e da forte chuva – a presença das pessoas superou todas as expectativas.

A preleção de Anita cativou a todos por sua precisão e contundência, munindo a todos de elementos calcados na ciência histórica tão necessários para uma rica formação de cultura política.

A tônica do discurso foi a de que toda a afirmação durante a palestra estava presente no livro acompanhada de fontes documentais, exalando compromisso genuíno com a verdade, confrontando campanhas de calúnias e boicotes que Prestes e os comunistas em geral sofreram e sofrem deliberadamente para que a luta de classes e as manifestações da questão social sejam abafadas.

A palestrante não deixou de sublinhar o papel de destaque que a cidade de Santos possuiu no movimento de trabalhadores, tendo sido conhecida por apelidos como “Cidade Vermelha” e “Moscou Brasileira” devido ao trabalho dos comunistas do PCB no município, cuja combatividade foi exemplar para todo o Brasil.

Após o fim da sessão de perguntas do público, antes do início dos autógrafos, o público gritou uníssono: CAMARADA LUIZ CARLOS PRESTES, PRESENTE!

UNIDADE CLASSISTA DA BAIXADA SANTISTA

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Juventude produz documentário que conta a história dos Sem Terra em MG



Produzido pelo coletivo de juventude Lampiões de Minas, o documentário “Marcha aos Sonhos” retrata a história do Assentamento Dênis Gonçalves, antigo latifúndio Fortaleza de Sant’Anna e conta um pouco dos sonhos dos jovens assentados.

O filme tem objetivo de dialogar com a população da região sobre o que é o MST, seu projeto de Reforma Agrária Popular e o que significa a chegada do Movimento para os trabalhadores da antiga fazenda.

Resultado de um ano de trabalho, o processo de produção começou com oficinas de planejamento do roteiro e introdução à filmagem. Em seguida, os jovens realizaram as entrevistas com os sem terra e os colonos, antigos trabalhadores do local.

As oficinas são fruto de uma parceria entre o MST, a Universidade Federal de Juiz de Fora, o Levante Popular da Juventude e professores que organizam o Curso de Realidade Brasileira Jovem, na Escola Estadual Central de Juiz de Fora.

O Assentamento

A antiga fazenda foi ocupada em 25 de março de 2010 com o apoio de estudantes das Universidades Federais de Viçosa e Juiz de Fora. As famílias sofreram despejo antes de completar um ano de ocupação e se abrigaram à beira da MG 353, que liga Goianá a Juiz de Fora.

Após anos de resistência, a terra conquistada abrigará 120 famílias em seus 4.213 ha. Os assentados já possuem ampla produção agroecológica de verduras, feijão, mandioca, leite e queijo. Atualmente, procuram desenvolver a cooperação e luta com agroindústrias, escola e preservação do amplo patrimônio histórico da área, além da construção de uma rádio na comunidade. 

(Com o MST)

Por que tanta histeria contra Cuba?

                                                                           
      Quadros de Helder Becerra durante a Convenção baiana de solidariedade a Cuba/2015

Rodrigo Choinski

Cuba está na boca do povo e não foram os comunistas que colocaram, pelo contrário, são os conservadores de direita que insistem em lembrar da ilha caribenha. Expressões como “vai pra Cuba” são abundantemente usadas para atacar qualquer posicionamento de esquerda – e para os histéricos até trocar o carro por bicicleta já virou “subversão” comunista.


Outro episódio nesta novela foi a reação non sense contra os médicos cubanos – criticados só por serem cubanos (e também por serem a maioria negros), acusados de estarem formando um exército secreto para implementar o comunismo no Brasil - isso mesmo, amiguinho, não parece piada que pessoas adultas acreditem nisso...

Enfim, o cenário polarizado da eleição de 2014 só jogou mais lenha na fogueira, mas agora pensem comigo, porque Cuba está tão evidentemente na cabeça das pessoas? Será que alguma intuição de que há algo ali diferente dessa normalidade globalizada pós-moderna-ser-escravo-é-cool-vista-a-camisa-da-empresa.

Seja este um palpite correto ou não a verdade é que os ataques contra Cuba funcionavam muito bem dentro de uma sociedade conservadora e controlada por uma ditadura militar, com todos os meios de comunicação atuando para demonizar qualquer regime contrário aos Estados Unidos e Europa Ocidental. Mas este tempo passou.

Hoje mais de 50% dos brasileiros estão dispostos a apoiar uma saída de esquerda – como demonstrou a eleição – mesmo aqueles que não consideram que o PT e os governos de Lula e Dilma representem verdadeiramente uma saída à esquerda tem de admitir que as pessoas votaram em um partido que não tem apoio algum na mídia e é vendido sim como um partido de esquerda, seja para defendê-lo seja para criticá-lo.

