segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O futuro da América Latina está sendo jogado na Colômbia e na Venezuela

                                                              
A ofensiva imperialista na América Latina recrudesceu na presente década, diante do avanço do processo heterogêneo de mudanças que experimenta nossa região. Depois da reativação da IV Frota e da instalação de mais bases militares na Colômbia, o imperialismo, em conluio com as oligarquias locais, já derrubou governos progressistas em Honduras e no Paraguai, através de “golpes institucionais”.

A constituição da Aliança do Pacífico é parte dessa ofensiva, destinada a fragilizar as alianças regionais progressistas, como a ALBA, a CELAC, a UNASUL. A mafiosa Sociedade Interamericana de Imprensa impulsiona campanha contra a democratização e o controle social da mídia. Denúncias recentes mostram que a espionagem estadunidense em nossos países é mais profunda e descarada do que imaginávamos. A empáfia colonial chega ao ponto de desrespeitar a soberania boliviana e atentar contra a vida de Evo Morales, emblemático exemplo da resistência dos povos originários.

Além da necessidade de reforçar nossa solidariedade à Revolução Cubana, aos processos na Bolívia e no Equador e à resistência dos povos, a ação dos internacionalistas latino-americanos deve estar concentrada hoje na luta de classes que se desenvolve na Colômbia e na Venezuela.

O futuro da América Latina está sendo jogado nesses dois países de povos irmãos. A derrota do povo venezuelano para a oligarquia e o imperialismo impactaria negativamente a Mesa de Diálogos de Havana. Da mesma forma, a frustração desses diálogos, além de fragilizar e ameaçar o vigoroso e unitário movimento de massas colombiano, também influiria negativamente na Venezuela. Em ambos cenários, a correlação de forças se tornaria desfavorável.

Na Venezuela, segue a ofensiva da direita, valendo-se do desaparecimento físico do Comandante Hugo Chávez e do resultado modesto na vitória legítima de Nicolas Maduro. A simbiose entre as questões colombiana e venezuelana é tão forte que é exatamente neste momento de afirmação de Maduro que Santos recebe o candidato derrotado na Venezuela e ameaça com a integração da Colômbia à OTAN.

É preciso reforçar nossa firme solidariedade ao Presidente Maduro, ao Grande Polo Patriótico Simon Bolivar, em especial ao Partido Comunista de Venezuela, e ao proletariado venezuelano, cujo protagonismo será decisivo para garantir o destravamento do processo bolivariano e seu necessário avanço ao socialismo.

O êxito da Mesa de Diálogos de Havana não é apenas um problema dos colombianos, mas de todos os povos da América Latina e do mundo. Para o desenvolvimento das lutas populares em nosso continente, é preciso radicalizar a revolução bolivariana e desmontar o plano imperialista de atribuir à Colômbia o papel que joga Israel no Oriente Médio.

A oligarquia colombiana quer uma paz dos cemitérios, rápida, sem custos, para criar um ambiente favorável ao desenvolvimento capitalista. Tenta desestabilizar a Venezuela para impor um acordo rebaixado à insurgência. Não nos iludamos com o “pacifismo” da oligarquia e do imperialismo que a dirige. Só recorreram ao diálogo porque fracassou sua guerra contra a insurgência, apesar de todos os imensos recursos militares e financeiros investidos no Plano Colômbia, dos paramilitares, das bases estadunidenses, da assessoria da CIA e da Mossad.

Já os interesses do povo colombiano e das insurgências, que se fundem na mesa de diálogo, são de uma solução política com justiça social e econômica, consolidada através de uma Assembléia Constituinte soberana, com ampla participação popular.

Há dois fatores decisivos para a viabilidade dos entendimentos. Um deles, sem o qual talvez o diálogo não tivesse sequer começado, é o avanço do maior movimento de massas das últimas décadas na América Latina, plural e unitário, congregando milhares de organizações políticas e sociais, que têm na Marcha Patriótica sua maior expressão.

O segundo é a solidariedade internacional a todas as expressões políticas e sociais colombianas progressistas e revolucionárias, nomeadamente à Delegação das Farc em Havana. Mas é preciso respeitar as decisões e o tempo do movimento de massas e da insurgência e combater a ansiedade dos reformistas em pressionar as guerrilhas a se desmilitarizarem, a pretexto de que está atrapalhando a governabilidade e a integração latino-americana. Nossa pressão tem que ser no sentido da ampliação do diálogo e por um necessário cessar fogo bilateral.