A Globo está triste, ainda subsiste um entusiasmo na esperança da extrema-direita retomar o Poder Executivo, mas não descarte a possibilidade de em breve ver o Bone cabisbaixo tomando um whisky (daqueles que a garrafa custa mais de mil dólares) em algum boteco (chique, em Miami ou nas Bahamas). 

O mundo colorido dos Marinho, em que podiam manipular a sociedade como um cachorrinho adestrado acabou. Eles já não podem ver tranquilamente os que ameaçavam seu poder ser simplesmente torturados, mortos e jogados na vala comum pela ditadura militar, isso ficou no passado.

E Cuba continua lá, apesar de não aderir à democradura ocidental pluripartidária (em que você pode ter diversos partidos mas todos devem obedecer os banqueiros, empreiteiros e diplomatas americanos) a participação da população nas eleições é maciça, com um processo muito mais transparente que no Brasil. 

Além disso, tem um dos melhores sistema educacionais e de saúde do mundo: totalmente gratuito, sua indústria farmacêutica é de ponta e apesar da falta de recursos (o PIB per capita é metade do brasileiro) seu IDH deixa países como o Brasil no chinelo.

E pior para os conservadores, a alguns quilometros da costa cubana um dos mais marcantes exemplos do que acontece com países que (obrigados) seguem as diretrizes econômicas dos Estados Unidos, o Haiti, um verdadeiro paraíso natural como são as ilhas da região, é um dos países mais pobres do mundo com uma população mendicante colocadas de joelhos devido às seguidas intervenções militares dos EUA e da ONU ( e no comando um país otário, que acredita que pode conseguir uma vaga no Conselho de Segurança fazendo o serviço sujo da política externa norte-americana).

Quem duvida que estes 50%, já simpáticos a uma saída de esquerda, em um país extremamente desigual, em que 37% das famílias vivem com MENOS DE R$ 350,00 por pessoa, ouvindo soar dia após dia a palavra “Cuba” nos seus ouvidos, se tornem um tanto simpáticos pelo regime socialista que de forma digna e eu diria até heroica sobrevive entre as potências ocidentais intervencionistas (Siria, Líbia e Iraque que o diga) - isso estando a pouco mais de 500 quilômetros de Miami. 

Com o Diário Liberdade)

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

Morre o ex-presidente da Federação Latino-americana de Jornalistas e fundador do "Granma"

                                                         
                                                                  
 Ernesto Vera Méndez foi presidente da União dos Jornalistas e Escritores de Cuba (UPEC), entre 1966 e 1986 e depois presidiu a Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap)

Na manhã de domingo 10 de janeiro faleceu em Havana, aos 86 anos de idade, o companheiro Ernesto Vera Méndez, presidente de Honra da União dos Jornalistas de Cuba (UPEC) e da Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap), que havia nascido em 29 de julho de 1929 em Sagua la Grande, antiga província de Las Villas.

Com uma relevante trajetória revolucionária e jornalística desde os anos 1955-56 na imprensa clandestina e no Movimento 26 de Julho, Ernesto Vera Méndez enfrentou a perseguição, cárcere, a censura e o exílio por parte da tirania de Batista. Também participou da edição e distribuição clandestinas dos jornais Revolución e Vanguardia Obrera.

Depois do triunfo revolucionário, ocupou importantes responsabilidades na imprensa, como diretor do jornal La Calle, primeiramente e depois de La Tarde, vice-diretor do jornal Revolución, fundador do jornal Granma, em 1965, do qual chegou a ser vice-diretor. Foi fundador do Partido Comunista de Cuba.

No ano 1966, no Segundo Congresso da UPEC, foi eleito presidente, função que desempenhou até 1986, quando passou a presidir a Federação Latino-americana de Jornalistas (Felap).

Durante muitos anos Ernesto foi professor da Universidade de Havana e no Instituto Internacional de Jornalismo José Martí. Foi vice-presidente da Organização Internacional de Jornalistas (OIP) e se desempenhou como diretor do Gabinete Regional para a América Latina, com sede no México.

Ao longo de sua frutífera vida e pelos serviços prestados recebeu inúmeras distinções e reconhecimentos, entre eles, o Prêmio Nacional de Jornalismo José Martí pela Obra da Vida.

A cerimônia fúnebre do companheiro Ernesto Vera teve lugar em 11 de janeiro na Funerária de Calzada y K, em Havana e foi enterrado no Panteão dos Veteranos do cemitério Colombo, de Havana, onde recebeu homenagem.

domingo, 17 de janeiro de 2016

O que vi quando visitei a Coreia do Norte


                                                                    
                                                               Marcel Cartier
Apresentação das forças armadas da Coreia do Norte em Pyongyang (Arquivo)
                                                                                                
Jornalista dos EUA visita a Coreia do Norte e "corrige" alguns equívocos que a mídia ocidental propaga sobre o país. Confira mitos, verdades e episódios que podem surpreendê-lo

Tive a oportunidade única de pas­sar vários dias em três partes diferentes da República Popular Democrática da Coreia, mais comumente referida apenas como Coreia do Norte. Aqui estão algu­mas coisas sobre o país que podem sur­preendê-lo.

1. Os americanos não são odiados, mas bem-vindos

O alto nível de consciência de classe dos coreanos faz com que eles não con­fundam o povo estadunidense com o seu governo. Os coreanos não fazem segredo quanto ao seu desprezo pelo imperialis­mo dos EUA, mas se você diz que é um estadunidense, a conversa geralmente gira muito mais em torno de temas cul­turais ou relacionados a esportes do que de política.

Na biblioteca The Grand Pe­ople's Study House, localizada em Pyon­gyang, o CD mais popular é o Greatest Hits, dos Beatles, embora Linkin Park também seja bastante solicitado entre a juventude local. Os jovens parecem fasci­nados pela NBA e sabem muito mais so­bre a liga de basquete e seu campeonato do que apenas sobre o ex-jogador Den­nis Rodman.

2. Fronteira e alfândega

Muitos dos ocidentais que viajaram de Pequim para Pyongyang comigo es­tavam preocupados que o procedimen­to de imigração seria longo e intenso. Todos pareciam muito surpresos que os passaportes foram carimbados, sem perguntas, e que apenas um punhado de passageiros teve alguns itens de su­as malas olhados.

Antes de viajar, é al­tamente recomendável por empresas de turismo que as pessoas não tragam qualquer livro sobre a Guerra da Coreia ou itens que estampem bandeiras dos Estados Unidos. Este pode ser um con­selho sólido, mas a imigração realmente não parece muito preocupada com o que é trazido para o país.

3. Pyongyang é bonita, limpa e colorida

Provavelmente uma das cidades mais lindas do mundo, Pyongyang está incrivel­mente bem conservada. Considerando­-se que toda a cidade foi bombardeada pelas forças dos EUA na Guerra da Co­reia (que eles chamam de Guerra de Li­bertação Pátria) e que apenas dois edi­fícios permaneceram em pé em 1953, é uma realização impressionante. 

As es­tátuas e grandes edifícios são inspira­dores, assim como são os grandes espa­ços verdes, onde você pode ver as pesso­as relaxando. Há muitos novos prédios surgindo em toda a cidade, mas mesmo os que são evidentemente mais antigos são bem mantidos. Costuma-se dizer que Pyongyang durante a noite é escura, e embora possa ser comparada a uma ci­dade ocidental, ela tem belas luzes que iluminam muito o centro da cidade.

4. Cabelo a la Kim Jong-Un

Quando eu estava a caminho do aero­porto para o centro da cidade, vi apenas um homem usando o "corte de cabelo a la Kim", que, aliás, não me pareceu na­da bom. Os rumores quanto à obrigato­riedade de todos os homens da Coreia do Norte em idade universitária terem de usar o mesmo corte do líder norte-core­ano surgiram após a BBC e a Time vei­cularem a história de um tabloide sul-co­reano. Essa história não só não é verda­de, assim como também não é a alegação de que os homens no país só teriam um número seleto de cortes para escolher na barbearia, sancionado pelo Estado.

5. Norte-coreanos sorriem muito

A pergunta que você deve estar se per­guntando é: "Mas eles não sorriem por­que são forçados a isso?". Isso seria um grande feito se para todos os risos genu­ínos que eu compartilhei com os corea­nos, eles estiverem apenas rindo "para inglês ver".

6. Ideologia monolítica não significa personalidade monolítica

Este é um bom lembrete quanto ao fato de individualismo e individualidade não serem a mesma coisa. Na realidade, ob­servando as pessoas interagirem umas com as outras me deu a impressão que a diversidade de tipos de personalidade é tão forte quanto o é no "liberado" Oci­dente. As pessoas têm uma divergência de interesses, desde esportes à cultura, e são livres para escolher o que eles gostam e desgostam.