Documento do Comitê Central do PCB ao Fórum de São Paulo

sábado, 3 de agosto de 2013

EUA gastam meio bilhão de dólares por ano para manter prisão de Guantánamo

                                                             
 
Estados Unidos - Opera Mundi - Custo anual de cada prisioneiro chega a U$S 2,7 milhões. Cerca de 100 prisioneiros continuam em greve de fome.

O governo dos Estados Unidos gasta US$ 2,7 milhões por prisioneiro de Guantánamo a cada ano, gerando um custo anual de quase meio bilhão de dólares para manter funcionando seu complexo presidiário no leste de Cuba. 

O cálculo foi feito por integrantes do Partido Democrata que fazem campanha pelo fechamento do presídio e os dados apontam que, até o final do próximo ano, os EUA deverão ter gastado mais de U$S 5 bilhões com Guantánamo. As informações são do jornal Miami Herald.

Os gastos deste ano -- US$ 454,1 milhões para operação, equipe e manutenção -- vêm do Departamento de Defesa norte-americano e, segundo o jornal Miami Herald, aparentemente trazem, pela primeira vez, os gastos com tropas militares enviadas à prisão. Desde que foi aberta, em 2002, Guantánamo demanda inúmeras tropas, que recebem tratamento especial para a tarefa.

Apesar da previsão de U$S 5,242 bilhões gastos até o final de 2014, oMiami Herald afirma que os custos totais de Guantánamo devem ser ainda mais altos, pois os dados oficiais parecem não incluir as sedes dos campos do presídio, construídas em 2004 por U$S 13,5 milhões, ou as celas secretas para presos que são ex-agentes da CIA, cujo preço nunca foi divulgado.

O porta-voz de Guantánamo, entretanto, capitão da Marinha Robert Durand, se manifestou dizendo que o valor de U$S 2,7 milhões por prisioneiro representa “custos carregados” de se manter o complexo, que conta hoje com uma equipe de dois mil funcionários e 166 presos, que se dividem em sete tipos diferentes de aprisionamento, incluindo a enfermaria e o hospital psiquiátrico.

Essas informações oficiais do governo norte-americano foram expostas pela primeira vez na semana passada, em sessão do Comitê Judiciário do Senado dos EUA convocada pelo senador Richard Durbin, que já defende o fechamento de Guantánamo há anos.

“Faça as contas: 166 prisioneiros, U$S 454 milhões. Nós estamos gastando U$S 2,7 milhões por ano com cada preso em Guantánamo”, disse, lembrando que na prisão considerada a mais segura dos EUA, no Colorado, cada preso custa em média U$S 78 mil por ano. 

Durbin elogiou as tropas militares que trabalham em Guantánamo, mas fez uma ressalva dizendo que gastos tão altos “seriam fiscalmente irresponsáveis durante tempos econômicos normais”, mas que são ainda piores quando “o Departamento de Defesa está lutando para lidar com o isolamento, incluindo as demissões e os cortes, e treinamento para nossas tropas”.

Greve de fome

Enquanto os gastos financeiros com Guantánamo são questionados e discutidos nos Estados Unidos, cerca de 100 prisioneiros continuam em greve de fome como uma forma de protesto, 45 dos quais sãoalimentados à força duas vezes por dia. A manifestação já dura mais de cinco meses.

Segundo David Reme, um dos advogados dos réus, alguns dos homens em greve correm risco de morte. Vários deles perderam mais de 20 quilos e estão desesperados, diz ele. Alguns podem falecer nos próximos dias.

O protesto foi iniciado no último dia 6 de fevereiro, como reação aos abusos sofridos e contra as condições precárias das detenções, sendo que muitos estão presos há mais de uma década sem que tenha havido qualquer acusação oficial contra eles. Os detentos também recusam o confinamento por tempo indefinido e a apreensão de seus pertences e cópias do Corão, livro sagrado dos muçulmanos.  

Ontem (31/07), a Al-Qaeda se manifestou contra o tratamento dado aos presidiários e a greve de fome na prisão em território cubano e afirmou que fará “todo o possível” para libertar os “irmãos” detidos. (Com o Diário Liberdade)