7. As pessoas se vestem incrivelmente bem no país todo

Até mesmo no campo, os coreanos se vestem de maneira muito digna. Não houve um só lugar que viajei onde as pes­soas parecessem malvestidas ou vestindo roupas que parecessem ser velhas. Ho­mens e mulheres também não vestem o mesmo estilo de roupa, como somos con­dicionados a pensar. É comum ver mu­lheres usando roupas bem brilhantes, in­cluindo ternos e vestidos tradicionais co­reanos de cor pink. Os homens usam gra­vata, camisas de cola e ternos, mas tam­bém não é incomum vê-los em roupas mais casuais, como moletons, dependen­do da ocasião.

8. As crianças começam a aprender inglês aos 7 anos

O domínio da língua inglesa, particu­larmente pela geração mais nova, im­pressiona. Nas décadas anteriores, a época de aprender inglês era no cole­gial. Mas isso foi mudado para a tercei­ra série do ginásio agora. Embora muitas crianças sejam tímidas (no final das con­tas, elas não veem muitos estrangeiros), muitas delas apertaram minhas mãos e até mesmo trocaram poucas palavras em inglês comigo. Entre as línguas popula­res estudadas no colegial estão o chinês e o alemão.

9. O turismo será incentivado num futuro próximo

Um dos aspectos da economia que se­rão priorizados no futuro parece ser o tu­rismo. No momento, todo o aeroporto de Pyongyang está em obras - e sendo ex­pandido. Os coreanos estão dispostos a se abrir para o mundo, mas também es­tão certos de fazerem isso de maneira di­ferente da dos chineses (após ter estado em Pequim e visto a onipotência de al­guns dos piores aspectos da cultural oci­dental, isso os dá toda a razão para te­rem cuidado a esse respeito). 

A compa­nhia Air Koryo, a qual foi concedida ape­nas 1-estrela pela companhia SkyTrax, na realidade, foi muito melhor em ter­mos de serviço e conforto do que ao me­nos um dúzia de outras companhias aé­reas que já voei. Eles têm uma nova fro­ta de aviões russos que voam entre Pyon­gyang e Pequim, proveem entretenimen­to a bordo ao longo de toda a viagem (o desenho para crianças Clever Raccoon Dog é hilário) e servem um "hambúr­guer" (que não é muito bom, mas comí­vel) e uma variedade de bebidas (café, chá, cerveja e suco). Toda a experiência valeria no mínimo 3 estrelas se tivésse­mos que avaliá-la para valer.

10. Coreanos estão dispostos a falar sobre seu país de maneira aberta

As pessoas estão bem abertas para fa­lar a respeito dos problemas que o país enfrenta e não se furtam em discutir al­guns dos mais difíceis aspectos da vida. Por exemplo, eles falam sobre a "Marcha Árdua" (pense no "Período Especial" em Cuba) quando seca, fome e enchentes so­madas à perda da maioria dos parceiros comerciais do país causaram grandes re­trocessos ao país que até os anos de 1980 tinha uma qualidade de vida mais alta do que a da sua vizinha Coreia do Sul. 

Eles também discutem as narrativas em rela­ção à Guerra da Coreia e estão dispostos a um melhor relacionamento com a Co­reia do Sul na esperança que aconteça a reunificação. Entretanto, também são bem firmes quanto ao fato de que nunca irão renunciar seus princípios socialistas para facilitar essa reunificação.

11. Cerveja e microcervejarias

Quase todos os distritos do país agora têm uma cervejaria local que provê cer­veja para os arredores. Há uma varieda­de de diferentes tipos que são bebidas por todo o país e a maioria das refeições são servidas com uma pequena quantidade de cerveja. No Kim Il Sung Stadium, on­de a maratona de Pyongyang começou e terminou não era incomum ver locais be­bendo cerveja enquanto observavam as partidas-exibição entre os times de fute­bol do país. Pense no estádio dos Yanke­es, sem a agressividade do público.

12. Tabloides

Havia ao menos 100 estaduniden­ses ao mesmo tempo que eu em Pyon­gyang, em grande parte devido aos cor­redores amadores estrangeiros que tive­ram a permissão de competir pela pri­meira vez na maratona. Um casal disse ser esta sua segunda visita ao país, após o terem visitado no ano passado. Eles mencionaram como estavam um pou­co asssustados quando vieram pela pri­meira vez porque isso foi bem depois de uma história que tinha ganhado as man­chetes sobre Kim Jong - um ter mata­do sua namorada e outras pessoas por terem aparecido em uma fita pornô. 

O casal falou de como eles entraram em uma ópera em Pyongyang e assim que sentaram perceberam que a mesma mu­lher que devia estar morta estava sen­tada bem na frente deles. De fato, uma walking dead. Outras histórias recentes que saíram na mídia ocidental via tab­lóides sul-coreanos em relação a execu­ções em massa em estádios ou ao tio de Kim Jong - um ter servido de alimen­to para um bando de cachorros famin­tos também são ditas como sem senti­do por ocidentais que viajam frequente­mente para lá e conhecem bem a situa­ção do país. Isto não é para nada dizer sobre a existência de campos de reedu­cação política ou prisões, mas para fa­lar sobre uma campanha de demoniza­ção contra o país que o distorce comple­tamente e que não ajuda em nada o po­vo coreano

13. Os coreanos não hesitaram em fazer com que você se divirta com eles

Aconteceu uma série de eventos orga­nizados em Pyongyang por ocasião do aniversário de Kim Il Sung, que é um fe­riado nacional quando as pessoas ficam dois dias sem trabalhar. Alguns foram or­ganizados publicamente, como as mass dances, em que centenas de pessoas dan­çam em grandes praças ao som de mú­sicas populares coreanas. Outros even­tos envolveram famílias no parque fazen­do piquenique enquanto crianças com­pravam sorvete e vovós bêbadas dança­vam de forma hilária porque tinham tido muito soju caseiro. Mas, como em qual­quer outro Estado autoritário, você tem que participar! Intimidar-se não é uma opção, já que eles vão te puxar pelo bra­ço e te ensinar a dançar todos os passos mesmo que eles próprios não os estejam fazendo de maneira correta.

Em resumo, eu achei os coreanos do Norte uns dos mais acolhedores e mais autênticos seres humanos que já tive a chance de interagir. Seria tolo referir-se ao país como um "paraíso dos trabalha­dores" devido à profundidade de pro­blemas que enfrenta. Como em todas as sociedades, existem aspectos positi­vos e negativos. 

Entretanto, consideran­do que eles têm superado séculos de do­minação imperial, a perca de quase um quarto de sua população na Guerra da Coreia e continuam a manter seu siste­ma social diante de um continuado esta­do de guerra, eles têm se dado tremen­damente bem. Os sucessos em educa­ção gratuita por meio da Universidade, a não existência de sem-teto e um po­vo orgulhoso e digno deveriam ser apre­sentados no sentido de se ganhar uma imagem do país mais completa e com mais nuances.

Tenho de dizer que a Coreia do Norte pintada pela mídia ocidental na verdade fala mais sobre a eficiência de nosso aparato de propaganda e de téc­nicas de lavagem cerebral do que do de­les. O fato que eu até tenho que escrever sobre as coisas surpreendentes que tes­temunhei é a evidência da séria falta de compreensão que temos sobre o país. Os problemas enfrentados pela Coreia nun­ca são contextualizados como deveriam ser - como uma nação oprimida com o objetivo de libertar-se da servidão das grandes potências que têm a intenção de devorar cada Estado restante livre de uma unipolaridade que morre.

Ah, e eu quase estava esquecendo so­bre as armas nucleares! Bem, vamos considerar se os militares norte-core­anos estivessem realizando exercícios militares anualmente ao largo da cos­ta de Nova Iorque, simulando o bom­bardeio de Manhattan e a ocupação da totalidade do país, o qual já controla a metade ocidental.+

Não seria sensato dado o contexto pa­ra os estadunidenses desenvolverem um arsenal nuclear? Os coreanos não são fa­mintos por guerra ou até mesmo "obce­cados" com o exército ou forças militares. No entanto, dado a forma como a situa­ção na Líbia foi jogada, eles ainda estão mais convencidos - com razão - de que a única razão pela qual o seu Estado inde­pendente continua a existir é devido ao Songun (a política "militares em primei­ro lugar") e a existência de capacidades nucleares. Para ter certeza, eles não têm a intenção de usá-lo a menos que os colo­quem na posição de ter de fazê-lo.

É meu desejo sincero que exista um continuado intercâmbio cultural e inter­pessoal no futuro próximo entre as pes­soas da Coreia do Norte e os países oci­dentais. Praticamente todas as pessoas que viajaram comigo de volta a Pequim estavam em êxtase de quão diferente sua experiência foi, comparado ao que eles esperavam. Eles - como eu - ganharam muito com a experiência humanizado­ra de interagir com os coreanos. Embora os ocidentais sejam relativamente livres para viajar muito mais do que os cida­dãos da Coreia do Norte, é irônico como os coreanos aparentemente sabem muito mais sobre nós do que nós sabemos so­bre eles. Isso terá que mudar nos próxi­mos anos.
 in
- See more at: http://port.pravda.ru/news/mundo/16-01-2016/40194-coreia_norte-0/#sthash.rMowrxH8.dpuf

(Com o Pravda)